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Brasil fecha 2007 com seis campeões mundiais Decepção no taekwondo, no handebol e nas maratonas aquáticas
Brasil fecha 2007 com seis campeões mundiais

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Diego Hypólito, Luciano Correa, Tiago Camilo, João Derly, Robert Scheidt, Bruno Prada e Bimba. O que estes brasileiros possuem em comum? Simples: sagraram-se campeões mundiais em 2007. Agora, cada um deles tem o desafio de lidar com a pressão do favoritismo até as Olimpíadas de Pequim.

A conquista mais impressionante, sem dúvida, se deu com Tiago Camilo. Prata nas Olimpíadas de Sidney-2000, o meio-médio viu sua carreira declinar nos anos seguintes e perdeu espaço para Flávio Canto, terceiro colocado em Atenas-2004. Em 2007, porém, graças a muito esforço, sua sorte mudou de novo: chamado para substituir Carlos Honorato na categoria médio dos Jogos Pan-americanos, ganhou o ouro no Rio.

O próximo desafio seria o Mundial da modalidade, também programado para a “Cidade Maravilhosa”. Só que, para pisar no tatame da competição como meio-médio (estava previamente acertado que Honorato seria o representante dos médios no torneio), ele teria que passar por uma seletiva contra Canto. Foi aí que entrou uma “ajudinha” do destino: o rival sofreu uma lesão no cotovelo direito e teve que se afastar temporariamente dos combates.

Foto:AFP, Fernando Pilatos/Gazeta Press e Divulgação/ZDL
Foto:AFP
Foto: Fernando Pilatos/Gazeta Press
Foto: Divulgação

Tiago Camilo, Diego Hypólito e a dupla Robert Scheidt/Bruno Prada despontam como principais apostas do Brasil para as Olimpíadas de Pequim-2008

Então, empurrado pela torcida brasileira, Camilo foi imbatível no Mundial: sete ippons em sete lutas. Apesar disto, não garantiu a vaga olímpica porque venceu o Pan em uma categoria diferente. Com isso, deverá travar intensa disputa contra Canto pela classificação para Pequim. Melhor do mundo entre os meio-pesados, Luciano Correa também não se garantiu em Pequim, justamente porque não subiu no ponto mais alto do Pan, critério estabelecido pela Confederação Brasileira da modalidade.

Desta forma, o único atleta do judô brasileiro masculino que já tem lugar assegurado nas Olimpíadas é o meio-leve João Derly. Depois de conquistar o título pan-americano, ele sentiu uma pequena lesão na coxa esquerda às vésperas do Mundial. Mesmo assim, foi para o tatame e, após uma difícil final vencida apenas no “golden score”, tornou-se o primeiro brasileiro bicampeão mundial de judô. O país ainda ganhou um bronze, com João Gabriel Schlittler na categoria pesado.

Quem também teve o gostinho de ser bicampeão mundial em 2007 foi Diego Hypólito. Maior estrela da ginástica brasileira na atualidade, o atleta provou na cidade alemã de Stuttgart ser o melhor do mundo na prova de solo, repetindo o feito de dois anos antes na Austrália.

Na decisão da medalha, Diego bateu com sobras os adversários, marcando 16,150 pontos contra 15,950 do espanhol Gervasio Deffer, medalhista de prata. Vale lembrar, porém, que o principal oponente do brasileiro, o romeno Marian Dragulescu, sofreu uma lesão nas costas e não pôde competir. Campeão olímpico no solo, o canadense Kyle Shewfelt também não conseguiu apresentar sua série porque quebrou as duas pernas durante um treino para o Mundial.

Entre as mulheres, Jade Barbosa chegou muito perto de fazer história: após liderar toda a final da categoria individual geral, ela cometeu um erro no solo e teve que se contentar com a medalha de bronze. Novo “xodó” da torcida brasileira, a carioca ainda ajudou a equipe nacional feminina a alcançar o quinto lugar entre as seleções, melhor campanha na história, garantindo assim o time completo nas Olimpíadas. Por outro lado, o masculino não teve a mesma capacidade e conquistou apenas uma vaga na China, que tem tudo para ser ocupada por Diego Hypólito.

Esporte que mais deu medalhas olímpicas para o Brasil na história, a vela rendeu outros dois títulos mundiais para o país em 2007. Três anos depois de quase subir ao pódio das Olimpíadas de Atenas, o carioca Ricardo Winick, o Bimba, finalmente entrou no rol dos grandes ao vencer as disputas da classe RS:X do Mundial de Vela, disputado em Cascais. Dias antes, Robert Scheidt e Bruno Prada haviam formado a dupla vencedora na classe Star.

E o que não faltou na conquista de Scheidt e Prada foi emoção. Mesmo após intensa preparação, os dois só assumiram a liderança após dois dias de regatas. A partir daí, não desgrudaram da ponta. Só que um fator ainda poderia colocar tudo a perder: a Medal Race, regata com menor duração e que reúne os dez primeiros colocados dando pontuação dobrada aos vencedores. Um desempenho ruim nesta etapa deixaria o sonho do título mundial para outra oportunidade.

Foi aí que a sorte resolveu ajudar os brasileiros. O dia programado para a Medal Race amanheceu com vento excessivo, condição ruim para a prática da vela. A organização da disputa então determinou que todos os competidores aguardassem melhoras climáticas. As horas se passaram e a tensão crescia. Os barcos, inclusive, chegaram a se posicionar para dar início à disputa, mas a organização desistiu da tentativa e, depois de horas de espera e tensão, a Medal Race foi cancelada, dando o título aos brasileiros.

À sua maneira, atletismo e natação também brilham – Esportes mais valorizados nas Olimpíadas, a natação e o atletismo também tiveram brasileiros brilhando. Apesar de os representantes nacionais não terem atingido o ponto mais alto do pódio, eles alcançaram bons resultados nestes Mundiais.

Jadel Gregório, por exemplo, recuperou-se da decepção de Atenas-2004 e conquistou o vice-campeonato na prova de salto triplo. Ele saltou 17,59m, 15 centímetros a menos que o português Nelson Évora. Três meses antes, o brasileiro havia batido o recorde sul-americano de João do Pulo, que durava 32 anos, ao alcançar 17,90m no GP Brasil de Belém.

Contando com uma equipe renovada através de Vicente Lenilson, Rafael Ribeiro, Basílio Moraes e Sandro Viana, o Brasil por pouco não subiu ao pódio do revezamento 4x100m masculino, terminando com a quarta colocação e o segundo melhor tempo nacional na história da prova (37s99). O país ainda teve outras cinco participações em finais, com Keila Costa (nono no salto triplo e sétimo no salto em distância), Maurren Maggi (sexto no salto em distância), Fábio Gomes (décimo no salto com vara) e Fabiana Murer (sexto no salto com vara).

Prova nobre do atletismo, os 100m contaram com uma surpresa: o norte-americano Tyson Gay bateu o favorito Asafa Powell, que terminou apenas em terceiro lugar. Embalado, o vencedor ainda venceu os 200m e ajudou seu país a ficar com a taça no revezamento 4x100m. A resposta veio dias depois, quando o jamaicano Powell baixou seu próprio recorde mundial dos 100m durante uma bateria eliminatória em 9s74, pouco melhor que a antiga marca de 9s77.

Em um Mundial sem nenhum recorde mundial, destaque ainda para a sueca Carolina Kluft, que conquistou o tricampeonato mundial no heptatlo e manteve o domínio de cinco anos na prova, já que levou o ouro também nos Campeonatos Europeus de 2002 e 2006 e nos Jogos Olímpicos de Atenas.

E, se faltaram grandes marcas no atletismo, os recordes sobraram na natação durante o Mundial de Desportos Aquáticos: a melhor marca do mundo foi batida em nada menos que 15 oportunidades. O grande destaque foi o norte-americano Michael Phelps, que ganhou nada menos que sete medalhas de ouro: 4x100m livre, 100m borboleta, 4x200m livres, 200m livres, 200m borboleta, 200m medley e 400m medley, sendo que nas últimas cinco provas, o ouro veio acompanhando de um recorde mundial.

Entre as mulheres, brilhou a australiana Lisbeth Lenton, que somou cinco vitórias e se tornou a mulher com mais ouros em uma edição do Mundial. Apesar de não ter subido nenhuma vez ao pódio, o Brasil saiu satisfeito da disputa, graças à quebra de oito recordes sul-americanos e a conquista de seis vagas olímpicas (revezamentos 4x100m livres, 4x200m livres e 4x100m medley, além de 200m livres e 200m medley (com Thiago Pereira). César Cielo também assegurou as vagas nos 50m e 100m livres).

Um pódio, aliás, não veio por pouco. O paulista Cielo, por exemplo, chegou a liderar a prova dos 100m livre, mas acabou terminando em quarto lugar. Pereira, por sua vez, ocupou o mesmo lugar nos 200m medley. Além disto, o país disputou outras duas finais e duas semifinais. “É bom lembrar que a cada ano que passa, a competição apresenta ainda mais dificuldades. É só observar o número de recordes mundiais batidos”, comentou Ricardo de Moura, supervisor-técnico da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).


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