E lá se foi o Risadinha

Fiquei sabendo pelo SportCenter da ESPN Brasil, que Paulo Borges, chamado pelos que conheciam de Risadinha, morreu aos 66 anos. O motivo do apelido é óbvio: era difícil vê-lo sem um sorriso no rosto. O comentarista do programa, Antero Greco, lembrou ter encontrado o antigo ponta direita do Bangu, Corinthians e Seleção Brasileira, na sede da Federação Paulista de Futebol, na Av. Brigadeiro Luiz Antonio.

Natural que fosse assim. Afinal, Antero chegou a cobrir a Federação pelo “Estadão”, nos anos 1970 e 1980. Nesta mesma época, eu acompanhava as coisas da FPF pelo POP, um jornal esportivo, do Grupo Diário Popular (hoje “Diário de S. Paulo”), que não existe mais. E sempre via Paulo Borges, que trabalhava na Federação, fazia um serviço administrativo, sem maior importância. Pois mesmo nessa época, se ele sentia alguma infelicidade não deixava transparecer.

Muita gente não sabe quem foi Paulo Borges, provavelmente os jovens repórteres esportivos também não. Pois ele foi um jogador famoso na década de 1960. Era o principal craque do Bangu, que esteve entre os principais times do Rio de Janeiro naquela década, e foi campeão carioca em 1966. Havia outros bons jogadores na equipe, como o goleiro Ubirajara e o lateral direito Fidelis.

Em 1968, o Corinthians montou o um time forte, com dois objetivos centrais: derrotar o Santos de Pelé, o que não conseguia havia 11 anos, e, se possível, ganhar o Campeonato Paulista, distante do Timão desde 1954. Paulo Borges foi um dos reforços contratados. O time não levou o título estadual, o que só conseguiria em 1977, após jejum de 23 anos. Mas ganhou do Santos e Paulo Borges fez o primeiro gol.

Ele foi convocado para a Seleção – junto com outros 44 jogadores – para os treinamentos antes da Copa de 1966. Foi dispensado junto com outros craques, como Roberto Dias, Djalma Dias e Carlos Alberto. Em 1968, foi chamado para uma excursão da Seleção à Europa.

Depois caiu o nível de seu futebol e o final de sua carreira foi melancólico. Mas torcedores do Bangu, corintianos e amantes do bom futebol, com mais de 50 anos, não vão esquecê-lo.