Voltou a guerra das liminares. E o adeus de Luciano do Valle

Rodrigo Ruiz/Gazeta Press

Rodrigo Ruiz/Gazeta Press

A última notícia que li a respeito diz que a CBF derrubou na Justiça a liminar da Portuguesa, que agora teria que encarar de vez a Série B. Teria porque liminares caem, embora pareça evidente que a CBF tenha mais condições de sustentar uma briga judicial que a Portuguesa. E não estou fazendo julgamento sobre quem estaria certo nessa disputa. Também me parece que a TV Globo assumiu – acertadamente ou não – que a posição correta é a da CBF. Pelo menos foi o que pude deduzir após o “Globo Esporte” de sábado.

De qualquer forma, parece que a disputa da Série B será prejudicada, a menos, é claro, que uma instância superior do Poder Judiciário decida algo em definitivo. Enquanto juízes continuarem concedendo liminares – e novamente não entro no mérito da disputa –, a Portuguesa poderá alegar sempre que não pode jogar, sob pena de descumprir decisão da justiça. E a CBF poderá alegar o mesmo, isto é, que tem uma decisão que manda programar os jogos da Lusa na Série B.

Como diria o saudoso Mauro Pinheiro: “Se bem me lembro”… Pois é, no final dos anos 1970 e no começo da década seguinte, acompanhei muito tempo as coisas da Federação Paulista de Futebol para o POP e depois para a Folha. Ficávamos, às vezes, dezenas de repórteres de jornal, rádio e televisão, esperando a última liminar do dia, para dar ao público a posição mais atualizada sobre a briga das liminares. O que só acontecia muito tarde, próximo da meia noite.

Uma das disputas mais demoradas foi sobre as finais do Paulistão 1978 (verdade, naquele tempo podia se usar o superlativo, o campeonato merecia), entre o São Paulo e a Federação, sobre o que dizia o regulamento sobre quem tinha vantagem na final, entre o Tricolor e o Santos. Era um regulamento confuso, de um campeonato confuso que demorou 13 meses. Mas havia boas equipes e bons jogadores e acabou com o Santos campeão, embora perdesse na final por dois a zero.

Mas pelo menos houve uma decisão e um campeão. Vamos torcer para que a Série B de2014 seja disputada legalmente e que haja um campeão ao final.

LUCIANO DO VALLE mudou a forma de narrar esporte na TV, criou um estilo. Depois surgiu Galvão Bueno, que também criou um jeito próprio de comandar uma transmissão. Mas Luciano foi bem mais que um narrador. Os que acompanham esporte sabem: ele foi um dos responsáveis pela revolução que levou o vôlei brasileiro, pouco mais que um esporte colegial, a se tornar uma potência, com a revelação de grandes jogadores e a formação de um público que acompanha as competições.

A questão do favoritismo na Copa

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Sei que até julho a única conversa que interessa no esporte gira em torno do futebol. Normal. Afinal, a Copa é o maior evento esportivo do mundo e será no Brasil. E a Seleção nacional é uma das favoritas, o que faz aumentar o interesse. Mesmo admitindo a empatia entre o público e a equipe nacional já não é a mesma.

Também por isso, lembram os pessimistas de plantão: o Brasil também era favorito em 1950 e o Uruguai foi o campeão. É verdade, irão corroborar os críticos de tudo. E prosseguem: em 1970 o time saiu vaiado do Brasil e foi tricampeão no México.

É de se esperar, então, que o time, por não ser vaiado agora, e carregar boa parte do favoritismo, tem tudo para perder?

Não acho. Sem ser analista de futebol, mas, penso, dono de razoável senso comum, podemos lembrar alguns pontos importantes. Era favorito natural o Brasil contra o Uruguai em 1950. Lemos a respeito e ouvimos os mais velhos, que garantem que a equipe era muito boa e contava com craques como Bauer, Danilo, Ademir…

E um empate bastava para o time ficar com o título. Acontece que o Uruguai também tinha tradição no futebol e jogadores muito bons. Além do mais, zebras acontecem. E na final de 1950, se não houve zebra, pelo menos foi uma surpresa. E isso ocorre “às pencas” no futebol, para usar uma expressão comum à época.

E em 1970 houve vaias em amistosos da Seleção no Brasil, é verdade. Mas no último jogo, contra a Áustria, no Maracanã, vencido por um a zero, Zagallo acertou o ponto. Em vez de Paulo César ou Edu – dois craques – na esquerda, colocou Rivellino – grande craque. Clodoaldo entrou de volante e Piazza passou à quarta zaga. Enfim, do time daquele jogo o único que não foi titular na estreia da Copa, contra a antiga Tchecoslováquia, foi Marco Antonio, substituído na lateral esquerda por Everaldo.

Desta vez, o que sinto é que a maioria admite que a Seleção é uma das favoritas para conquistar o título. Mas, se em vez do hexa o time sair antes, acho que muita gente ficará chateada, mas não irão ao desespero de arremessar aparelhos de TV, ao contrário do que falam que ocorreu há 64 anos, após o “desastre” do Maracanã, quando rádios – totalmente inocentes – eram arrebentados contra o chão.

Também acho que o Brasil é um dos favoritos, junto com Argentina, Espanha, Alemanha, Holanda e mais algumas equipes. Claro que os “pessimistas de plantão” e os “críticos de tudo” dizem a mesma coisa. Mas, parte deles quer mesmo é ser desmentida e realmente torce pela vitória, apesar das críticas (justas) que fazem à organização da Copa. E há os que sequer pessimistas ou críticos verdadeiramente são. Estes criticam a organização, com motivos ou não. Querem apenas tirar proveito político na eleição de outubro. Podem quebrar a cara, talvez duplamente.

A crítica indevida de uma entidade inexpressiva

Uma entidade de escassa importância, assim é a Associação das Federações Internacionais de Esportes de Verão. Se nada, que se saiba, faz de bom para o esporte, a Associação tem recursos para fazer reuniões de sua cartolagem. Agora, estão lá na Turquia. E o cartola maior desta sociedade decidiu meter sua colher em panela indevida.

O italiano Francesco Ricci Bitti decidiu culpar o Governo do Brasil por “atrasos” em obras dos Jogos de 2016, no Rio. Diz que “o Comitê Organizador é bom, mas o Governo é inoperante”.

Ditos cartola e entidade não mereceriam um comentário aqui, num portal como a GENet. Porém, a grande mídia brasileira decidiu dar importância às afirmações do citado cartola. O motivo todo mundo conhece. A grande mídia decidiu há quase uma década fazer oposição cerrada ao Governo Federal. Então, tudo que seja contra o Governo ganha repercussão. Afinal, 2014 é ano de eleição e a mídia já se aliou aos candidatos da oposição.

É uma vergonha. A mídia despreza este tipo de cartola, mas se utiliza dele quando lhe convém. Diz Bitti que “o Brasil não é a China, onde se pode pedir para as pessoas trabalharem à noite”. O que não é verdade, pois trabalha-se muito no Brasil em todos os horários. O que acontece é que não se pode mais em nosso País obrigar as pessoas a trabalharem mais que o tempo permitido por lei. Não sei como é na China.

Todos sabemos que ainda há muita coisa a fazer para receber os Jogos Olímpicos de 2016. É possível que nem tudo saia à perfeição. Mas os Jogos de 2016 serão disputados no Rio e tenho esperanças de que sejam um sucesso. Assim como a Copa do Mundo acontecerá daqui a dois meses e apesar das manifestações já programadas também será levada a bom termo.

As críticas são necessárias e há os que as fazem de forma correta. Estas devem ser consideradas, pois contribuem para o aperfeiçoamento dos trabalhos.

Neste blog temos feitos críticas. Em relação ao Estádio Célio de Barros, por exemplo. Principal centro de treinamento do atletismo carioca, virou estacionamento e ainda não teve as obras de recuperação iniciadas. Claro que há opções, como a pista da Aeronáutica, no Campo dos Afonsos, onde vários treinadores trabalham com seus atletas, assim como a pista do Exército, na Urca, que também tem sido utilizada, e outras. Mas é claro que a situação do Estádio Célio de Barros precisa ser resolvida.

Rudisha anuncia que fica, para a felicidade dos fãs do atletismo

AFP

AFP

A notícia correu pelas redações de jornais e sites em 1º de abril. O teor indicava a possibilidade da pegadinha. Mas houve quem publicasse, que o campeão olímpico e recordista mundial dos 800 m, David Rudisha, do Quênia, decidira abandonar as pistas. O motivo: uma contusão (fato verdadeiro) que o atormentava há quase um ano.

Nos dias seguintes houve os desmentidos de praxe. Mas agora a própria IAAF – a federação internacional de atletismo – anuncia que Rudisha voltará às competições em maio, na etapa da Diamond League em Doha, no Catar. Melhor assim, afinal, o meio-fundista é um dos grandes astros do esporte mundial.

Boa notícia chega de Paris, com a vitoriosa estreia do etíope Kenenisa Bekele na maratona. Ele venceu com 2:05:03. Bekele é o recordista mundial dos 5.000 m e 10.000 m, além de colecionar títulos nos Jogos Olímpicos, nos Mundiais de Atletismo e no Mundial de Cross Country.

Ainda na Europa, os marchadores brasileiros continuam a alcançar bons resultados. Desta vez foi em Rio Maior, na etapa portuguesa do Circuito Mundial, com a vitória de Caio Bonfim nos 20 km, com 1:23:15. Nos 20 km feminino, Erica Rocha foi a segunda com 1:31:22 e tornou-se a recordista sul-americana da prova.

Em São Paulo, bons resultados no torneio da Federação Paulista, na pista do Ibirapuera. Um dos destaques foi Fabiana de Moraes, ganhadora dos 100 m com barreiras com 12.98. Ela passa a ser a terceira brasileira a fazer a provas em menos de 13 segundos.

Um século de seleção – o time dos sonhos

Gazeta Press

Gazeta Press

Há 100 anos o futebol brasileiro formou uma seleção pela primeira vez. Para comemorar, a mídia tem especulado sobre qual seria o tome dos sonhos, do “século do futebol”. Aí surgem as seleções ao gosto de cada um. Há os que se atrevem a formar equipes com base no que leram ou ouviram dos mais velhos…

Outros decidem escolher apenas entre os jogadores que viram atuar. Há ainda os elegem os jogadores que disputaram uma Copa do Mundo. E os radicais, que escolhem apenas entre os que foram campeões mundiais. E mesmo assim apenas nas Copas que puderam assistir in loco ou pelo menos, pela TV.

Como atrevimento não é crime nem dá multa resolvi, sem ser convidado, falar dos meus preferidos.

TIME 1 (campeões mundiais das Copas que vi – 1970, 1994 e 2002): Marcos, Cafu, Lúcio, Aldair e Leonardo; Clodoaldo, Gerson e Tostão; Jairzinho, Pelé e Romário. Claro que haveria lugar para Carlos Alberto, Dunga, Mauro Silva, Ronaldo, Rivaldo, Rivellino, Paulo César…

TIME 2 (das cinco copas que o Brasil ganhou: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002): Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Aldair e Nilton Santos; Zito, Gerson e Tostão; Garrinha, Pelé e Romário.

TIME 3 (considerando o que vi, em qualquer competição de seleções ou de clubes): Valdir Peres, Leandro, Luís Pereira, Roberto Dias e Júnior; Falcão, Gerson e Tostão; Jairzinho, Pelé e Romário.

TIME 4 (o que vi, o que li e o que ouvi): Gilmar, Domingos da Guia e Roberto Dias: Djalma Santos, Fausto e Nilton Santos; Garrincha, Zizinho, Leônidas, Pelé e Friedenreich.

E mais uma centena de grandes craques, de Charles Miller a Neymar.

Técnico: Telê Santana, é claro, mas com todas as homenagens a Zagallo, Feola, Aymoré, Parreira, Scolari, Brandão, Mineli, Coutinho, Saldanha e muitos outros.

E a sua seleção, qual é?

Geração perdida? Perdeu quem não a viu jogar

Amanhã faz 50 anos que um grupo de civis e militares iniciou o golpe de estado completado em 1º de abril de 1964. De imediato o poder perdeu legitimidade no Brasil, pois o presidente constitucional João Goulart foi derrubado e obrigado a se exilar. Depois, a ditadura foi instalada de vez e começaram as prisões arbitrárias, tortura e morte de opositores.

Não pretendo escrever um comentário político. Apenas a explicação é necessária para colocar o comentário esportivo. Um jornal está fazendo uma série de matérias sobre a presença da seleção brasileira nas Copas do Mundo no tempo da ditadura 1964-1985. Portanto, trata das Copas de 1966 (Inglaterra), 1970 (México), 1974 (Alemanha), 1978 (Argentina) e 1982 (Espanha).

Todos conhecem a história. Na Inglaterra o time brasileiro caiu logo na primeira fase. Em 1970 formou uma grande seleção e conquistou a Copa Jules Rimet em definitivo. Em 1974 e 1978 ficou, pela ordem, em quarto lugar e no terceiro.

Aí veio a Copa da Espanha. É onde que trabalhar, já que uma das matérias da série do jornal fala da “geração perdida”, ou seja os craques do time formado por Telê Santana. A justificativa para o uso da expressão “geração perdida” é que aqueles jogadores não ganharam uma Copa do Mundo.

É demais, não? O Brasil tem a seleção que mais vezes foi campeã (cinco). Mesmo assim, inúmeras gerações de craques do Brasil não foram campeãs. Seriam todas, então, gerações perdidas? Claro que não. Essas sucessivas gerações levaram ao aperfeiçoamento do jeito brasileiro de jogar, que chegou ao máximo, deslumbrante até, com o time formado por Telê para a Copa de 1982.

Uma seleção que encantou os fãs do jogo de bola mais popular do mundo. Zico, Sócrates, Falcão, Oscar, Júnior, Valdir Peres, Leandro, Cerezo foram jogadores fantásticos. Deram a nós, brasileiros, e mesmo para gente de toda a parte, a possibilidade de ver o melhor da arte do futebol. Então, onde está a razão de chamar aquela maravilhosa geração de perdida?

Perdida, sim, para quem não a viu jogar na Copa da Espanha, na seleção. Ou no clube de cada um daqueles jogadores.

Morre Bellini, o grande capitão

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Um dos símbolos do futebol brasileiro é a foto de Hideraldo Luiz Bellini segurando a Taça Jules Rimet com as duas mãos, acima da cabeça. Era o troféu conquistado pela primeira vez pela Seleção de futebol do nosso País, com a vitória por 5 a 2 sobre a Suécia, na final da Copa de 1958. Bellini foi o capitão da Seleção, num time que tinha Nilton Santos, Didi e Gilmar. Passou à história como o “Grande Capitão”.

Vi pouco Bellini jogar. Algumas vezes pela TV, em jogos do Torneio Rio-São Paulo, em 1964, 1965. E em alguns jogos da Seleção em 1965. Depois, tive a chance, como todo mundo, de vê-lo outras vezes, já que, vez por outra, um canal de televisão passa jogos das Copas antigas, como a de 1958.

Os contemporâneos falam de Bellini com muito respeito e garantem que era um jogador eficiente e leal. Era um cara elegante, também. Ao final da Copa de 1970 e do terceiro título brasileiro, pediram a ele para formar uma equipe com os titulares das três vitórias nacionais. Como zagueiro central, sua posição, escolheu Mauro, de quem foi reserva em 1962, e que foi seu reserva quatro anos antes.

Bellini jogou seus melhores anos no Vasco, a partir de 1952. Foi três vezes campeão carioca. Veio para o São Paulo quando Mauro foi para o Santos. Não obteve título no Tricolor – foi vice-campeão paulista em 1963 e 1967.

Em 1982, entrevistei-o para o “POP”, um jornal esportivo que havia na capital paulista. Era uma série com 11 jogadores titulares numa das três conquistas brasileiras. Bellini foi decisão unânime para a zaga central. Ele era, então, dono de uma confeitaria de bom nível na Avenida Sumaré, acho que o nome era “Milho Verde”.

Bellini se atrasou alguns minutos e pediu várias vezes desculpas. Não era necessário. Foi um papo legal, não lembro quanto tempo conversamos. Falamos da Seleção de Telê Santana. Ele reconhecia os grandes talentos da equipe.

Leio que Bellini morreu esta tarde em São Paulo, aos 83 anos. Descanse em paz.

Campeão no atletismo, campeão nos Jogos

Os Jogos Sul-Americanos de Santiago mostraram mais uma vez que o torneio de atletismo é o paradigma para o conjunto das competições. Isso acontece também nos eventos de nível mundial, como os Jogos Olímpicos. Isto é: o país que vence o certame atlético é o primeiro no quadro geral de medalhas.

Assim, como os Estados Unidos nas Olimpíadas, o Brasil confirmou sua hegemonia no evento da América do Sul, que termina nesta terça-feira na capital chilena. Nesta segunda-feira, por exemplo, o Brasil tem um total de 219 medalhas: 92 de ouro, 61 de prata e 66 de bronze. Colômbia e Venezuela ocupam as segunda e terceira posições.

Tal como no torneio de atletismo, que terminou no domingo. Vitória brasileira com 41 medalhas: 14 de ouro, 13 de prata e 14 de bronze. Colômbia e Venezuela, também aqui, estão em segundo lugar e no terceiro, pela ordem. Os dois países, principalmente graças ao trabalho de técnicos cubanos, já há algum tempo vêm superando países de tradição no esporte, como Argentina e Chile.

Os brasileiros obtiveram resultados muito bons em várias provas. A dobradinha nos 400 m, com Anderson Henriques (45.03) e Hugo Balduíno (45.09) é um exemplo. Anderson repetiu sua marca da final do Mundial de Moscou em 2013 e Hugo estabeleceu novo recorde pessoal. Nos 400 m feminino, boa a marca de Geisa Coutinho, com 51.81. Um bom resultado nos 800 m, com a vitória de Kleberson Davide, com 1:45.30.

Nos 200 m, Aldemir Gomes venceu com 20.32, melhor marca de sua carreira. E o 4×100 m masculino venceu com 38.90, alcançando o índice para o Mundial de Revezamento marcado para maio nas Bahamas. O quarteto teve Ailson Feitosa, Jefferson Lucindo, Aldemir Gomes e Bruno Lins.

A imprensa precisa falar mais contra o racismo

Ricardo Saibun/Santos FC/Divulgação

Ricardo Saibun/Santos FC/Divulgação

Então Luiz Felipe Scolari acha que “não adianta punir” as manifestações de racismo no futebol, é isso? “Essa gente não aprende”, teria explicado. Seria então melhorar ignorar. A afirmação do técnico da seleção preocupa.

Preocupa porque ele é um cidadão da mídia. Está todo dia na TV, nos jornais, na internet. Uma declaração sua, em que trata o racismo como coisa menor, ganha destaque e vai aos quatro cantos. E pode, sim, influenciar o pensamento comum. Isso não teria maior importância, não fosse o racismo um crime tão grave.

Não sei, mas afora umas poucas críticas, não vi na imprensa esportiva a análise e a repercussão que o caso exige. É importante que isso seja feito logo, aproveitando este tempo de pré-Copa do Mundo, para que sejam amplificadas as vozes que pedem rigor nas investigações destes ataques, no caso contra jogadores e juízes de futebol. Combater o racismo no esporte é ajudar a combatê-lo na sociedade.

…..A Penalty lançou a “Gorduchinha”, bola de sua fabricação, em homenagem a Osmar Santos, um dos grandes nomes do rádio esportivo brasileiro. Osmar criou a expressão quando transmitia futebol pelas Rádios Globo e Excelsior. Homenagem merecida.

Duda mereceu o bicampeonato no Mundial Indoor

Adrian Dennis/AFP

Adrian Dennis/AFP

Bom o desempenho da Seleção do Brasil no Mundial de Atletismo Indoor, encerrado neste domingo na Polônia. O bicampeonato de Duda da Silva no salto em distância, com a marca consagradora de 8,28 m alcançada na última tentativa, foi um momento mágico para quem de fato aprecia uma competição atlética. Um dos grandes nomes do esporte nacional, Duda é ainda maior, porque verdadeiramente humilde, capaz de dividir suas conquistas com aqueles que de alguma forma o apoiam.

Thiago Braz e Fabiana Murer conseguiram o quarto lugar no salto com vara, no masculino e no feminino. Aos 20 anos, Thiago vai se afirmando como um saltador de nível internacional e ainda com potencial para progredir.

Fabiana, experiente, teve na mão a chance de passar 4,75 m e levar a medalha de ouro. Não passou e assim ficou com a quarta posição. Duas palavras a respeito: primeiro, Fabiana saltou 4,70 m, seu melhor resultado no ano, e, depois, nenhuma de suas adversárias saltaram 4,75 m. Nem a campeã olímpica Jennifer Suhr (EUA), nem a polonesa Anna Rogowska, campeã mundial em Berlim 2009, nem a medalhista olímpica Yarisley Silva (Cuba). As quatro primeiras marcaram 4,70 m.

Augusto de Oliveira, por sua vez, conseguiu superar uma lesão no tornozelo, para numa prova de alta exigência técnica e física, como o salto com vara, ficar entre os oito primeiros (terminou na sétima posição).

Todas as considerações feitas, o resultado geral da Seleção Brasileira a mim pareceu bom.