Dunga mantém
hegemonia continental, mas sente reflexos da pressão
Por Marcelo Belpiede
Foto AFP |
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Seleção não convence, mas arrasa Argentina na decisão e conquista título da Copa América |
Depois de seis amistosos em 2006, Dunga teve o primeiro
ano concreto como treinador da seleção brasileira. O
técnico pôde sentir o sabor da primeira derrota, disputou
sua primeira competição oficial (Copa América), iniciou
a caminhada nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010
e já ouviu cobranças em relação à escalação da equipe.
O ex-capitão da seleção mostrou, inclusive, irritação
em diversos momentos por causa de questionamentos da
imprensa.
Apesar disso, Dunga acha que o saldo do ano foi positivo,
com a conquista da Copa América e a terceira colocação
nas rodadas iniciais das Eliminatórias. “Para o torcedor,
o que importa é ver o jogador com comprometimento. Acho
que conseguimos mostrar que podemos aliar a qualidade
técnica com a garra e determinação”, analisa. “Claro
que ninguém é perfeito, mas busco fazer sempre o melhor
para a seleção. Em momentos de dificuldade, não adianta
mudar tudo”, emenda.
O ano da seleção brasileira começou com um tropeço,
o primeiro desde que o gaúcho assumiu o comando. Em 6 de fevereiro, a equipe pentacampeã viajou até
Londres para enfrentar um adversário de respeito: Portugal,
do brasileiro Luiz Felipe Scolari. Presos na marcação
adversária, os brasileiros foram vítimas de falhas defensivas
e acabaram derrotados por 2 a 0.
Na seqüência, aconteceram mais quatro amistosos em
solo europeu. Durante o mês de março, Dunga voltou a
dar chance para o trio Kaká, Ronaldinho e Robinho nas
vitórias contra Chile e Gana. Em junho, mais dois compromissos
e a queda de rendimento nos empates diante de Inglaterra
e Turquia.
Só que as atenções na temporada estavam voltadas para
a disputa da primeira competição oficial sob o comando
de Dunga, a Copa América. Já na convocação, muitas dificuldades.
O goleiro Júlio César e o zagueiro Lúcio, machucados,
não puderam ser aproveitados. Os meias Kaká e Ronaldinho
Gaúcho pediram dispensa alegando cansaço. Para completar,
o meia Zé Roberto abandonou a seleção para jogar no
futebol alemão. As surpresas na equipe foram o zagueiro
Alex Silva (São Paulo) e o meia Anderson (Manchester
United, da Inglaterra). Em contrapartida, sobraram críticas
para as convocações do volante Fernando, do Bordeaux,
da França, e do atacante Afonso, do Heerenveen, da Holanda.
Durante os treinos da Copa América, Dunga sofreu para
contar com o atacante Robinho. Na briga pelo título
espanhol, o Real Madrid bateu o pé para aproveitar seu
astro na última rodada da competição e conseguiu mantê-lo
no Velho Continente. Após a polêmica, a seleção iniciou
a Copa América com uma formação ofensiva baseada no
Santos de 2002: Elano, Diego e Robinho, além de Vágner
Love. O resultado foi uma derrota de 2 a 0 para o México.
Depois de testar o jovem Anderson na segunda rodada,
Dunga finalmente achou sua verdadeira formação para
a Copa América: três volantes (Gilberto Silva, Mineiro
e Josué) e um meia forte e pouco criativo (Júlio Baptista).
Mesmo com o sufoco na semifinal diante do Uruguai, vencida
apenas nos pênaltis, a seleção garantiu o título em
uma atuação incontestável na final, alcançando o placar
de 3 a 0 diante da Argentina.
A partir daí, a disputa das Eliminatórias para a Copa
do Mundo virou a prioridade. Antes, as vitórias nos
amistosos diante Argélia, Estados Unidos e México, nos
meses de agosto e setembro, serviram para Kaká e Ronaldinho
Gaúcho reconquistarem os postos de titulares. Outro
que também ganhou novamente uma chance, no confronto
diante dos mexicanos, foi o goleiro Júlio César.
Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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Dois gols de Luís Fabiano garantem ao Brasil a vitória na última partida da temporada e a terceira posição das eliminatórias |
Para o início das Eliminatórias, Dunga evitou surpresas
na convocação. O Brasil iniciou sua caminhada em 14
de outubro contra a Colômbia. Visivelmente, os jogadores
alegaram sentir a altitude de Bogotá e ficaram longe
de jogar o melhor futebol no empate sem gols. Três dias
depois, veio o confronto diante do Equador, no Maracanã.
Liderados por Kaká e Robinho, os pentacampeões acordaram
no segundo tempo e golearam: 5 a 0.
Assim, criou-se uma grande expectativa para o jogo
diante do Peru, em 18 de novembro. Só que o Brasil voltou
a oscilar e ficou abaixo da crítica no empate por 1
a 1. A partir daí, Dunga foi novamente questionado sobre
o futebol burocrático de sua equipe. “O importante é
classificar a equipe para o Mundial”, decreta o treinador
sempre que ouve críticas.
Pressionada, a seleção entrou em campo para o jogo
contra um rival tradicional rival, o Uruguai. Desta
vez, brilhou a estrela de Luiz Fabiano, convocado por
causa da contusão de Afonso, e autor dos dois gols que
salvaram o Brasil. “Precisávamos de um algo mais nesse
jogo. Corremos, lutamos e alcançamos o resultado. Tenho
certeza que, para 2008, podemos pensar em render mais”,
prevê o lateral Gilberto.
No Velho Continente: Na Europa, as seleções
encerraram a caminhada nas Eliminatórias da Eurocopa
do ano que vem, que acontece na Suíça e na Áustria.
Alguns países tradicionais, como Portugal, Itália e
França, sofreram para alcançar a classificação. Mas
o grande destaque negativo ficou com a Inglaterra, eliminada
da fase final do torneio com uma acachapante derrota
para a Croácia em casa.
As chaves da Eurocopa contam com 16 seleções e foram
divididas da seguinte forma: grupo A – Suíça, República
Tcheca, Portugal e Turquia; grupo B – Áustria, Croácia,
Alemanha e Polônia; grupo C – Holanda, Itália, Romênia
e França; grupo D – Grécia, Suécia, Espanha e Rússia.
| Sem camisa nove,
artilharia brasileira é dividida em 2007 |
| Achar um centroavante.
Essa foi a principal missão do técnico Dunga durante
as 18 apresentações da seleção brasileira na temporada.
Como Ronaldo e Adriano sofreram com problemas
físicos e psicológicos durante o ano, a seleção
viu outros nomes assumirem a camisa nove. Apenas
Luís Fabiano, titular no último jogo contra o
Uruguai, acabou aprovado, mas ainda precisa mostrar
mais se quiser ganhar a confiança dos torcedores.
Essa realidade fez a artilharia da seleção brasileira
ficar diluída neste ano (ver quadro abaixo). Principal
estrela na conquista brasileira da Copa América,
Robinho foi o jogador com o maior número de gols:
seis. Depois, vieram Kaká e Ronaldinho Gaúcho,
figuras ausentes da Copa América, ambos com cinco.
“Seleção é assim mesmo. Quando um não brilha,
surge espaço para outro aparecer”, define Kaká.
Entre os centroavantes, Vagner Love foi o mais
utilizando, sendo titular durante toda a Copa
América e no começo das Eliminatórias da Copa
do Mundo de 2010. O jogador terminou o ano com
três gols na seleção e ficou longe de convencer.
Sem opções, Dunga também insistiu bastante com
o desconhecido Afonso, do Heereveen, da Holanda.
Contudo, o ex-atacante do Atlético-MG balançou
as redes somente uma vez, no amistoso diante dos
Estados Unidos, e corre o risco agora de perder
sua vaga entre os convocados para Luís Fabiano.
Outra polêmica: Além do comando
de ataque, outra posição que gera reclamações
dos torcedores é a de goleiro. Melhor jogador
das duas últimas temporadas do futebol brasileiro,
o nome de Rogério Ceni é clamado em vários centros
do país. “Ele vai ter que esperar uma chance”,
justifica Dunga, que já questionou a idade do
capitão são-paulino (completa 35 anos em janeiro).
Em 2007, Helton começou o ano como titular,
mas logo acabou esquecido. Apesar de inconstante,
Doni ganhou espaço principalmente na Copa América.
Todavia, para as Eliminatórias da Copa do Mundo,
Dunga apelou para a experiência de Júlio César,
uma das estrelas da Inter de Milão.
| Os artilheiros
da temporada |
| Robinho
|
6 gols |
| Ronaldinho Gaúcho e Kaká |
5 |
| Vagner Love e Júlio
Baptista |
3 |
| Luís Fabiano, Juan, Maicon
e Elano |
2 |
| Diego, Josué, Daniel
Alves, Lúcio, Kleber e Afonso |
1 |
| Gols contra |
2
|
|
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