Voltar para a home Sexta, 16 de Maio de 2008 Home Fale conosco Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
Home
Basquete
Doping
Futebol - Brasileirão
Futebol - Calvário Corintiano
Futebol - Copa 2014
Futebol - Copa do Brasil
Futebol - Estaduais
Futebol feminino
Futebol - Policial
Futebol - Rei das Copas
Futebol - Seleção Brasileira
Motor
Mundiais
Pan
Tênis
Vagas Olímpicas
Vôlei
 Copa 2014
Sonho vira realidade e Copa de 2014 será no Brasil. Mas há muito a fazer até lá

Por Vinícius Saponara

Foto AFP
Foto Djalma Vassão / Gazeta Press

Lula e Romário foram alguns dos convidados da CBF para ir à Suíça ver o anúncio

No dia 30 de outubro, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, tirou de um envelope uma folha de papel confirmando o que milhares de brasileiros já sabiam e sonhavam há muito tempo. O Brasil foi escolhido para ser a sede da Copa do Mundo de 2014, fazendo com que, 64 anos depois, o torcedor tenha a chance de ver em ação, nos gramados por todo o país, os melhores jogadores do mundo. O anúncio oficial, em Zurique, teve a participação de nomes de peso do futebol e da política brasileira. Dunga, técnico da seleção, e o atacante Romário prestigiaram o evento. O presidente Lula, uma comitiva de 12 governadores (entre eles os de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) e assessores também estiveram na Suíça. Até o escritor Paulo Coelho, um dos fenômenos mundiais de venda de livros, esteve na cerimônia.

Candidato único por causa de um rodízio de continentes imposto pela Fifa (que já acabou para 2018) – a Colômbia desistiu antes da candidatura oficial no final de julho -, o Brasil terá a oportunidade de organizar pela segunda vez um Mundial. Em 1950, o país construiu o maior estádio do mundo na época – o Maracanã, no Rio de Janeiro.

Mas, desta vez, a responsabilidade brasileira será muito maior. Altos investimentos em construção e modernização de estádios e em infra-estrutura (transporte, saúde, segurança, entre outros) precisarão ser feitos em todo o país. A Fifa quer de oito a dez sedes, mas a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pleiteia 12. Seja o número que for, todas as cidades-sede e outras que abrigarão locais de treinos e concentração, como Santos, terão que passar por inúmeras reformas nos próximos sete anos.

Na briga por uma cidade-sede estão 18 capitais brasileiras e todas prometem a construção ou a reformulação completa das arenas – a estimativa é de uma despesa de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 2 bilhões) para isso. Cada uma das concorrentes sonha com o desenvolvimento que uma Copa do Mundo pode trazer. O grande volume de dinheiro que circulará durante a competição arregala os olhos dos políticos, mas muita coisa tem de ser feita para o sucesso de organização.

Foto Reprodução
Foto Divulgação

Projeto do Morumbi para 2014 inclui uma cobertura para os torcedores. Estimativa é de gastos de R$ 300 milhões

As principais cidades do país farão amplas reformas em seus estádios. No Rio, o Maracanã receberá a final todo remodelado. O Morumbi, em São Paulo, e o Mineirão, em Belo Horizonte, pleiteiam o jogo de abertura e também estarão bem diferentes de hoje. Em cada uma delas, a reforma custaria, pelo menos, R$ 150 milhões.

A Arena da Baixada, em Curitiba, e o Mangueirão, em Belém, são os melhores do Brasil atualmente, segundo um estudo realizado pelo Sinaenco (Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia) neste ano em 29 estádios do país, mas também precisam se adequar às exigências da Fifa.

Outras localidades brasileiras prevêem a construção de modernos estádios com a ajuda do Estado e da iniciativa privada. Um exemplo é Salvador, que mesmo com a tragédia ocorrida na Fonte Nova - no final de novembro, quando sete pessoas morreram e várias ficaram feridas com a queda do piso de um setor das arquibancadas -, planeja a construção da Arena Bahia, agora no lugar onde a velha Fonte Nova será demolida.

Na contramão: A escolha do Brasil como sede da Copa teve um efeito imediato na política brasileira. Negativo. Dez dias depois do anúncio da Fifa, a Câmara dos Deputados negou o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as denúncias de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e crimes contra a ordem tributária nos clubes brasileiros.

Com influência direta e decisiva do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a proposta não conseguiu as 171 assinaturas necessárias de deputados federais para a sua criação. Faltaram apenas três votos, apesar de chegar a ter 282 em todo seu processo. Na última hora, 105 desistiram da idéia.

Um dos clubes que seriam investigados era o Corinthians, envolvido em páginas policiais por causa da parceria com a MSI, do magnata russo Boris Berezovski e do empresário iraniano Kia Joorabchian.

A desculpa dada pelos deputados para a não criação da CPMI foi a mesma: as investigações poderiam atrapalhar a candidatura do Brasil. Como a Fifa não gosta da intromissão de esferas do governo no futebol do país, a maioria preferiu não estragar o momento de festa pela escolha favorável aos brasileiros.


Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net