Os melhores do País confirmam presença nos Meetings de maio

Com o fim do primeiro trimestre, abril chega com um número crescente de competições de atletismo em estádio. No Brasil, também crescerá o número de eventos e os atletas do País começarão a se preparar para os Meetings de maio, quando os cinco GP do Brazilian Athletics Tour serão disputados em Belém, Fortaleza, Uberlândia, São Paulo e Rio de Janeiro.

Atletas de primeira linha virão do exterior para enfrentar os melhores do Brasil. Será, portanto, uma boa oportunidade para os brasileiros buscarem os índices de qualificação para a Olimpíada de Londres.

É certo que os grandes nomes do atletismo nacional estarão no Brazilian Tour, o mais importante circuito atlético da América Latina. A campeã olímpica Maurren Maggi disputará o salto em distância nos Meetings de Belém, São Paulo e Rio de Janeiro. A campeã mundial Fabiana Murer confirmou a participação em São Paulo e no Rio. Já o campeão mundial indoor do salto em distância, Mauro Vinícius da Silva, o Duda, competirá em Belém e Fortaleza.

Proximamente os organizadores anunciarão os primeiros atletas do exterior. É de se esperar novamente grandes disputas, notadamente nas provas em que estarão nossos principais representantes.

O recordista sul-americano do salto com vara, Fábio Gomes da Silva, estará em Belém e Fortaleza. Os campeões pan-americanos do 4×100 m, Nilson André e Sandro Viana, farão os 100 m e os 200 m em Uberlândia. Rosângela Santos, ouro nos 100 m no PAN, e Ana Cláudia Lemos, campeã dos 200 m, vão competir em Belém, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro.

Com os Meetings de maio, o público que aprecia o atletismo poderá ver, mais uma vez, de perto, os melhores atletas do Brasil enfrentando nomes importantes do esporte internacional. É bom sempre lembrar: o acesso é livre nas competições do Brazilian Tour.

A genialidade de um humorista e de um jogador de futebol

Morreu Chico Anísio, talvez o mais importante comediante brasileiro. Foi um homem que, por sua profissão, levou alegrias ao povo. Uma de suas criações foi o programa “Chico City” que a Globo levava ao ar nas noites de sexta-feira. O primeiro programa da série foi antológico: além de antigos personagens, ele criou tipos novos, como o “Baiano”, que cantava com os “Novos Caetanos”.

Chico merece todas as homenagens, mas por que falo dele num blog esportivo? Por vários motivos. Um deles: o genial comediante também era ligado aos esportes, foi até comentarista.

Aí entra a famosa pedra no caminho: durante a Copa de 1986, ele criticava Telê Santana num programa de TV, fazendo coro a três desafetos do técnico da seleção brasileira: Rubens Minelli, Zagallo e Carlos Alberto Torres. Desde sempre fã de Telê, não gostava de ouvir isso, até porque achava a crítica injusta. Da mesma forma que não gostava de suas críticas políticas.

Mas é preciso contornar a pedra. Para isso, basta ficar no campo esportivo. E vai uma comparação do comediante foi genial e do mais genial dos jogadores de futebol, Pelé. Cada um a seu jeito, ambos alegraram o povo, contribuíram para momentos de felicidade na vida dos mais humildes.

E Pelé entra em campo, aqui, neste simples comentário. Quase sempre ele é criticado por suas atitudes, digamos, civis. Mas é preciso lembrar o quanto de alegria ele deu a cada um de nós, que tanto gostamos de ver um grande jogo de bola.

Então é assim: o que vale para Chico Anísio vale para Pelé. O que conta foram os inigualáveis programas de humor na TV e as belíssimas atuações no futebol. O que falam ou fazem fora do humor e do futebol são opiniões pessoais. Assim, respeita-se como se deve respeitar toda opinião, mas não é preciso concordar.

O Brasil e a Fifa

Foto: AFP

Foto: AFP

A presidenta Dilma Roussef recebeu o presidente da Fifa em Brasília. Parece que as coisas voltaram ao normal. Com um relacionamento adequado entre o País que organizará a próxima Copa do Mundo e a entidade dirigente do futebol. O que mostra que com um mínimo de respeito e bom senso as coisas podem andar.

Para falar da organização da Copa de 2014 é preciso reconhecer que algumas obras não estão no ritmo esperado. Nada, porém, que faça acreditar que haverá algum problema sério por ocasião da Copa. Atrasos em obras são normais no período que antecede todo megaevento, em qualquer lugar.

Ainda hoje alguns blogueiros voltam a tratar do que parece ser um desperdício. Isto é, a construção de estádios gigantes em cidades onde o futebol raramente reúne público considerável. Falam principalmente de Manaus, Cuiabá e Brasília. De fato, cidades como Belém e Goiânia têm mais futebol e não é incomum lotarem seus estádios. Também parece óbvio que foi um erro construir um novo estádio em São Paulo, em vez de se reformar o Morumbi.

Mas não há retorno quanto a isso. Haverá grandes estádios em Manaus, Cuiabá e Brasília. É o caso de se pedir que se dê uma finalidade útil – mais, ainda, de utilidade pública – a estes caros empreendimentos. Não é pedir demais: na verdade trata-se de uma obrigação tanto do poder público quanto das entidades dirigentes do esporte.

Por falar em entidade dirigente, Ricardo Teixeira deixou a CBF. Fez bem, já que não tinha mais apoio para continuar na presidência. Isso basta para que o futebol brasileiro ganhe em organização e transparência? Claro que não. Até porque o novo presidente disse que fará uma administração de continuidade.

O emocionante título de Duda

Foto: AFP

Emocionante a conquista da medalha de ouro no salto em distância do Campeonato Mundial Indoor, neste sábado, em Istambul, na Turquia. O jovem atleta Mauro Vinícius da Silva, o Duda, mostrou capacidade de superação na final. Ele começou mal, com um salto de 7,73 m, duas outras tentativas queimadas e 7,77 m no quarto salto.

Mas bastou um sinal do técnico Tide Junqueira pedindo calma e Duda partiu com tudo na quinta rodada de saltos e fez 8,23 m. Na sexta e última tentativa repetiu a marca e garantiu seu primeiro título mundial e o terceiro ouro do Brasil na história do Mundial Indoor.

Antes dele, já haviam conquistado o título Zequinha Barbosa, nos 800 m, em Indianápolis-1987, nos Estados Unidos, e Fabiana Murer, no salto com vara, em Doha-2010, no Catar.

A história do Mundial Indoor começa em 1985, quando a IAAF realizou os Jogos Indoor, em Paris, na França. Na ocasião, o brasileiro João Batista Eugênio ganhou bronze nos 200 m.

A 1ª edição oficial aconteceu dois anos depois, em Indianápolis. A 14ª edição termina neste domingo em Istambul. No total, além dos três títulos já citados, o Brasil ganhou mais 10 medalhas, cinco de prata e cinco de bronze, conforme citado abaixo.

PRATA
Zequinha Barbosa (800 m) – Budapeste-1989
Jadel Gregório (salto triplo) – Budapeste-2004/Moscou-2006
Maurren Maggi (salto em distância) – Valência-2008
Revezamento Medley – Toronto-1993 (com Gilmar dos Santos-800 m, André Domingos-200 m, Sidnei Teles-200 m, Eron Araújo-400 m)

BRONZE
Robson Caetano da Silva (200 m) – Indianápolis-1987
Maurren Maggi (salto em distância) – Birmingham-2003
Osmar Barbosa dos Santos (800 m) – Budapeste-2004
Fabiana Murer (salto com vara) – Valencia-2008
Keila Costa (salto em distância) – Doha-2010

Dia da Mulher – Brasil no pódio em Olimpíadas, Mundiais e PAN

O Atletismo feminino do Brasil revelou grandes atletas em sua história. Uma das pioneiras, na década de 1930, foi Lotte Von Schuest, que disputava o lançamento do disco e o dardo. Em 1940, na 1ª edição do torneio feminino do Campeonato Brasileiro, uma menina de 14 anos foi a atração: Elisabeth Clara Muller, que, eclética, venceu quatro provas, no arremesso, no salto e nas corridas. Chegaram os anos 1950, com Wanda dos Santos e outras atletas que representaram o Brasil em Olimpíadas e Jogos Pan-Americanos.

Nos Jogos de 1964, em Tóquio, Aída dos Santos superou todas as adversidades e deu ao Brasil o 4º lugar na final do salto em altura. Melhor classificação olímpica do esporte feminino do Brasil por mais de três décadas.

Em meados dos anos 1970 surgiram as primeiras mulheres do Brasil a levantar o título do PAN: Conceição Geremias (heptatlo) e Esmeralda de Jesus (100 m), em Caracas-1983. Depois vieram como Magnólia Figueiredo, Carmem de Oliveira, Marcia Narloch, Luciana Mendes entre muitos outros nomes importantes.

Foto Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Maurren comemora a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos 2011
- Foto Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Neste começo de Século 21 o Brasil obteve os maiores títulos internacionais, com Maurren Maggi, ouro olímpico no salto em distância em Pequim-2008, e Fabiana Murer, campeã mundial do salto com vara indoor (Doha-2010) e ao ar livre (Daegu 2011). Também Keila Costa brilhou em Mundiais e foi ao pódio no salto em distância em Doha-2010.

Paralelamente, uma nova geração desponta, como as campeãs pan-americanas em Guadalajara-2011, Rosângela Santos (100 m) e Ana Cláudia Lemos (200 m).

Adhemar Ferreira da Silva no “IAAF Hall of Fame”

No ano em que comemora o Centenário de sua fundação, a Associação Internacional das Federações de Atletismo anunciou, nesta quinta-feira 8, a instituição do “IAAF Hall of Fame”. A informação foi divulgada pelo presidente da IAAF, o senegalês Lamine Diack, em Istambul, na Turquia, na véspera da abertura do Campeonato Mundial Indoor-2012.

Para inaugurar o “Hall of Fame” do Atletismo, Diack anunciou os primeiros 12 integrantes, e um deles é o brasileiro Adhemar Ferreira da Silva. Os critérios principais para integrar a galeria são: o atleta deve ter conquistado pelo menos dois títulos em Olimpíadas ou Campeonatos Mundiais; ter estabelecido pela menos uma vez o recorde mundial e estar fora das competições há pelo menos 10 anos.

Adhemar Ferreira da Silva, que morreu em 2001 aos 73 anos, conquistou duas medalhas de ouro no salto triplo (Helsinque-1952 e Melbourne-1956) e estabeleceu cinco vezes o recorde mundial da prova nos anos 1950. Fora das pistas, exerceu inúmeras atividades: foi colunista do antigo jornal “Última Hora”, adido cultural junto à Embaixada do Brasil na Nigéria, presidente da Comissão de Atletas da Confederação Brasileira de Atletismo, da qual recebeu a comenda como “Membro Emérito”, a mais importante concedida a atletas pela entidade.

Em 2000, recebeu a “Ordem do Mérito Olímpico”, do Comitê Olímpico Internacional. Também o COB distribui anualmente o “Troféu Adhemar Ferreira da Silva”, a atletas de inegável eficiência técnica e que contribuem com atitudes de esportividade e companheirismo.

Abaixo, os outros 11 indicados:

HOMENS

Jesse Owens (EUA) – 4 ouros na Olimpíada de Berlim-1936 e recordista do salto em distância por 25 anos

Abebe Bikila (Etiópia) – Bicampeão olímpico na maratona em Roma-1960 e Tóquio-1964

Paavo Nurmi (Finlândia) – 4 ouros olímpicos nos anos 1920 e 29 recordes mundiais em provas de fundo

Carl Lewis (EUA) – 9 ouros olímpicos entre Los Angeles 1984 e Atlanta-1996

Emil Zatopek (antiga Tchecoslováquia) – ouro nos 5.000 m, 10.000 m e maratona em Helsinque-1952

Al Oerter (EUA) – tetracampeão olímpico do lançamento do disco, de Melbourne-1956 ao México-1968

Edwin Moses (EUA) – bicampeão olímpico dos 400 m com barreiras e recordista mundial por 16 anos

MULHERES

Fanny Blankers-Koen (Holanda) – 4 ouros olímpicos em Londres-1948

Betty Cuthbert (Austrália) – três títulos olímpicos de 1956 a 1964, nos 100 m, 200 m e 400 m

Jackie Joyner-Kersee (EUA) – bicampeã olímpica do heptatlo em Seul-1988 e Barcelona-1992

Wang Junxia (China) – campeã olímpica dos 5.000 m em Atlanta-1996 e campeã mundial dos 10.000 m em Stuttgart-1993

Outros 12 nomes serão contemplados este ano, segundo a nota da IAAF, em eventos marcados para julho e agosto próximos.

Hábitos antigos

Foto Franck Fife/AFP

Jérome Valcke, secretário geral da Fifa. Foto Franck Fife/AFP

O Brasil está atrasado com as obras para a Copa do Mundo de 2014, todo mundo sabe. Da mesma forma, todo mundo também sabe que isto sempre ocorre, em todos os países-sedes do evento, com raras exceções. No fim, a competição sempre se realiza. Entre os que sabem disso está o secretário geral da Fifa, Jérome Valcke. Mesmo assim, este senhor, demonstrando impressionante falta de educação, desrespeitou o País. As autoridades brasileiras ficaram na obrigação de responder.

Foi o suficiente para os saudosos dos antigos hábitos subservientes saírem da toca. Afinal – dizem –, “o moço foi arrogante, mas nossa obrigação é cumprir o acordo feito com a Fifa”. No entanto, muitos dos que agora defendem o acordo e a rápida aprovação da “lei geral da Copa”, até bem pouco tempo atrás eram críticos de vários itens desde contrato. Com razão em vários pontos, aliás.

A realização de um megaevento como a Copa do Mundo sempre tem pontos favoráveis, mas acarreta custos altos. Uma vez decidido que se fará o evento deve-se conduzir da melhor forma. Se há um contrato firmado, deve-se cumprir. Mas por que não se pode (re) negociar alguns pontos? Qual o grande erro nisso?

MUNDIAL INDOOR

O Brasil terá sete atletas no Mundial Indoor-2012, que começará na sexta-feira 9, em Istambul, na Turquia. Na equipe, Keila Costa, que na edição anterior do Mundial (em Doha-2010, no Catar) ganhou a medalha de bronze no salto em distância.