Rogério Ceni e a evolução da ‘espécie goleiro’

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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Um dos maiores ídolos da história do São Paulo FC completa 40 anos nesta terça-feira 22. Mais que isso, Rogério Ceni continua jogando bola e é o goleiro titular absoluto do Tricolor. Com 1.050 jogos e 107 gols marcados em favor do Mais Querido, ele também é um personagem especial, não apenas no clube como na própria história do futebol.

Falo isso não apenas por Rogério ostentar o significativo recorde, como o goleiro que mais gols já marcou, na história do futebol mundial – alguns inesquecíveis, como o 100º gol, feito contra o Corinthians, em 2010, ano em que o Timão, por coincidência, comemorava um século de vida. Lembro, também, que em outros atributos técnicos Rogério está muito à frente de outros grandes goleiros de seu tempo. Afinal, que outro quarda-metas (história: guarda-metas caiu em desuso antes do nascimento do Rogério, em 22 de janeiro de 1973) sai jogando tão bem? Quem faz passes e lançamento longos, quase sempre colocando um companheiro em condições de dar sequência ao jogo?

Bem disse Raul Plassmann, ele também um bom goleiro, com rápida passagem pelo Morumbi: “Rogério é a evolução da ‘espécie goleiro’.” Taí, concordo. Claro que podemos dizer mais coisas ainda sobre o titular da camisa 1 são-paulina, como o próprio tempo no esporte. Afinal, desde 1990 no São Paulo, é o titular já há 13 anos. Eis aí outro ponto: aos 40 anos é titular de um dos principais times do País.

Claro que outros goleiros jogaram muito tempo. Dizem que Manga (ex-Botafogo e Internacional) teria jogado até os 45 anos. Mas há muito folclore quando se fala desse antigo jogador, que defendeu várias vezes a seleção brasileira na década de 1960. Vi o grande Gilmar defender o Santos até os 39 anos, mas aí o titular já era o Claudio.

O fato é que Rogério Ceni já está na história do São Paulo FC e entra na listas de melhores goleiros da história. Ele reúne algumas qualidades especiais. Além de ser um grande jogador, sabe passar tranquilidade para a equipe e é um líder nato. Dos que eu vi defendendo o time, liderança e autoridade igual em campo penso que apenas Gerson a ele se iguala.

Como ídolo, segue a linha, iniciada para os torcedores do clube nos anos 1930 por Friedenreich. Para mim, que lembro do futebol a partir de 1963, 1964, a linha começa com Roberto Dias, meio-campo e zagueiro formidável, que fez, nos melhores tempos, uma dupla de zaga perfeita com Jurandir.

Parabéns ao grande Rogério, que não dá a menor impressão de que pensa em parar de jogar, pelo menos proximamente. Aliás, para a felicidade dos são-paulinos.

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