A monocultura esportiva e suas consequências

A monocultura do futebol domina o trabalho da imprensa esportiva, no Brasil e em muitos outros países. Tanto que colegas meus da Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha e Itália relatam situação semelhante. Acho, porém, que no Brasil a situação é mais dramática. Parte disso vem da grande popularidade do futebol, sem dúvida o mais fascinante jogo de bola do planeta.

No entanto, o jornalismo esportivo e seus profissionais devem saber que têm algumas obrigações com a comunidade que mantém, pratica ou apenas gosta de outros esportes. É verdade que a TV a cabo tem programado a transmissão de competições esportivas de variadas modalidades. Mas, o alcance dos canais pagos ainda está longe de atingir a audiência da TV aberta.

Certo que um evento esportivo é entretenimento. Assim, é razoável que as várias mídias atendam, preferencialmente, o gosto popular e dar generoso espaço para o futebol. Por um lado, essa dedicação ao futebol obrigou que os profissionais buscassem um melhor preparo para tratar de futebol. Por isso, hoje temos comentaristas que não passam vergonha numa discussão com treinadores.

Embora, aí, seja verdade o que escreveu Paulo César Caju. O antigo craque sugeriu menos arrogância, principalmente ao pessoal da televisão. Já a narração de futebol regrediu e é inferior ao que faziam Mário Moraes (na antiga TV Tupi, anos 1960), Walter Abrahão (TV Tupi, década de 1970), Orlando Duarte e Luiz Noriega (TV cultura, nessa mesma época).

De qualquer forma, no geral, houve inegável evolução na cobertura do futebol. O que não se dá com os esportes olímpicos, principalmente os básicos. Com exceções, quando tratam de atletismo, por exemplo, demonstram capacidade de discernimento similar ao de Tufão, Murici, Nina e Ivana, personagens da novela “Avenida Brasil”, capazes de saírem às ruas com um milhão de reais na bolsa.

Assim, não conseguem entender a prática atlética, o desenvolvimento dos praticantes, as peculiaridades deste e de outros esportes. É por isso que saem inúmeras matérias que desinformam o esportista. Fazem com que tenham uma ideia caricata da atividade. Um pouco de boa vontade e respeito profissional fariam diferença. Que tal um pouco de humildade, quem sabe frequentar os ambientes, os treinamentos, por exemplo? Não é pedir muito.

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