Uma lenda do Atletismo

Foto: AFP

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Morreu Grete Waitz, nesta terça-feira 19, aos 57 anos. A norueguesa nascida em Oslo, em 1º de outubro de 1953, há mais de 20 anos lutava contra um câncer. Para quem parou relativamente jovem de competir, Grete Waitz já era uma lenda em vida.

Grete ficou mundialmente famosa por vencer nove vezes a Maratona de Nova York, um recorde dificilmente alcançável na mais badalada corrida de rua do mundo. Mas também provou sua resistência ao ganhar cinco vezes o título do Campeonato Mundial de Cross Country.

Ela foi campeã da maratona na primeira edição do Campeonato Mundial de Atletismo, disputado em Helsinque, na Finlândia, em 1983. No ano seguinte, em 1984, ganhou a medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles. A seu lado, no pódio, estavam outras duas grandes corredoras: a campeã Joan Benoit, dos Estados Unidos, e a portuguesa Rosa Mota, ganhadora do bronze.

O recorde pessoal na maratona Grete estabeleceu em Londres, em 1986, quando marcou 2:24:54. No entanto, ela tem marcas fortíssimas em distâncias bem menores. Em 1976, por exemplo, marcou o recorde mundial dos 3.000 m, com 8:45.4. O atual recorde norueguês dos 1.500 m é dela desde 1978, quando marcou 4:00.55.

No entanto, para quem se admira de uma maratonista ter feito marcas importantes em distâncias bem menores talvez seja inimaginável saber que Grete foi campeã dos 400 m e dos 800 m em seu país, nos tempos de juvenil.

A tragédia do Rio

No começo da década de 1980, começaram a ocorrer com maior intensidade as brigas de torcidas nos estádios brasileiros. Tive a sensação, à época, que a parte colonizada da nossa sociedade buscava a imitação do chamado 1º Mundo, notadamente a violência nos campos da Inglaterra. Na verdade, ingleses e brasileiros que assim agiam e ainda agem nunca passaram de bandidos travestidos de torcedores.

Em setores de todos os nossos segmentos sociais, na mídia inclusive, parece haver a necessidade de se copiar o que de pior acontece nos países do norte ocidental. Agora mesmo, nesta quinta-feira 8, um jovem desequilibrado invadiu uma escola do Rio de Janeiro e matou 12 estudantes. Duas das vítimas eram atletas da equipe carioca Ideal Brasil: Karine Lorraine Chagas de Oliveira, que morreu no local da tragédia, e Taiane Tavares, que se encontra gravemente ferida.

Eram jovens do programa de iniciação da equipe. O presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, determinou o luto de sete dias, em solidariedade às vítimas do ataque, suas famílias e amigos, além de professores e funcionários da escola. Aqui também se nota semelhança entre o ataque do Rio e episódios similares ocorridos em escolas norte-americanas. Um destes casos resultou no documentário “Tiros em Columbine”, de Michael Moore.

No canal pago Globonews, ontem à noite, perguntaram a um psiquiatra se a projeção dado pela mídia a estes casos nos Estados Unidos poderia ter de alguma forma influenciado o que aconteceu no Rio. Gostaria de citar quem fez a pergunta e o nome do psiquiatra, mas infelizmente não lembro. Mas a resposta foi lacônica: “Acho que sim”.

Os profissionais de imprensa deveriam refletir sobre o assunto. E, se pudesse, gostaria de propor que os jornalistas brasileiros nem deveriam esperar que os colegas norte-americanos ou britânicos começassem a discutir o assunto para então, mais uma vez, se interessar pelo assunto. Poderiam começar a estudar logo a melhor forma de abordagem desses casos, sem negar a informação, mas também evitando revestir os autores das matanças de qualquer resquício de glamour.