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Kimi espanta fama de azarado em ano de derrota da McLaren Pelo mundo, favoritos campeões e uma surpresa nas motos
Kimi espanta fama de azarado em ano de derrota da McLaren

Por Emanuel Colombari, especial para GE.Net

Foto: AFP
Foto: AFP

Sempre azarão, Raikkonen surpreendeu a todos com título nas últimas voltas de Interlagos

Quando Kimi Raikkonen alinhou seu carro no grid de largada do Grande Prêmio do Brasil, no dia 21 de outubro, era preciso um milagre para dar ao finlandês da Ferrari o título da temporada de 2007 da Fórmula 1. A corrida em São Paulo seria uma mera formalidade, que consagraria a brilhante temporada de estréia de Lewis Hamilton, ou que daria o eventual tricampeonato a Fernando Alonso.

De fato, o início da trajetória de Hamilton na McLaren foi brilhante, mas foi Raikkonen quem acabou rindo por último. Após um começo de temporada irregular e ser cotado até mesmo para deixar a Ferrari, o finlandês foi o grande destaque das últimas sete corridas de 2007, responsáveis por uma reviravolta silenciosa na briga pelo título e coroada com a milagrosa conquista em Interlagos.

O ano começou com a promessa de enorme equilíbrio entre as equipes. A Ferrari seria a Ferrari de sempre, mas com o finlandês no lugar deixado por Michael Schumacher e Felipe Massa contando com a simpatia de toda a equipe. A McLaren respondia com Fernando Alonso, contratado junto à Renault exatamente para continuar rivalizando com a concorrente italiana, e com o novato Lewis Hamilton, campeão da GP2 e primeiro piloto negro da história da categoria. Um pouco atrás, a Renault vinha de dois títulos consecutivos de pilotos e construtores, enquanto a Honda prometia manter a evolução constante apresentada nas temporadas anteriores. De quebra, BMW-Sauber, Toyota, Williams e Red Bull prometiam brigar por posições.

Da lista, pouco se cumpriu. A BMW-Sauber se consolidou como terceira força e grata surpresa do ano, enquanto a Williams esqueceu parte do ostracismo e voltou a sorrir. No mais, os franceses da Renault estiveram longe de brigar com regularidade por pódios, e o fraco RA107 da Honda condenou Jenson Button e Rubens Barrichello – o brasileiro, pela primeira vez em 15 anos na categoria, terminou o ano sem pontuar. A Toyota se mostrou aquém do esperado e brigou diretamente com Red Bull, Toro Rosso e com a crescente Super Aguri.

Nas quatro primeiras colocações, predominância de Ferrari e McLaren. Raikkonen estreou vencendo na Austrália, mas a dupla da escuderia inglesa logo despontaria como favorita ao título. Hamilton chegaria em segundo nas quatro corridas seguintes e Alonso venceria duas (Malásia e Mônaco). Mesmo Felipe Massa, que começou mal o ano de 2007, venceu outras duas (Bahrein e Espanha) e parecia mais credenciado ao título do que seu companheiro.

Foto: AFP
Foto: AFP

Nas primeiras corridas, Alonso e Hamilton ainda desfrutavam de "companheirismo"

Nos tribunais, toda a reviravolta - O castelo de areia dos ingleses começou a ruir em Monte Carlo, quando a FIA resolveu investigar a dobradinha da McLaren. A estratégia na vitória de Alonso – tocado por Hamilton na prova – foi inocentada, mas a Federação ainda causaria mais problemas para Ron Dennis, Norbert Haug e companhia. Na mesma prova, a Ferrari ainda descobriu um misterioso pó em seus tanques, e as suspeitas de sabotagem foram levantadas. O acusado: Nigel Stepney, chefe dos mecânicos do time e insatisfeito por não ter sido promovido à direção-técnica após a saída de Ross Brawn. Stepney, então, foi imediatamente afastado da Ferrari.

Nas pistas, os inéditos primeiros lugares de Lewis Hamilton no Canadá e nos EUA, dois palcos de predominância ferrarista, davam a certeza ainda maior de que a equipe de Ron Dennis assistiria a uma briga interna pelo título de pilotos na reta final. Porém, o ambiente interno de extrema competitividade e animosidade acabaria minando as Flechas de Prata ao longo do ano. E o que já era difícil, ficaria insustentável.

Como se não bastasse, o caso de Stepney era mais profundo. Logo surgiram documentos que comprovaram a “insatisfação” do funcionário ferrarista que, junto com Mike Coughlan (então diretor-técnico da McLaren), teriam repassado à equipe inglesa informações confidenciais dos carros da rival italiana, utilizando tais segredos na concepção do modelo MP4-22.

A confusão nos bastidores atrapalhou mais e mais o desempenho do time britânico nas pistas. Julgada pela FIA em setembro, a McLaren perdeu todos os pontos conquistados no Mundial de Construtores em 2007 e ainda recebeu uma pesada multa de US$ 100 milhões. Para piorar, a condenação veio com a ajuda de Fernando Alonso, que entregou à entidade provas contra sua própria equipe. Era evidente a crise.

De volta à pista, Raikkonen ressurge - Pouco a pouco, Raikkonen foi então minando a desvantagem que tinha para Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Segundo na Hungria, segundo na Turquia, terceiro na Itália, primeiro na Bélgica, terceiro no Japão... O finlandês era então o piloto mais regular da categoria – assim como Hamilton havia sido nas primeiras provas do ano, quando se consagrou como o melhor estreante da história da Fórmula 1.

A vitória no chuvoso e tumultuado GP do Japão deixou o inglês bem perto do título, mas a pressão e a inexperiência parecem ter cobrado seu preço na China. Hamilton adiou demais a troca de pneus e acabou escapando na entrada dos boxes, onde parou na brita. Raikkonen venceu, com Alonso em segundo e Massa, já sem chances de ser campeão, em terceiro. O título seria decidido no Brasil.

Ainda assim, o inglês era o grande favorito à coroa do ano. Seria a primeira vez em 56 anos que um piloto conquistaria o título em sua temporada de estréia na categoria. O segundo lugar no treino classificatório do sábado aumentou ainda mais a certeza de que apenas uma combinação improvável de resultados daria o título a Raikkonen. Mas...

Mas a sorte de Hamilton começou a virar logo na largada, quando caiu para quarto lugar. Para piorar, um erro na primeira volta colocou o britânico em oitavo – Alonso era segundo e conquistava o título, com Raikkonen em terceiro na pista. Seria possível? Seria.

Oito voltas depois, o campeonato se decidiu contra o inglês: uma troca equivocada de marchas deixou sua McLaren quase se arrastando para as últimas colocações. Lewis e sua equipe então optaram por três paradas para poder tentar uma tática quase kamikaze na pista. Massa, pole position, era o líder da corrida, enquanto Raikkonen e Alonso disputavam volta a volta, quem seria o campeão. A essa altura, o carismático britânico brigava apenas para terminar a corrida entre os oito primeiros.

Foi então que a velha capacidade estratégica da Ferrari, que tantos títulos ajudou Michael Schumacher a conquistar, entrou na pista. Vencedor em casa em 2006 e melhor piloto do final de semana, Massa cedeu ao companheiro o posto de líder da corrida, graças às paradas de ambos nos boxes. Era questão de tempo para a consagração do finlandês, campeão da Fórmula Renault inglesa em 2000 e estreante na Sauber em 2001.

Setenta e uma voltas depois de largar em terceiro, Raikkonen era campeão da temporada da Fórmula 1. Massa foi segundo na corrida. Alonso, terceiro. Lewis Hamilton cruzou a linha de chegada em sétimo, uma volta depois da Ferrari número seis e atrás de Nico Rosberg, Robert Kubica e Nick Heidfeld. Era o resumo do que havia acontecido nos sete meses anteriores, em que a McLaren mostrou ter esquecido as temporadas pífias de 2006 e 2005, mas que não se igualava a tudo que havia construído em 99, 98, 91, 90, 89, 88...

Em um ano dominado por Lewis Hamilton e Fernando Alonso, a Ferrari acabou se consagrando com os títulos do Mundial de Construtores e de Pilotos. Kimi terminou com 110 pontos, um a mais que Alonso e Hamilton, e levou pra casa a taça que havia batido na trave em 2003 e 2005. Felipe Massa terminou em quarto, com 94 pontos.

Coadjuvantes e figurantes - Entre as demais escuderias, a BMW-Sauber herdou o posto cassado da McLaren e foi a vice-campeã do Mundial de Construtores, com 101 pontos. A equipe promete ser presença constante nos pódios em 2008, e quer brigar por suas primeiras vitórias.

A Renault também quer, embora 2007 tenha sido um ano fraco para a campeã de 2005 e 2006. Com Heikki Kovalainen e Giancarlo Fisichella, a escuderia de Flavio Briatore não conseguiu repetir o bom desempenho que tinha com Alonso – que volta em 2008, ao lado de Nelsinho Piquet. O time terminou o ano em terceiro, com 51 pontos.

A Williams finalmente conseguiu esquecer o ano de 2006 e mostrar o talento de Nico Rosberg. Com 20 pontos, o alemão terminou o ano em nono e ajudou Frank Williams a colocar seus carros entre os melhores da categoria. A equipe foi quarta, com 33 pontos e o terceiro lugar do austríaco Alexander Wurz no GP do Canadá.

O quinto lugar de 2007 ficou para a Red Bull, que fez uma temporada mediana com David Coulthard e Mark Webber. O australiano teve momentos de brilho, como o pódio no GP da Europa e o segundo lugar durante o chuvoso GP do Japão, quando uma manobra de Hamilton causou sua colisão com Sebastian Vettel. Webber somou dez pontos e foi o 12º do ano, enquanto David Coulthard somou 14 e foi o décimo.

Entrando na parte de trás do grid, a Toyota foi apenas a sexta colocada, sem repetir o brilhantismo de temporadas anteriores. Jarno Trulli ainda fez um ano regular e terminou com oito pontos, mas Ralf Schumacher se desentendeu com seu TF107 e foi quinto. Acabou dispensado pela equipe ao final de 2007 e praticamente encerrou sua participação na Fórmula 1.

A Toro Rosso fez o pouco que se esperava dela, encerrando a temporada com oito pontos. A participação da equipe esteve mais concentrada na dança das cadeiras que envolveu seus pilotos durante o ano, colocando Sebastian Vettel no lugar de Scott Speed em julho e anunciando o francês Sébastien Bourdais, astro da Fórmula Indy, para o assento de Vitantonio Liuzzi. O maior brilho da STR no ano foi na China, quando Liuzzi e Vettel terminaram entre os oito melhores e conquistaram os oito pontos do time no ano.

Dois pontos atrás ficou a grande decepção do ano: a Honda. Candidata a vitórias na pré-temporada, a equipe japonesa foi oitava, com seis pontos – todos conquistados por Jenson Button. Culpa, segundo os próprios diretores, dos problemas no túnel de vento durante os testes do “ecológico” RA107. A equipe prometeu repetir o plano ambiental em 2008, mas esquecendo o fiasco de 2008 e permitindo a Rubens Barrichello um retorno a dias melhores.

Enquanto isso, a Super Aguri utilizava o bem-sucedido RA106 em sua segunda temporada na Fórmula 1. Embora defasado, o modelo deu aos carros de Aguri Suzuki seus primeiros quatro pontos na Fórmula 1. De quebra, o time B da Honda só não superou o time A por conta do quinto lugar de Jenson Button em Xangai. Nada melhor para Aguri, que comeu o pão que o diabo amassou em sua temporada de estréia em 2006.

Por fim, a Spyker repetiu o mesmo desempenho pífio que a Midland havia apresentado em 2006, que foi pior do que a Jordan havia demonstrado em sua despedida, em 2005, e que deve ser semelhante ao da Force India em 2008. Com um único ponto e o pior desempenho em pista de todas as equipes, o time holandês contou com quatro pilotos durante um ano: Adrian Sutil, Christijan Albers, Marcus Winkelhock e Sakon Yamamoto. Os alemães ainda se salvaram, mas o holandês “coroou” seu ano ao sair dos boxes do GP da França arrastando a mangueira de abastecimento e derrubando um mecânico.

Brasil ganha mais um escudeiro
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Novo companheiro de Alonso, Nelsinho já carrega peso de ajudar espanhol a buscar título

Já com a fama construída nos últimos anos de contar com pilotos escudeiros na Fórmula 1, o Brasil deve ter mais um “auxiliar” alinhado no grid de 2008: Nelsinho Piquet. Filho do tricampeão mundial, o ex-piloto de testes acabou alçado à vaga titular da escuderia francesa para ser companheiro de ninguém menos que Fernando Alonso, bicampeão mundial que acabou deixando a McLaren justamente porque a equipe se recusou a colocar Lewis Hamilton como seu “ajudante”.

Depois de dois anos de sucesso na Renault, Fernando Alonso resolveu se aventurar na McLaren. Com a saída de Kimi Raikkonen para a Ferrari e um novato a seu lado, a certeza era de que a equipe trabalharia a seu favor. Entretanto, bastou um ano para que o espanhol se arrependesse da mudança. Um ambiente insustentável, de brigas com o chefe Ron Dennis e animosidade com seu competitivo parceiro, obrigou a escuderia inglesa a liberá-lo do contrato que deveria durar até 2008. A McLaren havia optado por sua jovem sensação.

Livre, o espanhol demorou a se decidir por uma nova casa. Tempo de contrato, condições de trabalho e, principalmente, a certeza de que seria privilegiado postergaram até 10 de dezembro – coincidentemente após a absolvição da Renault em uma caso de espionagem – seu retorno ao antigo lar. Neste trajeto, muitas pretendentes ofereceram casamento ao bicampeão. Toyota e Red Bull, entretanto, foram as que fizeram maiores esforços, mas não conseguiram fiscar o espanhol.

A ex-campeã, que teve um desempenho abaixo do esperado em 2007, anunciou a saída de seus então titulares, Giancarlo Fisichella (companheiro de Alonso nos dois títulos) e Heikki Kovalainen. O jovem finlandês havia dito antes do retorno de Alonso que não aceitaria ser escudeiro de ninguém. Coincidência ou não, ele acabou preterido e cedeu sua vaga a outra jovem promessa: Nelsinho Piquet. Embora seu pai também tenha assegurado que o ex-vice campeão da GP2 também não será segundo piloto, só o tempo dirá qual será o papel do brasileiro na Fórmula 1...

Fora da Renault, Kovalainen acabou na McLaren, dono da vaga de Fernando Alonso. O italiano testou pela estreante Force India, mas já disse que topa ser piloto de testes de equipes maiores.

Confira como estão as equipes para o ano que vem:

Ferrari
1. Kimi Raikkonen (FIN)
2. Felipe Massa (BRA)
Quem esteve cotado: Fernando Alonso (ESP), Nico Rosberg (ALE)

BMW-Sauber
3. Nick Heidfeld (ALE)
4. Robert Kubica (POL)
Quem esteve cotado: Fernando Alonso (ESP)

Renault
5. Fernando Alonso (ESP)
6. Nelsinho Piquet (BRA)
Quem esteve cotado: Heikki Kovalainen (FIN), Giancarlo Fisichella (ITA)

Williams Toyota
7. Nico Rosberg (ALE)
8. Kazuki Nakajima (JAP)
Quem esteve cotado: Alexander Wurz (AUT), Fernando Alonso (ESP), Nelsinho Piquet (BRA), Narain Karthinkeyan (IND)

Red Bull
9. David Coulthard (ESC)
10. Mark Webber (AUS)
Quem esteve cotado: Fernando Alonso (ESP)

Toyota
11. Jarno Trulli (ITA)
12. Timo Glock (ALE)
Quem esteve cotado: Felipe Massa (BRA), Fernando Alonso (ESP), Ralf Schumacher (ALE), Franck Montagny (FRA), Kamui Kobayashi (JAP)

Toro Rosso
14. Sebastian Vettel (ALE)
15. Sébastien Bourdais (FRA)
Quem esteve cotado: Robert Doornbos (HOL)

Honda
16. Jenson Button (ING)
17. Rubens Barrichello (BRA)
Quem esteve cotado: Fernando Alonso (ESP), Luca Filippi (ITA)

Super Aguri
18. A definir
19. A definir
Quem está cotado: Takuma Sato (JAP), Anthony Davidson (ING), Luca Filippi (ITA)

Force India
20. A definir
21. A definir
Quem está cotado: Giancarlo Fisichella (ITA), Ralf Schumacher (ALE), Vitantonio Liuzzi (ITA), Christian Klien (AUT), Adrian Sutil (ALE), Giedo van der Garde (HOL), Roldán Rodriguez (ESP), Narain Karthinkeyan (IND), Karun Chandhok (IND).

McLaren Mercedes
22. Lewis Hamilton (ING)
23. Heikki Kovalainen (FIN)
Quem esteve cotado: Adrian Sutil (ALE), Jenson Button (ING), Nico Rosberg (ALE), Nick Heidfeld (ALE), Pedro de la Rosa (ESP), Gary Paffet (ING)

 



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