Houve justiça na escolha dos melhores de 2014

Valery Hache/AFP

Valery Hache/AFP

Os melhores de 2014 foram reconhecidos como tal no atletismo mundial. Os prêmios recebidos por Renaud Lavillenie (salto com vara) e Valerie Adams (arremesso do peso) vão ao encontro do que os atletas produziram no âmbito internacional pelo francês e pela neozelandesa.

Lembrando: Lavillenie marcou 5,16 m e superou o recorde mundial indoor de 20 anos, que pertencia ao legendário Sergei Bubka, e Valerie chega celeremente ao 10º ano de domínio absoluto em sua prova, conquistando todos os títulos em disputa.

E no Brasil, um júri formado pelo COB escolheu Fabiano Murer. Ficou bem, pois Fabiana conquistou o bicampeonato da Liga Diamante e com 4,80 m termina 2014 como número 1 do Ranking Mundial no salto com vara feminino.

Claro que havia outro forte candidato: Mauro Vinícius da Silva, o Duda, que obteve o título de bicampeão mundial indoor do salto em distância. Duda tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o bicampeonato mundial no atletismo.

Também brilhou o marchador Caio Bonfim, terceiro colocado no Circuito Mundial de Marcha da IAAF. No Mundial de Juvenis, um título veio para o Brasil, com Izabela Rodrigues da Silva, medalha de ouro no lançamento do disco. No mesmo Campeonato, Mateus de Sá ganhou bronze no triplo.

O doping e o caso da Rússia

A IAAF divulgou comunicado nesta sexta-feira com a promessa de que investigará as denúncias de uma emissora de televisão da Alemanha, em que dirigentes e funcionários da Federação Russa de Atletismo são acusados de encobrir casos de doping, em troca de pagamentos. E promete providências, caso as denúncias se comprovem.

Casos de doping, sempre lembro, acontecem em praticamente todos os esportes em todos os lugares. No caso citado, é importante lembrar que se trata de um dos países mais fortes nos esportes olímpicos, com grande tradição no Atletismo. É natural, até por isso mesmo, que muitos se sintam tentados a procurar um caminho menos difícil de alcançar a ponta, o que se faz com o uso de doping. Às vezes dá certo, em outras os exames apontam a irregularidade. O fato é que dezenas de atletas russos cumprem suspensão por uso de doping atualmente.

Não faz muito tempo, a comunidade internacional sugeriu que países fortes como Jamaica (velocidade) e Quênia (meio fundo e fundo) tivessem apoio internacional para fazer uma “varredura” – isto é, que pudesse fazer mais controles, com eficiência. Como disse na época, acho que a ideia é boa.

Mas as denúncias do caso russo apontam para uma solução talvez mais eficiente: um organismo internacional, a própria WADA talvez, poderia ser responsável pela aplicação dos testes, em qualquer parte, em competições ou não. E outra entidade, quem sabe o CAS, funcionaria como tribunal.

Estas agências seriam ligadas, mas não subordinadas ao Comitê Olímpico Internacional. As federações internacionais e nacionais poderiam contribuir com informações para localização mais rápidas dos Atletas.

Acho que a luta seria mais eficiente, embora ninguém acredite na erradicação total do doping. Igualmente importante seria uma padronização mais clara das punições. De repente vemos penas pesadíssimas aplicadas, como os oitos anos de suspensão impostos a um velocista norte-americano, que depois viraram quatro anos.

Outras vezes há situações que causam dúvidas, como todo o barulho que envolveu recentemente a Jamaica e onde os atletas (todos conhecidos) pegaram penas pouco mais que simbólicas. Pode ser que tudo tenha ocorrido dentro da legalidade. Mas muitas vezes ficam dúvidas no ar e isso não é bom.

Aí entra a um problema sério, que é a falta de informação. Muitas vezes os próprios tribunais esportivos apresentam julgamentos contraditórios, porque mesmo entre os julgadores parece haver dúvidas. Outra coisa é que, à parte o uso desonesto de doping, falta informação também a atletas, treinadores, agentes etc.

E se quem é ligado diretamente aos esportes muitas vezes ignora as regras, podemos imaginar como é isso para o público em geral, que forma posições a partir de informações incompletas por parte da mídia. E passa a fazer juízo ruim de certas modalidades e nem sempre isso é justo. Porque é verdade que muitas Federações internacionais não fazem um controle intensivo do uso de substâncias proibidas. O que, é preciso reconhecer, o Atletismo faz.

Mas aí entra outro ponto: é preciso que a imprensa também se prepare melhor para informar sobre doping (e sobre muitas outras coisas, aliás).

Clubes, dirigentes e dinheiro

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Paulo Nobre foi reeleito presidente do Palmeiras. Sua administração é contestada. Mas parece que os eleitores não tiveram segurança para mudar. Preferiram ficar com o que têm, embora certamente esperem mudança na segunda gestão do dirigente.

Dizem que Paulo Nobre emprestou R$ 150 milhões ao clube. Não é uma boa política. Não sei, é verdade, qual era a situação, se havia alternativa. Embora seja melhor o dirigente emprestar ao clube do que tirar – só para lembrar o que aconteceu com outro presidente do Palmeiras há algumas décadas –, o Palmeiras precisa encontrar um caminho, que passa pelo pagamento do que deve a Nobre.

Aliás, por e tirar dinheiro do clube não é novidade em nosso futebol. Lembro um caso antigo, em que um presidente da Portuguesa dizia ter emprestado dinheiro ao time (isso foi há muito tempo, os atuais dirigentes estavam no colégio, talvez). Pois bem, perdeu a eleição e no dia seguinte, dois dos melhores jogadores da equipe (o zagueiro Ditão e o meia Nair) tiveram seus passes vendidos para o Corinthians por 300 milhões (dinheiro da época).

Nos anos 1970 era voz corrente que Vicente Matheus emprestava dinheiro ao Corinthians, endividado depois da gestão de Miguel Martinez, da qual o próprio Matheus fora diretor de futebol.

Esses são alguns casos que lembro. Certamente há muitos outros. Há um prosaico até. Fui – já disse aqui – repórter setorista na Federação Paulista, pelo Popular da Tarde e depois pela Folha. Numa assembleia dos clubes da segunda divisão, um senhor de seus 75, 80 anos dizia: “Tenho que colocar dinheiro no time, que já levou quase tudo que meu velho pai me deixou.”

Pois é, as histórias são muitas. Mas marcas como Palmeiras não podem depende do dinheiro de seus diretores. Ou alguém acredita que diretores de grandes empresas colocam seu dinheiro para resolver problemas de caixa? Claro que clubes de futebol não são (nem sei se devem ser) empresas. Mas são marcas importantes, que devem ter valor na praça.

Valerie Adams é a Melhor do Ano. No masculino, deu Renaud Lavillenie

Em 19 de outubro escrevi que havia votado em Renaud Lavillenie e Valerie Adams como os melhores atletas do ano, na pesquisa anual da IAAF. Na ocasião, disse que acreditava na eleição do francês, que este ano bateu o recorde mundial indoor do salto com vara, que pertencia há 20 anos a Sergei Bubka. Disse também que achava difícil a vitória de Valerie, porque as provas de arremesso e lançamento não têm a mesma divulgação e audiência das corridas.

No último dia 14 informei que ambos haviam se classificado entre os finalistas. Isto é, haviam passado pela fase em que o público escolhe entre os 10 nomes – para cada gênero – anunciados pela IAAF. A partir daí, três homens e três mulheres teriam suas conquistas da temporada analisada internamente pela entidade internacional.

Pois nesta sexta-feira dia 21 vem a nota de Mônaco dando conta da eleição de Renaud Lavillenie e Valerie Adams. A própria nota do Departamento de Imprensa da IAAF informa que a neozelandesa Valerie Adams é a primeira atleta de campo a receber o prêmio, instituído há 25 anos.

Nada mais justo, afinal, como já disse aqui, nenhuma atleta em atividade tem tantos títulos como a arremessada da Oceania, que por sinal já veio ao Brasil e certamente será uma das atrações em 2016.

E no Brasil, um júri formado pelo COB deu a Fabiana Murer o prêmio de Melhor do Atletismo nacional na temporada. ela mereceu.

Reclamação indevida de Thiago Silva

AFP

AFP

Assunto antigo? De jeito nenhum. Afinal, as coisas da Seleção Brasileira são eternas, certo? Nem tanto, não é preciso exagerar. Mas foi difícil entender Thiago Silva. O moço é sem dúvida bom zagueiro.

Mas, o que ele queria? A braçadeira de capitão? Então, tudo bem, ele recebeu quando Neymar deixou o campo contra a Áustria, foi um agrado. Mas tinha direito de reclamar? Se ele tivesse alguém que pudesse dizer simplesmente a verdade, talvez Thiago não fizesse as desastradas declarações de Viena.

Primeiro, ele estava contundido, não pôde ser convocado nas outras vezes que a Seleção foi reunida. Aí, no período, a dupla Miranda-Davi Luiz se saiu bem. Para que mudar, então? Miranda e Davi são bons jogadores e experientes, assim como o próprio Thiago. Se estão bem, era natural que Dunga os mantivesse como titulares.

E quanto à braçadeira? Aí, Thiago Silva deveria ter dó da gente, não é? Que direito ele tinha de reclamar, se durante a Copa do Mundo ele mostrou total despreparo para a função. É claro que ser o capitão do time é algo mais simbólico do que prático. Mas o símbolo da braçadeira tem a sua importância também. Quem a usa deve ter liderança, dar exemplo.

Sinceramente, Thiago Silva falhou completamente neste quesito durante a Copa. Mostrou falta de equilíbrio e não deu exemplo de força na hora de cobrar o pênalti. Enfim, ele poderia ter passado sem essa. O conceito dele caiu uns pontinhos. Mas ainda pode ser útil. Como disse acima, Thiago Silva é um bom jogador.

Lavillenie e Adams, finalistas ao prêmio de “Melhor de 2014″

AFP

AFP

A IAAF divulgou os finalistas que concorrem agora ao prêmio “Melhor de 2014”, no masculino e no feminino. O resultado será anunciado em 19 de novembro próximo. Inicialmente foram indicados 10 nomes no masculino e 10 no feminino.

O público votou pelo site da IAAF e os três primeiros em cada gênero agora esperam pela eleição dos ganhadores, que serão escolhidos pelo Conselho da entidade.

Minha escolha foram o francês Renaud Lavillenie e a neozelandesa Valerie Adams. Lavillenie este ano simplesmente bateu o recorde mundial indoor do salto com vara com 6,16 m, superando uma marca de 20 anos, que pertencia ao ucraniano Sergei Bubka.

Lavillenie, como era esperado, passou pela primeira fase. Um de seus concorrentes é Mutaz Essa Barshim, do Catar, que este ano alcançou 2,43 m no salto em altura. O terceiro nome é o queniano Dennis Kimetto, que em Berlim bateu o recorde mundial da maratona, com 2:02:57.

No feminino, Valerie Adams, da Nova Zelândia, uma das finalistas, tem todos os títulos importantes. É tetracampeã mundial e bicampeã olímpica no arremesso do peso. Este ano ela fez as seis melhores marcas do Ranking.

Valerie vai enfrentar Dafne Schippers, da Holanda, e Genzebe Dibada, da Etiópia. Dafine foi a número 2 do mundo nos 200 m com 22.03 e ganhou a medalha de ouro na Copa Continental. No heptatlo, ganhou bronze no Mundial de 2013. Dibaba fez a melhor marca de 2014 nos 5.000 m, com 14.28.88.

Continuo torcendo por Renaud Lavillenie e Valerie Adam.

São Silvestre, Frank Shorter e Quênia

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Uma edição histórica, a de número 90, da São Silvestre, no último dia deste ano. Falo da prova, a mais importante do País, porque li comentário de José Inácio Wernek sobre artigo de Frank Shorter publicado no New York Times. Shorter foi o campeão da São Silvestre em 1970, na época usava barba e cabelos compridos. Em 1972 ganhou a medalha de ouro olímpica na maratona dos Jogos de Munique.

Wernek fala sobre a opinião do grande atleta norte-americano, cético em relação às muitas vitórias de quenianos em corridas longas, principalmente maratonas. Shorter lembra que o Quênia não tem uma agência de controle de doping independente e coloca dúvidas sobre os resultados de atletas daquele país. Ainda mais agora que uma das estrelas daquela nação, Rita Jeptoo, deu positivo em teste antidoping.

Não sou técnico nem estudioso no assunto, mas a preocupação parece legítima. Claro que nenhum país está livre do doping. Também é justo reconhecer que estes países da África Oriental, notadamente Quênia e Etiópia, têm revelado muitos talentos e é natural que um bom número deles acabasse por se destacar.

Mas penso que, a bem do próprio esporte, e dos atletas corretos desses países, um programa de controle seria muito importante. Acho que isto também serviria para a Jamaica. E não estou levantando suspeita sobre nenhum velocista da potência caribenha. Acho apenas que seria muito bom que se oferecesse apoio para que estas potências – da África e do Caribe – pudessem realizar um forte programa de controle. Mesmo considerando que eles passam pelos testes nas competições oficiais, como Olimpíadas e Campeonatos Mundiais.

O despertar do interesse pelo esporte

Maurren salta no Centro Olímpico (Eric Sigaki/Divulgação)

Maurren salta no Centro Olímpico (Eric Sigaki/Divulgação)

Mais de mil crianças na pista do Centro Olímpico, neste sábado. A pista da Prefeitura paulistana na Vila Clementino tem o nome do bicampeão olímpico do salto triplo Adhemar Ferreira da Silva. O evento que reuniu tantas crianças, boa parte delas da periferia da capital, foi o festival em homenagem a Maurren Maggi, também campeã olímpica, no salto em distância. Enfim, dois heróis do Atletismo nacional.

O mais importante foi ver a alegria das crianças que puderam conhecer o Atletismo por meio de brincadeiras, já que mesmo as provas tinham o caráter de participação e não de competição, como, aliás, convém nesta faixa etária.

Muitas desses meninos e meninas pela primeira vez tiveram oportunidade de conhecer um pouco do Atletismo, o mais importante dos esportes olímpicos. Considerando que o Brasil fará a próxima Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016, a promoção tinha tudo mesmo para ser um sucesso.

Por um lado, foi uma manhã de lazer a crianças que tão pouco acesso têm a isso. Depois, integrou alunos de 7 a 14 anos, professores, pais e atletas olímpicos, num evento da Prefeitura de São Paulo, organizado pelo Instituto Memorial Salto Triplo.

Dessas crianças, muitas gostaram do que viram. Algumas passarão a se interessar pelo Atletismo, para ver a acompanhar as competições, outras talvez até mesmo se interessem em iniciar uma possível carreira no Atletismo. O importante, acima de tudo, é a oportunidade que tiveram de conhecer um pouco mais do esporte.

A triste queda da Portuguesa

Gazeta Press

Gazeta Press

Nada de saudosismo, certo? Então, tá. Agora, que é triste saber que a Portuguesa foi rebaixada, isto é. O time caiu o ano passado por conta daquele imbróglio envolvendo a escalação de Héverton. Agora, com várias rodadas de antecedência, caiu novamente, agora para a série C. Tenho amigos que torcem pela Lusa. Sei que não parece crível, mas é verdade.

Aos mais novos costumo lembrar da bela equipe de 1964… Pois a maioria deles, os jovens torcedores lusos, digo, já ouviu falar. Eles sabem os nomes dos jogadores que enfrentaram o Santo na decisão, em plena Vila Belmiro. O Santos ganhou por 2 a 1, mas a Lusa fez bonito. Para enfrentar o time de Pelé tinha Félix, que seria campeão do mundo em 1970, Jair Marinho, campeão em 1962, Dida, campeão em 1958…

E tinha Edilson, um ótimo lateral esquerdo que depois jogou no São Paulo, Ivair, o “Príncipe”, atacante que serviu várias vezes à Seleção Brasileira, o central Ditão, injustamente chamado de grosso por comentaristas preconceituosos, Nair, bom meia que depois jogou no Corinthians, e por aí vai.

O time de 1973, que acabou dividindo o título paulista com  o Santos, que ainda tinha Pelé, também era bom e sobressaía o craque Enéas. Nos anos 1990 o time foi vice-campeão brasileiro.

Então, sinto muito, mas não dá para viver um momento difícil para um time tão tradicional e não lembrar que a Portuguesa já venceu o Campeonato Paulista, o Rio-São Paulo, foi vice do Brasileirão e revelou grandes jogadores. Lembrar isso não é saudosismo, né?

E por falar em salários…

AFP

AFP

Então é assim: os dez treinadores mais bem pagos no Brasil ganham mensalmente de 200 mil reais até 633 mil. Fosse o Sindicato dos Técnicos uma organização forte e já estaria levando o “seo” povo (os técnicos) às ruas. Motivos não faltam. Afinal, três dos dez mais votados (quer dizer, mais bem pagos) ganham apenas 200 mil por mês. É possível viver com um salário miserável desses? Ainda mais um treinador de futebol, profissão de fato insalubre.

Mas, se bem conhecemos as entidades representativas no futebol brasileiro, nada disso acontecerá, e os três continuarão a viver em apuros para acertarem suas contas a cada mês.

Claro que os salários nos clubes da primeira divisão do Brasileirão sempre foram inflacionados, posto que uma famosa lei que exige que não se gaste mais do que se arrecada nunca foi cumprida. Bem, alguns amigos do Rio me informam que o Botafogo estaria respeitando a lei. Nada arrecada, mas também não gasta com nada, nem com o sagrado pagamento dos salários, mesmo os dos funcionários mais modestos. Pensando bem, e sendo assim, era bem melhor que o Botafogo se juntasse aos coirmãos e continuasse não cumprindo a lei…

As pessoas de bem, e as que cultuam o bom senso sendo ou não de bem, e que vivem no futebol, deveriam pensar nisso. Digo, pensar seriamente. Poderiam até elaborar uma proposta neste sentido. Sei que é difícil falar em limitar salários quando não há limite para o lucro, mas aí se trata da própria sobrevivência do futebol.

Os jogadores que integram o Bom Senso, com seus executivos e assessores, se dispõem a formatar um projeto sério e entregar à presidenta Dilma? Ela já demonstrou disposição para tratar do assunto.