| Sonho vira realidade
e Copa de 2014 será no Brasil. Mas há muito
a fazer até lá Por
Vinícius Saponara
Foto AFP |
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Lula e Romário foram alguns dos convidados da CBF para ir à Suíça ver o anúncio |
No dia 30 de outubro, o presidente da Fifa, Joseph Blatter,
tirou de um envelope uma folha de papel confirmando
o que milhares de brasileiros já sabiam e sonhavam há
muito tempo. O Brasil foi escolhido para ser a sede
da Copa do Mundo de 2014, fazendo com que, 64 anos depois,
o torcedor tenha a chance de ver em ação, nos gramados
por todo o país, os melhores jogadores do mundo. O anúncio
oficial, em Zurique, teve a participação de nomes de
peso do futebol e da política brasileira. Dunga, técnico
da seleção, e o atacante Romário prestigiaram o evento.
O presidente Lula, uma comitiva de 12 governadores (entre
eles os de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais)
e assessores também estiveram na Suíça. Até o escritor
Paulo Coelho, um dos fenômenos mundiais de venda de
livros, esteve na cerimônia.
Candidato único por causa de um rodízio de continentes
imposto pela Fifa (que já acabou para 2018) – a Colômbia
desistiu antes da candidatura oficial no final de julho
-, o Brasil terá a oportunidade de organizar pela segunda
vez um Mundial. Em 1950, o país construiu o maior estádio
do mundo na época – o Maracanã, no Rio de Janeiro.
Mas, desta vez, a responsabilidade brasileira será
muito maior. Altos investimentos em construção e modernização
de estádios e em infra-estrutura (transporte, saúde,
segurança, entre outros) precisarão ser feitos em todo
o país. A Fifa quer de oito a dez sedes, mas a CBF (Confederação
Brasileira de Futebol) pleiteia 12. Seja o número que
for, todas as cidades-sede e outras que abrigarão locais
de treinos e concentração, como Santos, terão que passar
por inúmeras reformas nos próximos sete anos.
Na briga por uma cidade-sede estão 18 capitais brasileiras
e todas prometem a construção ou a reformulação completa
das arenas – a estimativa é de uma despesa de US$ 1,1
bilhão (cerca de R$ 2 bilhões) para isso. Cada uma das
concorrentes sonha com o desenvolvimento que uma Copa
do Mundo pode trazer. O grande volume de dinheiro que
circulará durante a competição arregala os olhos dos
políticos, mas muita coisa tem de ser feita para o sucesso
de organização.
Foto Reprodução |
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Projeto do Morumbi para 2014 inclui uma cobertura para os torcedores. Estimativa é de gastos de R$ 300 milhões |
As principais cidades do país farão amplas reformas
em seus estádios. No Rio, o Maracanã receberá a final
todo remodelado. O Morumbi, em São Paulo, e o Mineirão,
em Belo Horizonte, pleiteiam o jogo de abertura e também
estarão bem diferentes de hoje. Em cada uma delas, a
reforma custaria, pelo menos, R$ 150 milhões.
A Arena da Baixada, em Curitiba, e o Mangueirão, em
Belém, são os melhores do Brasil atualmente, segundo
um estudo realizado pelo Sinaenco (Sindicato Nacional
de Arquitetura e Engenharia) neste ano em 29 estádios
do país, mas também precisam se adequar às exigências
da Fifa.
Outras localidades brasileiras prevêem a construção
de modernos estádios com a ajuda do Estado e da iniciativa
privada. Um exemplo é Salvador, que mesmo com a tragédia
ocorrida na Fonte Nova - no final de novembro, quando
sete pessoas morreram e várias ficaram feridas com a
queda do piso de um setor das arquibancadas -, planeja
a construção da Arena Bahia, agora no lugar onde a velha
Fonte Nova será demolida.
Na contramão: A escolha do Brasil como sede
da Copa teve um efeito imediato na política brasileira.
Negativo. Dez dias depois do anúncio da Fifa, a Câmara
dos Deputados negou o pedido de criação de uma Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar
as denúncias de evasão de divisas, lavagem de dinheiro,
sonegação fiscal e crimes contra a ordem tributária
nos clubes brasileiros.
Com influência direta e decisiva do presidente da
CBF, Ricardo Teixeira, a proposta não conseguiu as 171
assinaturas necessárias de deputados federais para a
sua criação. Faltaram apenas três votos, apesar de chegar
a ter 282 em todo seu processo. Na última hora, 105
desistiram da idéia.
Um dos clubes que seriam investigados era o Corinthians,
envolvido em páginas policiais por causa da parceria
com a MSI, do magnata russo Boris Berezovski e do empresário
iraniano Kia Joorabchian.
A desculpa dada pelos deputados para a não criação
da CPMI foi a mesma: as investigações poderiam atrapalhar
a candidatura do Brasil. Como a Fifa não gosta da intromissão
de esferas do governo no futebol do país, a maioria
preferiu não estragar o momento de festa pela escolha
favorável aos brasileiros. |