| Penta são-paulino
e vexame corintiano marcam Brasileirão 2007
Por Paulo Amaral
Foto Djalma Vassão/Gazeta Press |
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Com sobras, São Paulo consagra eficiência da defesa, bate recordes nos pontos corridos e sobra no Brasileirão |
Competência indiscutível do São
Paulo, merecido campeão pelo segundo ano seguido.
Falta de competência no Corinthians, rebaixado.
Inúmeras aparições e decisões
contestadas do Superior Tribunal de Justiça Desportiva
(STJD) e festa, muita festa nas arquibancadas, fato
que resultou na maior média de público
dos últimos 20 anos. Esse pode ser o melhor resumo
do Campeonato Brasileiro de 2007, terminado no último
dia 2 de dezembro.
No topo da tabela, o evidente domínio são-paulino
fez o time do Morumbi abocanhar o pentacampeonato com
quatro rodadas de antecedência e 15 pontos de
diferença sobre o segundo colocado, o Santos
(77 a 62), a maior da história das cinco edições
de Brasileiro por pontos corridos.
A maior virtude da quase irretocável campanha
foi a segura defesa tricolor. Com 19 gols sofridos em
38 rodadas (0,5 por partida) a zaga transformou-se na
segunda melhor da história do Brasileirão.
A única que supera a Tricolor é a defesa
do Palmeiras, bicampeão brasileiro em 1973. Na
ocasião, o Alviverde sofreu 13 gols em 40 jogos
(média de 0,32 por partida).
Na ponta de baixo, o planejamento, ou a falta dele,
ganhou notoriedade e culminou com o surpreendente rebaixamento
do Corinthians, tetracampeão nacional, para a
Série B. Foi o desfecho de um ano péssimo
para o clube, que viveu 365 dias de turbulências,
com renúncia presidencial, dirigentes acusados
de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha,
entre outros escândalos.
Com campanha pífia, o Corinthians conseguiu
somente dez vitórias em 38 rodadas. Na despedida,
apesar de empatar com o Grêmio, em Porto Alegre,
viveu o maior vexame de sua história devido ao
triunfo do Goiás sobre o Internacional por 2
a 1, que ganhou a batalha particular com o Timão
pela permanência na elite. Junto com o Alvinegro,
caíram Paraná, Juventude e América-RN,
um dos caçulas de 2007, para a Série B.
As duas outras equipes paulistas participantes da Série
A terminaram a competição com sentimentos
distintos. O Santos viveu altos e baixos, superou adversidades
e abocanhou o vice-campeonato, garantindo presença
na Libertadores da América pelo segundo ano seguido.
O Palmeiras, no entanto, não teve a mesma sorte
e, na última rodada, não conseguiu bater
o Atlético-MG em pleno Palestra Itália,
perdendo a vaga na competição continental
para o Cruzeiro.
O time mineiro, aliás, merece destaque pela
sofrida classificação. Depois de superar
o trauma da perda do Campeonato Mineiro para o maior
rival, com direito à goleada (4 a 0) na primeira
decisão, a Raposa se recuperou no Brasileiro.
Chegou a ameaçar o título são-paulino
em alguns instantes e, não fossem alguns vacilos
dentro de casa na reta final, poderia ter chegado mais
perto do Tricolor do Morumbi na classificação
final.
Quem também irá à Libertadores
em 2008 será o Flamengo. O campeão carioca
começou a competição de forma claudicante
e deu a impressão de que, como nos últimos
anos, lutaria contra o rebaixamento. Nas mãos
do experiente Joel Santana, no entanto, o rubro-negro
reagiu e terminou o Brasileirão como terceiro
colocado, com o mesmo número de pontos do Santos,
vice-campeão, perdendo o segundo posto nos critérios
de desempate.
Foto André Mourão/Agif/Gazeta Press |
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Na arquibancada, torcida dá show, lota estádio e evita cantos com ofensas aos rivais. Mas, fora do campo, bagunça segue |
Festa nas arquibancadas: A edição
2007 do Brasileirão registrou o melhor público
da história da competição na era
dos pontos corridos e também dos últimos
20 anos. Segundo a Confederação Brasileira
de Futebol (CBF), a média da competição
nos 380 jogos realizados foi de 17.471 torcedores por
partida. Grande parte desse sucesso deve-se ao torcedor
do Flamengo.
A massa rubro-negra quebrou recorde atrás de
recorde e lotou o Maracanã já quando o
time estava na parte de baixo da tabela, ainda lutando
contra o rebaixamento. Dos dez melhores públicos
do Brasileirão 2007, oito foram do Flamengo.
O melhor foi na despedida diante do Atlético-PR:
82.044 pagantes no Maracanã. Em média,
o rubro-negro levou 39.221 por jogo da Série
A.
Segundo time com melhor média de público
na elite, o São Paulo levou 69.874 pagantes ao
Morumbi no jogo que coroou a conquista do pentacampeonato,
em 31 de outubro, com a vitória por 3 a 0 sobre
o rebaixado América-RN. Em média, o Tricolor
levou a campo 28.622 por partida.
O contraponto que marcou o Brasileirão 2007
ficou a cargo do Santos. Vice-campeão nacional,
o Peixe foi um verdadeiro fracasso de público,
com uma média de apenas 8.424 torcedores por
jogo, a segunda pior entre os 20 clubes da Primeira
Divisão, à frente apenas do Juventude,
que levou 6.041 por jogo. O Corinthians, rebaixado,
também pode ser considerado uma decepção
se for levado em conta o fato de ter a segunda maior
torcida do país, pois ficou apenas como o sétimo
em média de público no ano, com 19.978
pessoas por jogo, reflexo da má campanha dentro
das quatro linhas.
De coadjuvante a estrela: Não
foi apenas a torcida que voltou a assumir papel de destaque
no Campeonato Brasileiro. Com sessões em quase
todos os dias da semana, fato que demandou um aumento
no número de procuradores (de dez para 16), o
Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD)
foi uma das “estrelas” da edição
2007 do Nacional.
Desde a incomum punição a um atleta por
atrasar o jogo, a tradicional “cera” (Vampeta,
do Corinthians), passando por invasões de campo,
violência (denunciada pela arbitragem ou pelas
câmeras de televisão) e doping, nada ou
quase nada escapou aos olhares dos auditores e procuradores
do Tribunal.
A discrepância das decisões tomadas pelo
STJD em primeira instância e no Pleno, no entanto,
movimentou a mídia. Os casos que ganharam mais
repercussão envolveram o atacante Obina, do Flamengo,
e o volante Túlio, do Botafogo. Ambos foram suspensos
por agressão e pegaram 120 dias de gancho.
No Pleno, a pena do flamenguista caiu para cinco jogos
e a do botafoguense para a metade, com o restante sendo
convertido em cestas básicas. Para contrastar,
o são-paulino Hugo, também penalizado
com 120 dias pelo Tribunal, não teve seu recurso
de redução de pena aceito.
No âmbito do doping, Marcão, do Intere Romário, do Vasco, foram denunciados por uso
de remédio contra calvície. Já
em relação a Dodô, do Botafogo,
e Alex Alves, do Juventude, pegos por substâncias
encontradas em moderadores de apetite (femproporex e
sibutramina), o veredicto foi diferente. Inicialmente
suspenso, o botafoguense teve sua pena revista e acabou
absolvido no Pleno, enquanto o atacante do time de Caxias
do Sul, flagrado no doping em um jogo do Campeonato
Gaúcho, não teve a mesma sorte e levou
gancho de 120 dias.
Os cariocas também obtiveram sucesso quando
o assunto foi ligado diretamente aos clubes. Enquanto
o América-RN foi obrigado a atuar com portões
fechados contra o Grêmio por problemas ocorridos
no Machadão, o Flamengo obteve efeito suspensivo
e colocou mais de 80 mil rubro-negros no Maracanã
contra o Atlético-PR, no jogo que decidiu a classificação
da equipe para a Libertadores.
Alexandre Quadros, auditor do STJD que participou dos
dois casos de doping e outros julgamentos do Tribunal,
acredita ser apenas coincidência o fato de clubes
do Rio de Janeiro serem beneficiados em decisões
polêmicas. “Se fomos ver a história
de todos os Tribunais, serão constatadas diversas
variações de decisões. A interpretação
de hoje pode ser diferente da de amanhã. O esporte
é dinâmico e rápido, tanto que o
Código já mudou e será mudado novamente.
Não acredito, de maneira alguma, que haja bairrismo
ou protecionismo”.
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