Pan vira trunfo para
2016
| Foto:Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Ameaçado de se tornar "elefante branco", João Havelange recebeu grandes conquistas do atletismo brasileiro. Agora, ele é a casa do Botafogo |
O orçamento estourou, algumas sedes tiveram como marca
os problemas (beisebol e mountain bike), mas o saldo final
dos Jogos Pan-americanos para a organização foi plenamente
satisfatório. Com um investimento total de R$ 3,5 bilhões
– R$ 1,65 bilhão do Governo Federal, R$ 1,2 bilhão da
Prefeitura e R$ 400 milhões do Governo Estadual -, a estimativa
inicial era de R$ 388,7 milhões, a capital fluminense
recebeu 5.530 atletas de 42 países.
Durante a preparação, juntamente com a empolgação
por voltar a organizar a competição após 44 anos, conviveu
com a ameaça de que a data de abertura chegasse sem
que tudo estivesse pronto. Os maiores temores rondaram
o Estádio de Remo da Lagoa, o Complexo do Autódromo
e a Marina da Glória, todos alvos de embargos e ações
judiciais.
O Complexo Esportivo João Havelange, estádio de primeiro
mundo com direito a reportagem especial no Discovery
Channel, ameaçava tornar-se um ‘elefante branco’
após o evento, mas pelo menos por enquanto parece não
correr mais este risco, graças a um acordo entre a Prefeitura
e o Botafogo.
| Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta
Press |
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| Na pista do Outeiro, obras finalizadas apenas no dia da competição do mountain bike |
No final, mesmo com greves de trabalhadores das obras,
queixas populares de pouco benefício na área social
e a ameaça de CPIs, que não saíram do papel, para investigar
os gastos, as estruturas ficaram prontas em tempo. Ou
quase... No Morro do Outeiro, por exemplo, a pista só
foi finalizada na manhã da competição. O velódromo,
cujas obras foram uma das últimas a começar, ficou pronto
a toque de caixa , mas teve problemas com goteiras.
O Pan também serviu para provar que, com empenho,
a violência carioca pode ser controlada. O Governo investiu
R$ 385 milhões no esquema de segurança, modernizando
equipamentos, treinando pessoal, reequipando estruturas
e durante o período de realização dos Jogos foi possível
caminhar pela orla com equipamentos caros sem temer
assaltos. Na semana seguinte ao evento, porém, uma nova
onda de violência acabou com a imagem recém-construída.
O apoio público aos atletas foi outra marca no Rio.
Mesmo com problemas no sistema de venda de ingressos,
os torcedores prestigiaram as competições. Mas, infelizmente,
nem sempre deram mostras de espírito esportivo. Vaias
e xingos aos adversários misturaram-se aos aplausos
e às palavras de incentivos aos representantes nacionais.
No primeiro grande teste aos olhos do mundo às ambições
para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, o
Brasil conseguiu passar em cena sem prejudicar sua imagem.
“Mostramos ao mundo a capacidade que o Brasil tem para
realizar Jogos desta magnitude”, vangloriou-se o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que não escapou de uma sonora
vaia durante a cerimônia de abertura da competição.
A organização recebeu o aval do presidente da Organização
Desportiva Pan-americana (Odepa), Mário Vázquez Raña,
que classificou a edição brasileira como a melhor da
história. "Esta avaliação é fundamental também pela
repercussão internacional", valorizou o presidente do
Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador
dos Jogos (CO-Rio), Carlos Arthur Nuzman. “O presidente
do COI (Jacques Rogge) e Raña acham que o Rio deve ser
candidato e que esta será uma candidatura forte para
inaugurar as Olimpíadas na América do Sul. Isso adiantou
em muito as necessidades da candidatura olímpica”, completou.
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