Gazeta Esportiva

A não convocação de Ronaldinho Gaúcho será por vários dias o assunto mais comentado do esporte nacional. O que fazer? Luiz Felipe Scolari tem crédito neste departamento de levar ou não atletas às Copas. E todo mundo vai lembrar 2002, quando o treinador deixou Romário no Brasil e bancou a ida de Ronaldo Fenômeno, embora prejudicado por inúmeras e graves contusões.

Deu certo, né? O Brasil conquistou em gramados asiáticos seu quinto título mundial. Agora, na Copa das Confederações, quando a seleção faz seu principal teste antes da Copa de 2014, o técnico decide não convocar Ronaldinho Gaúcho. Certamente tem suas razões. Mas parece difícil para o torcedor comum entender, já que Ronaldinho tem jogado bem no Atlético e vem sendo o grande diferencial na boa campanha do time mineiro.

E a pergunta não consegue calar: Mas parece que todos concordam que estamos numa época em que não há tantos craques no futebol brasileiro, não é mesmo? Então, Ronaldinho não poderia ser uma referência na equipe brasileira, talvez até para tirar um pouco a responsabilidade dos ombros ainda jovens de Neymar?

Enfim, Scolari faz seu jogo na convocação para a Copa das Confederações. Se o time for bem ou mal, de qualquer forma poderá fazer ajustes para o jogo definitivo, da Copa do Mundo no Brasil no ano que vem. E aí talvez sobre um lugar para o craque gaúcho.

Wagner Carmo/CBAt

Wagner Carmo/CBAt

Mais uma vez o público paraense mostrou o quanto aprecia ver um espetáculo esportivo. Neste domingo – Dia das Mães – mais de 21 mil pessoas foram ao Mangueirão para ver o GP Brasil de Atletismo. E não saíram decepcionados. Alguns resultados apresentaram bom índice técnico.

A vitória mais comemorada foi a da brasileira Ana Cláudia Lemos nos 100 m. Ela fez 11.05 e cada vez mais se aproxima da meta de correr a provas abaixo dos 11 segundos. De quebra, bateu o recorde do GP Brasil, que era 11.07 e pertencia havia 19 anos à norte-americana Gwen Torrence. O público aplaudiu a acompanhou a festa da velocista cearense.

Bruno Lins ganhou os 100 m e os 200 m e nesta prova alcançou o índice para o Mundial de Moscou. O segundo colocado, Aldemir da Silva Júnior, também obteve a qualificação. Augusto Dutra, no salto com vara, conseguiu seu recorde pessoal ao ar livre, ao marcar 5,70 m. Em pista coberta ele já saltou 5,71 m este, recorde sul-americano.

Bom desempenho da jamaicana Patricia Hall nos 400 m, da argentina Rocio Comba no lançamento do disco, Du cubano Ernest Revé no salto triplo, do norte-americano Atwon Hicks nos 110 m com barreiras, entre outros.

O Meeting de Belém faz parte do IAAF World Challenge e abriu o Brazilian Athletics Tour 2013. O circuito prosseguirá em Uberlândia na noite da próxima quinta-feira 16 e terminará em São Paulo, na manhã do domingo 19.

Estamos na antevéspera do GP Brasil de Atletismo, etapa sul-americana no IAAF World Challenge 2013. O GP será disputado no domingo pela manhã no Estádio Olímpico do Mangueirão, em Belém do Pará. A expectativa dos organizadores é de um público próximo de 40 mil espectadores. Aliás, em três ocasiões a capital paraense proporcionou público superior a 40 mil pessoas, chegando ao recorde de 42.640 em 2004.

Andressa de Morais, brasileira que treina no Centro Nacional da CBAt em Uberlândia (MG) está animada. “Já fiz 61,04 m (no lançamento do disco) e posso alcançar o índice (61,21 m) em Belém, assim garanto a qualificação para o Campeonato Mundial (em Moscou, na Rússia, em agosto)”, disse a atleta.

Ana Cláudia Lemos x Franciela Krasucki é outro duelo esperado, nos 100 m. Franciela em seu melhor resultado este ano marcou 11.15, igualando o recorde sul-americano da rival, que pouco depois marcou 11.13, novo recorde da área. Aldemir Gomes da Silva Júnior é outra atração do GP, também em provas de velocidade. Fará os 100 m e os 200 m, nesta última prova enfrentando o bahamense Michael Mathieu.

Keila Costa e Maurren Maggi já estão em Belém e vão se enfrentar no salto em distância, em busca do índice para o Mundial de Moscou (6,65 m). Keila já está qualificada no triplo. Na versão masculina do salto em distância Duda da Silva está animado. “Preparado eu estou”, disse o campeão mundial indoor da prova.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Já tratei desse assunto aqui. Mas não tenho como deixar de escrever a respeito novamente. Vi a mesa redonda da ESPN Brasil na segunda-feira à noite. No ar, profissionais respeitados: José Trajano, Juca Kfouri, Fernando Calazans, Márcio Guedes, Paulo Vinícius Coelho e Paulo Andrade. Em certo momento, volta à discussão o nome do Engenhão. Todos defenderam, com razão, a mudança. Aí, sugeriram três nomes: Estádio Olímpico João Saldanha, Estádio Olímpico Mané Garrinha ou Estádio Olímpico Nilton Santos.

Está certo que o Estádio foi praticamente doado ao Botafogo, um clube de futebol, e Saldanha e Garrincha foram, assim como Nilton Santos é, grandes botafoguenses. Os três merecem todas as homenagens como nomes importantes do futebol brasileiro. Saldanha como jornalista e treinador, e Garrincha e Nilton Santos como dois dos maiores jogadores de nossa história.

O que me desanima é que nenhum dos profissionais daquela mesa sequer atentou para o fato de que o Estádio, embora sob administração do alvinegro, é o “Estádio Olímpico”. Será o palco do torneio olímpico dos Jogos do Rio 2016. Assim como foi a sede do atletismo no PAN 2007.

Acho que aí já é falta de sensibilidade. Nenhum dos jornalistas do programa tem o direito de ignorar essa ligação do Estádio com o atletismo. Será que é tão difícil aceitar que um atleta de atletismo possa dar o nome ao Estádio? Será que Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico e cinco vezes recordista mundial do triplo, não cairia bem? Será que só vale o futebol? Por quê?

Divulgação

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Teremos em maio o Tour brasileiro de atletismo, com a disputa de três Meetings internacionais. A abertura será em 12 de maio no Mangueirão, em Belém, e prosseguirá no dia 16 no Sesi-Gravatás, em Uberlândia, e terminará no dia 19, no Ibirapuera, em São Paulo. A etapa de Belém corresponderá à edição de número 29 do GP Brasil, principal evento atlético latino-americano.

Quase 30 anos! Tudo começou com o Torneio Ford/Adidas no Ibirapuera em 1985. Domingo de maio, fina garoa e uma grande atração: o norte-americano Edwin Moses, bicampeão olímpico dos 400 m com barreiras, recordista mundial da prova e invicto então há mais de uma centena de provas. Pois Moses sentiu uma lesão e deu apenas uma volta na pista, “uma exibição para o público”.

Como Moses, outros astros do atletismo vieram ao Brasil, mas não venceram no GP. Maior nome do esporte à época, outro atleta dos Estados Unidos, Carl Lewis, teve de contentar-se com o segundo lugar nos 100 m em 1987: foi superado por seu compatriota Stanley Floyd, bom velocista, mas sem o prestígio de Lewis. O ucraniano Sergei Bubka, superastro do salto com vara, veio de mais uma vez para o torneio. Venceu mas não brilhou, nem 1992 nem em 1996.

Mas também houve grandes momentos. O brasiliense Joaquim Cruz venceu os 800 m no ano da inauguração do torneio. Em 1984, havia sido campeão olímpico em Los Angeles. Em 1986, Robson Caetano superou o polonês Marian Woronin – que era o branco mais rápido do mundo – nos 100 m e ainda foi campeão dos 200 m.

A búlgara Stefka Kostadinova venceu o salto em altura com 2,00 m em 1986 e no ano seguinte foi campeã mundial em Roma com recorde mundial até hoje não igualado (2,09 m). Em 1988, Roger Kingdom (Estados Unidos) venceu os 110 m com barreiras e meses depois conquistou o bicampeonato olímpico em Seul.

O tcheco Jan Zelezny (lançamento do dardo), o norte-americano Michael Johnson (200 m), a portuguesa Albertina Machado (3.000 m), os brasileiros Zequinha Barbosa (800 m), Claudinei Quirino (200 m) e Nelson Ferreira (salto em distância) foram outros nomes que brilharam nas disputas do GP, tanto em São Paulo, até 1995, como no Rio de Janeiro, até 2001.

A partir de 2002 a disputa aconteceu em Belém, com intervalo de 2010 a 2012, quando foi no Rio. Este ano o GP volta à capital paraense e terá nomes como Mauro Vinícius da silva, o Duda, campeão mundial indoor do salto em distância, e o representante das Bahamas, Michael Mathieu, campeão olímpico do 4×400 m.

Em 1988 estiveram em Belém e venceriam suas provas duas jamaicanas que, meses depois venceriam suas provas na Olimpíada de Pequim: Shelly-Ann Fraser, nos 100 m, e Melaine Walker, nos 400 m com barreiras.

Em 2002, na primeira disputa do GP na capital paraense, um dos destaques foi a brasileira Maurren Maggi, que venceu o salto em distância com 6,90 m. em 2008, ela ganharia a medalha de ouro olímpica em Pequim com 7,04 m. Este ano ela estará novamente competindo em Belém.

Montagem/Gazeta Press

Montagem/Gazeta Press

O São Paulo não jogou bem contra o Penapolense, embora tenha merecido vencer. Mas o “velho” e bom Rogério Ceni teve que se desdobrar para evitar que a decisão fosse para os pênaltis, neste domingo, no Morumbi. Também Santos e Palmeiras não fizeram um bom jogo no sábado. Já o Corinthians passou fácil pela Ponte Preta e o Mogi Mirim arrasou o Botafogo.

Bem, não é por causa dos resultados do fim de semana que alguém dirá que o Mogi Mirim é favorito contra o Santos, agora na fase semifinal do Campeonato Paulista. Assim como não dá para apostar com segurança no Corinthians contra o Tricolor. Para quem duvida é só lembrar que o São Paulo estava praticamente fora da Taça Libertadores…

Aí fez o que há muitos parecia impossível, quando, na verdade, era apenas improvável. E simplesmente ganhou do melhor time do torneio continental, o Atlético Mineiro, a quem enfrentará novamente agora em fase eliminatória.

E o técnico Muricy Ramalho pede respeito a Neymar. E tem razão. Acho que ninguém pode acusar Neymar de displicência (palavra que se usava muito nas antigas crônicas esportivas). Então, se é porque não tem jogado bem uma vez ou outra é bom o torcedor do Santos (e dos outros times também) pensar um pouco. Ele tem crédito. Já deu muitas alegrias com seu belo futebol.

Wagner Carmo

Wagner Carmo

Vaias para a seleção brasileira em Belo Horizonte no empate contra o Chile por 2 a 2. Penso que todos admitem que o time de Scolari não jogou bem. E depois, é um direito que o espectador tem, o de manifestar seu desagrado com o espetáculo. Afinal, o futebol é isso: um espetáculo. Como no teatro, na ópera, no concerto, no show, pode ser ótimo, bom, razoável, sofrível ou ruim.

Mas, aplaudir o Chile já foi um pouco demais, não? Afinal, eles apresentaram um futebol tão bom assim?

Uma coisa lembra outra e volto a 1982, o time de Telê Santana só empata com a antiga Tchecoslováquia no Morumbi: 1 a 1. Vaia contra a seleção nacional, com apoio do ministro Hélio Beltrão, ministro da ditadura, embora com jeitão simpático e até com ideias interessantes, na intenção de “desburocratizar o estado”.

No vestiário, Zico fala: “Pô, vaiar a gente estava certo, não jogamos bem. Mas aplaudir a Tchecoslováquia? Eles também jogaram mal”. Usei a frase de Zico na matéria de quinta-feira da Folha. E os editores pegaram a declaração e colocaram na coluna “Frases”, espaço nobre da página 2.

Telê e aquele time, acho eu, eram superiores a Scolari e o grupo atual. Mas comparo, aqui, a atitude da torcida. O futebol outro hoje, não é melhor a meu ver. O que surpreende é que, 30 anos depois, a multidão repete a mesma atitude: meu time está mal, vou apoiar o adversário.

Vaiar o time que joga mal está certo. Mas apoiar o adversário só vale quando este mostra qualidade.

AFP

AFP

Já estão na rede comentários sobre o “fracasso do Barcelona”. Até amanhã certamente serão contados em centenas. Claro que foi uma enorme surpresa a derrota de 4 a 0 para o Bayern, em Munique. Certo também que será muito difícil reverter a vantagem, agora toda do time alemão, para chegar à final da Champions League.

Coisa parecida na última temporada, quando a equipe catalã foi superada pelo Real Madrid, que ficou com o título do Campeonato Espanhol. Falavam também que era “visível” a queda de rendimento do time. Como se o Real também não fosse uma grande equipe… Essa “percepção” por parte de brasileiros especialistas em futebol da Espanha quando o time de Messi não levou o título europeu, ganho enfim pelo Chelsea.

Era como se o Barcelona, por ser o melhor time do mundo, teria que ganhar sempre, todos os jogos, todos os títulos. Imaginem a chatice que seria… Aliás, na época cansamos de ouvir e ler comentários como a “queda do Barça”, “Messi já não é o mesmo” e outras bobagens. Penso que agora irá pelo mesmo caminho. Até a próxima grande exibição do Barça, com o costumeiro brilho de Messi e seus companheiros.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A vitória sobre o Atlético Mineiro e a conseqüente classificação do Tricolor paulista para a próxima fase da Taça Libertadores poderia ensinar alguma coisa sobre futebol. Poderia mesmo, mas seria necessário que torcedores temperassem a paixão com o senso comum, que jogadores de futebol conhecessem um pouco da história do esporte e que parte dos jornalistas esportivos, notadamente os comentaristas de televisão, fosse um pouco menos arrogante.

Talvez seja pedir muita coisa ao mesmo tempo, mas seria interessante que mais torcedores, jogadores e comentaristas acompanhassem as aulas do mestre Tostão, ministradas em forma de coluna nas páginas da Folha de S. Paulo, às quartas-feiras e domingos. Não estou dizendo que se deve concordar com tudo o que o Dr. Eduardo de Andrade escreve. Mas alguma coisa com certeza todos poderiam aprender. Falo do imponderável, parte integrante de todo jogo de futebol.

O placar favorável de um jogo depende de vários fatores, todos sabem. Um treinador de visão e jogadores habilidosos são fundamentais para que um time conquiste títulos. Mas o resultado de uma partida – que pode ser decisiva – às vezes é definido por um lance fortuito: falha do goleiro, um pênalti perdido. Ou, então, porque um time não favorito se supere em determinado evento, o que parece ter sido o caso do São Paulo, na vitória sobre o favorito Atlético.

Importante reconhecer que, agora, exatamente pelo imponderável, o São Paulo pode até eliminar o Atlético na próxima fase da competição continental. Da mesma forma que tudo pode correr normalmente e o time de Cuca, mais embalado e entrosado na temporada, se recupere e garanta a qualificação. Mas já é visível, nas declarações de Ney Franco, de Rogério Ceni e dos demais jogadores do time, que o ânimo da equipe paulistana agora é outro.

AFPBombas explodiram próximo à linha de chegada dos corredores na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira 15. No momento em que escrevo, a Polícia local admitia que havia dois mortos e dezenas de feridos. Comoção na cidade e em toda a parte. É uma coisa que assusta, porque parece difícil acreditar que exista uma forma absoluta de impedir este tipo de ataque.

Todo mundo sabe que o sistema de segurança norte-americano é sofisticado. E foi reforçado após o atentado que derrubou as Torres Gêmeas em 2001, em Nova York.

Historiadores, sociólogos, políticos e jornalistas discutirão durante bom tempo sobre os motivos que levam pessoas a praticar este tipo de ataque que afinal de contas atinge pessoas inocentes. Pessoas que vêm de toda a parte, que professam diferentes pensamentos políticos ou fé religiosa.

Não importa, enfim, quem são os idealizadores, os autores das explosões ou seus motivos. O que houve em Boston foi um crime covarde contra pessoas comuns. Ali estavam corredores que queriam vencer os 42,195 km de uma das maratonas mais charmosas do mundo.

Agora vem o outro lado disse tudo. Os aproveitadores de ocasião. Já que na internet que se até os Estados Unidos não conseguem impedir um ataque como este, “imaginem o Brasil, na Copa, na Olimpíada”. Ora, façam um favor. Vamos respeitar as vítimas do atentado, não se deve tirar proveito político disso.

Há muita gente séria que acha que o Brasil não deveria organizar, neste momento, a Copa ou a Olimpíada. E confesso que concordo em muitos pontos. Mas estas são pessoas sérias, que sabem que aí não tem jeito. Exatamente porque aconteceu até nos Estados Unidos, pode acontecer em qualquer lugar. Então, não poderia haver Copa ou Olimpíada em nenhum lugar do mundo.