Gazeta Esportiva

Arquivos da Categoria : Sem categoria

O Brasil ganhou do Japão por 3 a 0 em Brasília, bom começo na Copa das Confederações. E daí? Daí, como dizia aquele antigo ponta direita do Botafogo de Ribeirão Preto, “o que importa são os três pontos” (no tempo dele, na verdade, a vitória valia dois pontos e ele falou certo). Será? Sim e não. De fato, os pontos são importantes, mas sempre se espera um pouco mais da seleção nacional, “a pátria de chuteiras”, frase das mais reacionárias de Nelson Rodrigues, que publicitários e publijornalistas resolveram recuperar.

Já que eles gostam tanto de um reacionário ainda que brilhante como Nelson Rodrigues (gostariam mesmo que não fosse brilhante, bastava ser reacionário e a favor da ditadura), vai para eles então outra frase do mesmo Nelson: são uns “idiotas da objetividade”.

Assim mesmo, a objetividade tem pouco a ver, já que futebol tem quase tudo de subjetivo, como já lembrou o comentarista e antigo craque Tostão. Por isso, cada um acha uma coisa e é legítimo que seja assim.

Apenas Neto falou que Fred tocou de braço para Neymar fazer o primeiro gol. Também tive a impressão de que isto aconteceu. Da mesma forma – e faça-se justiça, a TV mostrou – penso que Luiz Gustavo cometeu um pênalti, naquele “agarra-agarra” na área, que árbitro nenhum tem coragem de coibir e que todo mundo parece preferir ignorar.

Bem, no segundo tempo, Paulinho logo no começo e Jô no final completaram. Precisa melhorar e acho que vai melhorar. Sinceramente, tenho dúvidas quanto a Fred, bom jogador, sem dúvida. Mas hoje não foi bem. Mas será que Scolari tem opção para esta posição? É mais fácil torcer para que Fred melhore. E Neymar? Vamos dar um tempo a ele. Não fez grande apresentação, é verdade, mas também não decepcionou.

E o Japão até que marcou bem, fez alguns ataques, mandou algumas bolas a gol, exigiu um pouco de Júlio César. Mas, se é verdade que o time não é mais bobo, está claro que não joga um futebol de primeira linha. Pode dar trabalho a Itália e México, mas é favorito ao quarto lugar no grupo.

Lamentável o oportunismo de alguns narradores e comentaristas. Um narrador do Sportv falou que a presidenta Dilma era vaiada “num momento de queda de popularidade”. Além de deselegante não falou a verdade: a popularidade da presidente supera os 80 %, segundo institutos de pesquisa da própria oposição, ligada aos patrões do tal narrador.

Um comentarista do UOL disse que a presidenta merecia as vaias e a comparou a José Maria Marin e Josef Blatter. Por quê? Porque Dilma cumpriu o protocolo, estava no lugar que lhe cabia na tribuna. Essa mesma gente, quando o ex-presidente FHC se encontrava com Ricardo Teixeira, dizia que não gostava, mas entendia, era “o protocolo”.

Parabéns, Fonteles. O brasileiro Alan Fonteles venceu os 100 m T43 do GP paralímpico de Berlim, neste sábado, e cravou o novo recorde mundial da categoria com 10s77. Na Paralimpíada de Londres 2012, ele foi campeão dos 200 m.

Foto: Agência Luz/BMF

Foto: Agência Luz/BMF

É preciso cuidado, um pouco de conhecimento e respeito aos fatos, quando se fala em evolução, estagnação ou involução no esporte. No caso brasileiro, o atletismo merece uma análise especial. Há quem afirme que o esporte-base do País está parado e até pior em algumas provas. Nada mais falso. Podem até afirmar que não houve o crescimento esperado. É um direito de quem assim pensa expressar a opinião. Mas como disse antes, é preciso respeitar os fatos.

Houve tempo em que nas provas de arremesso e lançamentos o Brasil não tinha sequer os melhores da América do Sul. Atualmente, e já há alguns anos, embora alguns países da nossa área revelem bons lançadores, houve progresso entre nós.

Para demonstrar isso, basta lembrar os campeões do último Troféu Brasil, encerrado no domingo em São Paulo. Entre os homens, Wagner Domingos superou os 69 metros no lançamento do martelo e seu recorde brasileiro ultrapassa os 72 metros. Pois bem, em 2005, o recorde nacional da prova era do gaúcho Celso de Morais, que vigorava havia 30 anos, era 65 metros! Hoje, além de Wágner, Marcos Santos e o jovem Allan Wolski já deixaram a marca de Celso para trás.

No lançamento do disco, Ronald Julião superou novamente o recorde brasileiro este ano, com marca superior a 65 metros e até já garantiu sua qualificação para o Campeonato Mundial de Moscou, marcado para agosto próximo. Darlan Romani, primeiro brasileiro a superar os 20 metros no arremesso do peso, está a oito centímetros do índice para Moscou.

Finalmente, no lançamento do dardo, Júlio César de Oliveira superou os 80 metros e por conta de várias lesões, nos últimos anos não tem repetido suas melhores marcas. Mas no Troféu Brasil, um jovem que já era sucesso na categoria juvenil venceu com mais de 74 metros: Paulo Enrique Alves da Silva, de apenas 19 anos.

No feminino os progressos são inegáveis também. Jucilene Sales de Lima não apenas ganhou o dardo no Troféu Brasil como ainda igualou um recorde brasileiro de 13 anos, com 61,98 n, confirmando sua qualificação para o Mundial de Moscou.

No peso, Geisa Arcanjo foi até finalista olímpica em Londres, no ano passado. E no disco, Andressa de Morais é a recordista sul-americana e está a 19 cm do índice para Moscou. Logo, olhando no conjunto e em perspectiva, houve avanços.

Falta e punição. É verdade que temos de ser cuidadosos quando julgamos o próximo, pois nós mesmos precisamos da boa vontade alheia para com nossos enganos. Mas os erros devem ser corrigidos. Parece que o time de futebol Tucumán, da Argentina, pensa assim. Tanto que rescindiu o contrato do jogador José Jiménez.

Motivo: durante um jogo, um cachorro entrou em campo. O jogador pegou o animal e o arremessou contra o alambrado. O jornal “Olé”, de Buenos Aires, não deixou por menos e perguntou: “Quem é o animal, no caso?” Acho que todos concordam que a direção do Tucumán deu a resposta correta. José Jiménez deve entender a lição. Temos que aceitar que o planeta é dos homens, mas também de todos os demais seres que nele habitam.

AFP

AFP

Tudo a favor da vinda de Marcelo Bielsa ao Brasil. A presença de um treinador polêmico e inovador faria bem ao futebol brasileiro. No passado, a presença de técnicos estrangeiros entre nós ajudou na incorporação de novidades de treinamento no País. Há um caso antigo, de 1957, quando o húngaro Béla Guttmann veio comandar o São Paulo e levou o time ao título paulista. Claro, o elenco era bom, tinha jogadores da seleção brasileira, como De Sordi, Mauro e Dino Sani. E astros como Zizinho, Canhoteiro e Poy. Mas tem-se como certo que houve mudanças para melhor após a passagem de Béla Guttmann pelo Brasil.

Depois de voltar à Europa, Guttmann fez do Benfica de Portugal duas vezes ganhador da Copa dos Campeões, atual Champions League.

Quase três décadas depois, o mesmo São Paulo tentou trazer o belga Raymond Goethals, conhecido como estudioso do futebol, para atuar como consultor da comissão técnica. Ele chegou a vir ao Brasil, mas não houve acordo com o treinador da equipe, Carlos Alberto Silva. Goethals nem iniciou seu trabalho, mas concedeu entrevista, expôs suas ideias e deixou entusiasmados experientes jornalistas esportivos da época. Mais tarde, em 1993, ele levou o Olympique de Marselha à final do principal torneio do continente.

Agora, o Santos estaria próximo de acertar a contratação do argentino Bielsa, cujo estilo encanta muita gente. Repito que, a meu ver, caso o acordo se concretize, será muito bom. No entanto, leio também que o salário de Bielsa seria próximo de R$ 700 mil por mês, seria mais ou menos o que ganhava Murici.

Aí vem a pergunta: mas os clubes não estão endividados? De onde virão os recursos para pagamento de salários tão altos? Será que de novos empréstimos, que acabarão por elevar a tal dívida? Dizem que o Santos tem hoje uma administração profissional. Pode ser, mas é difícil acreditar que haja equipe de futebol no País em condições de pagar impunemente tão alto salário.

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

Morreu aos 66 anos, Teodoro, volante revelado no time que ficou conhecido como “Ponte Preta 70”. A equipe de Campinas, que voltara em 1970 à divisão principal do Campeonato Paulista, conseguiu o vice-campeonato, ao lado do Palmeiras, atrás apenas do campeão São Paulo. Fazia o meio-campo ao lado do experiente Roberto Pinto e de um jovem talentoso chamado Dicá, do central Samuel, do centroavante Manfrini, do ponta direita Alan, do lateral direito Nelson (Nelsinho Batista).

Em 1971 foi contratado pelo Tricolor, junto com Samuel e Nelson. Logo roubou o lugar de um dos chamados cardeais da equipe, Edson. Daquele time da Ponte, Roberto Pinto voltou para o Rio e fez parte de uma boa equipe do Olaria, que tinha, ainda, um jovem chamado Afonsinho, caso raro de rebelde no futebol da época, hoje médico e colunista da Revista “CartaCapital”. Dicá chegou a jogar no Santos, Alan foi para o Vasco e Mancini para o Fluminense.

Em 1972, em jogo contra o Atlético Mineiro, Teodoro sofreu entrada violenta e quebrou a perna. Voltou a jogar e em 1977 era titular são-paulino na conquista do Campeonato Brasileiro, exatamente contra o Atlético, no Mineirão. Aí, entre seus colegas estavam Valdir Pires, Zé Sergio, Dario Pereira, Chicão.

Pegou mal. Assessor do ex-presidente Fernando Henrique mandou mensagem para Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto no DOI-Codi paulista, nos tempos da ditadura. Desculpou-se pelo superior, que se encontrou com José Maria Marin no Maracanã, afirmando que foi tudo formal e “inevitável”, como ocorre “nestas ocasiões”.

Ivo comandou uma campanha que recolheu mais de 50 mil assinaturas pedindo a saída de Marin da CBF e do Comitê Organizador da Copa. O motivo, já escrevi há algum tempo aqui: Marin, nos anos 1970 era deputado estadual em São Paulo e fez discursos pedindo “providências” contra o Departamento de Jornalismo da TV Cultura, chefiado por Vladimir Herzog.

Certamente não foi só por conta dos discursos de Marin, mas isto contribuiu para a perseguição a Herzog e outros jornalistas, igualmente presos e torturados na época. Como diz o assessor de FHC, o encontro pode ter sido casual, mas a foto publicada no blog de Juca Kfouri entristece, embora FHC, Marin e Aécio Neves gargalhem. Vejam no link: http://blogdojuca.uol.com.br/2013/06/de-fhc-a-ivo-herzog/

Ainda sobre a cartolagem do futebol e políticos, li que Joseph Blatter recebeu o título de cidadão paulistano. A pergunta que não quer calar: por quê? O que fez o presidente da FIFA de especial para a cidade de São Paulo? Nada, mas houve um vereador, Reis, que fez a proposta. E como é do (mau) costume, os demais aprovaram.

Homenagem a “seu” Olímpio. Mas nem tudo o que acontece na Câmara Municipal paulistana é puxa-saquismo a poderosos de momento. Por sugestão do vereador Mario Covas Neto, a Câmara teve um minuto de silêncio, ontem, em homenagem ao antigo diretor de A Gazeta Esportiva, Olímpio da Silva e Sá, que morreu no sábado, em São Paulo, aos 97 anos.

Sobre o antigo diretor do jornal, o editor-executivo da GE.Net, Erick Castelhero, informa: a missa de 7º dia pelo “seu” Olímpio será na próxima sexta-feira (dia 14), às 19 horas, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Rua Barão da Passagem, 971, na Vila Leopoldina, na zona oeste da capital.

No comentário que postei ontem, disse que passei a última semana totalmente imerso nas coisas do Troféu Brasil de Atletismo. Assim, apenas agora soube da morte do antigo diretor de A Gazeta Esportiva, Olímpio da Silva e Sá, ou, simplesmente, o “seu” Olímpio, como todos o chamavam. Tinha, pelo que li na matéria publicada pela GE.Net,  97 anos. Estava na Fundação Cásper Líbero desde 1939, foi diretor do jornal por mais de 20 anos, depois de ter sido repórter e secretário da redação.

Era um tipo afável, nunca o vi falar alto com alguém. Quando deixou a direção do jornal, foi membro do Conselho Curador da Fundação Cásper Líbero. Tem uma coisa que os colegas da redação do meu tempo sabem, mas nunca escrevi, porque tudo já foi superado e parte das pessoas envolvidas já morreu, mas agora acho útil contar.

Entre o final de 1986 e começo de 1987, como responsável pelo noticiário de atletismo do jornal, acompanhava a campanha eleitoral para a presidência da CBAt. A disputa era entre o então presidente Evald Gomes da Silva, e Roberto Gesta de Melo, vice-presidente que se afastara da administração. Em determinado momento, apoiadores da chapa da situação – gente de diferentes Estados, acreditem – foram reclamar da minha cobertura.

Não sei o que o “seu” Olímpio disse a eles, mas se o editor Artur Cardoso Neto não tivesse me avisado, nem ficaria sabendo. Em nenhum momento houve qualquer instrução de sua parte para que mudasse o tom das reportagens. Vi ele sair da direção e voltar ao cargo. E depois despedir-se de vez, assumindo a vaga no Conselho Curador. Na direção do jornal sucedeu a Carlos Joel Neli e comandou uma equipe que craques como Tomaz Mazzoni e Solange Bibas, cujos textos eu lia desde os tempos de criança.

Wagner Carmo/CBAt

Wagner Carmo/CBAt

Uma semana mergulhado no Troféu Brasil de Atletismo, encerrado ontem no Ibirapuera. Perdi as finais de Roland Garros e pouco vi de Brasil contra a França. Também deixei de comentar a vitória de Tyson Gay sobre Usain Bolt, por um centésimo de segundo, nos 100 m, na Diamond League de Roma. Mas valeu a pena. Os melhores do País disputaram a mais importante competição de clubes de atletismo da América do Sul. E houve resultados muito bons.

O recorde sul-americano de Carlos Chinin, com 8.393 pontos no decatlo, foi um momento especial. Mais que o recorde, o atleta paulistano chegou perto da barreira dos 8.400 pontos. Torna-se uma esperança de ficar entre os melhores no Mundial de Moscou, em agosto próximo.

A superação de Keila Costa no triplo, com 14,58 m, e a marca de Jucilene Lima no dardo, com 61,98 m – novos recordes nacionais – foram igualmente importantes. Keila ainda ganhou o salto em distância, embora sem fazer o índice de 6,65 m para o Mundial (ganhou com 6,51 m).

Foi bom ver Fabiana Murer voltar ao salto com vara e vencer com 4,73 m. Na versão masculina da prova, Thiago Braz saltou 5,60 m e fez o índice para o Mundial, mesmo ficando atrás de Augusto Dutra, que obteve nova vitória, com 5,70 m.

Muito bom também o desempenho de Ana Cláudia Lemos e Franciela Krasucki nos 100 m e 200 m. Ana Cláudia ganhou os 100 m com 11.07 e novamente este perto de alcançar os tão almejados 10.99. Franciela foi a segunda com 11.15, depois de fazer 11.13 (recorde pessoal) na semifinal. E nos 200 m Franciela, mesmo, se surpreendeu com sua performance: correu pela primeira em menos de 23 segundos (fez 22.76) e se qualificou para o Mundial também nesta prova. Ana Cláudia foi a segunda com 22.85 (já tinha índice para o Mundial).

Bruno Lins ganhou os 200 m com 20.33 e José Carlos Moreira, o Codó, venceu os 100 m, com 10.16. No triplo masculino, vitória de Jefferson Sabino com 16,94 m, índice para Moscou.

Duda da Silva foi autor de um momento único na competição. Favorito no salto em distância, na segunda tentativa voou 8,31 m, recorde pessoal e pela primeira vez alcançou marca acima de 8,30 m. Vai certamente confiante para Moscou.

Todos os campeões merecem citação: Mahau Suguimati (400 m com barreiras), Guilherme Cobbo (salto em altura), Adriana Aparecida da Silva (5.000 m), Ederson Pereira (5.000 m masculino), Matheus Inocêncio (110 m com barreiras), Diego Chargal (800 m), Christiane Ritz (1.500 m), Geisa Arcanjo (arremesso do peso), Paulo Enrique Silva (lançamento do dardo), Liliane Fernandes (400 m com barreiras), Aline dos Santos (salto em altura), Wagner Domingos (lançamento do martelo), Carla Michel (lançamento do martelo feminino), Caio Bonfim (marcha 20 km), Érica Sena (marcha 20 km feminino), Marilson dos Santos (10.000 m), Cruz Nonata (10.000 m feminino), Joelma Souza (400 m), Fabiana Moraes (100 m com barreiras), Andressa de Morais (lançamento do disco), Tamara Alexandrino (heptatlo), Flávia Lima (800 m), Anderson Henriques (400 m), Sabine Heitling (3.000 m com obstáculos), Gladson Barbosa (3.000 m com obstáculos masculino), Ronald Julião (lançamento do disco).

Por equipes, vitória, pelo 12º ano consecutivo, da BM&FBovespa, de São Caetano do Sul. Outras duas equipes paulistas ficaram com os segundo e terceiro lugares: o Pinheiros, da capital, foi o vice-campeão, e a Orcampi/Unimed, de Campinas, obteve o terceiro lugar.

Uma decisão judicial impede, no momento, a demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio Delamare, no Complexo do Maracanã. A explicação: estas praças esportivas são tombadas pelo patrimônio arquitetônico do Rio de Janeiro. Pelo que leio, o juiz diz a demolição só poderia ocorrer após o “destombamento” (vi escrito assim) e que isto só poderia ocorrer se o processo de tombamento foi irregular. A Prefeitura certamente irá recorrer e a decisão final é possível de imaginar.

Acho que o prefeito Eduardo Paes conseguirá no final a licença para demolir os dois equipamentos esportivos. Ao mesmo tempo, o Estado do Rio vai empurrando com barriga da burocracia e da indiferença o compromisso que assumiu de construir novos estádios de atletismo e natação, numa área que já estaria até reservada…

Só que as informações que se recebe indicam que a tal área “já reservada” no máximo poderia acomodar um dos dois esportes… E onde está o projeto do novo estádio de atletismo prometido ao secretário-geral da IAAF pelo chefe do gabinete do governador Sergio Cabral? Quando ficarão prontas as novas praças de atletismo e natação.

Isso é de profunda gravidade, porque, ainda que fosse razoável prever que o “Célio de Barros” tivesse sua demolição definitivamente proibida, o estádio precisaria de reforma total. Ou seja, na prática, já foi demolido. Seria bom que avisassem ao Governo do Estado do Rio e à Prefeitura carioca que a cidade será a sede da próxima Olimpíada, em 2016…

E o Atlético Mineiro, que passou pelo Tijuana e disputará as quartas-de-final da Taça Libertadores! Graças à defesa do pênalti pelo Vítor, aos 47 do segundo tempo? Já está na história do Atlético Mineiro. O time que joga o futebol mais bonito no Brasil de hoje.

O Comitê Olímpico Internacional decidiu equiparar ginástica e natação ao atletismo. Até então, apenas o chamado esporte-base estava classificado como “categoria 1”. Ou seja, a IAAF – federação internacional de atletismo – era a que mais recebia repassar do COI por sua exposição durante os Jogos Olímpicos. Algo próximo de 47 milhões de dólares. O presidente da IAAF, o senegalês Lamine Diack, reduziu a importância da medida e até elogiou a decisão. Mas, a meu ver, ele tocou no ponto: “O atletismo é o único esporte realmente universal.”

A afirmação é verdadeira e o atletismo também é o que mais leva espectadores aos estádios – aliás, o atletismo é sempre disputado no Estádio Olímpico – e o que tem maior audiência na televisão.

Natação é um esporte de primeira linha e ginástica um dos mais belos de se ver. Mas será que alguém discorda que Usain Bolt é o mais importante atleta olímpico deste primeiro quarto de século 21? Será que algum esportista com sensibilidade pode achar que os grandes astros de 2016 no Rio não serão nomes do atletismo? Mesmo no Brasil – ainda chamado o “País do Futebol” – será da mesma forma. Notadamente os campeões dos 100 m, 4×100 m, maratona, salto em distância, lançamento do dardo, decatlo viverão nos corações e mentes dos que assistirem as competições, no estádio ou na televisão.

Se o COI entende que deve repassar mais recursos para a natação e a ginástica – o mesmo que ao atletismo – que faça isso. Mas nem o COI tem autoridade para tirar o caráter do atletismo como esporte olímpico número 1.

Por falar em atletismo e COI, Sergei Bubka assumiu a condição de candidato a presidente do Comitê, em eleição marcada para setembro, em Buenos Aires. Ele é presidente do Comitê Olímpico da Ucrânia e vice-presidente da IAAF. Esperava-se um embate de Bubka com Sebastian Coe na próxima eleição para a presidência da IAAF, marcada para 2015 em Pequim. Caso Bubka seja eleito no COI dificilmente haverá outro candidato com força para barrar Coe, presidente do Comitê Organizador de Londres-2012 e também vice-presidente da IAAF. A não ser que presidente Lamine Diack decida concorrer a um novo mandato.

Gazeta Press

Gazeta Press

Paula vai para a Galeria da Fama da Federação Internacional de Basquete. Magic Paula foi tão grande jogadora que, para mim, já estava há tempos na tal Galeria. Não estava, vai agora. Está bem do mesmo jeito. Ela merece. Sem dúvida, ao lado de Hortência, nos mais de 15 anos em que brilhou nas quadras, faria parte de qualquer seleção do mundo. Tivemos boas jogadoras antes e depois de Paula e Hortência.

Vi a seleção terceira colocada no Mundial de 1971, com Norminha, Nilza, Maria Helena, Heleninha, Marlene… Depois, acho que o grande nome foi Janete, que até chegou a jogar com as duas estrelas e foi a que mais delas se aproximou.

Mas Paula e Hortência foram fantásticas. No PAN de Havana-1991, um encantado Fidel Castro premiou a mágica jogadora brasileira. O título mundial ganho na distante Austrália em 1994, ano também do tetra na Copa do Mundo de Futebol nos Estados Unidos foi outro momento maior. A medalha de prata na Olimpíada de Atlanta-1996 corou de vez o basquete feminino do País, graças, principalmente, às duas musas. Enfim, grandes conquistas tiveram as mãos de Paula e Hortência. O bronze olímpico de Sydney-2000 já tinha em Janete o nome principal.

Paula entrará na Galeria da Fama que já tem Hortência, Ubiratan, Amaury e Oscar. O grande Oscar que agora luta contra um câncer no cérebro, com a torcida de todos para que vença a doença e continue seu trabalho de promoção do esporte, especialmente do basquete.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Então, parece que ficamos assim: além de Neymar, também Paulinho e Ralf devem trocar o Brasil pelo futebol europeu. Se tem que ser assim, é melhor que seja agora, antes do início do Campeonato Brasileiro, no próximo fim de semana. Neymar, dizem, será, mesmo, do Barcelona. É um bom destino. Vários craques brasileiros se saíram bem, por lá. Foram astros da equipe catalã e até hoje seus nomes são lembrados com carinho pelos torcedores.

Para o Santos também é importante que o jovem atacante vá agora, assim o clube ainda poderá ganhar uma soma razoável. Louve-se, de todo o modo, o clube e seu Presidente Luiz Álvaro de Oliveira Ribeiro, que com um projeto criativo, embora de alto custo, conseguiram que Neymar ficasse alguns anos a mais no País.

Mais surpreendente é a notícia de que Ralf está para deixar o Corinthians. De Paulinho já se sabia. Era questão de tempo ele ser lembrado por um time europeu. Falam na Itália (Inter) e Ucrânia. Dizem que o país da Europa central oferece mais dinheiro. Porém, é certo que o Inter permite maior visibilidade. E falam também do Paris SG, onde está Lucas e onde há muito dinheiro.

Mas, e Ralf? Vai para a Rússia? É menos badalado que o colega de meio campo no alvinegro, mas é igualmente importante na formação de sucesso definida já há tempos pelo técnico Tite. Se saírem, juntos, como fica o meio campo do campeão mundial?