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Nove anos de
saudades
O feriado de 1º de maio tornou-se uma data difícil
para aqueles que gostam de Fórmula 1. Há nove
anos, o tricampeão Ayrton Senna sofreu um acidente
durante a disputa do GP de San Marino de 1994, que pôs
fim a uma das carreiras mais impressionantes do automobilismo
mundial.
Aquele final de semana permanece na memória da maioria
dos brasileiros, mesmo dos que não são completamente
aficcionados por automobilismo. A comoção pelo
acidente de Senna espalhou- se pelo território nacional
deixando uma legião de pessoas atônitas e incrédulas
com o que aconteceu. O corpo foi recebido em São Paulo
e velado na Assembléia Legislativa, sendo enterrado
com honras reservadas a chefes de Estado. Uma história
de três títulos mundiais, 41 vitórias
e um recorde ainda imbatível de 65 poles positions
chegava ao fim de maneira trágica. O final de semana
do GP já havia começado conturbado. Na sexta-feira,
Rubens Barrichello decolou com sua Jordan para a barreira
de pneus, capotando em alta velocidade. Inconsciente, foi
levado para o hospital onde ficou constatado que não
teria mais condições de disputar a terceira
etapa do campeonato. No sábado, um já indignado
Senna assistiu à batida fatal do austríaco Roland
Ratzenberger na curva Villeneuve. A violência do choque
foi tamanha, que o cockpit da Simtek ficou destruído
na lateral.
Senna largou na pole no domingo, posição que
havia garantido no treino de sexta e por isso, não
entrou na
pista no sábado. Os sinais de que o GP não terminaria
com boas lembranças continuaram surgindo. Logo na largada,
um acidente obrigou a entrada do carro madrinha na pista para
a retirada dos destroços da reta dos boxes. Ninguém
se feriu entre os pilotos, mas pneus voaram em direção
ao público. Sete voltas
depois, a disputa estava liberada, mas a barra de direção
da Williams falhou na curva Tamburello e Senna e
seu carro foram lançados contra o muro.
Os desdobramentos do acidente seguiram anos a fio. Somente
em 2002, a Justiça de Bolonha inocentou o diretor-técnico
da Williams, o inglês Patrick Head, e o projetista da
equipe na época, Adrian Newey. O capacete usado por
Senna em sua última corrida foi liberado, devolvido
à fábrica e incinerado diante de sua família.
O carro - FW16 - voltou para a escuderia. Pouco tempo depois,
o proprietário da equipe, Frank Williams, confirmou
a completa destruição do modelo.
No ano passado, a morte do brasileiro voltou ao noticiário.
A Justiça italiana decidiu reabrir o caso, mas
poucos meses depois, no entanto, o desfecho se repetiu. Head
e Newey foram inocentados de todas as acusações.
Desde então, os brasileiros continuam sem um grande
vencedor na categoria. Logo após a morte de Senna,
as esperanças recaíram sobre Barrichello, mas
até o momento ele não conseguiu aproximar-se
dos feitos do tricampeão. Rubinho tem cinco vitórias
na F1, a primeira delas conquistada apenas em 2000, no GP
da Alemanha, depois de um jejum de sete anos sem brasileiros
no topo do pódio.
Este ano, outros dois brasileiros foram tentar a sorte na
categoria. Antônio Pizzonia, na Jaguar, e Cristiano
da Matta, na Toyota, lutam para entrar na galeria de grandes
campeões nacionais da F1. Mas com a saída de
Senna do cenário quem realmente conseguiu destaque
foi o alemão Michael Schumacher, que neste meio tempo
igualou o recorde do argentino Juan Manuel Fangio, garantindo
o pentacampeonato em
2002. O ferrarista é recordista em vitórias
na categoria: 65 (contando com o resultado do último
GP de San
Marino) e caminha para superar o recorde de poles (já
tem 51).
As grandes homenagens ao eterno ídolo brasileiro,
eleito o melhor piloto do século pela revista Autosprint
em 2001, estão reservadas para o próximo ano,
quando se completa uma década desde o acidente. Mesmo
assim, o túmulo do piloto, no cemitério Morumbi,
em São Paulo (SP), vai continuar como parada certa
para aqueles fãs que não se esquecem do ídolo.
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