2007: ano de agonia
e queda corintiana
Por Luiz Ricardo Fini
Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
 |
Crise política e econômica, denúncias policiais contra dirigentes e rebaixamento em campo. Um ano trágico! |
O ano de 2007 não deixará qualquer saudade à Fiel torcida.
O Corinthians acumulou fracassos no Paulistão e na Copa
do Brasil e ainda encerrou a temporada nos gramados
com o maior vexame de sua história: o rebaixamento no
Campeonato Brasileiro. A necessidade de reconstrução
neste mês de dezembro nem de longe lembra a esperança
que reinava em janeiro no Parque São Jorge, quando o
badalado técnico Emerson Leão ditava as normas no clube,
aproveitando a lacuna no departamento de futebol deixada
pelo sumiço de Kia Joorabchian.
Com o moral de quem salvou o Timão da degola no Nacional
de 2006, Leão indicou jogadores (Marcos Tamandaré, Jean
e Daniel, por exemplo) e se conformou com contratações
de pouca expressão, já que a MSI decididamente fechou
as torneiras para ajudar o clube a se reforçar. A esperança,
então, foi depositada nos pés do atacante Nilmar, que
vinha se recuperando da (primeira) grave contusão no
joelho e vivia a expectativa de formar dupla com o experiente
Amoroso, vindo em outro pacote de reforços que incluiu
Magrão e César. No entanto, a pré-temporada já foi suficiente
para mostrar que a relação Nilmar/Corinthians seria
turbulenta. No período de treinos no interior, o atacante
seguiu orientação de seus representantes e abandonou
a concentração.
Mesmo depois de acertar uma trégua na briga, a vida
do atleta no clube não teve mais período de felicidade.
Pouco tempo depois de se recuperar da primeira contusão,
Nilmar voltou a se machucar e se transformou em um enorme
imbróglio jurídico para o Alvinegro, que viu aumentar
sua dívida e diminuir sua credibilidade internacional.
O clube só conseguiu quitar a dívida de 8 milhões de
euros nos últimos dias do ano. Por sinal, decepção foi
o que não faltou à Fiel em 2007. O início promissor
de Christian e Jaílson também foi abruptamente interrompido.
O Paulistão começou com Christian apresentando uma
ótima média ofensiva, marcando cinco gols nos cinco
primeiros jogos. No entanto, a fragilidade dos cofres
do Parque São Jorge contribuiu para o atacante se despedir
do clube em menos de três meses de trajetória, voltando
para o Internacional de Porto Alegre. A negociação foi
rápida: o Colorado chegou, pagou a multa de R$ 500 mil
e levou sem nenhuma dificuldade o atleta que ocupava
a artilharia do Paulistão.
E a história de Jaílson seguiu enredo parecido ao
do veterano atacante, dando adeus rapidamente ao Corinthians
para buscar a independência financeira na Rússia. Com
o clube contratando jogadores e perdendo outros no decorrer
do Paulistão, o desempenho dentro dos gramados sofreu
clara influência. Enquanto isso, a oposição já se organizava
(sob a liderança de Andrés Sanchez) para críticas sistemáticas
ao então presidente Alberto Dualib. A principal reclamação
recaía sobre a presença de Renato Duprat nas negociações
do clube, agindo como braço-direito do mandatário.
Fotos Gazeta Press |
 |
Leão caiu após a decepcionante campanha do time no Paulistão e ainda cobra uma dívida da direção |
 |
Carpegiani chegou a ver o time em segundo lugar no Brasileirão, mas saiu após perder do Cruzeiro |
 |
Zé Augusto assumiu o clube por conhecer jovens da base, mas perdeu cinco de sete jogos e caiu |
 |
Nelsinho iniciou bem, mas série de tropeços tratou de encerrar fama do técnico, campeão em 1990 |
No campo, os resultados minguaram e o Timão foi eliminado
ainda na primeira fase do Paulistão. Aliás, com a desclassificação
concretizada antes mesmo do fim do turno, Emerson Leão
não conseguiu se segurar no cargo. O criticado Renato
Duprat foi o responsável em dar oficialmente a notícia
da demissão do comandante.
Em suas últimas partidas no Estadual, quando apenas
cumpriu tabela, o Corinthians foi dirigido por José
Augusto, que fez a transição até a chegada de Paulo
César Carpegiani. No entanto, a estréia do gaúcho foi
decepcionante, amargando a eliminação na Copa do Brasil
com a derrota por 2 a 0 para o Náutico, no Pacaembu,
pelas oitavas-de-final da competição. Aliás, o Náutico
ainda seria responsável por outras frustrações do Alvinegro
em 2007.
A segunda traumática eliminação no ano fez a diretoria
do Corinthians reformular o elenco. Jogadores contratados
com o aval de Leão (como Jean, Daniel, Jean Carlos,
Marcos Tamandaré e Gustavo, entre outros) foram afastados
do elenco ou dispensados. O badalado Roger também foi
encostado por Carpegiani. Começou, então, a “era Bragantino”
no Parque São Jorge.
Depois da boa campanha do time de Bragança Paulista
no Paulistão, o Corinthians foi às compras na Terra
da Lingüiça e voltou à capital com cinco jogadores na
bagagem: o goleiro Felipe, os zagueiros Zelão e Kadu,
o volante Moradei e o atacante Everton Santos. Do interior,
o clube também contratou o experiente Finazzi, que se
tornou vice-artilheiro do Estadual pela Ponte Preta.
Marcelo Oliveira e Fábio Ferreira, que tinham vínculo
com o Timão e estavam emprestados a Paulista e Noroeste,
respectivamente, voltaram ao Parque São Jorge.
Com um time totalmente reformulado, o Corinthians
emplacou seis jogos de invencibilidade no Brasileirão,
ouviu elogios à sua defesa e sonhou com um tempo de
calmaria. Porém, os bastidores continuaram fervilhando.
Depois de eleger 100 oposicionistas para o Conselho
Deliberativo em janeiro, o grupo oposto a Dualib conquistou
outra vitória em junho: a reprovação das contas referentes
a 2006. E o poder do então presidente foi diminuindo
gradativamente...
No campo, a esperança ruiu na sétima rodada, quando
o Corinthians perdeu para o arqui-rival Palmeiras e
mergulhou novamente em um período conturbado. Com resultados
decepcionantes nas partidas, a pressão sobre o então
presidente Alberto Dualib aumentou, enquanto o então
vice de futebol, Rubens Gomes, tentava defender os jogadores
contratados havia poucos meses. Depois de uma derrota
para o Náutico por 3 a 0 no Morumbi, integrantes do
movimento “Fora Dualib” fizeram um protesto em frente
à casa do presidente.
Com uma enxurrada de acusações na Justiça e enfrentando
forte oposição no clube (vários de seus vices entregaram
o cargo), Dualib se afastou e, posteriormente, diante
do risco real de impeachment, renunciou à presidência
do Corinthians. No comando interino de Clodomil Orsi,
o gerente Ilton José da Costa foi dispensado, Rubens
Gomes entregou o cargo e Carpegiani foi demitido no
primeiro dia de trabalho do novo vice, Antoine Gebran.
E o time passou para as mãos de José Augusto, que ficou
setes jogos à frente da equipe e acumulou cinco derrotas
e duas vitórias.
Ocupando a zona de rebaixamento e com risco real de
degola, a diretoria do clube recorreu ao experiente
Nelsinho Baptista, que encontrou dificuldades em seus
primeiros jogos, mas conseguiu tirar o time da área
de perigo. Mesmo assim, o Timão não conseguiu respirar
em momento algum, já que a ameaça de voltar à zona de
rebaixamento continuou constante. Neste período, Andrés
Sanchez (que passou de aliado a ferrenho opositor de
Dualib) foi eleito novo presidente do Timão, superando
no pleito Paulo Garcia e Osmar Stábile.
Nos primeiros dias de gestão, o novo mandatário mudou
praticamente todos os setores, desde a direção de marketing
até a social, mas o departamento de futebol permaneceu
inalterado, em função do receio de abalar ainda mais
o combalido elenco. Nelsinho Baptista seguiu na função
de técnico e Antoine Gebran na de vice-presidente de
futebol.
Mas a tática não surtiu o efeito desejado e o Corinthians
acumulou mais fracassos. Na penúltima rodada, o Timão
contou com uma combinação incrível de resultados e poderia
escapar da degola com uma simples vitória sobre o Vasco,
no Pacaembu lotado pela desesperada Fiel. Porém, novo
vexame com a derrota para os cariocas, e o capítulo
final da agonia alvinegra aconteceu no dia 2 de dezembro
de 2007.
Naquele domingo, a combinação de resultados não ajudou
(Goiás venceu o Internacional), e o Corinthians se viu
obrigado a fazer sua parte para se salvar. Sem o artilheiro
Finazzi, suspenso, o Timão mais uma vez não cumpriu
seu papel, apenas empatou com o Grêmio e foi rebaixado
para a segunda divisão do futebol nacional, amargando
o maior vexame de sua história.
Fotos Gazeta Press |
 |
Mano Menezes deixou Grêmio após mais de dois anos para assumir o "projeto do ano" no Brasil |
 |
Vice-artilheiro do Brasileiro, Acosta tenta provar no Timão que pode repetir o êxito no Náutico |
Logo depois da degola, Antoine Gebran anunciou sua
despedida do cargo e, com lágrimas nos olhos no quente
vestiário do estádio Olímpico, reclamou da “herança
maldita” deixada pela gestão anterior. Na prática, o
clube confirmou dias depois qual havia sido a “herança”
da presidência de Alberto Dualib por 14 anos: dívida
de R$ 95 milhões.
Com rombo nos cofres e abalado pelo rebaixamento,
Sanchez enfim mudou o departamento de futebol. O técnico
Nelsinho Baptista não teve seu contrato renovado, e
o presidente recorreu ao ex-zagueiro Antônio Carlos
Zago para ser o diretor técnico do clube, sob a batuta
do novo vice de futebol, Mário Gobbi Filho.
E a primeira iniciativa da nova direção foi confirmar
Mano Menezes como novo treinador do clube. Com a experiência
de quem tirou o Grêmio da segunda divisão e levou para
o vice-campeonato da Libertadores, o treinador chegou
ao Parque São Jorge carregando as esperanças da Fiel
em fazer o Timão seguir os passos do clube gaúcho em
uma trajetória de recuperação. “O retorno do Corinthians
à primeira divisão é o maior projeto do futebol brasileiro
no próximo ano”, avisou o treinador gaúcho, dando esperança
de dias melhores para a sofrida torcida corintiana...
|