O Brasil no PAN

Terminaram as competições da 16ª edição dos Jogos Pan-Americanos 2011 de Guadalajara, neste domingo 30. No quadro de medalhas, o Brasil manteve o 3º lugar, atrás de duas potências esportivas: Estados Unidos, campeão com 235 pódios (92 ouros), e Cuba, vice- com 136 medalhas (58 ouros). O Brasil obteve mais medalhas que Cubana no geral, com 141, mas ganhou menos títulos (48). Não me parece razoável dizer, com bases nestes números, que a campanha brasileira não foi boa. Foi boa, sim, em vários esportes. A natação só ficou atrás dos Estados Unidos e, embora apenas dois países tenham feito mais que um campeão, alguns atletas da equipe nacional já provaram que têm nível mundial. O mesmo pode-se dizer do judô, que teve uma medalha a mais que Cuba (13 a 12) e igual número de ouros.

Já o atletismo manteve a 2ª posição conseguida no Rio há quatro anos, novamente com 23 pódios, porém, com mais medalhas de ouro (10 a 9) e de prata (6 a 5). Importante, no caso, é que a equipe brasileira mostrou que continua forte em algumas provas. O salto em distância feminino é um exemplo: Maurren Maggi ganhou com 6,94 m e levou o tricampeonato. No revezamento, as duas equipes do 4×100 m mostraram que continuam a dominar a técnica de passagem do bastão. Nas provas de velocidade, duas jovens atletas mostraram que fazem hoje parte da elite nos 100 m e 200 m. Nos 100 m, Rosângela Santos, de 20 anos, ganhou ouro melhorando duas vezes seu recorde pessoal. E Ana Cláudia Lemos mostrou maturidade ao vencer com segurança os 200 m.

E para os que, sem conhecer direito o panorama mundial do esporte, que dizem que os torneios dos Jogos Pan-Americanos não são fortes, vai abaixo uma lista com alguns nomes que disputaram o torneio de atletismo em Guadalajara. São medalhistas em Olimpíadas ou Campeonatos Mundiais e vários deles não ganharam suas provas, o que mostra que houve disputas de nível muito forte no México. Muitos outros atletas importantes disputaram os Jogos. Estes são nomes que cito de memória algumas de suas conquistas.

Ypsi Moreno (CUB) Lançamento do martelo – OURO PAN 2011

Bicampeã mundial 2001-2003, vice-campeã olímpica 2004-2008, 4ª no Mundial de Daegu 2011, número 1 das Américas. Ouro também no PAN de 2003 e 2007.

Dylan Armstrong (CAN) Arremesso do peso – OURO PAN 2011

Vice-campeão mundial em Daegu 2011 e número 1 das Américas.

Fabiana Murer (BRA) Salto com vara – PRATA PAN 2011

Campeã mundial ao ar livre e indoor. Ouro no PAN no Rio 2007.

Yarisley Silva (CUB) Salto com vara – OURO PAN 2011

Quinta no Mundial de Daegu 2011, 3ª no Ranking das Américas.

Leonel Suarez (CUB) Decatlo – OURO PAN 2011

Bronze no Mundial de Daegu 2011 e prata em Berlim 2009.

Maurice Smith (JAM) Decatlo – PRATA PAN 2011

Prata no Mundial de Osaka 2007, ouro no PAN 2007.

Kim Collins (SKN) 100 m – PRATA PAN 2011

Bronze no Mundial de Daegu 2011 e ouro em Paris 2003. Recordista do PAN com 10.00 (marca da semifinal de 2011).

William Collazo (CUB) 400 m – 4º PAN 2011

Prata no Mundial Indoor de Doha 2010.

Chris Brown (BAH) 400 m – 7º PAN 2011

Ouro no Mundial Indoor de Doha 2010, ouro no PAN 2007.

Luiz Fernando Lopes (COL) 20 km marcha – BRONZE PAN 2011

Bronze no Mundial de Daegu 2011.

Maurren Maggi (BRA) salto em distância – OURO PAN 2011

Medalha de ouro olímpica em Pequim 2008 e tricampeã do PAN: Winnipeg 1999, Rio 2007 e Guadalajara 2011.

Yargelis Savigne (CUB) salto triplo – PRATA PAN 2011

Bicampeã mundial em Berlim 2009 e Osaka 2007, campeã do PAN 2007.

Yarelys Barrios (CUB) lançamento do disco – OURO PAN 2011

Bronze no Mundial de Daegu 2011, prata em Berlim 2009 e Osaka 2007, prata olímpica em Pequim 2008.

Guillermo Martinez (CUB) lançamento do dardo – ouro pan 2011

Bronze no Mundial de Daegu 2011 e ouro no PAN 2007.

Felix Sanchez (DOM) 400 m com barreiras – BRONZE PAN 2011

Campeão olímpico em 2004, campeão mundial em Edmonton 2001 e Paris 2003, prata em Osaka 2007. Ouro no PAN de Santo Domingo 2003.

Catherine Ibarguen (COL) salto triplo – OURO PAN 2011

Líder do Ranking Mundial 2011 e medalha de bronze no Mundial de Daegu 2011. Bronze no salto em distância no PAN 2011.

Dayron Robles (CUB) 110 m com barreiras – OURO PAN 2011

Campeão Olímpico em Pequim 2008 e recordista mundial com 12.87. Campeão do PAN 2007.

Alexis Copello (CUB) salto triplo – OURO PAN 2011

Medalha de bronze no Mundial de Berlim 2009.

Yoandris Betanzos (CUB) salto triplo – PRATA PAN 2011

Prata no Mundial de Paris em 2003 e Helsinki 2005.

-Donald Thomas (BAH) salto em altura – OURO PAN 2011

Campeão Mundial em Osaka 2007, prata no PAN 2007.

-Lázaro Borges (CUB) salto com vara – OURO PAN 2011

Medalha de prata no Mundial de Daegu 2011 e líder do Ranking da temporada.

A medalha de superação

O ouro de Adriana Aparecida da Silva na maratona foi importante para a posição brasileira no quadro de medalhas, mas acima de tudo mostrou que Adriana sabe dosar suas forças e atacar com inteligência, no momento oportuno.

É isso que faz, muitas vezes, um atleta superar adversários que têm marcas melhores. E no caso da mexicana Madai Perez, a diferença era significativa: 10 minutos melhor no recorde pessoal e cinco minutos melhor no Ranking 2011. Pois Adriana tirou essa diferença, com pulmões, cabeça e coração.

No salto com vara, Fabiana Murer ganhou prata. É claro que ela era considerada a favorita, é a campeã mundial. Mas é preciso reconhecer também os méritos da cubana Yarisley Silva, que vem melhorando suas marcas de maneira significativa nesta temporada, até chegar a 4,75 m, seu recorde pessoal. Ela e seu treinador tinham certo que suas melhores chances de título eram no PAN, e fizeram tudo certo.

Enquanto isso, Elson e Fabiana se prepararam para o Mundial de Daegu, em agosto. E fizeram tudo certo. Deram ao Brasil seu primeiro ouro na competição. E Fabiana ainda ganhou uma medalha no PAN.

Cruz Nonata ganhou prata nos 10.000 m e tentará outro lugar no pódio amanhã, nos 5.000 m. Aos 37 anos, demonstrou como se deve aliar a experiência da idade com o entusiasmo de uma atleta juvenil. Joilson Bernardo também alcançou a superação para levar o bronze nos 5.000 m e Ronald Julião mostrou que, no lançamento do disco, é um atleta em condições de subir no pódio de eventos importantes. Tanto que, antes do bronze no PAN, já fora o terceiro na Universíade da China.

A vitória de Rosângela em Guadalajara

Algumas conquistas dos brasileiros no PAN foram emocionantes. A vitória de Rosângela Santos nos 100 m foi especial. Rosângela era considerada favorita a um lugar no pódio, não necessariamente ao ponto mais alto. Na final, ela não largou bem, mas se recuperou decisivamente nos últimos metros.

Naqueles centésimos de segundo, ela teve concentração e reserva de força para colocar-se entre as três primeiras e na chegada superar a norte-americana Barbara Pierre e ganhar ouro.

Não há nada a reparar no título. Para quem pensar nas atletas dos Estados Unidos ou Jamaica que não compareceram, basta um pouco de imparcialidade para reconhecer: Rosângela e o Brasil não têm nada com isso.

Ela se preparou, foi a Guadalajara e bateu duas vezes o recorde pessoal. Ela fez tudo o que se pede de um atleta: que busque a superação. Rosângela cumpriu a expectativa, em dobro.

Atletismo estreia em Guadalajara e lembra herois brasileiros

Líder do Ranking Nacional do PAN, com 137 medalhas conquistadas nas 15 edições anteriores dos Jogos, o Atletismo do Brasil estreia em Guadalajara 2011 no próximo domingo. Na rodada de abertura, o País estará representando por seis atletas nas três provas do programa: marcha masculina 20 km, marcha feminina 20 km e maratona feminina.

N a marcha feminina, a equipe terá as pernambucanas Cisiane Lopes, 28 anos, pentacampeã brasileira, e Erica Sena, 26 anos, dona de três títulos nacionais. Na versão masculina, teremos o brasiliense Caio Bonfim, de 20 anos, recordista brasileiro em pista com 1:20:58.5, e o catarinense Moacir Zimmermann, de 27 anos, bronze na Universíade de Belgrado 2009. Na maratona feminina, competirão as paulistas Adriana Aparecida da Silva, 30 anos, líder do Ranking Nacional com 2:32:30, e Michele Chagas, 24 anos, que tem 2:35:09.

O Brasil participa dos Jogos com 60 atletas (29 homens e 31 mulheres). O recorde de conquistas do Atletismo foi obtido no PAN 2007, quando a equipe ganhou 9 medalhas de ouro, 4 de prata e 9 de bronze. Na história do PAN, das 137 medalhas ganhas, 46 são de ouro, 39 de prata e 52 de bronze.

Por sinal, o México foi sede dos Jogos Pan-Americanos outras duas vezes, ambas na  capital, Cidade do México, em 1955 e 1975. Nas duas oportunidades, atletas do Brasil foram protagonistas. Na primeira vez, Adhemar Ferreira da Silva recuperou o recorde mundial do triplo ao saltar 16,56 m, e 20 anos depois, João Carlos de Oliveira maravilhou o mundo com um salto de 17,89 m, recorde mundial que por uma década.

Aliás, na história do Atletismo brasileiro no PAN, João Carlos de Oliveira é dono do maior número de títulos, com quatro ouros – foi bicampeão do triplo e do salto em distância no México 1975 e Porto Rico 1979.

Adhemar Ferreira da Silva é um dos dois únicos brasileiros a ganhar três vezes seguidas uma prova no torneio de Atletismo do PAN. Ele levou o ouro no triplo em Buenos Aires 1951, México 1955 e Chicago 1959. Exatos 40 anos depois, Eronilde de Araújo repetiu o feito nos 400 m com barreiras, ao ganhar em Havana 1991, Mar del Plata 1995 e Winnipeg 1999.

Claudinei Quirino e Agberto Guimarães, com 5 pódios, são os brasileiros mais laureados no PAN. Claudinei ganhou ouro nos 200 m e no 4×100 m em Winnipeg 1999, e no 4×100 m em Santo Domingo 2003, foi prata no 4×400 m e bronze nos 100 m em 1999. Agberto ganhou ouro nos 800 m e 1.500 m em Caracas 1983, e bronze nas duas provas quatro anos antes, em Porto Rio 1979, e prata no 4×400 m na capital venezuelana.

Mais um ano de Bolt e a ausência de Fabiana

Usain Bolt foi o nome do atletismo em 2011. A desqualificação nos 100 m no Mundial de Daegu não tira os méritos de suas conquistas. Ouro nos 200 m e no 4×100 m com a equipe jamaicana, nesta prova com direito a recorde mundial. Acho que ele ganhará o prêmio “Atleta do Ano”, da IAAF.

No mesmo concurso, estranha a ausência de Fabiana Murer, na lista de candidatas, no feminino. Em 2010, Fabiana concorreu como campeã mundial indoor do salto com vara e da Diamond League.

Este ano, com mais motivos deveria concorrer, pois ficou com o título na principal competição do calendário da IAAF: o Campeonato Mundial de Atletismo ao ar livre, disputado em Daegu, na Coreia do Sul.

JORNALISTA

Pelo 3º ano seguido integro a comissão coordenadora do prêmio “Jornalista”, para profissionais que tenham contribuído para a divulgação do atletismo, também uma promoção da IAAF.

Alain Billouin (França), Luis Vinker (Argentina), Elias Makori (Quênia) e Neil Wilson (Grã-Bretanha) são os candidatos indicados pela comissão. Todos têm um grande trabalho, que vai além da fronteira de seus países.

Billouin foi, por décadas, responsável pela editoria de Atletismo do L’Equipe de Paris, mais importante jornal esportivo do mundo. Vinker, além de jornalista, é um dos mais importantes estatísticos de atletismo na América Latina.

LAMENTÁVEL

De vez em quando acontece. Desta vez a vítima foi João Vitor, do Palmeiras, agredido por supostos torcedores. Não sei se realmente dirigentes do clube responsabilizaram o jogador pelo ocorrido. Mas, se foi assim, passam de inoperantes a cúmplices dos agressores. Espero que não.