A nova São Silvestre

Principal corrida de rua da América Latina, a São Silvestre apresenta novidades para a edição de 2012. A Fundação Cásper Líbero, dona do evento, acaba de anunciar que o percurso deste ano será diferente, com a chegada voltando a ter lugar na Avenida Paulista, em frente ao prédio da Gazeta. Ao mesmo tempo, a nota informa a prova acontecerá na parte da manhã.

Em sua história, iniciada em 1925, a São Silvestre teve percursos e distâncias diferentes. Até 1989, porém, mantinha a tradição de ser uma prova noturna. Depois passou a ser disputada à tarde.

Sempre que uma competição tradicional sofre mudanças em seu perfil, as opiniões se dividem. Uns acham a mudança inevitável; outros, que a prova perdeu glamour e que “nunca mais terá a mesma importância”.

No entanto, sem entrar na análise das colunas de ganhos e perdas, um dado é importante lembrar: desde que deixou de ser noturna, o número de participantes da São Silvestre teve um crescimento antes nunca imaginado.

Agora, com a mudança da disputa para a parte da manhã, em um ponto certamente o desempenho dos atletas tende a ser melhor. Isto porque a prova feminina terá largada às 8:40 e a masculina, 20 minutos depois. E certamente o calor é mais suave do que no meio da tarde.

Felix foi importante na conquista do tricampeonato em 1970

Leio que morreu Felix nesta sexta-feira. Ele foi o goleiro titular da seleção brasileira, tricampeã do mundo no México em 1970. Do time titular, que conquistou em definitivo a Taça Jules Rimet (levada pela equipe que primeiro conquistasse o tricampeonato), poucos foram tão combatidos como ele.

Felix foi o primeiro titular de João Saldanha, que em 1969 comandou o time que se classificou para a Copa do Mundo. Porém, no ano seguinte, quando convocou o time que iniciaria sua preparação para a Copa, Saldanha esqueceu o goleiro do Fluminense e chamou os jovens Ado (Corinthians) e Leão (Palmeiras).

Como todos sabem, em meio à preparação, Saldanha foi substituído por Zagallo que, como primeira providência, levou novamente Felix e o efetivou como titular.

Acho estranho que, à época, para criticar o goleiro, falavam em eventual falha em um ou outro gol adversário. Falha pode ter havido, é claro. Mas contra a Inglaterra, na partida mais difícil daquela campanha, ele fez defesas importantes.

E depois, Ado e Leão, que realmente eram bons goleiros, também eram inexperientes (Leão tinha 20 anos). E os outros goleiros da época, como Picasso (São Paulo), Cláudio (Santos) e Ubirajara (Bangu) não estavam em grande fase.

Felix foi convocado pela primeira vez, já com 30 anos, em 1968, pouco tempo depois de se transferir da Portuguesa para o Fluminense. Foi uma seleção que fez alguns jogos na Europa. Ele foi chamado para a vaga de Picasso, contundido. Começou na reserva de Cláudio, mas acabou titular, no time dirigido por Aymoré Moreira.

Em 1966, quando Vicente Feola fez a convocação dos jogadores que buscariam uma vaga entre os 22 que iriam à Copa da Inglaterra, cinco goleiros foram lembrados: Gilmar, Manga, Valdir, Ubirajara e Fábio. Ainda na Portuguesa, Felix não foi chamado, embora tivesse sido considerado o melhor goleiro do Torneio Rio São Paulo, evento importante, à época.

A arbitragem e o presidente do Santos

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Já escrevi neste blog que acompanhei futebol profissionalmente quando comecei no jornalismo esportivo. Por oito anos, nas décadas de 1970 e 1980, fui acima de tudo repórter de futebol. Fiz a cobertura diária de Palmeiras, Corinthians e da Federação Paulista. Algumas vezes fiz o Santos e em outras a Portuguesa. E os jogos destas equipes. Além da seleção brasileira, mais no tempo de Claudio Coutinho, o inovador, que de Telê Santana, o craque dos treinadores.

Desde aquele tempo noto certa prevenção de técnicos, jogadores, dirigentes e torcedores contra a arbitragem. Sempre houve pouca paciência para com o juiz e seus auxiliares. Eles são criticados pelos derrotados e seus torcedores por falhas, às vezes reais, como no gol do Santos, no clássico contra o Corinthians, no domingo.

Sejamos razoáveis, porém. Quê pessoa realmente imparcial pode dizer para a própria consciência que o lance foi tão claro que teve certeza do impedimento sem o auxílio da TV?

Reclamar da arbitragem faz parte da cultura do futebol em nosso País. Mas o que incomoda é o número cada vez maior de profissionais de imprensa que acompanham as atitudes dos clubes, na crítica muitas vezes irresponsável aos juízes. O que é lamentável na atitude dos clubes é preocupante quando acontece da parte de jornalistas. Até porque estes têm a obrigação de olhar de forma mais distanciada os fatos de um jogo de futebol.

Gostei da declaração do presidente Luiz Álvaro, do Santos, sobre a falha do bandeirinha, no jogo de domingo. Ele disse que se todos falham, “até o Neymar”, o bandeirinha também pode errar. Muito bom, mas se ouvir isso do presidente do clube quando sua equipe reclamar do árbitro, depois de uma derrota, direi que o Sr. Luiz Álvaro estará, de fato, fazendo a diferença.

Para lembrar Estocolmo 1912

AFP

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Há 100 anos acontecia os Jogos de Estocolmo 1912 e a capital da Suécia conheceu o primeiro heroi olímpico dos tempos modernos. Ele era Jim Thorpe, norte-americano de origem índia, que venceu o decatlo e o pentatlo, ganhando um eloqüente elogio do rei Carlos Gustavo: “O senhor é o maior atleta do mundo”, disse o chefe de estado do país-anfitrião.

Tempos depois, Thorpe, que também era craque no beisebol e no futebol americano, foi acusado de profissionalismo. Teve que devolver as medalhas. A injustiça só foi reparada 60 anos depois. Mas foi considerado o melhor atleta, considerados todos os esportes, dos Estados Unidos, nos primeiros 25 anos do século 20.

Durante os Jogos de 1912, representantes de 17 países fundaram a IAAF (sigla em inglês da Associação Internacional das Federações de Atletismo). Atualmente a entidade conta com 212 federações nacionais filiadas. O Brasil, pela antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos), filiou-se à IAAF em 1914. Atualmente, a entidade que comanda o Atletismo nacional é a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), que começou a operar em 1979.

Estas celebrações dão ainda maior importância ao DN Galan, tradicional Meeting sueco, que faz parte do maior circuito do atletismo mundial: a Diamond League, que será disputada nesta quinta-feira 17. A competição acontecerá, por coincidência, no Estádio Olímpico, inaugurado em 1º de junho de 1912 e construído para os Jogos daquele ano.

Uma das provas do evento será o salto com vara feminino, que terá atrações como a campeã mundial em Daegu 2011, Fabiana Murer (Brasil), e a campeã olímpica em Londres 2012, Jennifer Suhr (Estados Unidos).

Atletas para o próximo ciclo olímpico

Foto: AFP

Maurren Maggi (foto) e Fabiana Murer não passaram à fase final

O Brasil chegou a Londres com vários candidatos ao pódio olímpico. Alguns chegaram lá. É assim mesmo, para cada grupo de atletas e equipes e condições de conquistar medalha, uma parte alcança a meta. Maurren Maggi Fabiana Murer não passaram à fase final. Os fãs do atletismo esperavam vê-las disputando o título.

Mas que ninguém tenha dúvida: elas foram as que mais sofreram com o não cumprimento do objetivo pela qual trabalharam tanto este ano. Treinaram duro nos campings que seus técnicos solicitaram e esperavam obter um resultado melhor. Tinham condições para isso, mas o imponderável é companhia constante das competições esportivas.

Em outros esportes aconteceu a mesma coisa. Cesar Cielo sonhava com duas medalhas, sendo uma de ouro. Levou um bronze e um quarto lugar. Scheidt e Prada eram favoritos ao título, ganharam bronze. Diego Hypólito voltou novamente sem medalha. Caíram antes das finais o futebol feminino, as equipes de basquete masculina e feminina, duas duplas de vôlei de praia.

Houve, no entanto, bons resultados, que se não deram medalha, mostraram atletas em franca evolução, com possibilidades de brilhar no próximo ciclo olímpico. Geisa Arcanjo é um caso típico: aos 20 anos foi finalista no arremesso do peso. Ou Mauro Vinícius, sétimo no salto em distância. Ou, ainda, Rosângela Santos (100 m) e Evelyn Carolina (200 m), que melhoram seus recordes pessoais. Da mesma forma que o handebol feminino, que foi mais longe desta vez do que em qualquer outra Olimpíada.

O ouro de Zanetti

Arthur Zanetti - Foto: Gaspar Nobrega/Gazeta Press

Arthur Zanetti - Foto: Gaspar Nobrega/Gazeta Press

O título olímpico do ginasta Arthur Zanetti deve ser comemorado pelos brasileiros. Não apenas os fãs da ginástica artística devem valorizar a conquista de Zanetti – de 22 anos apenas – obtida nesta terça-feira, nos Jogos de Londres. Por um momento que seja, deveríamos tentar imaginar o tamanho da vitória do atleta num aparelho tão difícil, como as argolas.

Zanetti teve que superar, na sua última participação, ninguém menos que o atual campeão olímpico e tricampeão mundial, o chinês Yibing Chen. Pois o representante do Brasil somou 15.900 pontos, cem pontos a mais que o astro chinês. Vi pela TV, já que meu trabalho no Estádio Olímpico não permite que presencie in loco esportes tão interessantes, que unem características competitivas com arte.

Esta é a primeira medalha da ginástica brasileira na história dos Jogos Olímpicos. Tínhamos campeões mundiais, como Daiane dos Santos e Diego Hypólito. Mas pódio olímpico o de Zanetti é o primeiro. E ele logo subiu ao ponto mais alto.

É preciso reconhecer que a ginástica brasileira deu um salto significativo nesta última década, resultado certamente do trabalho de muita gente, de atletas e treinadores, principalmente, mas de alguns dirigentes também. E graças aos recursos que hoje não faltam ao esporte olímpico, por decisão do Governo Federal.

A vitória do judô brasileiro em Londres

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Vim a Londres para acompanhar o torneio de Atletismo. Mas, como todo jornalista esportivo, a mim interessa tudo o que cerca os Jogos Olímpicos, principalmente os resultados dos brasileiros. Assim, com alguma surpresa, tenho ouvido comentários sobre a participação dos judocas brasileiros na capital britânica. “É, foi bom”, dizem com desânimo, para em seguida completar: “Mas podia ter sido melhor.”

Então, ficamos assim: claro que podia ser melhor. Sempre pode ser melhor. Mas também pode ser pior. Mas é preciso considerar algumas coisas: 1 – desde Los Angeles 1984 o judô nacional sempre sobe ao pódio olímpico, e 2 – desta vez foram conquistadas quatro medalhas, em 14 possíveis.

Portanto, um aproveitamento geral da ordem de 30 por cento. Isso demonstra, para quem ainda tinha alguma dúvida, que o Brasil é uma potência no judô. O que é resultado de um conjunto de fatos, como o aparecimento de sucessivas gerações de bons judocas e o maior volume de recursos que, principalmente, o Governo Federal tem investido no esporte. E, certamente, ao trabalho da Confederação Brasileira de Judô.