Rio 2016, daqui a 500 dias

murer_300x250_fdNesta terça-feira (dia 24) estaremos a exatos 500 dias para a festa de abertura da Olimpíada do Rio 2016. É inevitável que saiam as listas com possíveis ganhadores de medalhas. O Brasil será a sede dos Jogos e a expectativa é com a capacidade de o País alcançar a meta do COB: ficar entre os 10 primeiros no quadro de medalhas.

Objetivo possível, desde que as coisas aconteçam conforme lógica. Zebras, assim como bruxas, existem. Uma das maiores aconteceu em Barcelona 1992, quando o superastro Sergey Bubka foi eliminado na qualificação do salto com cara.

Mas as análises não podem evidentemente trabalhar com as possibilidades de zebras. A lógica deve nortear o pensamento. E um esporte em que a lógica prepondera este é o Atletismo.

Assim, é natural que nas listas que circularão nos próximos dias Fabiana Murer apareça entre as candidatas a dar ao Brasil um lugar no pódio. Razões não faltam. Em 2014 ela não apenas venceu a Liga Diamante, o principal circuito internacional, como terminou em primeiro lugar no Ranking Mundial com 4,80 m. Ela começou bem 2015, como novo recorde sul-americano indoor, com 4,83 m.

É candidata a obter bons resultados no PAN de Toronto em julho e no Mundial de Pequim em agosto. E candidatíssima a uma medalha olímpica em 2016. Claro que sempre terá adversárias duríssimas, a começar pela russa Elena Isinbayeva, recordista mundial, e a norte-americana Jennifer Shur, ouro olímpico em Londres.

Como Fabiana, entram nas listas naturalmente Arthur Zanetti (ginástica artística), Cesar Cielo (natação), Martine Grael (vela), Mayra Aguiar (judô), as seleções de vôlei e do handebol feminino.

Dia Internacional da Mulher e as grandes atletas do Brasil

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Neste domingo o mundo comemora o “Dia Internacional da Mulher”. Desde a década de 1960, o dia 8 de março se consolidou como aquele em que lembramos as conquistas femininas e o que ainda se deve fazer para que haja maior igualdade entre os gêneros. Em todas as nações e no Brasil isto é eloquente, as mulheres têm obtido grandes conquistas. Em nosso País, por sinal, uma mulher – Dilma Rousseff – ocupa a Presidência da República.

No esporte, as mulheres deram grandes passos. Os Jogos Olímpicos Modernos são uma boa amostra: se na primeira edição, em Atenas-1896, nenhuma mulher participou, em Londres-2012 as mulheres eram cerca de 45 % do total de atletas.

No Atletismo há muito tempo o Brasil revela talentos. Um dos primeiros nomes a alcançar nível internacional foi Elisabeth Clara Muller, que disputou a Olimpíada de Londres-1948. Em 1964, Aída dos Santos foi a quarta colocada no salto em altura, melhor desempenho olímpico de uma brasileira por mais de três décadas. Em Pequim-2008, Maurren Maggi foi campeã do salto em distância e tornou-se a primeira brasileira a conquistar um título olímpico em evento individual. Fabiana Murer foi campeã do salto com vara tanto no Mundial Indoor, em Doha-2010, como no Mundial de Atletismo, em Daegu-2011.

Em 2012, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) publicou o livro “Mulheres no Pódio”, onde conta a história do esporte feminino no País e das suas principais expoentes.

Nos demais esportes também é grande o número de atletas importantes. Maria Lenk é um símbolo na natação. Paula e Hortência estão entre as maiores do basquete mundial, da mesma forma que Ana Moser no vôlei, Marta no futebol e agora, entre muitas outras, Martine Grael no iatismo e Eduarda Amorim no handebol.

Bom desempenho em 2016 – votos para a esgrima

AFP

AFP

Leio que uma esgrimista desistiu de buscar uma vaga nos Jogos do Rio-2016. A atleta reclama da Confederação do seu esporte que não teria dado o apoio necessário à preparação da equipe.

Não duvido da afirmação da atleta. Também não julgo as ações da Confederação, já que não acompanho o dia a dia da esgrima. Que se esclareça o que houve e se houver algo errado, que se corrija.

Uma coisa é certa, atualmente as entidades dirigentes não vivem na penúria, como ocorria em outros tempos. Nos últimos dez anos, o Governo Federal tem apoiado muito o esporte olímpico.

Aliás, as modalidades olímpicas contam com patrocínio de empresas públicas, além de recursos provenientes da lei Agnelo/Piva. Claro que à medida em que aparecem recursos crescem as demandas.

Mas é fato que há Confederações que fazem os recursos chegarem aos atletas. Tomara que todos os agentes que dão vida à esgrima no País se acertem e que o esporte seja bem representado em 2016.

A morte de uma lenda

A notícia estava no site do UOL neste sábado dia 14. Informava da morte de Franjo Mihalic, aos 95 anos, num hospital militar de Belgrado, capital da Sérvia. Vice-campeão olímpico da maratona nos Jogos de Melbourne em 1956, ídolo do esporte na antiga Iugoslávia, Mihalic é conhecido no Brasil por sua participação na Corrida de São Silvestre, realizada por A Gazeta Esportiva.

Mihalic esteve em São Paulo e venceu a prova em 1952 e 1954. Em 1953, foi vice-campeão – o ganhador no ano foi a “Locomotiva Humana”, o tcheco Emil Zatopek.

A presença de Mihalic, Zatopek e outros astros do esporte mundial prova a importância da corrida, hoje a mais importante da América Latina. Nos anos 1950 a fama da prova era mundial. Medalhistas olímpicos de provas como a maratona e os 10.000 m tinham na agenda participar ao menos uma vez da corrida disputada tradicionalmente em 31 de dezembro na capital paulista.

Mundial de Revezamentos será seletivo para os Jogos do Rio 2016

A mídia não anotou uma novidade anunciada pela IAAF, a Federação Internacional de Atletismo: as equipes que terminarem entre as oito primeiras no Mundial de Revezamentos de maio próximo nas Bahamas estarão automaticamente qualificadas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem. A CBAt enviou comunicado neste sentido à imprensa esportiva, com esta informação.

A decisão é importante para o Brasil, que tem quartetos fortes nas provas olímpicas – 4×100 m e 4×400 m – no masculino e no feminino. Tanto que na primeira edição do Mundial de Revezamentos em 2014 o País foi finalista nas quatro provas.

O 4×100 m feminino do Brasil, por sinal, foi finalista nos dois últimos grandes eventos mundiais: a Olimpíada de Londres em 2012 e o Campeonato Mundial de Moscou em 2013. O 4×400 m masculino também foi finalista em Moscou.

Vale, portanto, acompanhar com atenção os campings de revezamento que a CBAt realiza no Rio de Janeiro com apoio do COB. Antes do 4×400 m masculino, agora reunido na Escola de Educação Física do Exército no bairro da Urca, houve o camping das outras três equipes: 4×100 m masculino e feminino, e 4×400 m feminino.

Revezamentos: Carlos Cavalheiro volta ao Brasil

A temporada atlética começou com a realização dos campings dos revezamentos olímpicos, isto é: 4×100 m e 4×400 m, masculino e feminino. Bom que seja assim, pois 2015 será um ano de competições difíceis, que terá o ápice no Campeonato Mundial de Pequim, em agosto.

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E depois, as equipes brasileiras dos revezamentos já estão garantidas em Pequim, porque foram finalistas no Mundial de Revezamentos nas Bahamas em 2014.

Junto com os trabalhos das equipes, que acontece no Rio de Janeiro, uma boa notícia: Carlos Alberto Cavalheiro está de volta ao Brasil. Contratado pelo COB, ele será o coordenador das provas de velocidade e revezamentos: 100 m, 200 m e 4×100 m (masculino e feminino).

Cavalheiro tem história no Atletismo nacional. Ele foi o treinador de Robson Caetano da Silva, ganhador da medalha de bronze nos 200 m na Olimpíada de Seul, em 1988. Também foi o técnico de Ronaldo da Costa, que em 1998 estabeleceu o recorde mundial da maratona em Berlim. Nos últimos 10 anos Cavalheiro trabalhou para o Comitê Olímpico do Catar.

O camping do 4×100 m feminino termina neste fim de semana. Paralelamente começam os treinamentos do 4×100 m masculino e do 4×400 m feminino.

Dudu no Palmeiras. E o velho problema dos altos salários no futebol

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Cesar Greco/Ag.Palmeiras

Leio comentários otimistas sobre o Palmeiras, que contratou o grande Dudu. Levou um bom jogador e de quebra passou a perna em São Paulo e Corinthians. Leio também que o salário do jogador seria de 400 mil reais por mês.

Ele estaria no topo da elite salarial do futebol brasileiro. Isto porque, disse Paulo André na Mesa Redonda de domingo, “apenas” 65 jogadores do País ganham acima de 300 mil reais…

Já escrevi aqui ser difícil estabelecer tetos salariais quando o sistema econômico não estabelece limite para o lucro. Aliás, é bem pior, pois não há limite para os juros. Um projeto de lei neste sentido provavelmente nem chegaria ao plenário do Congresso, já que dificilmente passaria pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal ou do Senado, tanto faz.

No entanto, um mínimo de senso comum levaria os clubes nacionais a estabelecerem metas rigorosas quanto a gastos no futebol, pois estão todos em situação financeira humilhante. Isto é possível, pois seria um acordo dos clubes. Será que o pessoal (falo dos jogadores, não do grupo de assessores) do Bom Senso (os que estão em atividade) topariam? Mostrariam grandeza. Claro que isto se aplica também a treinadores.

Mas vamos voltar ao Dudu, elogiado pelo que jogou no Grêmio em 2014. Vamos torcer para ele ajudar o Verdão a ter um ano bem melhor que o passado. Mas 400 mil por mês…

Fazer o lógico e o básico no Rio 2016

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Como havia ameaçado no último comentário, estou de volta. Foram alguns dias para as festas de fim de ano. 2015 chegou tão rápido como saiu de cena 2014. E passará logo, para a vinda de 2016, o ano da Olimpíada no Rio.

Falta pouco tempo e não há muito mais o que pensar. Agora é fazer o lógico e o básico. Assim, ficam mais claras as tarefas a cumprir.

Na parte estrutural, aquela que depende mais do poder público, principalmente do Governo Federal, parece que as coisas seguem o cronograma. Foi o que disseram os membros da delegação do COI, que vistoriaram as obras.

Na Olimpíada a grande maioria dos eventos acontecerá na mesma cidade e há problemas que surgem durante os Jogos. Aí, tanto a APO como a organização esportiva terão que ser ágeis.

Acompanhei três edições dos Jogos que muito me agradaram: Barcelona 1992, Sydney 2000 e Londres 2012. Grandes lições estas cidades nos deram. As três aproveitaram os Jogos para recuperar extensas áreas urbanas.

Quanto à preparação dos atletas e equipes algumas confederações estão adiantadas. O que, se não significa garantia de maior número de medalhas, mostra que há entidades realmente preocupadas em proporcionar as melhores condições de treinamento a seus atletas.

No caso do atletismo, três campings estão acontecendo com atletas de ponta, acompanhado de seus treinadores pessoais. Assim, no Rio termina neste fim de semana o camping de atletas de saltos horizontais. Enquanto isso prosseguem os campings de salto com vara em Varsóvia e de arremesso em Havana.

2015, o ano da passagem

AFP

AFP

Os maiores eventos esportivos do planeta são os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol. Quis Deus, ou o acaso, que o Brasil fosse a sede dessas duas competições em sequência. Então tivemos a Copa de 2014, com direito a cafajestes na plateia – que desrespeitaram a própria chefe da Nação – e a um time sem forças para evitar os maiores vexames já sofridos pelo futebol brasileiro.

Pois 2014 já está terminando, mas a lembrança dos 7 a 1 para a Alemanha e os 3 a zero para a Holanda já estão registrados na história. Já escrevi aqui que os 7 a 1 não provam que a equipe nacional era tão pior assim que a Alemanha. O placar foi uma fatalidade. O triste, e isso não dá para esquecer, foi a atitude passiva da comissão técnica e de vários jogadores, incapazes de reagir, não para evitar a eliminação, isto era impossível. Mas se agissem de outra forma, quem sabe a humilhação fosse menor.

Nem tudo foi ruim, dirão os otimistas, prontos para falar dos bons resultados da natação no Mundial de piscina curta e do título de Gabriel Medina, no surfe. Parabéns aos nadadores e a Medina, mas não há termos que possam comparar estes (grandes) feitos com a Copa do Mundo.

Agora vamos a 2015. A natação terá o Mundial em piscina olímpica. Teremos ideia melhor do real estágio da equipe brasileira. O atletismo também terá seu Mundial. O fato é que atletismo, em primeiro lugar, e natação são os grandes esportes dos Jogos Olímpicos, que acontecerão no Rio em 2016. E o que apresentarem nos Mundiais de 2015 será o que farão também na Olimpíada.

Por isso todo o cuidado deve cercar a preparação em 2015, o ano da passagem para a temporada olímpica de 2016.

***

Estamos bem perto agora da história 90ª edição da São Silvestre, a prova de rua mais importante da América Latina. Ao longo da história, a prova passou por mudanças. Mudaram os locais de largada e chegada, a distância e a parte do dia em que é disputada. Nunca mudou o dia, sempre 31 de dezembro, dia de São Silvestre. Resistir por 90 anos não é para qualquer evento. Isto prova que a São Silvestre faz parte da história de várias gerações de esportistas brasileiros.

***

Saio de férias por alguns dias. Retorno no começo de janeiro. Aos que eventualmente leram alguma das linhas que escrevi este ano, e também aos que não leram, muito obrigado. Se algo do que escrevi foi útil em algum sentido, fico feliz.

Boas Festas a todos.

Houve justiça na escolha dos melhores de 2014

Valery Hache/AFP

Valery Hache/AFP

Os melhores de 2014 foram reconhecidos como tal no atletismo mundial. Os prêmios recebidos por Renaud Lavillenie (salto com vara) e Valerie Adams (arremesso do peso) vão ao encontro do que os atletas produziram no âmbito internacional pelo francês e pela neozelandesa.

Lembrando: Lavillenie marcou 5,16 m e superou o recorde mundial indoor de 20 anos, que pertencia ao legendário Sergei Bubka, e Valerie chega celeremente ao 10º ano de domínio absoluto em sua prova, conquistando todos os títulos em disputa.

E no Brasil, um júri formado pelo COB escolheu Fabiano Murer. Ficou bem, pois Fabiana conquistou o bicampeonato da Liga Diamante e com 4,80 m termina 2014 como número 1 do Ranking Mundial no salto com vara feminino.

Claro que havia outro forte candidato: Mauro Vinícius da Silva, o Duda, que obteve o título de bicampeão mundial indoor do salto em distância. Duda tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o bicampeonato mundial no atletismo.

Também brilhou o marchador Caio Bonfim, terceiro colocado no Circuito Mundial de Marcha da IAAF. No Mundial de Juvenis, um título veio para o Brasil, com Izabela Rodrigues da Silva, medalha de ouro no lançamento do disco. No mesmo Campeonato, Mateus de Sá ganhou bronze no triplo.