Marilson, em busca do tetra na São Silvestre

Fernando Dantas/Gazeta PressMarilson Gomes dos Santos pode se tornar o primeiro brasileiro a ganhar quatro vezes a Corrida de São Silvestre. Na mais charmosa prova da América Latina, promovida pelo portal Ge.Net, disputada em 31 de dezembro, Marilson pode ser considerado o principal representante brasileiro na história da corrida. Nestor Gomes, nos anos 1930, também foi três vezes campeão. À época, porém, apenas corredores brasileiros participavam.

É certo, porém, que Nestor Gomes foi um dos principais fundistas do País em sua época. A afirmação é de testemunhas e estudiosos, como Osvaldo Pizani. Em 1945 e 1946, os dois primeiros anos em que estrangeiros competiram, teve Sebastião Alves Monteiro como bicampeão. Depois, o Brasil só conquistaria novamente o título em 1980, com José João da Silva, que venceu também em 1985.

Marilson, se vencer novamente, igualará as marcas de Gaston Roelants (Bélgica), Vitor Mora (Colômbia) e Rolando Vera (Equador), todos tetracampeões. O recorde absoluto permanece com o astro queniano Paul Tergat, dono de cinco títulos.

Tergat, por sinal, só não venceu cinco vezes seguidas porque um jovem corredor brasileiro ousou ficar em 1º lugar em 1997: Emerson Iser Bem. João da Matta, Ronaldo da Costa e Franck Caldeira são os outros brasileiros ganhadores da prova em sua fase internacional.

Marilson terá adversários difíceis, como o queniano Martin Lel. Outros estrangeiros e brasileiros certamente serão concorrentes difíceis. É o caso de Giovani dos Santos, bronze nos 10.000 m no PAN disputado de Guadalajara, quando o próprio Marilson ganhou.

Por fim: aos poucos e generosos leitores deste blog desejo, de coração, um Feliz Natal. Aos colegas blogueiros aqui da GE também faço votos de Boas Festas. Gostei muito de retomar contato este ano com grandes amigos. Aqui no caso, com Flávio Prado, a quem conheço desde os tempos em que estudávamos jornalismo na Cásper Líbero. Ao pessoal da redação, ao Júlio Deodoro, ao Erick e aos demais colegas também. Fica o sentimento pela partida do Walter Pimentel e vai um abraço aos seus colegas de trabalho lá do Departamento.

Volto na semana que vem.

Brasil Olímpico sem surpresa

Não houve surpresas na entrega do Prêmio Brasil Olímpico 2011, na noite desta segunda-feira 19, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Os principais favoritos levaram os prêmios principais, com justiça. Fabiana Murer, pelo segundo ano consecutivo, ganhou como “Melhor Atleta – Feminino” e César Cielo venceu no masculino.

Fabiana Murer concorria com Maurren Maggi, também do Atletismo, e Fabiana Beltrame, do remo. As três finalistas tinham mérito, mas Murer tinha o título mais vistoso e importante da temporada: ouro no salto com vara no Mundial de Atletismo de Daegu. Com isso, levou o troféu pelo segundo ano consecutivo.

Cielo também venceu os 50 m estilo livre no Mundial de Xangai, prova que também ganhou no PAN. Era uma vitória esperada, embora o ginasta Diego Hypólito e Emanuel, do vôlei de praia, também tenham vivido uma boa temporada.

O “Troféu Adhemar Ferreira da Silva”, instituído em homenagem ao bicampeão olímpico do salto triplo, foi ganho por Bernard Rajzman, ex-jogador de vôlei, medalha de prata no vôlei nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984.

O melhor time do mundo

O Barcelona mereceu o título mundial conquistado com a vitória por 4 a zero sobre o Santos, neste domingo, no Japão. Dominou completamente o jogo, no que, aliás, só confirmou seu favoritismo. O time catalão mostrou, novamente, que é a melhor equipe do mundo. E Messi nem precisava provar que é o principal jogador do planeta, embora tenha demonstrado isso mais uma vez.

O Santos não conseguiu jogar.

Isto quer dizer que o time da Vila é ruim? Claro que não. Apenas mostra que os brasileiros, que já não estavam bem no Campeonato Brasileiro, não conseguiram a superação, que seria a única forma de encarar com alguma chance o rival. Já o Barcelona está muito bem no certame espanhol e derrotou o Real em Madri, antes de viajar ao Japão.

Neymar não foi bem e humildemente reconheceu ao fim do jogo. “Tivemos uma aula de futebol”, disse. Mas Neymar continua sendo um craque, simplesmente o melhor do Brasil. O que não é pouco.

Fabiana, Maurren, Beltrame, Sócrates, Tite

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Fabiana Murer

Fabiana Murer, Maurren Maggi e Fabiana Beltrame concorrem ao prêmio “Melhor Atleta do Ano-2011”, no feminino. Entre os homens, disputam o nadador Cesar Cielo, o ginasta Diego Hypólito e Emanuel Rego, do vôlei de praia. Os seis merecem o prêmio, mas cada um evidentemente tem os seus preferidos.

No feminino, especialmente, a disputa será dura. Fabiana Murer deu ao Brasil o primeiro título em um Mundial de Atletismo outdoor, ao vencer o salto com vara. No ano passado, quando ganhou o prêmio, ela havia conquistado o título mundial indoor, a primeira sul-americana a ostentar tal feito no currículo.

Maurren Maggi, a campeã olímpica em Pequim, este ano ganhou o tricampeonato no salto em distância nos Jogos Pan-Americanos. Ganhadora do prêmio em 1999 e 2008, Maurren é a primeira mulher do Atletismo nacional a conquistar o tri no PAN.

E Fabiana Beltrame foi campeã mundial no remo, um dos primeiros esportes praticados no Brasil, tanto que os dois clubes mais populares do Rio de Janeiro têm a palavra “Regatas” no nome: Flamengo e Vasco.

O público pode participar da escolha. Para votar, basta entrar no site: www.cob.org.br

DOUTOR SÓCRATES

No próximo dia 14, a Boitempo Editorial lança reedição do livro “Democracia Corintiana – a utopia em jogo”, escrito pelo Dr. Sócrates – que nos deixou no domingo passado – em parceria com o jornalista Ricardo Gozzi.

A Boitempo está de parabéns por trazer de volta um pouco do que foi aquele período fértil da história do Corinthians. O movimento “Democracia Corintiana” mudou, no início da década de 1980, a relação elenco-comissão técnica-diretoria.

Para um País, que ainda buscava sair de uma ditadura, em seus estertores, é verdade, a prática até radical da democracia, num ambiente notadamente conservador como o futebol, foi importante.

Mais informações no site: comunicação@boitempoeditorial.com.br

TITE

Leio que membros da oposição no Corinthians criticam o técnico Tite, que levaria “tumulto ao vestiário”. Não frequento vestiários de nenhum time de futebol, portanto, não posso avaliar a declaração do opositor.

Mas acho que, por um momento, deveriam fazer oposição com os fatos políticos de que dispõem, e que podem levá-los ou não ao poder no clube. Porém, eles devem respeitar o Tite, um técnico campeão, que tem o estranho e bom hábito de responder perguntas educadamente.

Doutor Sócrates

Fui repórter setorista do Corinthians em duas temporadas, nos tempos de Sócrates no time. Em 1979, quando em trabalhava no “POP”, e o Doutor fazia dupla de ataque com Palhinha. Depois, em 1982, pela “Folha”, então já nos tempos da Democracia Corintiana, quando seu companheiro de frente era Casagrande, recém-saído dos juvenis.

Uma coisa que lembro bem é que o mesmo Sócrates que lutava pela redemocratização do País, ao lado personalidades da vida pública brasileira, também atendia igualmente os repórteres, de qualquer veículo.

Numa tarde qualquer de 1979, depois do treino no campo do Parque São Jorge, perguntei se ele já tinha escolhido as músicas para um disco que iria gravar. Um disco com músicas caipiras. “Gostaria de gravar ‘Mágoa de Boiadeiro’, mas ainda não está certo”, explicou.

Tenho boa lembrança do futebol nos últimos 45 anos. Entre todos os craques que, nesse tempo, brilharam no Corinthians, os dois maiores que vi foram Rivelino e Sócrates, nada menos que geniais.

O Doutor fará muita falta. Não apenas pelo jogador que foi e por seu trabalho como colunista, na Revista “Carta Capital”. Mas, principalmente, por sua coragem em se posicionar frente aos grandes assuntos que interessam ao esporte e à sociedade brasileira em geral.