Vale 10

AFP

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Há poucos dias postei comentário em que citava quatro fatos esportivos merecedores de nota zero na temporada. Depois tratei especificamente do título mundial do Corinthians, claro que merecedor de nota 10.

Claro que houve outras coisas muito boas. Na Olimpíada de Londres, por exemplo, Arthur Zanetti ganhou ouro num esporte dos mais elegantes: a ginástica artística. Fato ainda mais auspicioso se lembrarmos que há algumas décadas bem poucos eram os talentos brasileiros na ginástica. Vale 10.

Ainda em Londres, a judoca Sarah Menezes ganhou ouro na categoria até 48 kg. O judô já havia dado títulos olímpicos no masculino, mas foi primeira vez que uma mulher subiu ao ponto mais alto do pódio. É claro: 10.

O Governo Federal e o Governo do Paraná decidiram levar o projeto MiniAtletismo às escolas públicas. Trata-se de um programa para levar a prática atlética a crianças de 7 a 12 anos. A decisão merece 10. Se, de fato, a decisão for implementada, o valor será incalculável.

Dez vai também para Lúcio de Castro e a ESPN, pela série de reportagens sobre o uso político do futebol pelas ditaduras dos países do Cone Sul. O capítulo do Chile foi emocionante. E foi bom rever Caszely.

Entro em férias amanhã e volto no começo de janeiro. Boas festas a todos.

Corinthians, nota 10

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

No último post, falei de personagens, instituições e fatos do esporte que mereceram nota zero este ano. Também terminei o comentário afirmando que falaria das boas coisas de 2012. Farei isso nos próximos dias. Mas hoje é o “Dia do Corinthians”, que termina a temporada com merecida Nota 10.

Antes, já havia conquistado seu primeiro título na Taça Libertadores. E na manhã deste domingo (horário brasileiro), 16 de dezembro, ganhou o segundo título mundial em Yokohama, no Japão. A vitória sobre o Chelsea por um a zero foi justa, como justo foi o título do alvinegro.

Toda a equipe mereceu levantar o troféu no Japão, sendo que três nomes foram fundamentais: o treinador Tite, que fez de um grupo de jogadores um time; o goleiro Cássio, pelas três defesas que salvaram o Corinthians, e o atacante Guerrero, pela categoria e tranquilidade na hora de fazer o gol.

Claro que se lembrarmos de todas as competições do ano veremos que outros jogadores se destacaram. Caso de Emerson, especialmente na final da Libertadores. E teve Paulinho, Ralf, Paulo André, Chicão… Todos foram muito importantes.

Enfim, 2012 foi um ano para nenhum corintiano esquecer.

Nota zero

Coisas boas e outras nem tanto aconteceram em 2012. É sempre assim. Mas alguns fatos foram de amargar, para lembrar uma expressão antiga. Foram atitudes ou decisões que fazem seus responsáveis merecer NOTA ZERO. Claro que não dá para falar de todos aqui. Então, selecionei alguns:

1 – A insistência do Governo do Estado do Rio em privatizar o Maracanã e demolir o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Parque Aquático Júlio Delamare, o Museu do Índio e a Escola Modelo Arthur Friedenreich. Por enquanto, a Comunidade do Atletismo reagiu de forma consistente. A natação faz “cara de paisagem”.

2 – A notícia alarmante que circula em São Paulo: o Governo Paulista quer vender o Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, principal complexo do esporte olímpico na capital paulista. Desta vez até a imprensa reagiu com timidez. Talvez pelo excesso de tucanagem na mídia local, tanto a geral como a esportiva. Mas o tamanho do desastre para o esporte é igual ou maior do que as demolições do Maracanã.

3 – A segurança do Morumbi, e só pode ter sido por orientação da diretoria do clube, tentou impedir que os jogadores do “Tigre” fizessem aquecimento no gramado, antes da decisão de quarta-feira. A desculpa de que os são-paulinos também foram maltratados na Argentina, no jogo de ida, não justifica atitude tão rasteira.

4 – A decisão do Tigre de não disputar o segundo tempo da decisão da Copa Sul-Americana. Os jogadores da equipe, aliás, continuaram no Morumbi o jogo violento que já haviam realizado em Buenos Aires. As agressões ao final do primeiro tempo comprovam isso. E depois, havia segurança para a realização do segundo tempo. Foi uma atitude cafajeste, que não faz justiça ao futebol argentino.

Houve outros, cito esses, que são recentes. Houve também coisas interessantes, que trataremos proximamente.

Um hino contra a demolição do Estádio Célio de Barros

O Movimento contra a demolição do Estádio Célio de Barros, no Complexo Esportivo do Maracanã, no Rio de Janeiro, ganhou um hino. A música é BOTA ABAIXO, composição do professor de educação física Claudio da Matta Freire, que nas décadas de 1980/1990 foi recordista brasileiro do salto em altura. Para ouvir, clique no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Dq9Ss_qvFRc&feature=share

Templo do Atletismo carioca, o Estádio Célio de Barros foi palco de eventos importantes, como o Troféu Brasil, Campeonatos Sul-Americanos e Grande Prêmio Brasil. Na mesma pista, em 1981, Joaquim Cruz estabeleceu um recorde mundial juvenil nos 800 m, com 1:44.3, marca que vigorou por 16 anos. Michael Johnson, Robson Caetano, Sergey Bubka, Arnaldo de Oliveira, Mike Powell, Claudinei Quirino, Nelson Rocha, Silvina Pereira, Aída dos Santos são algumas das estrelas que deixaram sua marca no Estádio.

O Governo do Rio decidiu pela demolição do Estádio, assim como de outras praças esportivas do Complexo, como o Parque Aquático Júlio Delamare, o Museu do Índio e a Escola Modelo Arthur Friedenreich. O espaço resultante deverá virar estacionamento para o novo Estádio do Maracanã, na Copa do Mundo de 2014.

O “Célio de Barros” é, também, o principal centro de treinamento do Atletismo do Rio de Janeiro, cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Atletas, treinadores, árbitros, dirigentes e mesmo a imprensa, não entendem que a pouco mais de três anos dos Jogos do Rio, um valioso e raro patrimônio esportivo do principal dos esportes olímpicos seja colocado abaixo.

Enfim, um Campeonato de muitas atrações

Neymar e Lucas, dois grandes jogadores brasileiros, mostraram um futebol de qualidade, novamente, no Campeonato que terminou no domingo. São jovens o santista que ficará no Brasil e o são-paulino que vai para a França. São nomes certos na Copa-2014. Mas Neymar e Lucas não disputaram integralmente o Brasileirão, pois muitas vezes tiveram que atender a convocação da Seleção, e desfalcaram suas equipes.

Assim, natural que nas escolhas dos melhores outros nomes terminassem por aparecer mais, caso de Fred e Diego Cavalieri, do campeão Fluminense.

Mas o Campeonato deste ano teve vários outros jogadores que merecem ser destacados. Caso de veteranos, como Ronaldinho Gaúcho, que voltou a jogar bem no Atlético. Ou de Seedorf, que foi sem dúvida uma atração do Botafogo. Zé Roberto e Gilberto Silva fizeram a diferença no Grêmio. Juninho Pernambucano manteve respeitabilidade ao Vasco. Até Vágner Love fez alguns bons jogos no Flamengo.

Sem esquecer Rogério Ceni e Luís Fabiano no São Paulo, que ainda apresentou Denilson, Jadson, Osvaldo. Deco e Wellington Nem no Fluminense, Montillo no Cruzeiro, D’Alessandro no Internacional, Dida na Portuguesa, Arouca no Santos. O Corinthians teve Paulinho, Ralf, Danilo.

E apareceram jovens jogadores que permitem esperanças para o futuro. Aqui, o principal nome parece ser Bernard, do Atlético, eleito, com justiça, a revelação do ano.