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30/04/1993 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MONICA SELES
Foto Reuters
Foto Gazeta Press

Uma década do terror no tênis

Por Fernando Narazaki

Um grito de dor que calou a quadra central do complexo de Hamburgo. A cena marcante da então iugoslava Monica Seles é o suficiente para recordar a chegada do terror ao mundo do tênis há uma década. Em 30 de abril de 1993, um torcedor alemão aproveitou a falta de cuidado da segurança e esfaqueou a tenista durante as quartas-de-final do Torneio de Hamburgo, realizado em quadras de saibro na Alemanha.

Seles sentiu um forte golpe nas costas e caminhou atordoada para a frente. Segundos depois, um grito emudeceu a quadra central. Caía ali a líder do ranking mundial e uma das maiores performances da história do tênis feminino. Por sorte, Seles escapou ilesa do atentado e ainda hoje encanta nas quadras, mas sem o mesmo brilho do início dos anos 90.

Na época, o fato ganhou destaque no mundo todo e a cena de Seles gritando na quadra central, enquanto o agressor (o alemão Guenter Parche) era agarrado e levado pela segurança para fora da quadra central, ainda está viva na memória dos mais fanáticos pela modalidade. A partir daquele dia, a WTA resolveu mudar as regras e intensificou o sistema de segurança em todas as competições.

Para Seles, ficou o trauma daquele dia e uma pequena cicatriz do corte de dois centímetros de profundidade e três de largura do golpe desferido pelo alemão. “Foi o momento mais difícil da minha vida. Muito mais do que os atentados de 11 de setembro. Só foi comparável com a guerra na Sérvia”, comentou Seles à reportagem da Gazeta Esportiva Net, durante o Torneio de Costa do Sauípe, em setembro do ano passado.

Em 30 de abril de 1993, a tenista de 19 anos vencia a partida diante da búlgara Magdalena Maleeva por 6/3 e 4/3, e descansava no intervalo do sétimo para o oitavo game, quando foi surpreendida. Parche saiu de seu assento próximo às primeiras filas da arquibancada, invadiu o setor destinado aos jogadores e esfaqueou Seles na altura do ombro, com uma faca de pouco mais de 1m de comprimento.

Logo após o ataque, a tenista deu um salto, caminhou para a frente e gritou, após perceber o sangue nas costas. Seles foi rapidamente atendida por dois enfermeiros e levada ao Hospital Universitário de Hamburgo. Atônitos, os mais de sete mil torcedores presentes na quadra central aplaudiram a iugoslava, enquanto Parche era retirado do local.

 “Monica teve muita sorte. O golpe não acertou o pulmão e ela pôde escapar”, comentou o médico responsável pelo torneio na época. Dois dias depois, Seles revelaria em entrevista que escapou ao abaixar para pegar uma toalha para secar o rosto. “No momento do ataque, havia me agachado para pegar a toalha e isso me salvou”, afirmou a atleta.

Coincidência ou não, os pais de Seles haviam deixado a quadra minutos antes do atentado, pois a mãe Esther teve um mal-estar. Na mesma noite de sexta-feira, a tenista teve de ser submetida a uma cirurgia e ficou um dia internada. Após aquele data, Seles jamais repetiu o mesmo desempenho. A tenista ficou mais de 27 meses longe das quadras e só voltou a apresentar bons resultados no final de 1995. Mas não com a mesma eficácia.

Mesmo com a ajuda de outras tenistas, Seles jamais voltou a disputar torneios na Alemanha e não gosta muito de comentar sobre o atentado. “Só gostaria de não ter sido esfaqueada. Isso eu mudaria na minha vida, pois poderia competir em um altíssimo nível que tive naqueles anos”, declarou a tenista, durante o Torneio de Key Biscayne, no último mês.

Para a tenista Martina Navratilova, Seles jamais irá se recuperar do trauma. “Ela estava em território estranho e foi atacada do nada. Nós tentamos, nós treinávamos, nós conversávamos, nós nos visitávamos, mas ela nunca esqueceu. E nem daria para esquecer. Somos grandes amigas e estivemos muito próximas neste período. Eu só queria que ela voltasse às quadras, ao que ela sempre gostou”, explicou a tcheca naturalizada norte-americana.

Do outro lado, o torcedor foi levado à julgamento. Após seis meses de custódia, ele foi condenado a dois anos de detenção e já está solto. Na época do julgamento, Seles não compareceu ao tribunal e enviou apenas uma carta. “Só quero justiça. O ataque destruiu a minha vida e parou a minha carreira. Tinha 19 anos. Ele não teve sucesso em me matar, mas destruiu minha vida”.

O objetivo do ataque? O torcedor queria apenas rever a alemã Steffi Graf, de quem era fã, na liderança do ranking mundial. Já no mês seguinte, o objetivo era alcançado e Graf retomou a ponta. Infelizmente, para o torcedor, a alemã não comemorou e lamentou assumir a liderança em tais circunstâncias.

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