Bom desempenho em 2016 – votos para a esgrima

AFP

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Leio que uma esgrimista desistiu de buscar uma vaga nos Jogos do Rio-2016. A atleta reclama da Confederação do seu esporte que não teria dado o apoio necessário à preparação da equipe.

Não duvido da afirmação da atleta. Também não julgo as ações da Confederação, já que não acompanho o dia a dia da esgrima. Que se esclareça o que houve e se houver algo errado, que se corrija.

Uma coisa é certa, atualmente as entidades dirigentes não vivem na penúria, como ocorria em outros tempos. Nos últimos dez anos, o Governo Federal tem apoiado muito o esporte olímpico.

Aliás, as modalidades olímpicas contam com patrocínio de empresas públicas, além de recursos provenientes da lei Agnelo/Piva. Claro que à medida em que aparecem recursos crescem as demandas.

Mas é fato que há Confederações que fazem os recursos chegarem aos atletas. Tomara que todos os agentes que dão vida à esgrima no País se acertem e que o esporte seja bem representado em 2016.

A morte de uma lenda

A notícia estava no site do UOL neste sábado dia 14. Informava da morte de Franjo Mihalic, aos 95 anos, num hospital militar de Belgrado, capital da Sérvia. Vice-campeão olímpico da maratona nos Jogos de Melbourne em 1956, ídolo do esporte na antiga Iugoslávia, Mihalic é conhecido no Brasil por sua participação na Corrida de São Silvestre, realizada por A Gazeta Esportiva.

Mihalic esteve em São Paulo e venceu a prova em 1952 e 1954. Em 1953, foi vice-campeão – o ganhador no ano foi a “Locomotiva Humana”, o tcheco Emil Zatopek.

A presença de Mihalic, Zatopek e outros astros do esporte mundial prova a importância da corrida, hoje a mais importante da América Latina. Nos anos 1950 a fama da prova era mundial. Medalhistas olímpicos de provas como a maratona e os 10.000 m tinham na agenda participar ao menos uma vez da corrida disputada tradicionalmente em 31 de dezembro na capital paulista.

Mundial de Revezamentos será seletivo para os Jogos do Rio 2016

A mídia não anotou uma novidade anunciada pela IAAF, a Federação Internacional de Atletismo: as equipes que terminarem entre as oito primeiras no Mundial de Revezamentos de maio próximo nas Bahamas estarão automaticamente qualificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem. A CBAt enviou comunicado neste sentido à imprensa esportiva, com esta informação.

A decisão é importante para o Brasil, que tem quartetos fortes nas provas olímpicas – 4×100 m e 4×400 m – no masculino e no feminino. Tanto que na primeira edição do Mundial de Revezamentos em 2014 o País foi finalista nas quatro provas.

O 4×100 m feminino do Brasil, por sinal, foi finalista nos dois últimos grandes eventos mundiais: a Olimpíada de Londres em 2012 e o Campeonato Mundial de Moscou em 2013. O 4×400 m masculino também foi finalista em Moscou.

Vale, portanto, acompanhar com atenção os campings de revezamento que a CBAt realiza no Rio de Janeiro com apoio do COB. Antes do 4×400 m masculino, agora reunido na Escola de Educação Física do Exército no bairro da Urca, houve o camping das outras três equipes: 4×100 m masculino e feminino, e 4×400 m feminino.

Revezamentos: Carlos Cavalheiro volta ao Brasil

A temporada atlética começou com a realização dos campings dos revezamentos olímpicos, isto é: 4×100 m e 4×400 m, masculino e feminino. Bom que seja assim, pois 2015 será um ano de competições difíceis, que terá o ápice no Campeonato Mundial de Pequim, em agosto.

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E depois, as equipes brasileiras dos revezamentos já estão garantidas em Pequim, porque foram finalistas no Mundial de Revezamentos nas Bahamas em 2014.

Junto com os trabalhos das equipes, que acontece no Rio de Janeiro, uma boa notícia: Carlos Alberto Cavalheiro está de volta ao Brasil. Contratado pelo COB, ele será o coordenador das provas de velocidade e revezamentos: 100 m, 200 m e 4×100 m (masculino e feminino).

Cavalheiro tem história no Atletismo nacional. Ele foi o treinador de Robson Caetano da Silva, ganhador da medalha de bronze nos 200 m na Olimpíada de Seul, em 1988. Também foi o técnico de Ronaldo da Costa, que em 1998 estabeleceu o recorde mundial da maratona em Berlim. Nos últimos 10 anos Cavalheiro trabalhou para o Comitê Olímpico do Catar.

O camping do 4×100 m feminino termina neste fim de semana. Paralelamente começam os treinamentos do 4×100 m masculino e do 4×400 m feminino.

Dudu no Palmeiras. E o velho problema dos altos salários no futebol

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Leio comentários otimistas sobre o Palmeiras, que contratou o grande Dudu. Levou um bom jogador e de quebra passou a perna em São Paulo e Corinthians. Leio também que o salário do jogador seria de 400 mil reais por mês.

Ele estaria no topo da elite salarial do futebol brasileiro. Isto porque, disse Paulo André na Mesa Redonda de domingo, “apenas” 65 jogadores do País ganham acima de 300 mil reais…

Já escrevi aqui ser difícil estabelecer tetos salariais quando o sistema econômico não estabelece limite para o lucro. Aliás, é bem pior, pois não há limite para os juros. Um projeto de lei neste sentido provavelmente nem chegaria ao plenário do Congresso, já que dificilmente passaria pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal ou do Senado, tanto faz.

No entanto, um mínimo de senso comum levaria os clubes nacionais a estabelecerem metas rigorosas quanto a gastos no futebol, pois estão todos em situação financeira humilhante. Isto é possível, pois seria um acordo dos clubes. Será que o pessoal (falo dos jogadores, não do grupo de assessores) do Bom Senso (os que estão em atividade) topariam? Mostrariam grandeza. Claro que isto se aplica também a treinadores.

Mas vamos voltar ao Dudu, elogiado pelo que jogou no Grêmio em 2014. Vamos torcer para ele ajudar o Verdão a ter um ano bem melhor que o passado. Mas 400 mil por mês…

Fazer o lógico e o básico no Rio 2016

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Como havia ameaçado no último comentário, estou de volta. Foram alguns dias para as festas de fim de ano. 2015 chegou tão rápido como saiu de cena 2014. E passará logo, para a vinda de 2016, o ano da Olimpíada no Rio.

Falta pouco tempo e não há muito mais o que pensar. Agora é fazer o lógico e o básico. Assim, ficam mais claras as tarefas a cumprir.

Na parte estrutural, aquela que depende mais do poder público, principalmente do Governo Federal, parece que as coisas seguem o cronograma. Foi o que disseram os membros da delegação do COI, que vistoriaram as obras.

Na Olimpíada a grande maioria dos eventos acontecerá na mesma cidade e há problemas que surgem durante os Jogos. Aí, tanto a APO como a organização esportiva terão que ser ágeis.

Acompanhei três edições dos Jogos que muito me agradaram: Barcelona 1992, Sydney 2000 e Londres 2012. Grandes lições estas cidades nos deram. As três aproveitaram os Jogos para recuperar extensas áreas urbanas.

Quanto à preparação dos atletas e equipes algumas confederações estão adiantadas. O que, se não significa garantia de maior número de medalhas, mostra que há entidades realmente preocupadas em proporcionar as melhores condições de treinamento a seus atletas.

No caso do atletismo, três campings estão acontecendo com atletas de ponta, acompanhado de seus treinadores pessoais. Assim, no Rio termina neste fim de semana o camping de atletas de saltos horizontais. Enquanto isso prosseguem os campings de salto com vara em Varsóvia e de arremesso em Havana.

2015, o ano da passagem

AFP

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Os maiores eventos esportivos do planeta são os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol. Quis Deus, ou o acaso, que o Brasil fosse a sede dessas duas competições em sequência. Então tivemos a Copa de 2014, com direito a cafajestes na plateia – que desrespeitaram a própria chefe da Nação – e a um time sem forças para evitar os maiores vexames já sofridos pelo futebol brasileiro.

Pois 2014 já está terminando, mas a lembrança dos 7 a 1 para a Alemanha e os 3 a zero para a Holanda já estão registrados na história. Já escrevi aqui que os 7 a 1 não provam que a equipe nacional era tão pior assim que a Alemanha. O placar foi uma fatalidade. O triste, e isso não dá para esquecer, foi a atitude passiva da comissão técnica e de vários jogadores, incapazes de reagir, não para evitar a eliminação, isto era impossível. Mas se agissem de outra forma, quem sabe a humilhação fosse menor.

Nem tudo foi ruim, dirão os otimistas, prontos para falar dos bons resultados da natação no Mundial de piscina curta e do título de Gabriel Medina, no surfe. Parabéns aos nadadores e a Medina, mas não há termos que possam comparar estes (grandes) feitos com a Copa do Mundo.

Agora vamos a 2015. A natação terá o Mundial em piscina olímpica. Teremos ideia melhor do real estágio da equipe brasileira. O atletismo também terá seu Mundial. O fato é que atletismo, em primeiro lugar, e natação são os grandes esportes dos Jogos Olímpicos, que acontecerão no Rio em 2016. E o que apresentarem nos Mundiais de 2015 será o que farão também na Olimpíada.

Por isso todo o cuidado deve cercar a preparação em 2015, o ano da passagem para a temporada olímpica de 2016.

***

Estamos bem perto agora da história 90ª edição da São Silvestre, a prova de rua mais importante da América Latina. Ao longo da história, a prova passou por mudanças. Mudaram os locais de largada e chegada, a distância e a parte do dia em que é disputada. Nunca mudou o dia, sempre 31 de dezembro, dia de São Silvestre. Resistir por 90 anos não é para qualquer evento. Isto prova que a São Silvestre faz parte da história de várias gerações de esportistas brasileiros.

***

Saio de férias por alguns dias. Retorno no começo de janeiro. Aos que eventualmente leram alguma das linhas que escrevi este ano, e também aos que não leram, muito obrigado. Se algo do que escrevi foi útil em algum sentido, fico feliz.

Boas Festas a todos.

Houve justiça na escolha dos melhores de 2014

Valery Hache/AFP

Valery Hache/AFP

Os melhores de 2014 foram reconhecidos como tal no atletismo mundial. Os prêmios recebidos por Renaud Lavillenie (salto com vara) e Valerie Adams (arremesso do peso) vão ao encontro do que os atletas produziram no âmbito internacional pelo francês e pela neozelandesa.

Lembrando: Lavillenie marcou 5,16 m e superou o recorde mundial indoor de 20 anos, que pertencia ao legendário Sergei Bubka, e Valerie chega celeremente ao 10º ano de domínio absoluto em sua prova, conquistando todos os títulos em disputa.

E no Brasil, um júri formado pelo COB escolheu Fabiano Murer. Ficou bem, pois Fabiana conquistou o bicampeonato da Liga Diamante e com 4,80 m termina 2014 como número 1 do Ranking Mundial no salto com vara feminino.

Claro que havia outro forte candidato: Mauro Vinícius da Silva, o Duda, que obteve o título de bicampeão mundial indoor do salto em distância. Duda tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o bicampeonato mundial no atletismo.

Também brilhou o marchador Caio Bonfim, terceiro colocado no Circuito Mundial de Marcha da IAAF. No Mundial de Juvenis, um título veio para o Brasil, com Izabela Rodrigues da Silva, medalha de ouro no lançamento do disco. No mesmo Campeonato, Mateus de Sá ganhou bronze no triplo.

O doping e o caso da Rússia

A IAAF divulgou comunicado nesta sexta-feira com a promessa de que investigará as denúncias de uma emissora de televisão da Alemanha, em que dirigentes e funcionários da Federação Russa de Atletismo são acusados de encobrir casos de doping, em troca de pagamentos. E promete providências, caso as denúncias se comprovem.

Casos de doping, sempre lembro, acontecem em praticamente todos os esportes em todos os lugares. No caso citado, é importante lembrar que se trata de um dos países mais fortes nos esportes olímpicos, com grande tradição no Atletismo. É natural, até por isso mesmo, que muitos se sintam tentados a procurar um caminho menos difícil de alcançar a ponta, o que se faz com o uso de doping. Às vezes dá certo, em outras os exames apontam a irregularidade. O fato é que dezenas de atletas russos cumprem suspensão por uso de doping atualmente.

Não faz muito tempo, a comunidade internacional sugeriu que países fortes como Jamaica (velocidade) e Quênia (meio fundo e fundo) tivessem apoio internacional para fazer uma “varredura” – isto é, que pudesse fazer mais controles, com eficiência. Como disse na época, acho que a ideia é boa.

Mas as denúncias do caso russo apontam para uma solução talvez mais eficiente: um organismo internacional, a própria WADA talvez, poderia ser responsável pela aplicação dos testes, em qualquer parte, em competições ou não. E outra entidade, quem sabe o CAS, funcionaria como tribunal.

Estas agências seriam ligadas, mas não subordinadas ao Comitê Olímpico Internacional. As federações internacionais e nacionais poderiam contribuir com informações para localização mais rápidas dos Atletas.

Acho que a luta seria mais eficiente, embora ninguém acredite na erradicação total do doping. Igualmente importante seria uma padronização mais clara das punições. De repente vemos penas pesadíssimas aplicadas, como os oitos anos de suspensão impostos a um velocista norte-americano, que depois viraram quatro anos.

Outras vezes há situações que causam dúvidas, como todo o barulho que envolveu recentemente a Jamaica e onde os atletas (todos conhecidos) pegaram penas pouco mais que simbólicas. Pode ser que tudo tenha ocorrido dentro da legalidade. Mas muitas vezes ficam dúvidas no ar e isso não é bom.

Aí entra a um problema sério, que é a falta de informação. Muitas vezes os próprios tribunais esportivos apresentam julgamentos contraditórios, porque mesmo entre os julgadores parece haver dúvidas. Outra coisa é que, à parte o uso desonesto de doping, falta informação também a atletas, treinadores, agentes etc.

E se quem é ligado diretamente aos esportes muitas vezes ignora as regras, podemos imaginar como é isso para o público em geral, que forma posições a partir de informações incompletas por parte da mídia. E passa a fazer juízo ruim de certas modalidades e nem sempre isso é justo. Porque é verdade que muitas Federações internacionais não fazem um controle intensivo do uso de substâncias proibidas. O que, é preciso reconhecer, o Atletismo faz.

Mas aí entra outro ponto: é preciso que a imprensa também se prepare melhor para informar sobre doping (e sobre muitas outras coisas, aliás).

Clubes, dirigentes e dinheiro

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Paulo Nobre foi reeleito presidente do Palmeiras. Sua administração é contestada. Mas parece que os eleitores não tiveram segurança para mudar. Preferiram ficar com o que têm, embora certamente esperem mudança na segunda gestão do dirigente.

Dizem que Paulo Nobre emprestou R$ 150 milhões ao clube. Não é uma boa política. Não sei, é verdade, qual era a situação, se havia alternativa. Embora seja melhor o dirigente emprestar ao clube do que tirar – só para lembrar o que aconteceu com outro presidente do Palmeiras há algumas décadas –, o Palmeiras precisa encontrar um caminho, que passa pelo pagamento do que deve a Nobre.

Aliás, por e tirar dinheiro do clube não é novidade em nosso futebol. Lembro um caso antigo, em que um presidente da Portuguesa dizia ter emprestado dinheiro ao time (isso foi há muito tempo, os atuais dirigentes estavam no colégio, talvez). Pois bem, perdeu a eleição e no dia seguinte, dois dos melhores jogadores da equipe (o zagueiro Ditão e o meia Nair) tiveram seus passes vendidos para o Corinthians por 300 milhões (dinheiro da época).

Nos anos 1970 era voz corrente que Vicente Matheus emprestava dinheiro ao Corinthians, endividado depois da gestão de Miguel Martinez, da qual o próprio Matheus fora diretor de futebol.

Esses são alguns casos que lembro. Certamente há muitos outros. Há um prosaico até. Fui – já disse aqui – repórter setorista na Federação Paulista, pelo Popular da Tarde e depois pela Folha. Numa assembleia dos clubes da segunda divisão, um senhor de seus 75, 80 anos dizia: “Tenho que colocar dinheiro no time, que já levou quase tudo que meu velho pai me deixou.”

Pois é, as histórias são muitas. Mas marcas como Palmeiras não podem depende do dinheiro de seus diretores. Ou alguém acredita que diretores de grandes empresas colocam seu dinheiro para resolver problemas de caixa? Claro que clubes de futebol não são (nem sei se devem ser) empresas. Mas são marcas importantes, que devem ter valor na praça.