Manipulação
de resultados: a maior notícia do tênis
Por Daniel Marques, especial
para a GE.Net
| Foto: AFP |
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| Cobrado por árbitro por suposto corpo-mole, russo Davydenko chegou a chorar em quadra |
Ao contrário das disputas e títulos, os principais assuntos
do ano no mundo do tênis foram dois escândalos: a acusação
de resultados arranjados para favorecer apostadores e
o doping de Martina Hingis. Enquanto dentro das quadras,
o ano de 2007 assistiu a mais uma temporada de supremacia
de Roger Federer, ameaçado - no entanto - pelo seu sempre
grande rival Rafael Nadal, fora delas os amantes do tênis
se depararam com uma avalanche de revelações sobre apostas
ilegais.
O principal tenista a ter seu nome vinculado às suspeitas
de combinação de resultado foi Nikolay Davydenko, coincidentemente
um dos protagonistas dos principais torneios disputados.
A polêmica sobre possíveis combinações de resultados
surgiu em uma partida entre o russo, quarto colocado
no ranking mundial, e o argentino Martin Vassallo Agüero,
pela terceira rodada do Torneio de Polônia. O confronto
entre os dois tenistas movimentou, de maneira irregular,
uma grande soma de dinheiro na casa de apostas virtual
Betfair.
Além da forma como foram colocadas as apostas de última
hora, o russo aumentou a sua suspeita ao desistir do
confronto ainda em andamento. Com o peso da suspeita
em suas costas, Davydenko passou a ser “caçado” pelas
autoridades e, inclusive, recebeu uma multa da Associação
dos Tenistas Profissionais (ATP) por falta de esforço
na partida contra o croata Marin Cillic, no torneio
de São Petersburgo. Durante a partida, o árbitro chegou
a advertir o tenista por supostamente estar fazendo
“corpo mole”.
Revoltado, o russo desabafou logo após o confronto.
'Fiquei chocado, é humilhante. Como ele sabe o que estou
tentando fazer? Fiquei tão nervoso que comecei a chorar
em quadra', desabafou o russo, revelando que foi reclamar
com o diretor do torneio. “Fui apenas saber se eles
iriam me multar. Mas a realidade é que me senti cansado
no jogo, minhas pernas não respondiam mais. Acho que
meu problema talvez seja psicológico, talvez esteja
dentro da minha cabeça”, confessou após a partida.
Diante dos novos fatos, a entidade máxima do tênis
profissional decidiu investigar possíveis atletas que
estariam ligados aos apostadores. Sob a acusação do
inglês Andy Murray de que “todos sabem que isso (combinar
resultados) acontece”, a ATP revelou nomes de vários
tenistas suspeitos: o belga Gilles Elseneer, o francês
Arnaud Clement, o tcheco Jan Hernych e até o brasileiro
Flávio Saretta, que revelou ter sido abordado para perder
voluntariamente uma partida.
As investigações sobre apostas ilegais culminaram
com a primeira suspensão imposta pela ATP a um tenista
suspeito de combinar resultados. Após confirmar sua
participação no esquema ilegal, o italiano Alessio di
Mauro foi punido por nove meses no começo de novembro
e não poderá disputar nenhum torneio do circuito profissional
até o dia 12 de agosto de 2008. Ele ficou manchado como
o “primeiro atleta punido pelo programa anticorrupção”,
afirmou a entidade em comunicado oficial divulgado à
época do caso.
Outro escândalo estourou já no encerramento da temporada,
em novembro. A ex-número um do mundo Martina Hingis
revelou ter sido flagrada no doping durante a disputa
de Wimbledon pelo uso de cocaína. Apesar de jurar não
ter feito uso da droga, a tenista preferiu não entrar
em uma disputa com os órgãos de antidoping e decidiu
mais uma vez encerrar sua carreira, agora na 19ª colocação
do ranking mundial. Querendo se dedicar mais a sua vida
pessoal, a belga Kim Clijsters foi outra que decidiu
deixar o circuito mundial.
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