Notícia e ficção na TV e na mídia impressa

A repórter de um canal de TV brasileiro acompanhou, em Caracas, a eleição presidencial na Venezuela, no último domingo. Informa que o presidente Chávez foi reeleito (com 1,2 milhão de votos a mais que seu adversário). Na sequência, entrevista um opositor que afirma ter sido o presidente “castigado pelas urnas”. Dá para entender? Chávez ganhou a eleição e “foi castigado”. Os resultados, porém, apontam que sua administração foi aprovada pela maioria dos venezuelanos.

Pensei que talvez tivessem substituído o editor de texto pelo autor de certa novela, que compôs personagem capaz de ir ao banco, sacar R$ 1 milhão, sair a pé numa rua central do Rio de Janeiro para ser roubado em seguida. E que o novo editor havia confundido a ficção que faz como novelista com seu novo trabalho, de redator fiel aos fatos. Os créditos do telejornal, porém, avisa que o responsável por essa parte do trabalho não mudou. E que o novelista continua no seu devido lugar.

O objetivo aqui não é analisar a política internacional, muito menos fazer crítica de televisão. Uso apenas esses fatos para lembrar: ao ler um jornal, revista ou blog, ouvir rádio ou ver TV, é preciso usar o senso, de preferência o crítico. E tentar ver o que sobra, o que é realmente informação e o que alguns meios de comunicação vendem como verdade.

Essa situação, que muitas vezes se repete na mídia impressa, mostra que não é apenas a imprensa esportiva que é falha em nosso País. Outras áreas cometem enganos certamente bem mais danosos, no final das contas, para uma formação saudável da opinião pública.

Tinha que escrever estas poucas linhas, não para justificar atitudes muitas vezes equivocadas de jornalistas que cobrem os esportes no Brasil. Mas queria apenas alertar: o fato de que outras áreas são falhas não deve servir de consolo. Ao contrário, deve reforçar a decisão de fazer um trabalho sério, até para honrar o jornalismo esportivo.

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