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O
porco de Viola
Por Sílvia Amorim
As qualidades técnicas de Viola raramente foram motivos de
discussão. A canhota preciosa e hábil sempre foi promessa
de muito sucesso. No entanto, o estilo irreverente do jogador
não conseguiu a mesma calorosa receptividade. Dividindo opiniões
e provocando polêmica entre críticos e curiosos, a malandragem
do atacante dentro e fora de campo chegou até mesmo a ser
considerada uma ameaça ao seu futuro profissional. Aliás,
Viola não seria o primeiro a sofrer com o preconceituoso e
conservador mundo da bola. O gingado malandro e a criatividade
foram encarados por muito tempo como sinônimo de imaturidade
e irresponsabilidade. E as histórias de ex-craques, vítimas
de desgraças pela inconstância e falta de maturidade, reforçavam
ainda mais esta tese.
O fato é que o terror da Fiel por muito pouco não caiu nas
traiçoeiras armadilhas da fama. O que seria um verdadeiro
perigo para quem só estudou até o 6º ano e não sabia fazer
outra coisa a não ser jogar futebol. Distante da figura do
herói tradicional, Viola está mais para o vilão, um Macunaíma
dos gramados, aquele que briga, discute e arranca da galera
os mais contraditórios sentimentos de raiva e paixão a cada
jogada.
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