Gazeta Esportiva

Ele é árbitro de futebol e não médico. No entanto, mesmo sem o conhecimento técnico necessário, Amarilla foi escalado para operar o Corinthians em pleno Pacaembu e dar a vaga ao Boca na próxima fase da Taça Libertadores. De fato, há muito tempo não via a arbitragem errar em lances tão sérios e todas as vezes contra um dos times.

Mas o Timão teve um pós-operatório eficiente e totalmente recuperado empatou com o Santos na Vila Belmiro e ganhou mais um título paulista. Está certo que o Estadual não tem mais o glamour de outros tempos, mas o título foi conquistado de forma legítima. E o alvinegro mostrou que é tem uma das melhores equipes do Brasil. Em minha opinião, é o melhor de todos, superior até mesmo ao ótimo Galo.

E Paulinho, acho, já tem o direito de ser chamado de craque. E Danilo provou que continua a ser um jogador dos mais eficientes em ação nos grandes times brasileiros.

LULA. Na véspera da decisão do Paulista vi, pela internet, uma conversa de Nirlando Beirão, Juca Kfouri e Washington Olivetto, na TV Carta, da revista CartaCapital, uma semanal que toda pessoa decente pode levar a sério. O assunto: o Doutor Sócrates e a Democracia Corintiana. Um belo bate papo. Acompanhei o Corinthians daquele tempo e algumas das coisas de que eles falaram eu sabia. Outras, só o grupo mais próximo do clube e do próprio Sócrates conhecia.

Mas ao longo da conversa, Juca e Washington lembraram inúmeros corintianos ilustres: Dom Paulo Evaristo Arns… José Ermírio de Morais Filho… Rita Lee… Juca, Nirlando e Washington só não se lembraram de Lula. O ex-presidente, um dos homens mais populares do País, de fato gosta de futebol e é um corintiano apaixonado.

ATLETISMO. No Ibirapuera terminou o Brazilian Athletics Tour 2013, depois de três Meetings internacionais, em Belém, Uberlândia e São Paulo. Algumas coisas me parecem claras: os nomes que nesta e provavelmente na próxima temporada formaram na primeira linha atletismo brasileiro. Entre eles, Duda da Silva (salto em distância), Augusto Dutra (salto com vara), Ana Cláudia Lemos (100 m e 200 m).

A não convocação de Ronaldinho Gaúcho será por vários dias o assunto mais comentado do esporte nacional. O que fazer? Luiz Felipe Scolari tem crédito neste departamento de levar ou não atletas às Copas. E todo mundo vai lembrar 2002, quando o treinador deixou Romário no Brasil e bancou a ida de Ronaldo Fenômeno, embora prejudicado por inúmeras e graves contusões.

Deu certo, né? O Brasil conquistou em gramados asiáticos seu quinto título mundial. Agora, na Copa das Confederações, quando a seleção faz seu principal teste antes da Copa de 2014, o técnico decide não convocar Ronaldinho Gaúcho. Certamente tem suas razões. Mas parece difícil para o torcedor comum entender, já que Ronaldinho tem jogado bem no Atlético e vem sendo o grande diferencial na boa campanha do time mineiro.

E a pergunta não consegue calar: Mas parece que todos concordam que estamos numa época em que não há tantos craques no futebol brasileiro, não é mesmo? Então, Ronaldinho não poderia ser uma referência na equipe brasileira, talvez até para tirar um pouco a responsabilidade dos ombros ainda jovens de Neymar?

Enfim, Scolari faz seu jogo na convocação para a Copa das Confederações. Se o time for bem ou mal, de qualquer forma poderá fazer ajustes para o jogo definitivo, da Copa do Mundo no Brasil no ano que vem. E aí talvez sobre um lugar para o craque gaúcho.

Wagner Carmo/CBAt

Wagner Carmo/CBAt

Mais uma vez o público paraense mostrou o quanto aprecia ver um espetáculo esportivo. Neste domingo – Dia das Mães – mais de 21 mil pessoas foram ao Mangueirão para ver o GP Brasil de Atletismo. E não saíram decepcionados. Alguns resultados apresentaram bom índice técnico.

A vitória mais comemorada foi a da brasileira Ana Cláudia Lemos nos 100 m. Ela fez 11.05 e cada vez mais se aproxima da meta de correr a provas abaixo dos 11 segundos. De quebra, bateu o recorde do GP Brasil, que era 11.07 e pertencia havia 19 anos à norte-americana Gwen Torrence. O público aplaudiu a acompanhou a festa da velocista cearense.

Bruno Lins ganhou os 100 m e os 200 m e nesta prova alcançou o índice para o Mundial de Moscou. O segundo colocado, Aldemir da Silva Júnior, também obteve a qualificação. Augusto Dutra, no salto com vara, conseguiu seu recorde pessoal ao ar livre, ao marcar 5,70 m. Em pista coberta ele já saltou 5,71 m este, recorde sul-americano.

Bom desempenho da jamaicana Patricia Hall nos 400 m, da argentina Rocio Comba no lançamento do disco, Du cubano Ernest Revé no salto triplo, do norte-americano Atwon Hicks nos 110 m com barreiras, entre outros.

O Meeting de Belém faz parte do IAAF World Challenge e abriu o Brazilian Athletics Tour 2013. O circuito prosseguirá em Uberlândia na noite da próxima quinta-feira 16 e terminará em São Paulo, na manhã do domingo 19.

Estamos na antevéspera do GP Brasil de Atletismo, etapa sul-americana no IAAF World Challenge 2013. O GP será disputado no domingo pela manhã no Estádio Olímpico do Mangueirão, em Belém do Pará. A expectativa dos organizadores é de um público próximo de 40 mil espectadores. Aliás, em três ocasiões a capital paraense proporcionou público superior a 40 mil pessoas, chegando ao recorde de 42.640 em 2004.

Andressa de Morais, brasileira que treina no Centro Nacional da CBAt em Uberlândia (MG) está animada. “Já fiz 61,04 m (no lançamento do disco) e posso alcançar o índice (61,21 m) em Belém, assim garanto a qualificação para o Campeonato Mundial (em Moscou, na Rússia, em agosto)”, disse a atleta.

Ana Cláudia Lemos x Franciela Krasucki é outro duelo esperado, nos 100 m. Franciela em seu melhor resultado este ano marcou 11.15, igualando o recorde sul-americano da rival, que pouco depois marcou 11.13, novo recorde da área. Aldemir Gomes da Silva Júnior é outra atração do GP, também em provas de velocidade. Fará os 100 m e os 200 m, nesta última prova enfrentando o bahamense Michael Mathieu.

Keila Costa e Maurren Maggi já estão em Belém e vão se enfrentar no salto em distância, em busca do índice para o Mundial de Moscou (6,65 m). Keila já está qualificada no triplo. Na versão masculina do salto em distância Duda da Silva está animado. “Preparado eu estou”, disse o campeão mundial indoor da prova.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Já tratei desse assunto aqui. Mas não tenho como deixar de escrever a respeito novamente. Vi a mesa redonda da ESPN Brasil na segunda-feira à noite. No ar, profissionais respeitados: José Trajano, Juca Kfouri, Fernando Calazans, Márcio Guedes, Paulo Vinícius Coelho e Paulo Andrade. Em certo momento, volta à discussão o nome do Engenhão. Todos defenderam, com razão, a mudança. Aí, sugeriram três nomes: Estádio Olímpico João Saldanha, Estádio Olímpico Mané Garrinha ou Estádio Olímpico Nilton Santos.

Está certo que o Estádio foi praticamente doado ao Botafogo, um clube de futebol, e Saldanha e Garrincha foram, assim como Nilton Santos é, grandes botafoguenses. Os três merecem todas as homenagens como nomes importantes do futebol brasileiro. Saldanha como jornalista e treinador, e Garrincha e Nilton Santos como dois dos maiores jogadores de nossa história.

O que me desanima é que nenhum dos profissionais daquela mesa sequer atentou para o fato de que o Estádio, embora sob administração do alvinegro, é o “Estádio Olímpico”. Será o palco do torneio olímpico dos Jogos do Rio 2016. Assim como foi a sede do atletismo no PAN 2007.

Acho que aí já é falta de sensibilidade. Nenhum dos jornalistas do programa tem o direito de ignorar essa ligação do Estádio com o atletismo. Será que é tão difícil aceitar que um atleta de atletismo possa dar o nome ao Estádio? Será que Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico e cinco vezes recordista mundial do triplo, não cairia bem? Será que só vale o futebol? Por quê?

Divulgação

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Teremos em maio o Tour brasileiro de atletismo, com a disputa de três Meetings internacionais. A abertura será em 12 de maio no Mangueirão, em Belém, e prosseguirá no dia 16 no Sesi-Gravatás, em Uberlândia, e terminará no dia 19, no Ibirapuera, em São Paulo. A etapa de Belém corresponderá à edição de número 29 do GP Brasil, principal evento atlético latino-americano.

Quase 30 anos! Tudo começou com o Torneio Ford/Adidas no Ibirapuera em 1985. Domingo de maio, fina garoa e uma grande atração: o norte-americano Edwin Moses, bicampeão olímpico dos 400 m com barreiras, recordista mundial da prova e invicto então há mais de uma centena de provas. Pois Moses sentiu uma lesão e deu apenas uma volta na pista, “uma exibição para o público”.

Como Moses, outros astros do atletismo vieram ao Brasil, mas não venceram no GP. Maior nome do esporte à época, outro atleta dos Estados Unidos, Carl Lewis, teve de contentar-se com o segundo lugar nos 100 m em 1987: foi superado por seu compatriota Stanley Floyd, bom velocista, mas sem o prestígio de Lewis. O ucraniano Sergei Bubka, superastro do salto com vara, veio de mais uma vez para o torneio. Venceu mas não brilhou, nem 1992 nem em 1996.

Mas também houve grandes momentos. O brasiliense Joaquim Cruz venceu os 800 m no ano da inauguração do torneio. Em 1984, havia sido campeão olímpico em Los Angeles. Em 1986, Robson Caetano superou o polonês Marian Woronin – que era o branco mais rápido do mundo – nos 100 m e ainda foi campeão dos 200 m.

A búlgara Stefka Kostadinova venceu o salto em altura com 2,00 m em 1986 e no ano seguinte foi campeã mundial em Roma com recorde mundial até hoje não igualado (2,09 m). Em 1988, Roger Kingdom (Estados Unidos) venceu os 110 m com barreiras e meses depois conquistou o bicampeonato olímpico em Seul.

O tcheco Jan Zelezny (lançamento do dardo), o norte-americano Michael Johnson (200 m), a portuguesa Albertina Machado (3.000 m), os brasileiros Zequinha Barbosa (800 m), Claudinei Quirino (200 m) e Nelson Ferreira (salto em distância) foram outros nomes que brilharam nas disputas do GP, tanto em São Paulo, até 1995, como no Rio de Janeiro, até 2001.

A partir de 2002 a disputa aconteceu em Belém, com intervalo de 2010 a 2012, quando foi no Rio. Este ano o GP volta à capital paraense e terá nomes como Mauro Vinícius da silva, o Duda, campeão mundial indoor do salto em distância, e o representante das Bahamas, Michael Mathieu, campeão olímpico do 4×400 m.

Em 1988 estiveram em Belém e venceriam suas provas duas jamaicanas que, meses depois venceriam suas provas na Olimpíada de Pequim: Shelly-Ann Fraser, nos 100 m, e Melaine Walker, nos 400 m com barreiras.

Em 2002, na primeira disputa do GP na capital paraense, um dos destaques foi a brasileira Maurren Maggi, que venceu o salto em distância com 6,90 m. em 2008, ela ganharia a medalha de ouro olímpica em Pequim com 7,04 m. Este ano ela estará novamente competindo em Belém.

Montagem/Gazeta Press

Montagem/Gazeta Press

O São Paulo não jogou bem contra o Penapolense, embora tenha merecido vencer. Mas o “velho” e bom Rogério Ceni teve que se desdobrar para evitar que a decisão fosse para os pênaltis, neste domingo, no Morumbi. Também Santos e Palmeiras não fizeram um bom jogo no sábado. Já o Corinthians passou fácil pela Ponte Preta e o Mogi Mirim arrasou o Botafogo.

Bem, não é por causa dos resultados do fim de semana que alguém dirá que o Mogi Mirim é favorito contra o Santos, agora na fase semifinal do Campeonato Paulista. Assim como não dá para apostar com segurança no Corinthians contra o Tricolor. Para quem duvida é só lembrar que o São Paulo estava praticamente fora da Taça Libertadores…

Aí fez o que há muitos parecia impossível, quando, na verdade, era apenas improvável. E simplesmente ganhou do melhor time do torneio continental, o Atlético Mineiro, a quem enfrentará novamente agora em fase eliminatória.

E o técnico Muricy Ramalho pede respeito a Neymar. E tem razão. Acho que ninguém pode acusar Neymar de displicência (palavra que se usava muito nas antigas crônicas esportivas). Então, se é porque não tem jogado bem uma vez ou outra é bom o torcedor do Santos (e dos outros times também) pensar um pouco. Ele tem crédito. Já deu muitas alegrias com seu belo futebol.

Wagner Carmo

Wagner Carmo

Vaias para a seleção brasileira em Belo Horizonte no empate contra o Chile por 2 a 2. Penso que todos admitem que o time de Scolari não jogou bem. E depois, é um direito que o espectador tem, o de manifestar seu desagrado com o espetáculo. Afinal, o futebol é isso: um espetáculo. Como no teatro, na ópera, no concerto, no show, pode ser ótimo, bom, razoável, sofrível ou ruim.

Mas, aplaudir o Chile já foi um pouco demais, não? Afinal, eles apresentaram um futebol tão bom assim?

Uma coisa lembra outra e volto a 1982, o time de Telê Santana só empata com a antiga Tchecoslováquia no Morumbi: 1 a 1. Vaia contra a seleção nacional, com apoio do ministro Hélio Beltrão, ministro da ditadura, embora com jeitão simpático e até com ideias interessantes, na intenção de “desburocratizar o estado”.

No vestiário, Zico fala: “Pô, vaiar a gente estava certo, não jogamos bem. Mas aplaudir a Tchecoslováquia? Eles também jogaram mal”. Usei a frase de Zico na matéria de quinta-feira da Folha. E os editores pegaram a declaração e colocaram na coluna “Frases”, espaço nobre da página 2.

Telê e aquele time, acho eu, eram superiores a Scolari e o grupo atual. Mas comparo, aqui, a atitude da torcida. O futebol outro hoje, não é melhor a meu ver. O que surpreende é que, 30 anos depois, a multidão repete a mesma atitude: meu time está mal, vou apoiar o adversário.

Vaiar o time que joga mal está certo. Mas apoiar o adversário só vale quando este mostra qualidade.

AFP

AFP

Já estão na rede comentários sobre o “fracasso do Barcelona”. Até amanhã certamente serão contados em centenas. Claro que foi uma enorme surpresa a derrota de 4 a 0 para o Bayern, em Munique. Certo também que será muito difícil reverter a vantagem, agora toda do time alemão, para chegar à final da Champions League.

Coisa parecida na última temporada, quando a equipe catalã foi superada pelo Real Madrid, que ficou com o título do Campeonato Espanhol. Falavam também que era “visível” a queda de rendimento do time. Como se o Real também não fosse uma grande equipe… Essa “percepção” por parte de brasileiros especialistas em futebol da Espanha quando o time de Messi não levou o título europeu, ganho enfim pelo Chelsea.

Era como se o Barcelona, por ser o melhor time do mundo, teria que ganhar sempre, todos os jogos, todos os títulos. Imaginem a chatice que seria… Aliás, na época cansamos de ouvir e ler comentários como a “queda do Barça”, “Messi já não é o mesmo” e outras bobagens. Penso que agora irá pelo mesmo caminho. Até a próxima grande exibição do Barça, com o costumeiro brilho de Messi e seus companheiros.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A vitória sobre o Atlético Mineiro e a conseqüente classificação do Tricolor paulista para a próxima fase da Taça Libertadores poderia ensinar alguma coisa sobre futebol. Poderia mesmo, mas seria necessário que torcedores temperassem a paixão com o senso comum, que jogadores de futebol conhecessem um pouco da história do esporte e que parte dos jornalistas esportivos, notadamente os comentaristas de televisão, fosse um pouco menos arrogante.

Talvez seja pedir muita coisa ao mesmo tempo, mas seria interessante que mais torcedores, jogadores e comentaristas acompanhassem as aulas do mestre Tostão, ministradas em forma de coluna nas páginas da Folha de S. Paulo, às quartas-feiras e domingos. Não estou dizendo que se deve concordar com tudo o que o Dr. Eduardo de Andrade escreve. Mas alguma coisa com certeza todos poderiam aprender. Falo do imponderável, parte integrante de todo jogo de futebol.

O placar favorável de um jogo depende de vários fatores, todos sabem. Um treinador de visão e jogadores habilidosos são fundamentais para que um time conquiste títulos. Mas o resultado de uma partida – que pode ser decisiva – às vezes é definido por um lance fortuito: falha do goleiro, um pênalti perdido. Ou, então, porque um time não favorito se supere em determinado evento, o que parece ter sido o caso do São Paulo, na vitória sobre o favorito Atlético.

Importante reconhecer que, agora, exatamente pelo imponderável, o São Paulo pode até eliminar o Atlético na próxima fase da competição continental. Da mesma forma que tudo pode correr normalmente e o time de Cuca, mais embalado e entrosado na temporada, se recupere e garanta a qualificação. Mas já é visível, nas declarações de Ney Franco, de Rogério Ceni e dos demais jogadores do time, que o ânimo da equipe paulistana agora é outro.