| Vôlei brasileiro
se despede de ano conturbado Por
Carolina Canossa, especial para a GE.Net
Acostumados a ver o vôlei brasileiro nas manchetes apenas
por conta das vitórias ao redor do mundo, a torcida
acompanhou um ano atípico em 2007. Desde 2003, quando
José Roberto Guimarães assumiu o comando da equipe feminina
no lugar de Marco Aurélio Motta, o clima era de calmaria.
Porém, na reta final do ciclo olímpico, a maré ficou
turbulenta, apesar de as seleções adultas terem garantido
classificação antecipada para as Olimpíadas de Pequim.
| Foto: Divulgação/FIVB |
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| Melhor Jogador da Liga Mundial, Ricardinho é "traído" por Bernardinho e cortado dos Jogos Pan-americanos |
A maior polêmica surgiu às vésperas dos Jogos Pan-americanos.
Dias antes da estréia, a seleção masculina de vôlei
conquistou o quinto título consecutivo da Liga Mundial.
Tudo parecia perfeito, mas eis que a Confederação Brasileira
de Vôlei (CBV) surpreende a todos anunciando o corte
do capitão Ricardinho.
A primeira explicação era de que o levantador estava
fisicamente cansado por conta do grande número de competições
disputadas. Só que a justificativa não colou, especialmente
porque dias antes, no desembarque da Liga Mundial, em
Cumbica, Ricardinho se mostrara bastante empolgado com
o Pan, único título que o time nacional não havia conseguido
na “Era Bernardinho”.
Minutos depois da “bomba”, Ricardinho concedeu uma
entrevista a um canal de TV a cabo e se disse “traído”.
Bernardinho então veio a público e deu sua versão, revelando
um desgaste na relação entre ele e o atleta. Diversas
hipóteses foram veiculadas, como a de que Bernardinho
teria cortado o capitão para favorecer seu filho, Bruno
Rezende, que ganhou uma vaga na seleção. Ou então a
de que tudo começou porque o jogador se negou a dividir
a premiação da Liga Mundial com a comissão técnica.
Os dois lados, porém, sempre negaram estas versões.
Por outro lado, não voltaram a se falar até o final
do ano, apesar da pré-convocação feita por Bernardinho
para a Copa do Mundo. O treinador divulgou nota oficial
exigindo apenas uma coisa para a volta do craque: retratação
perante o elenco, o que não ocorreu e deixa indefinida
a participação do levantador nas Olimpíadas de Pequim.
Mesmo com o problema, dentro de quadra tudo continuou
bem para a equipe: além da Liga Mundial, o Brasil conquistou
os títulos do Campeonato Sul-americano e da Copa do
Mundo. O ano só não foi 100% porque, no mês de agosto,
a equipe “B” de Bernardinho foi derrotada pelo time
titular dos Estados Unidos na final da Copa América,
em Manaus.
Semanas depois, os mesmos norte-americanos derrotaram
as estrelas brasileiras na estréia da Copa do Mundo,
mas de novo o time mostrou poder de recuperação e garantiu
mais uma taça para a coleção. Respectivamente segunda
e terceira na competição, Rússia e Bulgária também fizeram
boa campanha e se asseguraram nas Olimpíadas.
Doping, testes e “fracassos” agitam o feminino
- 2007 também não foi um ano fácil para a seleção
feminina de vôlei. Comandada por José Roberto Guimarães,
a equipe encerrou a temporada com apenas um título, o
Sul-americano. Trata-se da pior campanha desde que o técnico
assumiu a direção do time.
| Foto: Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Ai, meu Deus... Para desespero de Zé Roberto e decepção da torcida, meninas do Brasil sofrem apagão e são derrotadas por Cuba na decisão do Rio-2007 |
Os problemas começaram antes mesmo que o time disputasse
títulos. Faltando apenas dois dias para a estréia nos
Jogos Pan-americanos, primeira competição do time adulto
no ano, a ponteira titular Jaqueline foi suspensa preventivamente
por 60 dias graças a um exame antidoping positivo para
a substância sibutramina (um moderador de apetite) detectado
após um dos jogos da final do Campeonato Italiano.
A atleta inicialmente disse que o problema havia sido
causado por um chá verde para celulite, mas mudou a
versão e culpou uma cápsula de remédio “contaminada”.
Mesmo abalada com o acontecimento, a seleção feminina
parecia caminhar com tranqüilidade para a conquista
do título em casa. Como previsto, a final foi contra
Cuba em um Maracãnazinho lotado.
No entanto, após desperdiçar nada menos que seis match
points, as brasileiras acabaram derrotadas por 3 sets
a 2 e tiveram que se contar com a prata. O fantasma
das derrotas inacreditáveis da final do Mundial e na
semi das Olimpíadas de Atenas estava de volta. E as
turbulências longe de acabar.
Dias depois, o técnico José Roberto Guimarães anunciou
o corte de Mari, sob o argumento de que ela não estava
rendendo o necessário. Iniciou-se aí uma série de testes
na equipe, que incluiu as convocações de Érika, Joycinha
e Arlene para a disputa do Grand Prix. No torneio, mais
uma vez, a equipe nacional começou bem, só que falhou
na reta final e terminou apenas na quinta colocação,
atrás de Rússia, Itália, China e da campeã Holanda.
Vale ressaltar, porém, que as experientes Walewska
e Fofão não participaram da disputa, pois ganharam folga
de Zé Roberto. Enquanto isso, Carol Albuquerque perdeu
o posto de substituta de Fofão para a novata Fabíola,
levantadora reserva no Sul-americano e na Copa do Mundo.
Semanas mais tarde, Jaqueline levou um susto ao ser
suspensa por nove meses pelo Comitê Olímpico Italiano
(Coni) por conta do doping. Recorreu da sentença e diminuiu
o gancho para três meses, conseguindo a liberação para
jogar a Copa do Mundo.
Primeiro torneio classificatório para Pequim-2008,
a Copa do Mundo foi palco de novas apresentações instáveis
da seleção feminina. Depois de ganhar de Cuba, o time
nacional teve um “blecaute” e tomou uma virada incrível
dos Estados Unidos, em jogo que chegou a fazer 2 sets
a 0. Dias mais tarde, apanhou da Itália por 3 a 0 e
colocou a vaga olímpica antecipada em xeque. O medo
novamente assombrou os torcedores.
Mas, quando tudo parecia perdido, a equipe teve uma
apresentação de gala diante da forte Sérvia e se garantiu
em Pequim. A taça foi para a Itália, que reforçada pela
cubana Aguero, tornou-se favorita na briga pelo primeiro
lugar do pódio olímpico, que promete ser extramente
disputado. Os Estados Unidos foram outros a carimbar
o passaporte para a China, com a terceira colocação
na Copa do Mundo.
Rexona e Minas sagram-se campeões nacionais
- As Superligas masculina e feminina, por sua vez, viram
os mesmos times de 2006 chegarem ao título de 2007.
E os resultados foram parcialmente diferentes: as meninas
do Rexona bateram pelo segundo ano consecutivo o Finasa/Osasco,
mas a Cimed/Florianópolis não conseguiu fazer o mesmo
com o Minas/Telemig Celular.
Campeonato de clubes mais importantes do mundo Italiano
viu o Treviso, do brasileiro Gustavo Endres, subir ao
ponto mais alto do pódio, enquanto o Perugia, de Fofão
e Walewska, bateu o Jesi, de Jaqueline, na decisão.
Estrela da seleção brasileira, Giba, por sua vez, anunciou
sua transferência para a Rússia, enquanto o oposto reserva
Anderson optou por voltar ao Brasil para defender as
cores da Ulbra.
Na praia, as hegemonias continuam - Se o vôlei
indoor brasileiro passa por um momento conturbado, não
se pode dizer o mesmo da praia. As duplas Larissa/Juliana
e Ricardo/Emanuel seguem supremas nas areias, após vencerem
mais uma vez a disputa do Circuito Mundial, além de liderarem
os rankings mundiais da modalidade. As duas parcerias
aparecem como favoritas na corrida pelas duas vagas femininas
e duas masculinas do Brasil nas Olimpíadas de Pequim.
| Foto: Fernando Pilatos/Gazeta
Press |
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| Essa praia é nossa! Nas areias, Brasil reinou quase absoluto e perdeu apenas títulos dos Mundiais. |
Porém, especialmente no caso de Larissa e Juliana,
isto não significa um favoritismo na China, já que as
duplas locais Tian Jia/Wang e Xue/Zhang Xi prometem
fazer bonito em casa. Atuais campeãs mundiais (torneio
que é diferente do Circuito Mundial) e olímpicas, Walsh
e May, que preferem se dedicar ao circuito de seu país,
costumam ser a grande pedra no sapato das brasileiras.
Entre os homens, Ricardo e Emanuel também falharam na
disputa do título mundial, que foi para Rogers/Dalhausser,
dos Estados Unidos.
No Circuito Brasileiro, uma mudança de regras classificou
as oito melhores duplas do ano para a disputa do título
em apenas uma etapa. Isto provocou surpresas, como o
título de Franco e Pedro Cunha, que bateram Ricardo
e Emanuel na decisão. Entre as mulheres, Maria Clara
e Carolina bem que se esforçaram, mas não conseguiram
impedir nova conquista de Juliana e Larissa pelo terceiro
ano seguido.
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