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17/11/05
Montagem sobre fotos JAbs/Divulgação
O Brasil no ranking mundial
Posição
Nome
Pontos
1
Robert SCHEIDT
5017
34
Andre DELANHESI STREPPEL
3429
65
Andréas REINISCH PERDICARIS
2690
133
Bruno FONTES FERREIRA
1682
197
Eduardo COUTO
1078
215
Carlos FANUCCI
958
432
Rodrigo MEIRELES
372
483
Pedro MASCARENHAS
293
504
Daniel JAKOBSSON
276
653
Fernando BOCCIARELLI
188
663
Ricardo GRASSMANN
184
681
Ronaldo RIBERIRO SENFFT
177
686
Rafael MENDES CHAVES
175
847
Erik LARSEN KUNZE
34

Por Marta Teixeira

Com o anúncio da intenção de Robert Scheidt de trocar a laser pela star a pergunta era inevitável. Sem o octacampeão mundial, quem ocupará a vaga de número 1 do país na classe? A briga está acirrada e dois candidatos se destacam: o porto-alegrense André Streppel e o catarinense Bruno Fontes.

No último Mundial, realizado em Fortaleza, em setembro, a dupla conseguiu terminar na flotilha de ouro, que reúne os 68 melhores velejadores do torneio. Streppel fechou o grupo dos top 10, enquanto Fontes assegurou a 21ª colocação.

Na briga direta entre eles pela condição de melhor do país por enquanto deu empate. Os dois se enfrentaram em seis competições na temporada. Streppel foi melhor em três delas – Pré-olímpica, Mundial e no Sul Brasileiro Audi, encerrado na última segunda-feira, em que foi campeão. Fontes teve desempenho melhor no Brasileiro, na Seletiva para o Mundial e no Europeu da classe. No Sul Brasileiro, ele ficou com a segunda colocação.

“Tudo isso é estranho para mim”, afirma Streppel. “Muitos dizem que eu sou o sucessor, mas dizem o mesmo para o Bruno e é o caso de outros velejadores também. Mas cada um de nós sabe o quanto é difícil ganhar do outro”.

Aos 26 anos, Fontes já conhece bem a ladainha da sucessão. “São quatro anos dessa história de ser sucessor e continua no chove não molha. Nós trabalhamos não em função dele. O Scheidt é como o Senna (Ayrton, da Fórmula 1), o Slater (Kelly, do surfe) e o Schumacher (Michael, da F-1). Essa questão não é só no Brasil, no mundo ninguém vai chegar aonde ele chegou. Talvez daqui a dez, 15 anos pode surgir outro igual”.

Duas vezes medalhista olímpico, o atual secretário da Juventude, Esporte e Lazer de São Paulo, Lars Grael, também acha que as comparações são complicadas. “O parâmetro passou a ser muito difícil na laser a partir de Scheidt. Ele é único. Podemos ter bons velejadores a partir dele, sua técnica é uma referência importante para que novos se espelhem nele. Mas garantia não há”.

Lars avalia a decisão de mudar de classe feita pelo paulista uma ação estratégica. “Ele deixa um legado importante. Foi uma decisão de coragem e estratégica porque, se ele perder na seletiva (olímpica) para o Torben (Grael – campeão olímpico da classe em Atlanta-96 e Atenas-2004 e mundial nos Estados Unidos-90), ainda tem condições de voltar à laser e pode crescer na star, que é a mais difícil das categorias olímpicas. O Torben se perder, pela idade dele, não tem mais para onde ir (nas classes olímpicas)”.

Duas vezes eleito o melhor velejador do mundo (2001 e 2004), campeão olímpico em Atlanta-96 e Atenas-2004, vice-campeão em Sydney-2000, tricampeão pan-americano (Mar del Plata-95, Winnipeg-96 e Santo Domingo-2003), Scheidt é realmente uma referência difícil de ser alcançada. Talvez, a maneira mais sensata de encarar o assunto seja a sugerida pelo português Gustavo Lima, que conseguiu superar o brasileiro no Mundial de 2003 para conquistar o título. “Sobre a saída de Scheidt, tudo o que posso dizer é que seria um cara muito bom da classe que saiu”.

Com a troca ou não de classe do bicampeão olímpico, Fontes lembra que, para os outros, só cabe trabalhar. “Se ele parar, melhor ainda. Se não, paciência”.

A velejadora olímpica, Adriana Kostiw, que corre na laser radial, acha que sem o atual campeão mundial, outros velejadores poderão voltar a competir. “Tem muita gente que deixou de velejar porque ele ganha todas”, lembra. Mas Fontes acha que isso não deve ser considerado. “Quem queria velejar e ser bom treinava”, resume. “Isso é desculpa para largar a vela. Nós temos é que aproveitar sempre a experiência de correr contra o Scheidt. Ele tem um caráter introspectivo, não é de falar, mas temos que aproveitar cada pouco que ele compartilha”.

Admitindo que as comparações e a busca constante por um substituto para o paulista chega a ser um pouco incômoda, Fontes destaca que o desafio real é outro. “O desafio é construir a própria história. Eu e o André estamos evoluindo muito e minha esperança é ficar entre os melhores do mundo”, afirma o velejador com planos para integrar o ranking internacional entre os dez melhores da classe.

Atualmente, ele é o 133º colocado no ranking liderado por Scheidt. Streppel ocupa a 34ª colocação na lista. Entre eles, aparece o paulista Andreas Perdicaris na 65ª posição. Todos eles, com exceção de Scheidt que já era líder, melhoraram na classificação em relação ao ranking anterior. O primeiro subiu 20 posições, Fontes melhorou 195, enquanto Perdicaris ganhou 29 postos.

“O Brasil conseguiu ter cinco velejadores na flotilha de ouro do Mundial, poucos países conseguem isso”, ressalta Streppel. Para ele, a competição no Ceará teve um aspecto positivo ao mostrar que todos podem trabalhar juntos para manter a classe em alto nível no país, mesmo que Scheidt decida mesmo abandoná-la. “No Mundial no Brasil, a gente se uniu muito por uma causa. A gente está mais ou menos no mesmo barco e vamos crescer junto, a gente tem que se ajudar”, avalia.

A perspectiva de mais cobranças após a saída de Scheidt não preocupa. “Geralmente, o fato dele estar competindo diminui a cobrança sobre nós. Claro que quando ele parar isso vai aumentar, mas a gente está preparado para isso. E o que nos dá esta experiência é essa competição entre nós”.

Mudança dos ventos

Desde os 17 anos, Robert Scheidt compete na Laser e desde cedo deu mostras que poderia ser um campeão. Ainda juvenil conquistou o título mundial da IYRU, na Escócia. Mas em 2004, após a “frustrante” segunda colocação olímpica, a idéia de mudar de classe ganhou corpo.

Com Bruno Prada, ele fez as primeiras incursões na Star. Os resultados foram motivadores. O título da Semana de Vela do Rio de Janeiro e do Campeonato Brasileiro. Este ano, os desafios foram internacionais e ele conquistou a segunda colocação no Sul-americano, em Buenos Aires, a sexta posição no Mundial e a terceira no Pré-Olímpico.

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