Usain Bolt e Allyson Felix: os melhores de 2012

Foto: AFPA IAAF anunciou nesta tarde, em Barcelona, os nomes dos escolhidos para o prêmio Melhores do Ano. Sem novidades no masculino, com a eleição do jamaicano Usain Bolt, mais uma vez. Votei no Bolt, por todos os motivos. Ele foi, realmente, quem obteve o melhor conjunto de resultados na temporada.

E Bolt não deixou dúvidas para nenhum eleitor. Conquistou o bicampeonato olímpico em Londres, nas suas três provas: 100 m, 200 m e 4×100 m. No revezamento, aliás, ajudou a Jamaica a estabelecer o novo recorde mundial, com 38.64.

Para quem, iludido, esperava vê-lo superado por seu colega de equipe Yoham Black, Bolt fez os 100 m em 9.63 e os 200 m, em 19.32. Aos 26 anos, esbanja simpatia e é o nome mais carismático do atletismo mundial.

Não vou ao extremo de um colega português, que gritava na sala de imprensa de Londres, após a vitória do jamaicano nos 200 m: “É o maior nome do atletismo mundial em todos os tempos”, insistia o simpático colega, no belo sotaque lusitano.

Um exagero, sem dúvida. Mas, com certeza, Usain Bolt é o principal atleta revelado desde o ano 2000.

No feminino, mais uma escolha justa: Allyson Felix, dos Estados Unidos. Ela ganhou os 200 m, o 4×100 m e o 4×400 m nos Jogos de Londres. E no 4×100 , com a marca de 40.82, contribuiu para o estabelecimento de novo recorde mundial na prova.

Para mim, Allyson Felix foi mesmo um dos grandes nomes do atletismo feminino em 2012. Votei, porém, em outra grande atleta: a neozelandesa Valerie Adams-Vili, bicampeã olímpica do arremesso do peso. Mas Allyson, igualmente, mereceu o prêmio.

As melhores performances da temporada também foram escolhidas. No feminino, o recorde do 4×100 m pelas norte-americanas em Londres.

Entre os homens, o melhor desempenho foi o do queniano David Lekuta Rudisha, campeão olímpico dos 800 m, com 1:40.91. Além de estabelecer novo recorde mundial, Rudisha tornou-se o primeiro atleta a fazer a prova em menos de 1:41.00.

Também foi premiado Glen Mills, técnico de Bolt, pela carreira. Muito justo.

Nelson Prudêncio – homem, atleta e dirigente

Foto: Acervo/Gazeta PressEstive ontem em São Carlos, no velório do grande atleta e dirigente Nelson Prudêncio. A perda do amigo só tem a compensação de ver como ele era e continuará querido. Antigos atletas, atletas experientes e outros que ainda estão começando no esporte compareceram, para uma última homenagem.

Professores e alunos da Universidade Federal de São Carlos, onde trabalhou por quatro décadas, foram levar a solidariedade à família do ganhador de duas medalhas olímpicas e autor de um recorde mundial do salto triplo.

Gente simples, que o conhecia do dia a dia se misturava com autoridades – o atual prefeito, o prefeito eleito e os que chefiaram a administração de São Carlos nos últimos 20 anos estiveram presentes, assim como o presidente eleito da CBAt, Toninho Fernandes. Campeões como Maurren Maggi, Conceição Geremias, Esmeralda de Jesus, João Joaquim dos Santos levaram seu adeus a um dos maiores nomes do esporte brasileiro.

Nelson teve uma trajetória especial. Foi um grande triplista, como provam as medalhas olímpicas e o recorde mundial. Foi mais que isso. Foi também um estudioso. Formado em educação física, especializado em atletismo, alcançou o título de doutor pela Unicamp em 2006.

Discreto, nunca teve, porém, receio de atuar em novas frentes, tanto que aceitou a vice-presidência na chapa de Roberto Gesta, eleita em 2004 e depois confirmada para mais um período. Sempre que podia aceitava os convites para dar palestras.

Nos últimos anos, falou a executivos, políticos, e principalmente a estudantes, de crianças a universitários. Sempre levando a mensagem dos benefícios da prática do esporte, e do atletismo em especial na formação do povo. Não há muita gente como Nelson Prudêncio.

O esporte e o Dia da Consciência Negra

Não podemos dizer que o racismo é coisa do passado, mas atualmente há uma legislação que pune racismo como crime no Brasil e em muitas outras nações. De uma forma ou de outra, porém, os negros das Américas sempre encontraram uma forma de superar as adversidades. Duas das atividades em que isto mais aconteceu foram as artes, notadamente na música, e o esporte, principalmente futebol, atletismo e box.

Hoje, 20 de novembro, aniversário da morte de Zumbi, é o Dia da Consciência Negra, feriado em inúmeras cidades do País. Um bom dia para reverenciar grandes nomes do esporte nacional, de origem africana.

Pelé, sem dúvida, é um nome mundial, o rei do futebol. Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão do salto triplo, é o maior nome da história olímpica do Brasil. No exterior, vários nomes confirmam a qualidade da atuação dos afro-americanos, caso, por exemplo, de Michael Jordan e Muhammad Ali, ambos dos Estados Unidos, no basquete e no box.

Fausto, Leônidas, Domingos da Guia, Zizinho, Didi, Djalma Santos, Zózimo, Coutinho, Paulo Borges, Jurandir, Edu, Jairzinho, Paulo César, Dirceu Lopes, Luís Pereira, Reinaldo, Wladimir, Ronaldão, Dida, Ronaldinho Gaúcho são alguns outros jogadores que brilharam ou ainda brilham entre nós.

O atletismo, embora com nomes de todas as raças, tem nos atletas negros os responsáveis por algumas das principais conquistas nacionais. Além de Adhemar, outros dois triplistas foram recordistas mundiais e ganharam medalhas olímpicas: Nelson Prudêncio e João Carlos de Oliveira.

Mais alguns: José Telles da Conceição, Nelson Rocha dos Santos, Robson Caetano, Claudinei Quirino, Zequinha Barbosa, Ronaldo da Costa, Jadel Gregório, Wanda dos Santos, Melânia Luz, Aída dos Santos, Silvina das Graças, Esmeralda de Jesus, Conceição Geremias, Elisângela Adriano, Lucimar Moura, Luciana Santos, Keila Costa, Andressa Morais. E milhares de outros que fazem a base atlética brasileira.

Palmeiras, Fluminense e São Paulo

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

A situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro era crítica há muito tempo. O time mostrou, pelo menos desde a segunda metade do primeiro turno, que era um dos “favoritos” a cair para a série B. O que ontem acabou se confirmando, para a tristeza dos torcedores. Mas, os poucos leitores do blog, por acaso se surpreenderam? Acho que não, pois se não fosse no fim de semana seria na próxima rodada.

Já o Fluminense jogou com o Cruzeiro como campeão brasileiro, título merecido, aliás. Por isso a derrota de 2 a zero não doeu nos tricolores, que – aí, sim, uma surpresa – não lotaram o Engenhão. Mas a festa foi justa.

A TV mostrou prioritariamente estes dois jogos. A Globo, canal aberto, passou Palmeiras e Flamengo (1 a 1), e o Sportv, Fluminense e Cruzeiro. Os programas de esportes da TV e do rádio ontem e hoje falam, basicamente, da queda do Verdão. Os dois principais jornais paulistanos – Folha e Estadão – dão desataque ao fato, em suas páginas de esportes.

E a estreia de Ganso, na vitória do São Paulo sobre o Náutico, por 2 a 1, ficou em terceiro plano. Isso, apesar do recorde absoluto de público, de mais de 60 mil pessoas. Depois acham ruim quando dizem, nem sempre com razão, que a imprensa prefere as notícias ruins às boas.

Parabéns, futsal

AFP

AFP

A seleção do Brasil derrotou a da Espanha na final da Copa do Mundo, realizada na manhã deste domingo em Bang

Kok, capital da Tailândia, no sudeste asiático. O placar de 3 a 2 mostra como a conquista foi difícil, e, até por isso mesmo, ainda mais emocionante. Basta considerar o gol decisivo, feito por Neto, que já tinha marcado o primeiro, aconteceu a apenas 19 segundos do fim do jogo, já na prorrogação.

Acima de tudo, porém, vale todas as festas para o time, comissão técnica e dirigentes do futsal brasileiro. Foi o sétimo título, desde 1982, quando o País obteve a primeira conquista, ainda nos tempos da Fifusa (federação internacional de futebol de salão), que depois virou o departamento de futsal da Fifa.

Neto, o herói da campanha, foi merecidamente eleito o melhor jogador da Copa. Outra estrela do futsal, Falcão, fez o segundo gol brasileiro, quando a Espanha estava na frente por 2 a 1. Ao fim do jogo, o capitão Vinicius lembrou que o esporte é o mais praticado no Brasil. A capacidade nacional de revelar talentos é tal que há brasileiros em várias seleções. Um deles, Eder Lima, joga pela seleção da Rússia e foi o goleador da Copa, com nove gols.

O esporte não é olímpico, o que é uma pena, porque, além de ser popular entre nós, é praticado em praticamente todos os continentes.

Importância e responsabilidade da mídia

É preciso tratar com muito cuidado os jovens atletas. Um atleta que demonstre talento na categoria sub 18 deve ser apoiado. Mas seus mentores devem tomar todo o cuidado do mundo. Primeiro, para reconhecer se tal atleta tem realmente potencial. Depois, para não superestimar suas qualidades. Por fim, para guardá-lo dos exageros, que vêm de toda parte. Vez por outra vejo reportagens sobre novas revelações nos vários esportes olímpicos. Divulgar o trabalho e mostrar os resultados é bom para o atleta e para os que o acompanham. Mas é bom pisar no chão. Antes de falar que um jovem valor é “esperança do Brasil para a Olimpíada do Rio-2016” veja se há fundamento. Fale com o treinador, fale com outros especialistas naquela prova. Compare os resultados no plano internacional. Afinal, está se falando de Jogos Olímpicos! O exagero agora pode não incomodar o autor da reportagem. Depois de algum tempo, nem o editor vai lembrar o que publicou. Mas o estrago pode ser ruim para o atleta, à medida que o tempo passa e os resultados muitas vezes não aparecem… Há atletas que aparecem cedo, mas seus feitos terminam nas categorias de base. Outros aparecem apenas já na maturidade, após os 20 anos. A mídia tem um papel importante no acompanhamento das coisas do esporte. Ela divulga os eventos, mostra os resultados, as conquistas dos atletas e equipes. Mas é preciso responsabilidade.