Um livro revelador sobre os Jogos do Rio em 1922

Era uma vez um país sul-americano, que teve o Centenário da Independência comemorado em 1922. Assim como seus vizinhos, este país, chamado Brasil, ainda se iniciava na organização de eventos esportivos. Em 1922, o futebol já havia superado o remo como esporte mais popular do Brasil, até mesmo no Rio de Janeiro, então capital federal. Nomes como Friedenreich eram ídolos. Mas a maioria dos esportes nunca havia formado uma seleção nacional.

Acontece que no início da década de 1920, o COI buscava promover o Movimento Olímpico Internacional. O Olimpismo não era, então, um grande negócio.

Como as festividades pelo Centenário da Independência do Brasil contariam, também, com eventos esportivos, pensou-se em juntar as duas coisas: o evento seria poliesportivo e teria o reconhecimento do COI. Apesar das sérias dificuldades da época, a competição foi realizada. O torneio de tiro teve o brasileiro Guilherme Paraense, que dois anos antes fora campeão olímpico nos Jogos de Antuérpia.

No Atletismo, o grande nome foi o chileno Manuel Plaza, ganhador de cinco medalhas de ouro, e que, seis anos depois, em Amsterdã, ganharia a prata olímpica na maratona. O principal nome brasileiro foi o gaúcho Willy Seewald, campeão do lançamento do dardo e que, em 1924, integraria a primeira equipe olímpica do atletismo do País.

Nos Jogos de 1922, esportes como atletismo, basquete e natação formaram suas primeiras seleções. O torneio de atletismo, assim como os de outras modalidades, teve alguns problemas de organização. Por isso, a delegação chilena pediu a anulação dos resultados prejudicando principalmente seu atleta Manuel Plaza.

Tudo isso é contado com riqueza de informações no livro “Jogos Olímpicos Latino-Americanos – Rio de Janeiro 1922”, de autoria do historiador argentino César Torres, professor da Universidade de Nova York. No livro – publicado em português, espanhol e inglês, com tradução de Martim S Silveira –, Torres propõem a revalidação dos resultados, no que foi atendido pelo Congresso da Confederação Sul-Americana de Atletismo, que por unanimidade (com o voto favorável do representante do Chile), revalidou o resultado e reparou injustiça histórica.

Tive o prazer de editar a obra para a Confederação Brasileira de Atletismo, com patrocínio da Caixa Econômica Federal. Agradeço a Confederação e a Caixa, que viabilizaram a publicação do belo trabalho do professor César Torres.

Um legado do Rio 2016

Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República

A mídia ainda não de deu conta da importância do evento da última quinta-feira, quando a Presidenta Dilma Rousseff e o Ministro do Esporte Aldo Rebelo lançaram o programa Bolsa Medalha. A meta é dar as melhores condições de preparação para os atletas e equipes que representarão o Brasil na Olimpíada e na Paraolimpíada do Rio 2016. Com isso, esperam as autoridades, que o País fique entre os dez primeiros nos próximos Jogos Olímpicos e entre os cinco melhores nos Paraolímpicos.

Na cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, com atletas, dirigentes e jornalistas presentes, o Ministro do Esporte lembrou que o programa representa um aporte de mais R$ 1 bilhão no esporte. Atletas, treinadores e profissionais das comissões técnicas serão beneficiados diretamente com quase 70 % destes recursos. Os outros 30 % serão para instalar e equipar centros de preparação dos esportes olímpicos e paraolímpicos.

Assim, no próximo quadriênio, o total de investimentos do Governo Federal, na preparação das equipes para os Jogos do Rio 2016, por via direta, e por meio de patrocínio de empresas públicas, totalizará R$ 2,5 bilhões.

Por sua vez, a Presidenta da República particularizou: “Assim como há Olimpíadas de matemática, vamos fazer uma Olimpíada Escolar do Atletismo, para descobrir o estudante mais rápido do País, o que salta mais longe”, disse Dilma Rousseff. A definição pelo atletismo é pelas características deste esporte, que faz de seu praticante apto a buscar outras modalidades, mais tarde, caso prefira.

Disse, ainda, a chefe do Governo, que estas ações do poder público serão feitas pelos Ministérios do Esporte e da Educação, com participação da Casa Civil, cuja titular, Gleisi Hoffmann, estava presente. Dilma enfatizou que os programas do governo na área devem visar não apenas 2016, mas que devem objetivar resultados para além da Olimpíada do Rio.

Atletas e dirigentes reconhecem o esforço do Governo em apoiar a preparação dos brasileiros. Já no ciclo olímpico 2009-2012 os investimentos públicos federais foram importantes. E os atletas e seus treinadores tiveram boas condições de trabalho. Se os resultados em Londres não foram os esperados, isto é uma análise que cada modalidade deve fazer.

Esta atitude do Governo Federal e a decisão de levar o MiniAtletismo para crianças de 7 a 12 anos às escolas públicas de período integral, associada a outras ações – o Governo do Paraná informou que também implantará este projeto nas escolas do Estado –, podem se configurar, no final das contas, em um legado dos Jogos de 2016.

A Paralimpíada e a luta pela cidadania

Montagem sobre fotos de Divulgação

Da esquerda para a direita: Teresinha, Yohansson, Felipe, Alan, Tito e Shirlene

Em Londres, mais uma vez, a delegação brasileira fez bonito nos Jogos Paralímpicos. No atletismo, a equipe ganhou 18 medalhas. Nos 100 m T11 feminino, as representantes do País ocuparam os três lugares do pódio. A campeã da prova, Teresinha Guilhermina, ganhou também os 200 m T11.

Nos 200 m T44, o campeão Alan Fonteles ganhou especial e merecido destaque, ao superar o astro Oscar Pistorius. Atleta da África do Sul, Pistorius disputou, antes da Paralimpíada, os Jogos Olímpicos de Londres. Depois da prova, em que terminou em segundo lugar, ele criticou as próteses usadas pelo brasileiro, que teriam características técnicas que lhe dariam vantagens.

Vantagens que Pistorius negou possuir quando, pelo mesmo motivo, teve vetada sua participação em Campeonatos Mundiais de Atletismo pela IAAF. Posição depois revogada, com sua liberação para a disputa de qualquer competição.

Porém, as palavras do sul-africano possivelmente farão voltar essa situação ao debate no esporte internacional. As próteses podem dar vantagem indevida contra atletas Será difícil encontrar um consenso nos próximos anos.

O que vale, porém, é que a Paralimpíada chama a atenção do mundo para a necessidade de se reconhecer a cidadania dos portadores de deficiência. Isso vale para todas as áreas da atividade humana e não apenas no esporte.

Abaixo, os ganhadores de medalha em Londres.

OURO

200 m T11 – Felipe Gomes

200 m T44 – Alan Fonteles Cardoso

200 m T46 – Yohansson Nascimento

Maratona T46 – Tito Sena

100 m T11 – Teresinha Guilhermina

200 m T11 – Teresinha Guilhermina

Lançamento do dardo F37/38 – Shirlene Coelho

PRATA

100 m T11 – Lucas Prado

200 m T11 – Daniel Silva

400 m T11 – Lucas Prado

400 m T46 – Yohansson Nascimento

1.500 m T11 – Odair Santos

Lançamento do dardo F57/58 – Claudiney Santos

100 m T11 – Jerusa Geber Santos

200 m T11 – Jerusa Geber Santos

BRONZE

100 m T11 – Felipe Gomes

Lançamento do disco F40 – Jonathan de Souza

100 m T11 – Jhulia Santos

Um clube de 113 anos

No aniversário de 77 anos da independência, em 7 de setembro de 1899, um alemão radicado em São Paulo, Hans Nobiling, fundou o Germânia, agremiação esportiva que faria história no Brasil. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), por determinação legal, foi preciso mudar o nome do clube, desde então chamado Esporte Clube Pinheiros.

Grandes atletas, de vários esportes, em várias épocas, passaram pela equipe. No atletismo, um deles foi Lúcio de Castro, finalista no salto com vara na Olimpíada de Los Angeles, em 1932. Quatro décadas depois brilharia João Carlos de Oliveira, bronze no triplo em Montreal, em 1976, e Moscou, em 1980, além de figurar como recordista mundial da prova por quase dez anos.

O clube obteve resultados importantes nas competições atléticas nas décadas de 1950 e 1960. A partir dos anos 1990, por algumas temporadas não teve maior destaque. Há alguns anos, porém, voltou a ter equipes competitivas no esporte base e foi vice-campeão do Troféu Brasil este ano. Entre outros nomes integram a equipe a campeã pan-americana da maratona em Guadalajara, Adriana Aparecida da Silva, e a finalista olímpica em Londres, e revelação do arremesso do peso, Geisa Arcanjo.

O clube teve e tem competidores importantes em vários esportes. Entre os mais conhecidos estão o são o nadador Manoel dos Santos, bronze nos 100 m nado livro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, e o judoca Rafael Silva (categoria acima de 100 kg), bronze este ano em Londres.