Fora da Copa América. E agora?

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

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Li e ouvi muita gente falar que depois dos 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo o futebol mudaria no Brasil. “Ou muda ou acaba”, exageravam alguns. Então as mudanças começaram. Saiu Marin e entrou Del Nero na presidência da CBF. Dispensaram Scolari e Dunga voltou como treinador, acompanhado por Gilmar.

No plano internacional, as coisas também mudam e mudam a cada dia, tanto que Blatter voltou sem nunca ter saído.

Agora a seleção foi eliminada pelo Paraguai na Copa América. E os esperançosos de sempre já acreditam: “Agora vai mudar, porque perder da Alemanha, vá lá, mas do Paraguai, aí não dá”.

Espera aí: quer dizer que perder nos pênaltis para o Paraguai numa Copa América disputada no Chile é pior que o vexame dos 7 a 1 da Copa do Mundo em casa? Tenha dó, agora digo eu, assim é demais.

O fato é que temos de aceitar algumas coisas. Primeiro, vejamos os melhores jogadores. Se o que temos de melhor é Thiago Silva, David Luiz, Fernandinho, Filipe Luiz, William… Então o que podemos esperar é isso mesmo: uma vez a seleção ganha a Copa América, outra será eliminada pelo Paraguai. Se jogar melhor será eliminada pela Argentina…

O time de Dunga e a Seleção de 1970

Acervo/Gazeta Press

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Você falar de grandes times de tempos atrás, ainda que do passado recente, o deixará a um passo de ser chamado de saudosista. Na verdade, trata-se aqui de cultivar a memória, preservar a história. Muitas vezes afirmamos que nosso País não tem memória. Então, que tal evitarmos isso no esporte, em especial no futebol, que é nosso esporte mais popular?

Em post de ontem, a propósito da derrota brasileira para a Colômbia na Copa América e a suspensão de Neymar, lembrei da Seleção da fase seletiva à Copa do Mundo de 1970. Citei Gerson, um dos grandes jogadores daquele time, e de João Saldanha, o treinador. A Seleção classificou-se para a Copa do México com seis vitórias nos seis jogos em seu grupo seletivo na América do Sul.

Vamos repetir à exaustão que os tempos são outros. Mas no futebol daquele tempo, nosso time era o melhor entre os grandes. Hoje não somos os melhores e talvez fosse o caso de reconhecer que não estamos também entre os grandes.

Sei que pesa nos ombros do time atual os 7 a 1 levados da Alemanha em 2014, exatamente quando a Copa foi no Brasil. Não dá para minimizar, foi péssimo, indesculpável, está na história.

Mas dizem que sempre há uma porta de saída, por pior que seja o ambiente. Pois então: em 1966, na Copa da Inglaterra, o Brasil chegou como bicampeão e deu um vexame: caiu na fase inicial, com duas derrotas e uma vitória. No entanto, quatro anos depois, vários dos jogadores de 1966 brilharam no México, caso de Gerson, Tostão, Jairzinho, Brito, além do rei Pelé.

Agora, o time de Dunga tem quase todos os jogadores do elenco da Copa de 2014. Pode até ser que alguns dos jogadores se recuperem na seleção e façam alguma coisa grande no futuro. De qualquer forma, precisam encontrar a porta da saída. E também poderão fazer o máximo que seu potencial permitir, não mais que isso.

Bem diferente da Seleção de 1970, que podia fazer tudo. Por sinal, hoje faz 45 anos que aquele esquadrão brasileiro conquistou em definitivo a Copa Jules Rimet, no Estádio Azteca.

Pois é, tem o Neymar

Mowa Press

Mowa Press

Seleção Brasileira perde para a da Colômbia na Copa América do Chile. Neymar é suspenso por quatro jogos. Os tempos são outros. A própria mídia brasileira admite que a Colômbia conta com maior número de jogadores de qualidade, como James Rodriguez e Cuadrado. Enquanto isso, no time de Dunga só Neymar está acima da mediocridade. E agora sem o craque do Barça as perspectivas estão longe de serem boas.

Pode ser que o time aplique uma goleada na Venezuela e tudo se anestesie por mais um tempo. Mas não há razão para grandes esperanças, classificando-se a Seleção para a próxima fase da Copa ou não.

Eram outros tempos, mas em 1969 a Colômbia estava no grupo do Brasil para as seletivas à Copa do Mundo do México. Em Bogotá, às vésperas do jogo de ida, Gerson disse em uma entrevista que o time colombiano não era adversário para o Brasil. Os repórteres foram repercutir a declaração com João Saldanha, o treinador, que tratou de amenizar: “Vejam bem, a Colômbia tem até um bom jogador, o ponta esquerda Tato González”.

Loureiro Júnior, comentarista da Rádio Gazeta à época não perdeu a piada: “Gerson e Saldanha falaram a mesma coisa, a Colômbia tem um bom jogador só, logo o time não preocupa”. Dito e feito: o Brasil ganhou os seis jogos de seu grupo e foi ao México ganhar o tricampeonato em 1970.

A situação hoje é outra, claro. Fico pensando: será que estão perguntando do Brasil ao atual treinador colombiano? Numa dessas, ele diz que “o Brasil tem até um jogador muito bom, o Neymar”… Pois é, tem o Neymar… E ele já está fora da Copa.

A conquista de Thiago Braz em Roma

Wagner Carmo / CBAt

Wagner Carmo / CBAt

Thiago Braz competiu com segurança  no Estádio Olímpico de Roma e conseguiu não apenas o segundo lugar na etapa italiana como ainda bateu o recorde sul-americano do salto com vara. O saltador paulista marcou 5,86 m e melhorou em três centímetros seu recorde sul-americano anterior. À sua frente, apenas o número 1 do mundo, Renaud Lavillenie, ganhador da prova com 5,91 m.

Interessante notar a trajetória de Thiago na prova. Ele pulou a marca inicial, de 5,41 m, e passou 5,56 e 5,71 m na segunda tentativa. Passou 5,81m na terceira. No entanto, fez 5,86 m na primeira. Ainda tentou 5,91 m, mas não obteve êxito.

Mais uma vez, ele se coloca como uma das grandes esperanças do atletismo nacional, seja ara o PAN, no Canadá, no mês que vem, seja para o Mundial de Pequim, em agosto. Todo o trabalho visa, porém, uma medalha nos Jogos do Rio em 2016.

Ele entra, assim, naquela seleta lista, de nomes com chance de brilhar nos grandes eventos. Atletas como Fabiana Murer (salto com vara), revezamento 4×100 m feminino, um maratonista no masculino, 4×400 m masculino, Duda da Silva no salto em distância (se escapar das lesões que o têm atrapalhado), Augusto Dutra ( também do santo com vara).

A lista olímpica ganha mais nomes

Aos poucos vai crescendo a lista de atletas qualificados para os Jogos do Rio 2016. Agora foi Thiago Braz, que marcou 5,75 m no salto com vara, na etapa tcheca do IAAF World Challenge em Ostrava. Thiago, recordista sul-americano com 5,83 m, já havia vencido o Troféu Brasil na Arena Caixa, em São Bernardo do Campo, com 5,65 m.

Assim, Thiago obteve não apenas o índice olímpico, como também as marcas de corte para o Campeonato Mundial de Pequim, em agosto próximo e para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em julho. No feminino, Fabiana Murer já havia alcançado os índices no Troféu Brasil. Dois outros nomes são favoritos a também garantirem vaga na Seleção do Mundial e da Olimpíada entre os homens: Augusto Dutra e Fábio Gomes da Silva.

A comemorar igualmente os bons resultados na velocidade, principalmente com Ana Cláudia Lemos e Rosângela Santos, também qualificadas para Olimpíada Mundial e PAN. Além da grata surpresa que foi Vitória Rosa que obteve seu lugar entre as já garantidas nas listas. E tem ainda Franciela Krasucki, já recuperada da dengue e que proximamente pode obter os índices.

No masculino, Vitor Hugo dos Santos, estabeleceu novo recorde pessoal com 10.22 nos 100 m e, embora ainda juvenil, parece já ter assimilado a nova condição de atleta de ponta entre os velocistas do País e esperança de alcançar nível mundial.

Estes são alguns dos nomes que já estão entre os convocáveis para o Rio 2016. Há outros já qualificados, além daqueles que proximamente também garantiram suas posições entre os nomes com índice. Voltaremos ao assunto em novos posts.

O que é pior para Dudu

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Então, 180 dias de suspensão é um exagero para Dudu? Por quê? Oras, por que é jovem. E depois, ele nem agrediu o árbitro com tanta força assim…

Com as exceções de praxe, o pensamento acima é dominante – ou pelo menos intenso – na imprensa esportiva e vem sendo disseminado pelas várias mídias. Então, tá. E o fato de que houve realmente uma agressão, pelas costas, a denotar uma covardia que espero não ser própria do caráter do jogador?

Em primeira instância, o palmeirense foi condenado à pena de 180 de suspensão. Cabe recurso como em qualquer país democrático, como o Brasil. Mas o que esperar dos advogados do clube? Vão negar a agressão que todo mundo viu?

E as palavras de Dudu, na saída do Tribunal? “O pessoal (do departamento jurídico do clube) vai trabalhar para reverter isso.” Nenhum reconhecimento do erro e nem um pedido de desculpas – pelo menos naquele momento. A mim pareceu que ele não entendeu ainda o que fez. Ou, o que também não é bom, acha que não fez nada de mais.

Numa situação como essa, abrandar a pena talvez seja ruim até para a formação e a história do próprio atleta.

Vamos ver como isso terminará.

Bom desempenho do Brasil no Mundial de Revezamentos

AFP

AFP

Boa participação do Brasil no Mundial de Revezamentos disputado neste fim de semana em Nassau, nas Bahamas. A exemplo do que aconteceu na primeira edição do Mundial em 2014, as quatro equipes dos revezamentos olímpicos na final. Com isso, o País garantiu sua vaga nestas provas na Olimpíada do Rio 2016.

Mais uma vez, a melhor colocação foi do 4×100 m masculino, com o quarto lugar, com 38.63. Outro bom desempenho foi o do 4×400 m masculino, quinto com 3:00.96.

No feminino, o 4×100 ficou em sexto lugar com 42.92, boa marca. No 4×400 m, o oitavo lugar foi normal, com 3:31.30.

No 4×100 m, tanto o time masculino como o feminino podem melhorar muito. Assim como o 4×400 m, que não pôde contar com Anderson Henriques, principal corredor de 400 m do País.

Mediocridade é geral

Houve um tempo em que os jornalistas esportivos eram talvez os únicos que não sofriam censura na imprensa brasileira. Aliás, sofriam às vezes, quando trabalhavam em jornal – ou emissora – eventualmente inimigo de determinado dirigente. Em outras ocasiões o problema era o chefe da redação, que não gostava deste ou daquele jogador ou técnico. No geral, porém, pode-se afirmar que o jornalismo esportivo não sofria a censura que se abatia pesadamente contra o pessoal das editorias de política, economia ou da área cultural.

A introdução acima é para falar de outro problema – além de dificultar a liberdade de expressão – que a ditadura civil-militar, que vigorou no Brasil de 1964 a 1985, provocou: limitou o surgimento de lideranças na sociedade civil, aqui incluído o esporte, importante atividade humana. Especialmente o futebol.

Só isso, me parece, explica a mediocridade geral dos atuais dirigentes do futebol nacional, com as exceções que sempre existem. Vejam o caso da CBF, a mais importante confederação esportiva do País, poderosíssima financeiramente. Está desde ontem na Gazeta Net: sai (José Maria) Marin e entra (Marco Polo) Del Nero na presidência da entidade… Marin há três anos substituiu Ricardo Teixeira, que pegou o lugar de Otavio Pinto Guimarães.

Ora, o último presidente da CBF que tinha, vamos dizer, “nível de seleção”, foi o antecessor de Guimarães: Giulite Coutinho. Depois, deu no que deu. Se os raríssimos leitores destas mal traçadas analisarem, verão que a mediocridade antes referida se repete também nas federações estaduais e nos clubes.

Por sinal, foi da presidência da Federação Paulista que saíram Marin e Del Nero… Federação Paulista que nos anos 1970 teve presidentes como José Ermírio de Morais Filho e Alfredo Metidieri. José Ermírio e Metidieri que, se não eram dirigentes talentosos, ao menos exerciam a atividade por vocação e não por profissão, como parece ser o caso de Marin e Del Nero. Este, aliás, leio que terá salário mensal de 200 mil reais. Aí está, ao que tudo indica, um dirigente com salário de jogador de futebol.

Rio 2016, daqui a 500 dias

murer_300x250_fdNesta terça-feira (dia 24) estaremos a exatos 500 dias para a festa de abertura da Olimpíada do Rio 2016. É inevitável que saiam as listas com possíveis ganhadores de medalhas. O Brasil será a sede dos Jogos e a expectativa é com a capacidade de o País alcançar a meta do COB: ficar entre os 10 primeiros no quadro de medalhas.

Objetivo possível, desde que as coisas aconteçam conforme lógica. Zebras, assim como bruxas, existem. Uma das maiores aconteceu em Barcelona 1992, quando o superastro Sergey Bubka foi eliminado na qualificação do salto com cara.

Mas as análises não podem evidentemente trabalhar com as possibilidades de zebras. A lógica deve nortear o pensamento. E um esporte em que a lógica prepondera este é o Atletismo.

Assim, é natural que nas listas que circularão nos próximos dias Fabiana Murer apareça entre as candidatas a dar ao Brasil um lugar no pódio. Razões não faltam. Em 2014 ela não apenas venceu a Liga Diamante, o principal circuito internacional, como terminou em primeiro lugar no Ranking Mundial com 4,80 m. Ela começou bem 2015, como novo recorde sul-americano indoor, com 4,83 m.

É candidata a obter bons resultados no PAN de Toronto em julho e no Mundial de Pequim em agosto. E candidatíssima a uma medalha olímpica em 2016. Claro que sempre terá adversárias duríssimas, a começar pela russa Elena Isinbayeva, recordista mundial, e a norte-americana Jennifer Shur, ouro olímpico em Londres.

Como Fabiana, entram nas listas naturalmente Arthur Zanetti (ginástica artística), Cesar Cielo (natação), Martine Grael (vela), Mayra Aguiar (judô), as seleções de vôlei e do handebol feminino.

Dia Internacional da Mulher e as grandes atletas do Brasil

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Neste domingo o mundo comemora o “Dia Internacional da Mulher”. Desde a década de 1960, o dia 8 de março se consolidou como aquele em que lembramos as conquistas femininas e o que ainda se deve fazer para que haja maior igualdade entre os gêneros. Em todas as nações e no Brasil isto é eloquente, as mulheres têm obtido grandes conquistas. Em nosso País, por sinal, uma mulher – Dilma Rousseff – ocupa a Presidência da República.

No esporte, as mulheres deram grandes passos. Os Jogos Olímpicos Modernos são uma boa amostra: se na primeira edição, em Atenas-1896, nenhuma mulher participou, em Londres-2012 as mulheres eram cerca de 45 % do total de atletas.

No Atletismo há muito tempo o Brasil revela talentos. Um dos primeiros nomes a alcançar nível internacional foi Elisabeth Clara Muller, que disputou a Olimpíada de Londres-1948. Em 1964, Aída dos Santos foi a quarta colocada no salto em altura, melhor desempenho olímpico de uma brasileira por mais de três décadas. Em Pequim-2008, Maurren Maggi foi campeã do salto em distância e tornou-se a primeira brasileira a conquistar um título olímpico em evento individual. Fabiana Murer foi campeã do salto com vara tanto no Mundial Indoor, em Doha-2010, como no Mundial de Atletismo, em Daegu-2011.

Em 2012, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) publicou o livro “Mulheres no Pódio”, onde conta a história do esporte feminino no País e das suas principais expoentes.

Nos demais esportes também é grande o número de atletas importantes. Maria Lenk é um símbolo na natação. Paula e Hortência estão entre as maiores do basquete mundial, da mesma forma que Ana Moser no vôlei, Marta no futebol e agora, entre muitas outras, Martine Grael no iatismo e Eduarda Amorim no handebol.