Fabiana já sonha com a medalha, a bandeira e o hino

Os dois maiores nomes do esporte feminino do Brasil estão na delegação que disputa o Campeonato Mundial de Atletismo aqui em Daegu. Uma é a campeã olímpica do salto em distância em Pequim 2008, Maurren Maggi. A outra é a ganhadora do primeiro ouro do Brasil na história dos Mundiais de Atletismo outdoor, Fabiana Murer, campeã que foi do salto com vara no Daegu Stadium, na noite de ontem.

A grande competitividade do Atletismo – superior a qualquer outro esporte – se comprova com alguns dados: até a metade do Mundial, 50 países já pontuaram, isto é, colocaram atletas entre os oito primeiros colocados. Destes, 28 colocaram atletas no pódio e 12 fizeram campeões mundiais.

Essa é uma das razões que fazem o Atletismo ser o único esporte categoria 1, na avaliação do próprio Comitê Olímpico Internacional. Também por isso se explica o assédio a Fabiana Murer desde o fim da noite de ontem, nesta madrugada e por toda essa quarta-feira aqui em Daegu, na Coreia do Sul.

Fabiana atendeu dezenas de emissoras no Daegu Stadium, jornalistas do Brasil e de inúmeros outros países. De madrugada, já na Vila dos Atletas, foram inúmeras entrevistas para o pessoal do Brasil, onde ainda era cedo, por conta do fuso horário, já que em Daegu são 12 horas a mais que em Brasília.

Fabiana Murer dormiu pouco mais que três horas e antes das 7 da manhã já estava de pé. Um rápido café da manhã e uma sessão de fisioterapia com Rodrigo Iglesias, mas já atendendo, com a atenção de sempre, a Assessoria de Imprensa. Eram pedidos de entrevistas ou mesmo de declarações, as “aspas” no jargão jornalístico. O que vai fazer agora? Quando volta para o Brasil? Já está pensando no PAN? E Londres, acha que o mesmo grupo de Daegu disputará os lugares do pódio? Ou, então: Em quem você pensou quando teve a certeza de que era a primeira atleta do Brasil campeã mundial? A quem dedicou a medalha de ouro? O que fez você evoluir a ponto de tornar-se uma protagonista do salto com vara feminino?

São perguntas necessárias, embora pareçam rotineiras. Já nesta quarta, com calma, Fabiana lembra que foi longo o caminho para passar da atleta que saltava 3,90 m uma década atrás, para os 4,85 que lhe deram o lugar mais alto do pódio nesta 13ª edição do Campeonato Mundial de Atletismo, que está sendo disputado em Daegu, na Coreia do Sul. Explicou tudo nas entrevistas que concedeu ainda no Estádio. Depois, já de madrugada, enquanto saboreava um lanche e recebia cumprimentos do pessoal do Brasil na Vila dos Atletas, dava entrevistas por telefone. Quando foi dormir, começou a projetar o novo dia, dali a algumas horas, os compromissos de campeã mundial.

Agora, já atenta, foi sincera, mais uma vez: “Pude evoluir porque teve quem acreditou em mim. E pude chegar a este nível profissional porque investiram em mim. Foi o trabalho do Elson (seu treinador e marido Elson Miranda), do Vitaly (Vitaly Petrov, especialista ucraniano contratado pela CBAt para dar assistência à prova no Brasil), meu clube (BM&FBovespa), a Confederação e seus patrocinadores (CAIXA, NIKE). Foram as pessoas que me atenderam, treinadores, médicos, pessoal de apoio. E foi a paciência para esperar, porque demorei 15 anos, desde que comecei a treinar em Campinas, até vencer aqui em Daegu.” Por isso, explica, “não poderia oferecer a medalha apenas a uma pessoa ou instituição. Foi tudo isso que me fez campeã.”

E agora? “Bem, tem os compromissos de hoje, não é?” Com dirigentes, treinadores e pessoal da equipe, almoçou na sala da Nike no Novotel. Depois, entrevistas para o canal da empresa, para três emissoras coreanas, gravações com equipes do Sportv e Globo, e conversas com jornalistas brasileiros que vieram a Daegu para acompanhar o Mundial. Um pouco de descontração, brincadeiras com os amigos, e uma confissão: “Estou ansiosa para a cerimônia de premiação.” A previsão é que Fabiana, a vice-campeã Martina Strutz, da Alemanha, e a ganhadora da medalha de bronze Svetlana Feofonova, da Rússia, recebam as medalhas nesta quinta-feira 1, às 19:45. “É emocionante só de pensar, é a primeira vez que vamos ouvir o Hino Nacional numa cerimônia de premiação num Mundial de Atletismo”, fala. De fato, as 10 medalhas ganhas anteriormente por brasileiros foram de prata e bronze, cinco cada.

“É hora de curtir, depois da cerimônia volto aos treinos e o Elson pega pesado”, brinca. “Vou me preparar para Zurique”, afirma (se ganhar será bicampeã da Diamond League). “Depois, descansar um pouco e voltar aos treinos para o PAN (em outubro)”, diz. Num ponto de uma das entrevistas fica sabendo que a imprensa coreana a chama de “cinderela”. Não perde a piada: “Bem, não perdi nenhuma sapatilha.” Um tempo para descanso, mais entrevistas. Com Elson, ganha um garrafa de “dom Perignon”, dá mais uma entrevista, toma um café e um táxi para voltar à Vila dos Atletas. Agora, um pouco de descanso, um tempo para responder a perguntas que chegaram por e-mail, atender telefonemas, ver pedidos para que compareça a programas de televisão quando voltar ao Brasil. E planejar a volta aos treinos, focar no Meeting de Zurique, no PAN de Guadalajara e pensar em 2012, ano da Olimpíada de Londres.

Fábio na elite mundial do salto com vara

Foto: AFPFábio Gomes da Silva terminou em 8º lugar na final do salto com vara, no Campeonato Mundial de Atletismo, que acontece em Daegu, na Coreia do Sul.

Estou aqui acompanhando o Mundial pela 12ª vez, só não estive na 1ª edição, realizada em Helsinque, em 1983.

Vi a prova do Fábio e ele próprio reconheceu que esperava fazer 5,80 m e repetir seu recorde sul-americano, que alcançou este ano, em março, em São Caetano. Ele passou bem, na primeira tentativa, em 5,65 m. Mas errou as três vezes na marca de 5,75 m e deixou a prova.

No entanto, esta é a melhor classificação de um saltador sul-americano na prova desde o 1º Mundial, exatamente 1983, quando o brasileiro, radicado nos Estados Unidos, Tomás Hintnaus foi o 5º colocado com 5,50 m, recorde sul-americano à época.

É bom lembrar que Fábio continua top 10 após a disputa do Mundial. Ele deixa a Coreia do Sul como 7º melhor do mundo e 3º entre os nomes das Américas. Isto é importante porque em outubro próximo teremos os Jogos Pan-Americanos em Guadalajara, no México. O campineiro tentará o bicampeonato, já que levou o título no PAN anterior, disputado em 2007, no Rio de Janeiro.

E especificamente no Mundial ele foi o segundo das Américas, atrás apenas do cubano Lázaro Borges, que marcou 5,90 m, recorde nacional e foi o 2º colocado.

Doze recordes no Troféu Brasil Caixa 2011

Um sucesso o Troféu Brasil Caixa de Atletismo 2011, realizado em São Paulo, no reformado Estádio Ícaro de Castro Melo. Doze recordes, sendo três deles sul-americanos.

As estrelas confirmaram sua boa forma, como Maurren Maggi, Marilson dos Santos e Keila Costa, que venceram suas provas. E houve belas apresentações da nova geração, formada por atletas como Ana Cláudia Lemos, Rosângela Santos, Simone Alves da Silva, Bruno Lins, Kléberson Davide, Luiz Alberto de Araújo e muitos outros. Foi uma das melhores edições do Troféu Brasil nesta última década.

Individualmente, o decatleta Luiz Alberto de Araújo, que superou a mítica marca de 8 mil pontos (fez 8.115), e a fundista Simone Alves da Silva, que superou um recorde de 18 anos nos 10.000 m foram eleitos os melhores atletas do evento.

Por equipes, a BM&FBovespa ganhou o 10º título seguido. O Pinheiros foi o vice-campeão e a Orcampi/Unimed, a 3ª colocada. Quase 800 atletas de cerca de 90 clubes e de nove países convidados participaram da competição.

Walter Pimentel

Li há pouco a nota no site sobre a morte do colega Walter Pimentel. Lembro muito bem de quando ele começou na redação de “A Gazeta Esportiva”, como boy, ainda na Alameda Barão de Limeira, há quase 20 anos. Tempos depois, já jornalista, trabalhava na área de pesquisa do jornal. Cara simpático, nunca vou entender porque o fizeram perder a vida assim, tão estupidamente. Mais uma vítima inocente da violência do dia-a-dia.

A celebração do Atletismo no Ibirapuera

Principal competição de Atletismo do calendário nacional, o Troféu Brasil Caixa 2011 começa na tarde desta 4ª feira, em São Paulo. Até o próximo domingo, dia 7, mais de 800 atletas de 91 clubes, e convidados de nove países, brindarão o público paulistano, que terá entrada livre no Estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera.

A maioria dos principais nomes do Atletismo nacional estará em ação, em busca do título brasileiro e, em alguns casos, também dos índices de qualificação para o Mundial da Coreia do Sul.

A campeã olímpica do salto em distância Maurren Maggi e o bicampeão da Maratona de Nova York Marilson dos Santos (que fará os 10.000 m no Troféu Brasil) são nomes consagrados que competirão.

Há outro grupo, de atletas ainda jovens e com bons resultados já alcançados, caso de Ana Cláudia Silva (100 m e 200 m). E outros que recentemente ganharam a medalha de ouro no PAN Juvenil, nos Estados Unidos, como Thiago Braz, no salto com vara.

A grande festa do Atletismo nacional mostrará a face do principal esporte olímpico no País. As estrelas, os atletas em franca evolução e as nossas  esperanças para 2016 e depois.