Deixe o Neymar livre, Dunga. Ele sabe o que deve fazer

AFP

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Saiu a primeira convocação de Dunga em sua nova passagem pela Seleção Brasileira. Vieram nomes que parecem agradam os que apreciam um bom jogo de bola. Caso de Miranda, que poucos entendem porque ficou fora da Copa – para a sorte dele, é certo.

Outro nome aclamado é Diego Tardelli. Faço coro aqui também. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart não sofrem restrições. Philippe Coutinho também muita gente queria há tempos ver na seleção. Da turma da Copa ele chamou alguns nomes óbvios, como David Luiz e Oscar.

E Neymar não poderia faltar, é claro. Vejo muita gente pessimista, achando que Dunga pode policiar o craque, para que “jogue mais para a equipe”… Ora, um jogador como Neymar sempre joga para a equipe. Não faz muito, li o Tostão que explicava que no tempo do grande Cruzeiro um jogador não tinha nenhuma função específica em campo: Dirceu Lopes, que entrava sem nenhuma orientação.

Sei que os tempos são outros etc e tal. Mas acho que seria assim que Neymar deveria entrar em campo. Para fazer o que quisesse. Pois ele saberia exatamente o que fazer. Porque é craque.

Medidas necessárias para os Jogos de 2016

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Algumas ações precisam ser imediatas, para demonstrar que a organização do Rio 2016 está no caminho certo. Vamos falar por agora do atletismo, que afinal é o esporte olímpico mais importante.

1 – Como de fato estão as obras de recuperação do Estádio do Engenhão? Uma fonte me garantiu que em novembro a empreiteira responsável pelo trabalho entregará o Estádio pronto para a organização dos Jogos. Espero que a informação esteja correta.

a) Isso se confirmando, é preciso impedir que a administração fique por conta do Botafogo. Será preciso preservar a principal praça esportiva dos Jogos. E o Botafogo, treinando diariamente no campo principal não deixará a pista em boas condições. Seria bom, ainda, que o Rio 2016 faça o desenho interno das instalações recuarem ao ponto em que estava no PAN 2007, demolindo aquelas “casinhas” minúsculas no andar térreo, que tanto enfeiam o espaço.

2 – É difícil entender porque não começam logo a reforma do Estádio Célio de Barros, no complexo do Maracanã. Conheço o que sobrou do Estádio apenas pelas horripilantes fotos que os jornais publicam. Mas está claro que tudo preciso ser reconstruído: campo de competição, pista, arquibancadas e demais instalações. O atraso no início das obras é injustificável.

E o futebol? Fluminense, São Paulo e Internacional perderam vergonhosamente pela Copa do Brasil. O que houve? “Deu branco” geral? Mas nem tudo foi mal. A boa atuação de Robinho é da dar esperanças à torcida do Santos.

Brasil busca lugar na Diamond League

Divulgação/IAAF

Divulgação/IAAF

Foi disputado o Grande Prêmio Brasil Caixa Pará de Atletismo em Belém. Alguns bons resultados, como o de Asafa Powell, que venceu os 100 m com 10.02. O presidente da Diamond League, Petr Stastny, acompanhou as ações dos organizadores do Meeting. O Brasil é candidato a integrar o circuito a partir de 2015, com uma etapa no Rio de Janeiro. A definição sai em novembro, na reunião do Conselho da liga, em Mônaco.

A favor do Brasil há o apelo que o Rio exerce naturalmente. A realização da Olimpíada de 2016 na cidade é mais um ponto a favor. Expandir o negócio para a América do Sul também conta para os diretores da liga.

A cidade adversária mais poderosa sem dúvida é Pequim. O fato der Xangai já ser a sede de uma etapa do circuito não é um grande impeditivo para um país poderoso como a China, que tem dinheiro e público para dois torneios da liga.

Ostrava, cidade tcheca (nação do presidente da liga) é a que tem menos chances de ser aceita, embora realize um Meeting tradicional. O próprio Petr explica que, para Ostrava entrar, é preciso que saia outra cidade europeia. Isso dificilmente o Conselho aprovará. Finalmente tem Rabat, que parece brigar diretamente com o Rio. A favor da cidade marroquina há a proximidade com a Europa. Vamos ver.

Os 30 anos do ouro de Joaquim Cruz

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta PressHá 30 anos, um brasiliense de 21 anos dava ao Brasil sua única medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984. Seu nome: Joaquim Carvalho Cruz, que deixou como vice-campeão ninguém menos que o astro Sebastian Coe, o britânico que detinha o recorde mundial com 1:41.73.

Joaquim Cruz venceu a final dos 800 m em 6 de agosto de 1984 no Coliseu de Los Angeles, que era sede de uma Olimpíada pela segunda vez, com 1:43.00, recorde olímpico. Na primeira edição dos Jogos na cidade californiana, em 1932, o melhor brasileiro do atletismo fora o paulistano Lucio Almeida Prado de Castro, sexto colocado no salto com vara.

Quando chegou a Los Angeles, embora jovem, Joaquim era respeitado entre os corredores de 800 m, pois subira ao pódio no Mundial de Helsinque-1983, quando ganhou a medalha de bronze. Um ano depois ele faria a melhor marca de sua carreira, com 1:41.77, no Meeting de Koblenz, na então Alemanha Ocidental.

Por uma década, Coe e Cruz foram os únicos meio-fundistas a correrem os 800 m em menos de 1:42.00. Nesse período, 14 vezes a prova foi corrida abaixo de 1:43.00 e sete dessas performances foram do brasileiro. Em 1995 o queniano naturalizado dinamarquês Wilson Kipketer baixou o recorde a 1:41.11 e outro corredor nascido no Quênia, David Rudisha, é o atual recordista mundial, com 1:40.91.

Os estudiosos, em sua maioria, consideram Coe e Cruz dois dos grandes nomes da história da prova. Cruz enfrentou várias vezes problemas de alergia e teve que passar por cirurgias, quase sempre provocadas pelo tendão de Aquiles.

Mesmo assim, são muitos os que o consideram o melhor corredor de 800 m na segunda metade do século XX. Embora reconheçam também que o britânico era mais completo, por ser tão bom nos 800 m como nos 1.500 m, especificamente nos 800 m admitem que poucos se igualam a Joaquim Cruz.

Daqui a dois anos, a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio

Pois é, estamos exatamente a dois anos da Olimpíada do Rio de Janeiro. No dia 5 de agosto de 2016 será realizada a festa de abertura, no Maracanã. Como era previsto, e falamos disso aqui há tempo, as críticas à organização dos Jogos foram retomadas, tão logo encerrada a Copa do Mundo de futebol. Vamos concordar que muitas críticas são justas e o Governo e a organização devem considerar e, no que couber, explicar as providências a serem tomadas.

Uma dessas críticas que cabem é a que lembra que o Estádio Olímpico do Engenhão ainda está com suas reformas no ponto verde. Isto é, não começaram ou estão em ponto inicial. O que não é bom, porque o estádio é a sede do torneio de Atletismo, de longe o mais importante dos Jogos.

No caso do Atletismo, no entanto, a pior situação é a do Estádio Célio de Barros. Foi uma vitória do esporte o Governo Estadual ter desistido de acabar com o estádio. Mas as reformas – que precisam ser completas, tal o estrago que as obras do Maracanã provocaram – sequer começaram. Falam que o Consórcio do Maracanã é o responsável pelas obras. Está certo, mas cabe ao Governo do Rio e ao Comitê Organizar exigir que as obras comecem imediatamente.

Mas vamos esperar também que não comecem daqui a pouco a falar que o COI tem um plano B porque as obras no Rio estão lentas e coisa e tal. Não tenham dúvidas, há obras que serão entregues com atraso. Mas o fundamental é que o necessário seja entregue dentro dos prazos.

Ampla vitória brasileira no Ibero. E Asafa Powell é o astro do GP Brasil

Foto: DivulgaçãoA Seleção Brasileira ganhou o Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, que terminou no domingo no Ibirapuera. Foi a oitava vitória por equipe do Brasil, que teve alguns bons resultados. Um dos destaques do time nacional foi a velocista Ana Cláudia Lemos, campeã dos 100 m com 11.13, marca boa, principalmente porque a atleta voltou há pouco tempo aos treinos, depois de recuperar-se de lesão.

Anderson Henriques nos 400 m, Wagner Domingos no lançamento do martelo, Franciela Krasucki nos 200 m, Jucilene Sales de Lima no lançamento do dardo, entre outros, também conseguiram bons resultados.

E terminado o Ibero o País já começa a receber nos próximos dias os atletas que disputarão a 30ª edição do GP Brasil Caixa Pará de Atletismo, em Belém. Grandes nomes estão confirmados, caso do ex-recordista mundial dos 100 m, Asafa Powell, da Jamaica.

Powell tem a impressionante marca de 9.72 nos 100 m, tempo que foi recorde mundial até ser superado por outro jamaicano, o astro Usain Bolt. Em Belém, no próximo domingo, Powell terá pela frente jovens velocistas com marcas fortíssimas, caso de Antoine Adams (São Cristóvão e Nevis), que este ano já fez a prova em 10.01.

Uma brasileira é campeã mundial nos EUA

Foto: Fernanda Paradizo

Foto: Fernanda Paradizo

Um grande resultado obteve a Seleção Brasileira de atletismo na noite de sexta-feira dia 25 na cidade norte-americana de Eugene. No estádio da Universidade do Oregon, a paulista de Adamantina Izabela Rodrigues da Silva, de 18 anos, ganhou a medalha de ouro no lançamento do disco. A prova valeu pelo Campeonato Mundial de Juvenis, para atleta com até 19 anos.

Izabela, que já havia sido a primeira colocada na prova de qualificação, conseguiu superar-se na final e lançou o implemento a 58,03 m, novo recorde brasileiro sub 20. Antes, mesmo, da viagem, ela era uma das favoritas para dar ao Brasil uma medalha no Mundial. É uma atleta para pelo menos três ciclos olímpicos, além dos Jogos do Rio em 2016.

Outro atleta a ter bom desempenho no Mundial de Eugene foi Thiago André. Finalista dos 1.500 m, conseguiu o quarto lugar, atrás apenas de dois quenianos e um representante do Djibuti. Ou seja, foi o melhor corredor ocidental na prova, perdendo apenas para três representantes de países de larga tradição, em disputas de médias e longas distâncias. E Thiago ainda está qualificado para a semifinal dos 800 m; se passar, disputa a final da prova amanhã, no último dia do Campeonato.

Mateus de Sá e Núbia Soares são outros finalistas. Eles competirão no triplo feminino hoje (Núbia) e masculino amanhã (Mateus). E neste sábado o 4×100 m feminino disputará a final do revezamento. Na preliminar, as brasileiras obtiveram o terceiro melhor tempo, atrás apenas dos Estados Unidos, que ficaram na primeira posição, e da Jamaica, que ficou em segundo lugar.

Mal dentro e fora do campo

Foto: AFP

Foto: AFP

A CBF cumpriu a ameaça e avisou: “habemus” técnico. Sim, já foi escolhido o novo treinador da Seleção Brasileira. Ele mesmo, Dunga. Apesar da esperada decepção da maioria, há, como sempre, um lado consolador, ainda que dúbio, nessa história. Isto é: a situação dificilmente irá piorar. É certo que Dunga foi um bom jogador. E como técnico da Seleção não foi pior que antecessores nem do que veio depois.

Mas teremos uma volta ao passado que não foi bom, reconhecendo desde já que o passado recente foi até pior. A troca de nomes não vai alterar o essencial, que é a forma de pensar o futebol, seja o jogo em si seja a sua organização. E aí estão corretas as críticas aos dirigentes, principalmente à dupla José Maria Marin/Marco Polo Del Nero.

De Marin e Del Nero não se poderia esperar atitude diferente. Afinal, são velhos conhecidos de todos que acompanham o esporte no País. Mas nesse ponto acho justo fazer uma crítica ao modo com que os jornalistas encaram a cobertura esportiva

Houve um tempo – e desculpe contar a história novamente – em que os dirigentes de futebol tinham os seus feitos, bem feitos ou malfeitos cobertos pela imprensa esportiva. Isso não fazia os dirigentes melhores. Mas para chegar à presidência de uma Federação como a de São Paulo ou à CBF o candidato precisava ter algum talento, nem que fosse para os malfeitos acima já lembrados.

Nessa época, Marin e Del Nero eram o que continuam sendo: medíocres (no sentido popular do termo) como dirigentes, que podiam almejar no máximo cargos secundários. E politicamente a história de Marin como defensor da ditadura já foi lembrado aqui e nem precisa ser provada, de pública que é.

Tudo saía em jornais, rádio e TV. Aí apareceram os gênios. Um dono de jornal de grande circulação de São Paulo mandou um aviso ao editor de esportes, repassado aos repórteres na reunião de pauta de uma segunda-feira do já distante ano de 1982: “Não quero mais nomes de dirigentes no jornal.”

Assim foi feito. Com o tempo, cartolas e suas entidades foram esquecidos. E era o que eles queriam. Puderam agir ainda com mais liberdade. E o futebol só piorou. E caiu tanto que rebaixou até a qualidade do jogo entre nós. E atualmente nem se pode mais repetir uma frase surrada, a que dizia que o futebol brasileiro “vai bem dentro de campo e mal fora del”.

Fabiana é líder. E quem será o novo técnico da Seleção?

Continua em boa fase a campineira Fabiana Murer. Em Mônaco, venceu mais uma etapa da Diamond League e mantém a liderança do salto com vara no circuito. Campeã em 2010, parece próxima da conquista do bicampeonato. Ela lidera também o Ranking de resultados da IAAF na temporada, com 4,80 m. Aos 33 anos, a saltadora continua entre as melhores do mundo em uma das mais difíceis provas do atletismo.

Como prevíamos, terminada a Copa do Mundo, as atenções voltam-se para os preparativos da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Também já eram esperadas as críticas “ao ritmo lento das obras”. Bobagem, as obras necessárias serão feitas e muitas delas serão um grande ganho aos cariocas e todos os brasileiros.

Claro que tudo deve ocorrer com transparência. A mesma transparência que grande parte da mídia não se preocupava em cobrar em outros tempos, quando os governantes eram outros. Mas que deve ser exigida sempre, inclusive agora, se por acaso isso não estiver ocorrendo.

Claro que a indicação de Gilmar para coordenador técnico da CBF deve dominar os noticiários por mais algum tempo. Ainda mais agora que estão ameaçando anunciar o nome do novo treinador da Seleção na próxima terça-feira. Falam em Tite, Muricy e, agora, Dunga. Não fará muita diferença, seja este ou aquele o escolhido.

Pelo passado desses personagens, Gilmar à frente, não vale esperar mudanças. Tudo se resumirá a troca de nomes, em relação aos anteriores ocupantes desses cargos, como Parreira e Felipão.

Parabéns, Alemanha. E vamos agora aos Jogos Olímpicos do Rio 2016

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A Seleção da Alemanha ganhou a Copa do Mundo do Brasil 2014. Ganhou da Argentina por um a zero, com gol na segunda etapa da prorrogação. Justa a conquista. É bom reconhecer que desde a estreia na Copa, com a goleada sobre Portugal por quatro a zero, que os alemães tinham vindo ao Brasil para disputar o título, nada menos que isso.

Tenho ouvido e lido que a conquista deveu-se ao trabalho da Federação Alemã, iniciado após a derrota para o Brasil na final da Copa de 2002. Vamos pensar nisso. Os dirigentes da Federação realmente elaboraram um plano, que incluiu escolha de um treinador e apoio ao trabalho. Também deram um show na preparação específica para este Mundial.

Foram imbatíveis na simpatia. Claro que teriam a apoio da maior parte da torcida brasileira, já que o jogo era contra a Seleção da Argentina, tradicional rival de nosso País, no futebol. De qualquer maneira, foram o trabalho de longo prazo e os específicos, para cada evento, que levaram a equipe a chegar em condições adequadas à disputa desta Copa de 2014.

Vamos pensar, porém, no que estaria acontecendo agora, caso a Argentina tivesse vencido a final. Chances não faltaram, no tempo normal os argentinos tiveram mais chances até que a Alemanha. Certamente o tão falado “projeto alemão” não estaria sendo tão exaltado. E no entanto seria uma injustiça. O trabalho era necessário e foi bem feito.

Trabalho que o Brasil também precisa fazer. Claro que não se pode esperar que a iniciativa parta dos dirigentes da CBF, das Federações Estaduais e dos clubes. Aí vale apoiar a iniciativa do Governo Federal. A presidenta Dilma recebeu integrantes do movimento Bom Senso e deixou claro que é preciso pensar o futebol no Brasil. É verdade que o Governo não tem meios legais de intervir na CBF.

Mas, penso, que nem é preciso. Se jogadores, treinadores e demais profissionais que atuam no futebol levarem o projeto do Bom Senso com apoio do Governo Federal, a cartolagem não terá como evitar mudanças.

O Brasil passou com louvor na organização da Copa do Mundo. Agora, toda a atenção para a preparação para receber a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. O presidente do COI, Thomas Blach, animado com o sucesso da Copa no Brasil, disse ter certeza de que os Jogos Olímpicos também serão primorosos. É verdade que os abutres que “profetizavam” o fracasso nacional para fazer a Copa, já começaram a falar mal dos Jogos de 2016. São os “profetas” do caos. De novo, quebrarão a cara.