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 Rei das Copas
Melhor do mundo faz do Milan o “Rei das Copas”

Por Paulo Amaral

Foto AFP
Foto AFP

Kaká e Cafu comemoram conquista do Mundial de Clubes em ano de "vingança" para o Milan

Melhor jogador do mundo em 2007, o meia Kaká é o símbolo perfeito para a temporada de ouro vivida pelo Milan, da Itália. Artilheiro da Copa dos Campeões da Europa, com dez gols, o brasileiro foi o grande nome do rubro-negro italiano na conquista do torneio que recolocou o Milan na disputa do Mundial de Clubes da Fifa, no Japão.

Na terra do sol nascente, a estrela de Kaká mais uma vez brilhou mais forte e o melhor do mundo marcou o terceiro gol milanês na vitória por 4 a 2 na decisão contra o Boca Juniors, garantindo ao time o título de primeiro tetracampeão mundial de clubes. De quebra, deu o passe para dois dos gols marcados pelos italianos, sendo assim eleito o melhor jogador da final contra os argentinos e também do torneio, confirmando o excelente momento que vive na carreira.

A conquista do tetra coroou o Milan como o verdadeiro “Rei das Copas”, pois levou os italianos à sua 18ª conquista internacional, superando o próprio Boca Juniors, que chegou à decisão no Japão com 17 títulos no currículo, dentre eles, três Mundiais. O quarto título milanês teve gosto de revanche, pois, em 2003, o mesmo Boca superou os italianos na decisão por pênaltis, depois de empatar por 1 a 1 no tempo normal, também em Yokohama.

Revanche, aliás, é outra palavra que ilustra bem toda a vitoriosa temporada do rubro-negro italiano. Antes de devolver a derrota aos argentinos, o Milan reconquistou o continente europeu em cima de um velho conhecido: o Liverpool, rival da decisão de 2005, cuja taça ficou nas mãos do time inglês.

A caminhada rumo ao sétimo título europeu começou em 9 de agosto, na fase pré-eliminatória da competição, diante do Estrela Vermelha, da Sérvia. Com duas vitórias (2 a 1 e 1 a 0), o Milan carimbou passagem à fase de grupos e, na chave H, passou por Lille (França), AEK (Grécia) e Anderlecht (Bélgica), seguindo em frente na competição.

No mata-mata, passou aperto diante dos escoceses do Celtic e também diante dos alemães do Bayern de Munique, mas prevaleceu. Na semifinal, abriu boa vantagem sobre os “Diabos Vermelhos” do Manchester United no primeiro duelo (3 a 0) e, mesmo com um revés no segundo jogo, levou a vaga na final.

Na decisão, disputada em Glasgow, diante do Liverpool, a tão esperada revanche. Dois anos após perder um título considerado ganho (vencia por 3 a 0 no primeiro tempo, permitiu o empate e perdeu nos pênaltis), o Milan foi preciso e, com participação memorável de Kaká e dois gols de Inzaghi, bateu os ingleses por 2 a 1 na decisão, garantindo presença no Mundial da Fifa.

Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press

Na Libertadores, Riquelme levou o Boca ao título, mas não pôde jogar o Mundial

Volta por cima na América: O Boca também passou sem brilho pelo ano de 2006, ficando fora até da principal competição entre clubes da América, a Libertadores. De volta em 2007, o time deu a impressão de que repetiria o vexame ao iniciar a competição com um simples empate diante do Bolívar. Mas deu a volta por cima com estilo.

Após conseguir a classificação como segundo colocado do grupo 7 na “bacia das almas”, goleando o Bolívar por 7 a 0 na última rodada, os argentinos despertaram e, apesar de derrotados em mais duas oportunidades, uma nas oitavas-de-final, perante o Vélez Sarsfield, e uma na semifinal para o Cucuta, da Colômbia, mostraram poder de reação e levantaram a taça pela sexta vez, tornando-se o segundo maior vencedor da história do torneio, atrás apenas do Independiente, que tem sete conquistas.

Comandado por Juan Riquelme, o time despachou os conterrâneos do Vélez (1 a 3 e 3 a 0), os paraguaios do Libertad (2 a 0 e 1 a 1), os colombianos do Cucuta (1 a 3 e 3 a 0) e, na final, bateram suas vítimas preferidas: os brasileiros, representados pelo Grêmio. Perfeitos, Riquelme, Palácios, Palermo e companhia não deram chances ao “imortal” tricolor gaúcho e venceram as duas partidas: 3 a 0 em La Bombonera e 2 a 0 no Olímpico, com direito a dois gols do maestro Riquelme e à marca registrada de Palermo: o pênalti perdido.

Provocativos, os argentinos comemoraram o título e a presença no Mundial do Japão, rotulando o país oriental de o “segundo bairro” do Boca. Em 2007, no entanto, o “segundo bairro” do Boca viu a festa de outro time acostumado às visitas no Oriente: o Milan, primeiro tetracampeão mundial do planeta, o “Rei das Copas”.

Uefa tem tempero brasileiro e Sul-americana, confusão
Foto AFP
Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press

No segundo jogo do Campeonato Espanhol, Antônio Puerta passa mal na partida contra Getafe e morre três dias depois

O ano de 2007 ficará marcado por momentos de alegria e tristeza na memória do torcedor do Sevilla. Por um lado, ele pôde comemorar pela segunda vez consecutiva a conquista da Copa da Uefa, façanha antes alcançada somente pelo poderoso Real Madrid entre os times espanhóis. Por outro, chorou a morte de um dos heróis do título, Antônio Puerta, dois dias depois da estréia no Campeonato Espanhol.

A conquista do bicampeonato teve sabor brasileiro. Com participação fundamental de Daniel Alves, Renato, Adriano e Luis Fabiano, o time repetiu o feito alcançado diante do inglês Middlesbrough na última temporada e, diante do Espanyol, de Barcelona, levantou a taça pela segunda vez consecutiva.

Ao contrário da edição anterior, quando a taça chegou com uma goleada por 4 a 0 sobre o Middlesbrough, da Inglaterra, a conquista de 2007 foi suada. No jogo disputado em Glasgow, na Escócia, diante do Espanyol, sobrou emoção. Depois de um empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, nos pênaltis, deu Sevilla: 3 a 1. Um dos gols na decisão dos pênaltis foi marcado por Puerta, jogador que ficaria marcado na história do clube por uma fatalidade ocorrida dois meses mais tarde.

No dia 25 de agosto, durante a estréia do Sevilla na Liga Espanhola diante do Getafe, o lateral caiu desacordado no gramado quando restavam dez minutos para o final do duelo. Atendido rapidamente, foi aos vestiários, onde novamente desmaiou e teve de ser levado para o hospital. Três dias depois, vítima de uma encefalopatia e por ma falência múltipla dos órgãos, proveniente de parada cardíaca, o jogador, de 22 anos, acabou morrendo.

A tragédia mobilizou a Europa e, seis dias depois, na decisão da Supercopa da Europa entre Sevilla e Milan, todos os jogadores do clube espanhol atuaram com o nome de Puerta estampado em suas camisas. Renato fez o único gol da equipe na derrota por 3 a 1 e, ao lado dos companheiros, apontou para o céu para comemorar, de forma contida, ao balançar as redes.

Na Sul-americana, campeão inédito e confusão: O domínio nas principais competições da América do Sul em 2007 foi argentino. Enquanto o Boca Juniors levantou a Libertadores da América, a Sul-americana ficou nas mãos do Arsenal. A vitória e o título inédito do time de Sarandi comprovou o domínio dos argentinos na competição. Desde que foi criada, em 2002, a Sul-americana ficou nas mãos dos hermanos em quatro oportunidades: 2002 (San Lorenzo), 2004 e 2005 (Boca Juniors) e 2007 (Arsenal). Em 2003, o título ficou com o Cienciano, do Peru, e em 2006 com o Pachuca, do México.

A inédita conquista do Arsenal foi recheada de polêmica. Nas duas partidas decisivas, o técnico do América, Daniel Brailovsky, argentino, deixou o campo reclamando da arbitragem e alegando que “não há sentido convidarem clubes mexicanos se não querem deixá-los vencer dentro de campo”.

Para conquistar seu primeiro título internacional diante do América-MEX, o time de Sarandí eliminou os compatriotas do San Lorenzo na primeira rodada (1 a 1 e 3 a 0), os brasileiros do Goiás (3 a 2 e 1 a 1), os mexicanos do Chivas Guadalajara (3 a 1 e 0 a 0) e os compatriotas River Plate (dois empates sem gols, com 4 a 2 nos pênaltis).

A caminhada dos mexicanos até a decisão começou nas oitavas-de-final, diante do Pachuca (4 a 1 e 0 a 2), passando pelo Milionários (2 a 0 e 3 a 2) e pelo Vasco (2 a 0 e 0 a 1). A segunda partida das semifinais ficou marcada pelo fato de Romário ter atuado como técnico e jogador vascaíno.

A conquista do Arsenal deu ao time de Sarandí a possibilidade de inaugurar uma nova competição. O time enfrentará o Gamba Osaka, do Japão, no dia 30 de julho de 2008, em torneio criado conjuntamente pela Confederação Sul-americana de Futebol e pela Associação Japonesa de Futebol. O nome do novo campeonato, no entanto, ainda não foi definido pelos organizadores.

 


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