| Arbitragem, tapetão e tropeços marcam
competição
| Foto Djalma Vassão
/ Gazeta Press |
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Ana Paula anulou dois gols na semifinal Botafogo e Figueirense, e revoltou a torcida do time carioca |
“Essa mulher nunca mais pisa no Botafogo”.
Suado e falando aos berros, o vice de futebol do Botafogo,
Carlos Augusto Montenegro, dava o tom após a vitória
de 3 a 1 de sua equipe sobre o Figueirense, no segundo
jogo das semifinais. Apesar do triunfo, o Glorioso foi
eliminado. E a culpa recaiu sobre a assistente Ana Paula
de Oliveira, que na partida anulou dois polêmicos
gols do time carioca, alegando impedimento.
“A voz do povo é a voz de Deus (Ana Paula
foi ofendida pela torcida do Botafogo). Se ela tivesse
errado uma vez acreditaria que é porque é ruim.
Mas como foi duas vezes, digo que é mal-intencionada.
Talvez estivesse naqueles dias. O Figueirense não
contou com o zagueiro Chicão (suspenso), mas teve
a Ana Paula em seu lugar. Ela nos proporcionou um prejuízo
de R$ 2,5 milhões com essa eliminação
e não chegará mais perto do Botafogo. Nunca
vi uma mulher trabalhar em jogos de Copa do Mundo e de
Copa dos Campeões. Precisamos de uma operação
navalha no futebol”, avaliou o dirigente.
Por mais que Ana Paula estivesse certa nas suas decisões,
a pressão botafoguense deu resultado. Ela foi
afastada do quadro da CBF, passou por reciclagem na FPF
e praticamente abriu mão da carreira ao posar
nua para uma famosa revista masculina. No lançamento
da publicação, a editora responsável
proibiu a realização de uma seção
de autógrafos no Rio, com medo de possíveis
represálias por parte dos alvinegros.
Curiosamente os mesmos alvinegros que chegaram às
semifinais devido a outra contestada arbitragem nas quartas-de-final,
mais especificamente do gaúcho Carlos Eugênio
Simon. Prestigiado, árbitro número do país
na Fifa, Simon deixou de dar um pênalti ao Atlético-MG
nos acréscimos, no duelo justamente contra o Fogão,
no Maracanã.
Os cariocas acabaram vencendo por 2 a 1, o empate com
gols favorecia o Galo, que empatou em 0 a 0 no Mineirão
e o gaúcho acabou vetado em duelos do clube mineiro,
além de responder nada menos que três ações
judiciais populares movidas contra seu nome nos tribunais
de Belo Horizonte.
Reclamações também sobraram para
o árbitro carioca Luís Antônio Silva
Santos. Na segunda fase da disputa, o Palmeiras perdeu
para o Ipatinga por 2 a 0 no interior mineiro. Conseguiu
devolver o placar no Parque Antártica e a decisão
da vaga foi para os pênaltis. O trio de arbitragem
mandou voltar cobranças em que os goleiros dos
dois times fizeram defesas. A de Diego Cavalieri, em
um chute de Adeílson, poderia ter decidido a série
em favor do Verdão, que desta forma caiu eliminado
por 4 a 3.
Fora de campo, ao invés do apito foi a vez do
STJD influenciar na disputa. Por duas vezes, o Tribunal
mudou resultados obtidos dentro de campo. Na primeira,
eliminou o Baraúnas após o mesmo ter passado
pelo Vitória nos pênaltis, ainda na fase
inicial. O time potiguar foi punido com a perda de 12
pontos pela escalação irregular do meia
Paulo Renato.
Na segunda fase, o imbróglio foi ainda maior.
O Rio Branco eliminou o Avaí e chegou a realizar
o confronto de ida contra o Villa Nova-MG, vencendo por
3 a 0 no dia 14 de março. Mas o duelo acabou anulado
e os catarinenses, pela caneta, passaram de fase para
enfrentarem o rival de Nova Lima, após a escalação
irregular do zagueiro Paulo Augusto por parte dos paranaenses.
Sem nenhuma interferência, alguns grandes do futebol
resolveram colaborar para a historiografia de tropeços
da competição. O Cruzeiro, dono de quatro
títulos e favorito absoluto na disputa, deu total
prioridade ao mata-mata. Jogou de forma pragmática
contra Veranópolis e Lusa, não resistindo
ao embate com o Brasiliense, nas oitavas, quando perdeu
por 1 a 0 em pleno Mineirão.
O mesmo aconteceu com o Corinthians. Os paulistas davam
pinta de favoritos, passaram com certa facilidade por
Pirambu e Treze-PB, mas perderam os dois jogos contra
o Náutico, nas oitavas. Façanha só menor
a do Vasco. Finalista no ano anterior, o cruzmaltino
também falou em priorizar a Copa do Brasil, mas
o preciosismo em ajudar seu maior ídolo a chegar
ao milésimo gol custou caro. Para atender aos
caprichos de Romário, o duelo contra o Gama passou
de São Januário para o Maracanã.
Mesmo com casa cheia, o sonhado tento não saiu
e o clube levou um gol aos 48 minutos do segundo tempo,
perdeu por 2 a 1, e deu adeus ainda na segunda fase da
competição.
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