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Dunga mantém hegemonia continental, mas sente reflexos da pressão
Em 2007, seleção olímpica fecha vexames das categorias de base
Dunga mantém hegemonia continental, mas sente reflexos da pressão

Por Marcelo Belpiede

Foto AFP
Foto Djalma Vassão / Gazeta Press

Seleção não convence, mas arrasa Argentina na decisão e conquista título da Copa América

Depois de seis amistosos em 2006, Dunga teve o primeiro ano concreto como treinador da seleção brasileira. O técnico pôde sentir o sabor da primeira derrota, disputou sua primeira competição oficial (Copa América), iniciou a caminhada nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 e já ouviu cobranças em relação à escalação da equipe. O ex-capitão da seleção mostrou, inclusive, irritação em diversos momentos por causa de questionamentos da imprensa.

Apesar disso, Dunga acha que o saldo do ano foi positivo, com a conquista da Copa América e a terceira colocação nas rodadas iniciais das Eliminatórias. “Para o torcedor, o que importa é ver o jogador com comprometimento. Acho que conseguimos mostrar que podemos aliar a qualidade técnica com a garra e determinação”, analisa. “Claro que ninguém é perfeito, mas busco fazer sempre o melhor para a seleção. Em momentos de dificuldade, não adianta mudar tudo”, emenda.

O ano da seleção brasileira começou com um tropeço, o primeiro desde que o gaúcho assumiu o comando. Em 6 de fevereiro, a equipe pentacampeã viajou até Londres para enfrentar um adversário de respeito: Portugal, do brasileiro Luiz Felipe Scolari. Presos na marcação adversária, os brasileiros foram vítimas de falhas defensivas e acabaram derrotados por 2 a 0.

Na seqüência, aconteceram mais quatro amistosos em solo europeu. Durante o mês de março, Dunga voltou a dar chance para o trio Kaká, Ronaldinho e Robinho nas vitórias contra Chile e Gana. Em junho, mais dois compromissos e a queda de rendimento nos empates diante de Inglaterra e Turquia.

Só que as atenções na temporada estavam voltadas para a disputa da primeira competição oficial sob o comando de Dunga, a Copa América. Já na convocação, muitas dificuldades. O goleiro Júlio César e o zagueiro Lúcio, machucados, não puderam ser aproveitados. Os meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho pediram dispensa alegando cansaço. Para completar, o meia Zé Roberto abandonou a seleção para jogar no futebol alemão. As surpresas na equipe foram o zagueiro Alex Silva (São Paulo) e o meia Anderson (Manchester United, da Inglaterra). Em contrapartida, sobraram críticas para as convocações do volante Fernando, do Bordeaux, da França, e do atacante Afonso, do Heerenveen, da Holanda.

Durante os treinos da Copa América, Dunga sofreu para contar com o atacante Robinho. Na briga pelo título espanhol, o Real Madrid bateu o pé para aproveitar seu astro na última rodada da competição e conseguiu mantê-lo no Velho Continente. Após a polêmica, a seleção iniciou a Copa América com uma formação ofensiva baseada no Santos de 2002: Elano, Diego e Robinho, além de Vágner Love. O resultado foi uma derrota de 2 a 0 para o México.

Depois de testar o jovem Anderson na segunda rodada, Dunga finalmente achou sua verdadeira formação para a Copa América: três volantes (Gilberto Silva, Mineiro e Josué) e um meia forte e pouco criativo (Júlio Baptista). Mesmo com o sufoco na semifinal diante do Uruguai, vencida apenas nos pênaltis, a seleção garantiu o título em uma atuação incontestável na final, alcançando o placar de 3 a 0 diante da Argentina.

A partir daí, a disputa das Eliminatórias para a Copa do Mundo virou a prioridade. Antes, as vitórias nos amistosos diante Argélia, Estados Unidos e México, nos meses de agosto e setembro, serviram para Kaká e Ronaldinho Gaúcho reconquistarem os postos de titulares. Outro que também ganhou novamente uma chance, no confronto diante dos mexicanos, foi o goleiro Júlio César.

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto Djalma Vassão / Gazeta Press

Dois gols de Luís Fabiano garantem ao Brasil a vitória na última partida da temporada e a terceira posição das eliminatórias

Para o início das Eliminatórias, Dunga evitou surpresas na convocação. O Brasil iniciou sua caminhada em 14 de outubro contra a Colômbia. Visivelmente, os jogadores alegaram sentir a altitude de Bogotá e ficaram longe de jogar o melhor futebol no empate sem gols. Três dias depois, veio o confronto diante do Equador, no Maracanã. Liderados por Kaká e Robinho, os pentacampeões acordaram no segundo tempo e golearam: 5 a 0.

Assim, criou-se uma grande expectativa para o jogo diante do Peru, em 18 de novembro. Só que o Brasil voltou a oscilar e ficou abaixo da crítica no empate por 1 a 1. A partir daí, Dunga foi novamente questionado sobre o futebol burocrático de sua equipe. “O importante é classificar a equipe para o Mundial”, decreta o treinador sempre que ouve críticas.

Pressionada, a seleção entrou em campo para o jogo contra um rival tradicional rival, o Uruguai. Desta vez, brilhou a estrela de Luiz Fabiano, convocado por causa da contusão de Afonso, e autor dos dois gols que salvaram o Brasil. “Precisávamos de um algo mais nesse jogo. Corremos, lutamos e alcançamos o resultado. Tenho certeza que, para 2008, podemos pensar em render mais”, prevê o lateral Gilberto.

No Velho Continente: Na Europa, as seleções encerraram a caminhada nas Eliminatórias da Eurocopa do ano que vem, que acontece na Suíça e na Áustria. Alguns países tradicionais, como Portugal, Itália e França, sofreram para alcançar a classificação. Mas o grande destaque negativo ficou com a Inglaterra, eliminada da fase final do torneio com uma acachapante derrota para a Croácia em casa.

As chaves da Eurocopa contam com 16 seleções e foram divididas da seguinte forma: grupo A – Suíça, República Tcheca, Portugal e Turquia; grupo B – Áustria, Croácia, Alemanha e Polônia; grupo C – Holanda, Itália, Romênia e França; grupo D – Grécia, Suécia, Espanha e Rússia.

Sem camisa nove, artilharia brasileira é dividida em 2007

Achar um centroavante. Essa foi a principal missão do técnico Dunga durante as 18 apresentações da seleção brasileira na temporada. Como Ronaldo e Adriano sofreram com problemas físicos e psicológicos durante o ano, a seleção viu outros nomes assumirem a camisa nove. Apenas Luís Fabiano, titular no último jogo contra o Uruguai, acabou aprovado, mas ainda precisa mostrar mais se quiser ganhar a confiança dos torcedores.

Essa realidade fez a artilharia da seleção brasileira ficar diluída neste ano (ver quadro abaixo). Principal estrela na conquista brasileira da Copa América, Robinho foi o jogador com o maior número de gols: seis. Depois, vieram Kaká e Ronaldinho Gaúcho, figuras ausentes da Copa América, ambos com cinco. “Seleção é assim mesmo. Quando um não brilha, surge espaço para outro aparecer”, define Kaká.

Entre os centroavantes, Vagner Love foi o mais utilizando, sendo titular durante toda a Copa América e no começo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. O jogador terminou o ano com três gols na seleção e ficou longe de convencer.

Sem opções, Dunga também insistiu bastante com o desconhecido Afonso, do Heereveen, da Holanda. Contudo, o ex-atacante do Atlético-MG balançou as redes somente uma vez, no amistoso diante dos Estados Unidos, e corre o risco agora de perder sua vaga entre os convocados para Luís Fabiano.

Outra polêmica: Além do comando de ataque, outra posição que gera reclamações dos torcedores é a de goleiro. Melhor jogador das duas últimas temporadas do futebol brasileiro, o nome de Rogério Ceni é clamado em vários centros do país. “Ele vai ter que esperar uma chance”, justifica Dunga, que já questionou a idade do capitão são-paulino (completa 35 anos em janeiro).

Em 2007, Helton começou o ano como titular, mas logo acabou esquecido. Apesar de inconstante, Doni ganhou espaço principalmente na Copa América. Todavia, para as Eliminatórias da Copa do Mundo, Dunga apelou para a experiência de Júlio César, uma das estrelas da Inter de Milão.

Os artilheiros da temporada

Robinho

6 gols

Ronaldinho Gaúcho e Kaká 5

Vagner Love e Júlio Baptista

3

Luís Fabiano, Juan, Maicon e Elano 2

Diego, Josué, Daniel Alves, Lúcio, Kleber e Afonso

1

Gols contra 2


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