É preciso buscar a verdade e evitar a injustiça

ROBIN VAN LONKHUIJSEN / ANP / AFPVimos ainda recentemente no Brasil no que resulta julgamento em que os que têm a obrigação da imparcialidade passam a decidir de acordo com o gosto de uma determinada facção muito bem posicionada em veículos importantes da mídia. Julgamento com essas características tem tudo para provocar injustiça, ainda que vez por outra agrade boa parte da opinião publicada.

Assim, não é novidade que a mídia penada, que agora parece dominar também a cobertura esportiva, se apressa em elogiar os informes, incipientes ainda, vindos da Europa, e que dão conta de uma cadeia de fraudes, que teria adulterado resultados de centenas de jogos de futebol em praticamente todos os continentes. Tudo para beneficiar frequentadores de sites de apostas.

É de conhecimento público que não são poucas as ações criminosas ligadas ao esporte, especialmente no futebol, com envolvimento de cartolas, agentes, pessoal de comissão técnica, jogadores e, até, jornalistas. Por isso, foi gratificante ver um debate em que dois jovens comentaristas aconselharam cuidado nas avaliações. Pelo menos até que a Europol, braço europeu da Interpol, dê informações mais concretas sobre suas investigações, que apontariam nesta direção.

Os que têm 40 anos ou mais e acompanham as coisas do futebol vão se lembrar de uma grande reportagem publicada pela revista Placar com o título “Máfia da Loteria Esportiva”, em 1982 ou 1983. Centenas de nomes de jogadores, empresários, dirigentes, jogadores e jornalistas atuavam para “fabricar” resultados em jogos da então chamada Loteca. Foi um trabalho importante do repórter Sergio Martins.

Houve na lista inicial um nome trocado e lá entrou Gaúcho Lima na lista quando o “titular” da vaga naquele time era outro jogador. Tenho para mim, ainda hoje, que o trabalho do Sergio Martins foi importante e que foi válida a decisão da revista de publicá-lo. Mas ainda me pergunto o que deveria ser feito para reparar, no caso, o jogador injustiçado. A revista reconheceu o erro, que chamou de “lamentável engano”. Gaúcho Lima entrou com um processo e ganhou a causa. O valor? Dez salários mínimos. Cerca de seis mil e quinhentos reais, em valores atuais.

Assim, concordo com os jovens colegas que pediram calma sobre esses informes. Assim é que deve ser. Se indícios consistentes se apresentarem, será então a hora de ir a campo, contribuir para a busca dos fatos.

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