O tricampeão Marilson dos Santos

Mais uma conquista para o brasiliense Marilson Gomes dos Santos. Com o título obtido na São Silvestre 2010, ele tornou-se o primeiro brasileiro tricampeão, desde que a prova passou a ter corredores estrangeiros, em 1945, pois venceu também em 2003 e 2005. Desde então, temos, ainda, dois bicampeões: Sebastião Alves Monteiro (1945 e 1946) e José João da Silva (1980 e 1985). Outros quatro atletas ganharam uma vez: João da Matta (1983), Ronaldo da Costa (1994), Emerson Iser Bem (1997) e Franck Caldeira (2006).

Marilson já está na história do atletismo nacional como um de seus principais fundistas. Afinal, ele foi provado também em eventos de primeira linha no exterior, como mostram suas vitórias na Maratona de Nova York em 2006 e 2008. Sem dúvida, é o mais importante dos corredores de rua sul-americano, capaz de estabelecer todos os recordes da área, dos 10 km à maratona.

Ele ofereceu a vitória ao filho, esperado para o mês que vem. Sua mulher, Juliana dos Santos, ouro nos 1.500 m no PAN 2007, este ano bateu o recorde nacional da prova, com 4:07.30. O casal termina 2010 e começa 2011, portanto, com muito que comemorar.

Sobre a corrida, transmitida pela TV Gazeta e pela Globo, todos viram que Marilson correu com categoria e segurança. Depois que assumiu a liderança, deixou sem chances de alcançá-lo.

Bom resultado também da campeã no feminino, a queniana Alice Timbilili, que marcou 50.19 e superou em sete segundos o recorde anterior da prova, que pertencia a Hellen Kimayo, do mesmo país, desde 1993.

Assim, o atletismo brasileiro, que começou bem a temporada com as medalhas de Fabiana Murer e Keila Costa no Mundial Indoor do Catar, termina com uma vitória no evento mais importante do pedestrianismo latino-americano. Parabéns ao Marilson e a seu treinador, Adauto Domingues.

Você vai correr a São Silvestre?

Fabiana Murer ganhou mais um prêmio: Melhor Atleta de 2010 no feminino, na tradicional pesquisa de fim de ano do jornal “O Estado de S. Paulo”. Ela já levara o “Brasil Olímpico” do COB, Melhor da América Latina pela agência cubana “Prensa Latina”, um dos 100 destaques brasileiros da temporada pela “Revista Época”. Para a IAAF, foi um dos 10 nomes da temporada feminina no atletismo. Tudo muito justo. Muito bom também que ninguém perguntou à grande saltadora se ela vai correr a São Silvestre.

Comento isso rapidamente porque perguntaram, em um antigo programa de televisão, a uma atleta recém-ganhadora de medalha no PAN se ela iria correr a São Silvestre daquele ano. Gentilmente, a velocista explicou que a corrida era para fundistas, atletas cuja principal característica é a resistência.

O fato serve, de qualquer modo, para comprovar a importância da prova na história do atletismo nacional. A competição é associada à prática atlética comum, o que não desculpa a ignorância do jornalista daquele programa.

Mas a mística da corrida criada em 1925 por Cásper Líbero é provada principalmente pelos grandes fundistas brasileiros. Basta lembrar que Vanderlei Cordeiro de Lima, ganhador de heroica medalha na maratona olímpica de Atenas, em entrevista logo depois da conquista falou que seu desejo, a partir daquele momento, era ganhar a São Silvestre.

Vanderlei é um dos grandes nomes do esporte do País, mas nunca ganhou a São Silvestre. Aliás, desde que a prova se tornou internacional em 1945, a glória do lugar mais alto do pódio, foi alcançada por um número seleto de brasileiros: Sebastião Alves Monteiro em 1945 e 1946, José João da Silva em 1980 e 1985, João da Matta em 1983, Ronaldo da Costa em 1994, Emerson Iser Bem em 1997, Marilson dos Santos em 2003 e 2005, Franck Caldeira em 2006.

Dois destes campeões correm na 86ª São Silvestre, amanhã: Marilson e Franck. Líder do Ranking sul-americano dos 5.000 m, dos 10.000 m e da maratona, Marilson parece estar em melhor forma. Mas o queniano James Kipsang Kwambai, ganhador nos dois últimos anos, é candidato natural ao tricampeonato e principal adversário do brasiliense.

No feminino, que teve sua prova disputada pela primeira vez em 1975, o grande destaque é a campeã de 2007 Alice Timbilili, queniana como Kwambai.

Pois é. A São Silvestre em sua história quase secular teve vários percursos, diferentes quilometragens, trocou a noite pela tarde, ganhou congêneres pelo mundo todo, mas mantém a tradição: é de longe a mais procurada prova da América Latina.

Adhemar e Eder, uma festa são-paulina no Rio

O “Prêmio Brasil Olímpico” será entregue na noite desta segunda-feira 20 no Teatro do MAM, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a festa, o maior pugilista brasileiro da história, Eder Jofre, receberá o Troféu Adhemar Ferreira da Silva.

Criado em homenagem ao grande triplista bicampeão olímpico nos anos 1950, Eder receberá a honraria porque, em 2010, sua primeira grande conquista completou 50 anos: foi em 1960 que Eder, em Los Angeles, ganhou seu primeiro título mundial (na categoria galo), ao derrotar o mexicano Eloy Sánchez.

Há uma coincidência interessante, para alegria da torcida são-paulina. Tanto Adhemar como Eder foram revelados pelo Departamento de Esportes do Tricolor. Adhemar começou em 1945, com o treinador Dietrich Gerner, e fez parte da equipe que deu ao São Paulo FC o primeiro título do Troféu Brasil de Atletismo.

Eder começou no começo da década seguinte na academia do clube e teve como técnico seu pai, Kid Jofre. Ele manteve o título mundial dos galos por cinco anos. Em 1973, quatro anos depois de voltar aos ringues, ganhou o título mundial dos penas, ao derrotar o cubano naturalizado espanhol José Legra.

O fato é que, depois do futebol, razão da criação do clube nos anos 1930, o atletismo e o boxe sempre foram os esportes de alta competição do São Paulo. Na mesma época, Palmeiras (com Edson Bispo e cia.) e Corinthians (Wlamir, Ubiratã e muitos outros) tinham o basquete como segundo esporte, e formaram esquadrões que rivalizavam com o EC Sírio, de Menon, Sucar e demais craques.

Ainda no “Brasil Olímpico”, serão premiados Elson Miranda de Souza, especialista em salto com vara e eleito melhor treinador de esporte individual, e sua pupila e companheira Fabiana Murer: melhor do atletismo ela concorre ao prêmio principal no feminino, com a dupla Juliana/Larissa (vôlei de praia) e Ana Marcela (maratona aquática). No masculino concorrem Cesar Cielo (natação), Leandro Guilheiro (judô) e Murilo Endres (vôlei). Bernardinho, da seleção masculina de vôlei tricampeã mundial, receberá o prêmio como melhor técnico de esporte coletivo.

Destaques na 1ª Olimpíada da Juventude em Cingapura, também estarão na solenidade a técnica Tânia Moura, Caio Cezar dos Santos (ouro no salto em distância e no revezamento medley) e Thiago Braz (prata no salto com vara).

Por indicação do Comitê Paraolímpico Brasileiro receberão o troféu de melhor atleta do ano os nadadores Edênia Garcia e Daniel Dias. O melhor técnico paraolímpico foi Romolo Lazaretti, do ciclismo.

A fase dos blogs

Começou a nova fase da Gazeta Esportiva Net. Seguindo o que parece ser uma tendência mundial, os colunistas viraram blogueiros.

A importância crescente dos blogs teve uma amostra recentemente, quando o presidente Lula recebeu dezenas de autores para uma entrevista coletiva.

Por falar no presidente, está terminando o seu mandato, com 80 % de aprovação popular. É justo reconhecer que seu Governo foi o que mais apoiou os esportes.

Quem aproveitou bem os recursos, promoveu sua modalidade, realizou competições de alto nível, avançou nos projetos de inclusão social.

Em seu Governo, o País conquistou o direito de organizar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. O custo financeiro destas realizações é alto. Sempre é assim.

Em Barcelona, às vésperas do início dos Jogos de 1992, o chefe de governo Felipe González anunciou um aumento nos impostos. Ninguém gosta de impostos, muito menos de aumento dos impostos.

Mas a verdade é que Barcelona melhorou muito com os Jogos Olímpicos. Estive na cidade em 1989, na reinauguração do Estádio Olímpico de Montjuic, e, três anos depois, nos Jogos Olímpicos.

O Aeroporto foi ampliado, o metrô ganhou novas linhas, praias foram recuperadas. Isto o visitante pode ver. Certamente os moradores na capital catalã sabem muito mais.