Vaidade sobe à
cabeça e afasta boleiros dos gramados
O ano de 2007 foi marcado, entre outras coisas,
pela ascensão do futebol feminino brasileiro, graças ao
ouro conquistado pela seleção brasileira nos Jogos Pan-americanos
do Rio de Janeiro e ao vice-campeonato da Copa do Mundo,
deixando de lado o preconceito de que o esporte bretão
é coisa para marmanjos e que as mulheres estavam mais
focadas na beleza. Derrubando a velha máxima, quem exagerou
na busca pela boa aparência foram os homens, algumas vezes
flagrados no exame antidoping por uso de substâncias encontradas
também em cosméticos.
| Foto: Fernando Soutello/Agif/Gazeta
Press |
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| Calvo, eu? Preocupados com aparência boleiros caíram na malha fina graças a tônicos capilares |
A vaidade subiu tanto à cabeça dos jogadores de futebol
no Brasil que até mesmo o veterano Romário viu seu nome
estampar as manchetes dos jornais do país por vários
motivos. Além de ter marcado seu milésimo gol na carreira
e de se tornar o único atleta-técnico no Vasco, o Baixinho
ainda foi pivô de uma bomba em São Januário: em 4 de
dezembro, o atacante de 41 anos anunciou ter sido apanhado
no antidoping realizado após o empate por 2 a 2 com
o Palmeiras, em 22 de outubro.
O composto proibido encontrado na urina do tetracampeão
mundial? Finasterida, supostamente ingerida pelo uso
de um tônico capilar para evitar a calvície. Embora
não altere a performance do atleta, a substância pode
mascarar o uso de outras mais fortes, como esteróides
anabolizantes.
“Alguns meses atrás, consultei um especialista e vinha
tomando esse produto algumas vezes por semana, mesmo
o uso sendo recomendado diariamente”, justificou o camisa
11 do Vasco, que lamentou duplamente o acontecimento.
“Os ‘quase carecas’ usam esse tipo de medicamento e,
infelizmente, os meus cabelos voltarão a cair. É uma
coisa pela qual eu poderia muito bem não estar passando,
mas infelizmente aconteceu”.
A vaidade custou caro ao centroavante dos mil gols. Decisão no Superior Tribunal de Justiça Desportiva
(STJD) afastou o Baixinho dos gramados por 120 dias, pena mínima.
Mas não foi só Romário quem se preocupou tanto com
a iminente careca e foi penalizado por isso. Com medo
de perder os longos fios louros de sua cabeça, o lateral-esquerdo
Marcão, do Internacional, foi flagrado no antidoping
em 27 de julho também com finasterida.
A análise jurídica do caso do ala colorado aconteceu
em dois momentos. Na primeira, em 29 de agosto, no STJD,
Marcão amargou uma pena de 120 dias. Dois meses depois,
em 18 de outubro, a quantia foi reduzida pela metade,
com o restante sendo compensado pelo pagamento de cestas
básicas, em julgamento realizado no Pleno Tribunal.
Mas não foi apenas a finasterida que chamou a atenção
nos casos de doping em 2007. Antes dos acontecimentos
com Romário e Marcão, o atacante Dodô viu seu exame
de urina testar positivo para a substância fempreporex,
um moderador de apetite encontrado em remédios para
emagrecimento.
O caso veio à tona em 8 de julho, data da divulgação
do exame realizado no dia 14 de junho, na goleada do
Botafogo sobre o Vasco por 4 a 0 (que teve dois gols
de Dodô). O atacante jurou inocência até 14 de julho,
quando o clube de General Severiano revelou a causa
do composto proibido: as cápsulas de cafeína oferecidas
pela comissão técnica aos atletas estavam contaminadas
pelo fempreporex.
Um dos destaques do Campeonato Brasileiro até então,
Dodô viu os cinco auditores do STJD no julgamento, realizado
no dia 24 de julho, votarem a favor da suspensão. O
camisa sete, desta forma, amargou um gancho de 120 dias.
O Bota recorreu da decisão e, em 2 de agosto, o atacante
foi absolvido, surpreendendo a todos.
Grande parte da surpresa pelo perdão do Tribunal a
Dodô se deu porque em caso semelhante, o também atacante
Alex Alves, do Juventude, não teve sua pena retirada
em segundo julgamento. O jogador do clube de Caxias
do Sul foi pego em exame feito em 17 de março, contra
o Internacional, com sibutramina – droga que estimula
e que modera o apetite, muito usada no combate à obesidade.
Em 18 de maio, data de seu primeiro julgamento, Alex
Alves foi punido com 120 dias de afastamento dos gramados.
O Juventude ainda tentou a redução da pena pela metade
e compensando o restante com o pagamento de cestas básicas.
Não deu certo, o pedido foi negado em 12 de julho e
o atleta só voltou aos gramados no último dia de setembro,
após cumprir os quatro meses de pena.
Quem também deve ter tido muita dor de cabeça com
o uso de substâncias ilegais foi o veterano meio-campista
Adãozinho. Enquanto defendia o Bragantino, na Terceira
Divisão, o volante de 39 anos foi informado de que um
teste que fez enquanto defendia o América-RN (mais precisamente
em 19 de agosto, na derrota por 2 a 0 contra o Vasco)
acusou a presença de isometepteno, encontrado no remédio
Neosaldina. O atleta ex-Palmeiras e São Caetano pegou
gancho de 120 dias e não pôde defender o time da Terra
da Lingüiça na reta final da Série C.
Outro que não se cuidou foi o atacante Vaguinho, da
Portuguesa. Antes mesmo de a Lusa garantir o retorno
à elite do futebol nacional, o jogador recebeu um aviso
em 13 de novembro informando-o que a amostra de urina
coletada em 2 de outubro, no empate por 2 a 2 com o
Paulista, apontava a presença de THC (tetraidrocanabiol),
principal composto da maconha.
Vaguinho também garantiu inocência. Duplamente, de
acordo com sua explicação. Ele disse que, em uma festa,
fumou arguile (um cachimbo de água de origem indiana
e bastante comum em países do Oriente, especialmente
na região do Golfo Pérsico e na África Setentrional).
No fornilho, local onde o fumo é colocado, o atleta
foi informado de que havia apenas essência de frutas,
e não maconha. A desculpa não colou e ele acabou penalizado
com 120 dias de suspensão.
O primeiro caso de doping do ano no futebol brasileiro,
divulgado em 22 de março, também foi relacionado ao
uso da Cannabis sativa, com o zagueiro Renato
Silva, na época recém-contratado pelo Fluminense. O
teste que indicou a presença do THC foi realizado em
28 de janeiro, na derrota por 3 a 2 para o Volta Redonda.
Antes mesmo do julgamento do atleta, o Tricolor das
Laranjeiras decidiu dispensar o atleta. Sem clube, Renato
Silva foi a julgamento em 12 de abril e foi punido também
por 120 dias. No início de maio, o atleta foi apresentado
no Botafogo, clube que defendeu na segunda metade de
2007 |