Gazeta Esportiva

José Antonio Martins Fernandes foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Atletismo para o mandato 2013/2016. Ele substituirá o atual titular, Roberto Gesta de Melo. Conforme o estatuto da entidade, Gesta permanecerá no cargo até o 1º trimestre do ano que vem.

Fato inédito no esporte brasileiro, atletas tiveram direito de voto. Assim como representantes dos treinadores, dos árbitros e dos clubes. Além, é claro, dos presidentes das Federações Estaduais de Atletismo. Portanto, em ver dos tradicionais 27 eleitores, o colégio eleitoral foi ampliado para 45 integrantes. Destes, 44 estavam aptos a participar da Assembleia Geral da última sexta-feira, dia 10, e 41 compareceram. Destes 41 eleitores, 40 votaram na chapa de Toninho/Warlindo Carneiro, apoiada por Gesta. Houve uma abstenção.

Uma das coisas que mais se pede quando se fala em democratizar as entidades esportivas é que representantes dos atletas possam votar. No caso do Atletismo, têm direito a voto os medalhistas olímpicos. Além de votar na eleição, eles são membros plenos da Assembleia Geral e participam de todas as decisões da CBAt.

Aliás, foi também o Atletismo quem abriu espaços amplos para a manifestação de todas as áreas da modalidade. Tanto que, nos últimos oito anos, foram realizados quatro Fóruns, que dão o norte às ações da Confederação. Cada um desses Fóruns teve perto de 200 participantes, sempre com maioria de atletas. O V Fórum Atletismo do Brasil, por sinal, será este ano.

A notícia já tem alguns dias. Foi uma provocação da revista “Sport Illustradet”. Eles criaram um ranking do futebol mundial e colocaram Pelé, o rei, em 4º lugar. Fez pior. Colocou dois argentinos em 1º e 2º: Messi e Maradona, pela ordem, e em 3º o holandês Cruyff. O segundo brasileiro está na 18ª posição, é Zico.

Ora, alguém já escreveu, com razão, que a revista norte-americana entende pouco de futebol. Também é verdade que não há reparos a se fazer ao futebol dos três primeiros. Mas nós, brasileiros, jamais aceitaremos que possa haver algum outro jogador de futebol tão bom quanto Pelé. E também estamos certos: não houve, não há e não haverá jogador como o rei. Primeiro porque é verdade, depois porque, mesmo que isso fosse possível, nós não aceitaríamos.

Sempre que tenho oportunidade converso com colegas a respeito, daqui e do exterior. Com exceção dos argentinos, apenas um outro colega que colocou Pelé em 2º. Era um jornalista português. Mas italianos, espanhóis, franceses… enfim, essa gente toda acha impossível alguém tirar a primazia do rei.

Mas, além do pecado pesadíssimo de não colocar o rei no topo, a revista ainda colocou Garrincha em 28º lugar! Isso já nem é mais erro, é quase um crime. Nas minhas modestas pesquisas, porém, feita com gente série, Garrincha é sempre colocado como um dos cinco melhores da história. Depois de Pelé, entram Maradona, Garrincha, Cruyff e Beckenbauer.

O Brasil é um País capitalista, com o que isto significa de bom e de ruim. O fato de vivermos numa democracia permite que se possa atenuar um pouco os aspectos amargos do regime, já que permite a luta por reparação de eventuais injustiças. Assim, por exemplo, um trabalhador pode recorrer à Justiça contra uma decisão do empregador. Claro, todos sabemos, que o acesso ao Poder Judiciário, a começar pela contratação de um bom advogado, é muito desigual. Quem tem mais recursos obviamente tem chances maiores de vencer uma disputa nos tribunais.

O escrito acima é para lembrar que, há mais de 30 anos, no POP, um jornal esportivo que não existe mais, fez-se uma série de discussões sobre os salários dos jogadores de futebol, que no final da década de 1970 estavam “muito altos”. Os debates foram transmitidos por uma rádio da época – me perdoem, mas não lembro qual, era uma emissora pequena.

Na ocasião, um dos debatedores, depois de tomar o cuidado de dizer que “ninguém tem nada a ver com o salário alheio”, mandou brasa: “Mas tem exageros, soube que tem jogadores que ganham mais que o Presidente da República.”

O antigo colega era bom repórter, mas não acompanhava bem os bastidores. Já à época, a maioria dos jogadores dos “times grandes” ganhava bem mais que o Presidente, então o general João Figueiredo.

Imagino a surpresa do mesmo jornalista a partir do começo dos anos 1990. Agora ainda deve estar aturdido, se leu nos últimos dias que Thiago Neves estaria trocando o Flamengo, onde – estava escrito na matéria dos melhores sites do ramo – ganhava R$ 580 mil, para voltar ao Fluminense, com salário mensal de R$ 720 mil.

Admito que os altos salários dos jogadores de futebol não são novidade, mas assustam. Mas quando vejo que um jogador realmente bom, sem dúvida, mas que, a bem da verdade, não é um craque, ganha mais que R$ 700 mil por mês, fico preocupado. Em algum momento a conta não tem como fechar. Aí entram as denúncias já antigas, tão antigas que poucos ainda comentam, de que o futebol, assim como o cinema e outras atividades, é o mundo onde o dinheiro é “lavado”, ou seja, ganha cara legal. Pois é, as estrelas do cinema também ganham milhões. Li que o cachê de Julia Roberts (quando estava no auge) chegava a 15 milhões de dólares.

Voltando ao capitalismo. Se fosse legalmente possível pensar num projeto de lei que limitasse os salários abusivos, os advogados dos atingidos reagiriam com um argumento fatal: “Se a lei não impõe limite ao lucro, pode limitar os salários?”

De qualquer forma, sobra para muitos este descontrole, como o aumento dos custos dos produtos e serviços, casos dos ingressos para o cinema ou jogos dos campeonatos. E especificamente, no caso de Thiago Neves e Fluminense, sobra para os clientes Unimed, patrocinadora da equipe e, acho, maior plano de saúde do Brasil. Quem é cliente Unimed sabe das restrições impostas ao atendimento e os aumentos nas mensalidades.

E aí? Aí não tem jeito.

Gostei do novo percurso  da São Silvestre. É mais rápido, isso já se esperava. Os resultados foram normais. Não entendo  os que ficaram decepcionados com os resultados de Marilson dos Santos – 8º colocado com 45:06 – ou mesmo com Martin Lel – 4º com 44:28.

É preciso entender que atletas como Marilson e Lel são essencialmente maratonistas, embora tenham bons resultados em corridas mais curtas, tipo 10.000 m em pista, 15 km e meia maratona na rua.

No entanto, quando confrontado com fundistas como Tariku Bekele, para uma prova com a distância da São Silvestre, eles naturalmente perdem a condição de favoritos. Porque Bekele – campeão mundial indoor dos 3.000 m – embora resistente, como todo fundista, tem muito mais velocidade que o brasileiro ou o queniano.

Claro que isso não é absoluto, há e sempre houve maratonistas muito rápidos, capazes de vencer provas mais curtas. Vários deles fizeram história em Olimpíadas e na São Silvestre, basta lembrar Zatopek, Franck Shorter, Carlos Lopes, para ficar apenas em três campeões olímpicos também ganhadores da São silvestre.

Mas no geral, um corredor como Bekele, que é muito forte também nos 10.000 m, por exemplo, tende a levar vantagem sobre maratonistas, quando se defrontam numa distância de 15 km.

Penso que Marilson está certo quando diz que tem que pensar acima de tudo na Olimpíada de Londres. Ele está com vaga assegurada, por ser top 30 mundial na prova em 2011. E bem preparado, ele pode obter uma boa colocação na capital britânica.

Já correu a tradicional Maratona de Londres e terminou entre os 10 primeiros. Aliás, seus recordes pessoais ele bateu e depois superou na cidade-palco da próxima maratona olímpica.

Nota: Escrevi este texto na tarde do dia 31, mas uma repentina falta de energia me deixou fora do ar e sem condições de postar o comentário, que segue abaixo:

Daqui a algumas horas estaremos em 2012. A maioria de nós estará na mesma casa, no mesmo trabalho, com os mesmos sonhos e preocupações. O costume é desejar sempre que o próximo ano seja melhor do que o que está acabando. E seria estranho se o desejo fosse outro.

2012, porém, tem uma particularidade: ele é bissexto. Quer dizer, fevereiro terá 29 dias. E nos lembra de que será ano de Olimpíada, em Londres. E nos remete ao pensamento de que depois da capital britânica os Jogos serão disputados no Rio, em 2016.

É tempo, portanto, de refletir sobre os anos olímpicos. Pensar no que a realização dos mesmos pode mostrar em termos de evolução do esporte e do próprio ser humano.

Para mim, neste sentido, os Jogos de Barcelona em 1992 foram paradigmáticos. Conheci a cidade antes, em sua preparação para o evento. E fui acompanhar as competições, por “A Gazeta Esportiva”, antecessora do Portal GE.Net.

Sei que o custo foi alto para a cidade e para a Espanha. Mas as melhorias foram inegáveis em benefício dos habitantes e dos visitantes. Os Jogos marcaram a entrada no torneio masculino de basquete do dream team norte-americano, com Michael Jordan, Magic Johnson e cia.

Mas o momento mais emocionante, que lembro, foi eternizado numa foto que correu o mundo. A troca de beijos entre a bela negra etíope Derartu Tulu e a bela branca sul-africana Elana Meyer, ao final dos 10.000 m, prova vencida por Tulu (que anos depois ganharia a São silvestre), com Elana vice-campeã.

Elana que representava ali um país que retornava aos palcos olímpicos, após derrubar o indefensável regime do apartheid, que fazia 18 milhões de negros cidadãos de segunda classe frente à minoria branca.

Não por acaso, um ilustre estadista presenciou os Jogos da tribuna de honra: Nelson Mandela, recém-saído da prisão para a presidência da África do Sul.

Esperemos que Londres e depois o Rio façam Jogos inesquecíveis nas pistas, quadras, piscinas, campos, ringues, raias etc. Mas que as obras sejam úteis para o povo e que o homem possa subir mais um degrau em sua evolução moral. Até porque o custo sempre é alto, assim como foi para Barcelona.

Fernando Dantas/Gazeta PressMarilson Gomes dos Santos pode se tornar o primeiro brasileiro a ganhar quatro vezes a Corrida de São Silvestre. Na mais charmosa prova da América Latina, promovida pelo portal Ge.Net, disputada em 31 de dezembro, Marilson pode ser considerado o principal representante brasileiro na história da corrida. Nestor Gomes, nos anos 1930, também foi três vezes campeão. À época, porém, apenas corredores brasileiros participavam.

É certo, porém, que Nestor Gomes foi um dos principais fundistas do País em sua época. A afirmação é de testemunhas e estudiosos, como Osvaldo Pizani. Em 1945 e 1946, os dois primeiros anos em que estrangeiros competiram, teve Sebastião Alves Monteiro como bicampeão. Depois, o Brasil só conquistaria novamente o título em 1980, com José João da Silva, que venceu também em 1985.

Marilson, se vencer novamente, igualará as marcas de Gaston Roelants (Bélgica), Vitor Mora (Colômbia) e Rolando Vera (Equador), todos tetracampeões. O recorde absoluto permanece com o astro queniano Paul Tergat, dono de cinco títulos.

Tergat, por sinal, só não venceu cinco vezes seguidas porque um jovem corredor brasileiro ousou ficar em 1º lugar em 1997: Emerson Iser Bem. João da Matta, Ronaldo da Costa e Franck Caldeira são os outros brasileiros ganhadores da prova em sua fase internacional.

Marilson terá adversários difíceis, como o queniano Martin Lel. Outros estrangeiros e brasileiros certamente serão concorrentes difíceis. É o caso de Giovani dos Santos, bronze nos 10.000 m no PAN disputado de Guadalajara, quando o próprio Marilson ganhou.

Por fim: aos poucos e generosos leitores deste blog desejo, de coração, um Feliz Natal. Aos colegas blogueiros aqui da GE também faço votos de Boas Festas. Gostei muito de retomar contato este ano com grandes amigos. Aqui no caso, com Flávio Prado, a quem conheço desde os tempos em que estudávamos jornalismo na Cásper Líbero. Ao pessoal da redação, ao Júlio Deodoro, ao Erick e aos demais colegas também. Fica o sentimento pela partida do Walter Pimentel e vai um abraço aos seus colegas de trabalho lá do Departamento.

Volto na semana que vem.

Não houve surpresas na entrega do Prêmio Brasil Olímpico 2011, na noite desta segunda-feira 19, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Os principais favoritos levaram os prêmios principais, com justiça. Fabiana Murer, pelo segundo ano consecutivo, ganhou como “Melhor Atleta – Feminino” e César Cielo venceu no masculino.

Fabiana Murer concorria com Maurren Maggi, também do Atletismo, e Fabiana Beltrame, do remo. As três finalistas tinham mérito, mas Murer tinha o título mais vistoso e importante da temporada: ouro no salto com vara no Mundial de Atletismo de Daegu. Com isso, levou o troféu pelo segundo ano consecutivo.

Cielo também venceu os 50 m estilo livre no Mundial de Xangai, prova que também ganhou no PAN. Era uma vitória esperada, embora o ginasta Diego Hypólito e Emanuel, do vôlei de praia, também tenham vivido uma boa temporada.

O “Troféu Adhemar Ferreira da Silva”, instituído em homenagem ao bicampeão olímpico do salto triplo, foi ganho por Bernard Rajzman, ex-jogador de vôlei, medalha de prata no vôlei nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984.

O Barcelona mereceu o título mundial conquistado com a vitória por 4 a zero sobre o Santos, neste domingo, no Japão. Dominou completamente o jogo, no que, aliás, só confirmou seu favoritismo. O time catalão mostrou, novamente, que é a melhor equipe do mundo. E Messi nem precisava provar que é o principal jogador do planeta, embora tenha demonstrado isso mais uma vez.

O Santos não conseguiu jogar.

Isto quer dizer que o time da Vila é ruim? Claro que não. Apenas mostra que os brasileiros, que já não estavam bem no Campeonato Brasileiro, não conseguiram a superação, que seria a única forma de encarar com alguma chance o rival. Já o Barcelona está muito bem no certame espanhol e derrotou o Real em Madri, antes de viajar ao Japão.

Neymar não foi bem e humildemente reconheceu ao fim do jogo. “Tivemos uma aula de futebol”, disse. Mas Neymar continua sendo um craque, simplesmente o melhor do Brasil. O que não é pouco.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Fabiana Murer

Fabiana Murer, Maurren Maggi e Fabiana Beltrame concorrem ao prêmio “Melhor Atleta do Ano-2011”, no feminino. Entre os homens, disputam o nadador Cesar Cielo, o ginasta Diego Hypólito e Emanuel Rego, do vôlei de praia. Os seis merecem o prêmio, mas cada um evidentemente tem os seus preferidos.

No feminino, especialmente, a disputa será dura. Fabiana Murer deu ao Brasil o primeiro título em um Mundial de Atletismo outdoor, ao vencer o salto com vara. No ano passado, quando ganhou o prêmio, ela havia conquistado o título mundial indoor, a primeira sul-americana a ostentar tal feito no currículo.

Maurren Maggi, a campeã olímpica em Pequim, este ano ganhou o tricampeonato no salto em distância nos Jogos Pan-Americanos. Ganhadora do prêmio em 1999 e 2008, Maurren é a primeira mulher do Atletismo nacional a conquistar o tri no PAN.

E Fabiana Beltrame foi campeã mundial no remo, um dos primeiros esportes praticados no Brasil, tanto que os dois clubes mais populares do Rio de Janeiro têm a palavra “Regatas” no nome: Flamengo e Vasco.

O público pode participar da escolha. Para votar, basta entrar no site: www.cob.org.br

DOUTOR SÓCRATES

No próximo dia 14, a Boitempo Editorial lança reedição do livro “Democracia Corintiana – a utopia em jogo”, escrito pelo Dr. Sócrates – que nos deixou no domingo passado – em parceria com o jornalista Ricardo Gozzi.

A Boitempo está de parabéns por trazer de volta um pouco do que foi aquele período fértil da história do Corinthians. O movimento “Democracia Corintiana” mudou, no início da década de 1980, a relação elenco-comissão técnica-diretoria.

Para um País, que ainda buscava sair de uma ditadura, em seus estertores, é verdade, a prática até radical da democracia, num ambiente notadamente conservador como o futebol, foi importante.

Mais informações no site: comunicação@boitempoeditorial.com.br

TITE

Leio que membros da oposição no Corinthians criticam o técnico Tite, que levaria “tumulto ao vestiário”. Não frequento vestiários de nenhum time de futebol, portanto, não posso avaliar a declaração do opositor.

Mas acho que, por um momento, deveriam fazer oposição com os fatos políticos de que dispõem, e que podem levá-los ou não ao poder no clube. Porém, eles devem respeitar o Tite, um técnico campeão, que tem o estranho e bom hábito de responder perguntas educadamente.

Fui repórter setorista do Corinthians em duas temporadas, nos tempos de Sócrates no time. Em 1979, quando em trabalhava no “POP”, e o Doutor fazia dupla de ataque com Palhinha. Depois, em 1982, pela “Folha”, então já nos tempos da Democracia Corintiana, quando seu companheiro de frente era Casagrande, recém-saído dos juvenis.

Uma coisa que lembro bem é que o mesmo Sócrates que lutava pela redemocratização do País, ao lado personalidades da vida pública brasileira, também atendia igualmente os repórteres, de qualquer veículo.

Numa tarde qualquer de 1979, depois do treino no campo do Parque São Jorge, perguntei se ele já tinha escolhido as músicas para um disco que iria gravar. Um disco com músicas caipiras. “Gostaria de gravar ‘Mágoa de Boiadeiro’, mas ainda não está certo”, explicou.

Tenho boa lembrança do futebol nos últimos 45 anos. Entre todos os craques que, nesse tempo, brilharam no Corinthians, os dois maiores que vi foram Rivelino e Sócrates, nada menos que geniais.

O Doutor fará muita falta. Não apenas pelo jogador que foi e por seu trabalho como colunista, na Revista “Carta Capital”. Mas, principalmente, por sua coragem em se posicionar frente aos grandes assuntos que interessam ao esporte e à sociedade brasileira em geral.