Mal dentro e fora do campo

Foto: AFP

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A CBF cumpriu a ameaça e avisou: “habemus” técnico. Sim, já foi escolhido o novo treinador da Seleção Brasileira. Ele mesmo, Dunga. Apesar da esperada decepção da maioria, há, como sempre, um lado consolador, ainda que dúbio, nessa história. Isto é: a situação dificilmente irá piorar. É certo que Dunga foi um bom jogador. E como técnico da Seleção não foi pior que antecessores nem do que veio depois.

Mas teremos uma volta ao passado que não foi bom, reconhecendo desde já que o passado recente foi até pior. A troca de nomes não vai alterar o essencial, que é a forma de pensar o futebol, seja o jogo em si seja a sua organização. E aí estão corretas as críticas aos dirigentes, principalmente à dupla José Maria Marin/Marco Polo Del Nero.

De Marin e Del Nero não se poderia esperar atitude diferente. Afinal, são velhos conhecidos de todos que acompanham o esporte no País. Mas nesse ponto acho justo fazer uma crítica ao modo com que os jornalistas encaram a cobertura esportiva

Houve um tempo – e desculpe contar a história novamente – em que os dirigentes de futebol tinham os seus feitos, bem feitos ou malfeitos cobertos pela imprensa esportiva. Isso não fazia os dirigentes melhores. Mas para chegar à presidência de uma Federação como a de São Paulo ou à CBF o candidato precisava ter algum talento, nem que fosse para os malfeitos acima já lembrados.

Nessa época, Marin e Del Nero eram o que continuam sendo: medíocres (no sentido popular do termo) como dirigentes, que podiam almejar no máximo cargos secundários. E politicamente a história de Marin como defensor da ditadura já foi lembrado aqui e nem precisa ser provada, de pública que é.

Tudo saía em jornais, rádio e TV. Aí apareceram os gênios. Um dono de jornal de grande circulação de São Paulo mandou um aviso ao editor de esportes, repassado aos repórteres na reunião de pauta de uma segunda-feira do já distante ano de 1982: “Não quero mais nomes de dirigentes no jornal.”

Assim foi feito. Com o tempo, cartolas e suas entidades foram esquecidos. E era o que eles queriam. Puderam agir ainda com mais liberdade. E o futebol só piorou. E caiu tanto que rebaixou até a qualidade do jogo entre nós. E atualmente nem se pode mais repetir uma frase surrada, a que dizia que o futebol brasileiro “vai bem dentro de campo e mal fora del”.

Fabiana é líder. E quem será o novo técnico da Seleção?

Continua em boa fase a campineira Fabiana Murer. Em Mônaco, venceu mais uma etapa da Diamond League e mantém a liderança do salto com vara no circuito. Campeã em 2010, parece próxima da conquista do bicampeonato. Ela lidera também o Ranking de resultados da IAAF na temporada, com 4,80 m. Aos 33 anos, a saltadora continua entre as melhores do mundo em uma das mais difíceis provas do atletismo.

Como prevíamos, terminada a Copa do Mundo, as atenções voltam-se para os preparativos da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. Também já eram esperadas as críticas “ao ritmo lento das obras”. Bobagem, as obras necessárias serão feitas e muitas delas serão um grande ganho aos cariocas e todos os brasileiros.

Claro que tudo deve ocorrer com transparência. A mesma transparência que grande parte da mídia não se preocupava em cobrar em outros tempos, quando os governantes eram outros. Mas que deve ser exigida sempre, inclusive agora, se por acaso isso não estiver ocorrendo.

Claro que a indicação de Gilmar para coordenador técnico da CBF deve dominar os noticiários por mais algum tempo. Ainda mais agora que estão ameaçando anunciar o nome do novo treinador da Seleção na próxima terça-feira. Falam em Tite, Muricy e, agora, Dunga. Não fará muita diferença, seja este ou aquele o escolhido.

Pelo passado desses personagens, Gilmar à frente, não vale esperar mudanças. Tudo se resumirá a troca de nomes, em relação aos anteriores ocupantes desses cargos, como Parreira e Felipão.

Parabéns, Alemanha. E vamos agora aos Jogos Olímpicos do Rio 2016

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A Seleção da Alemanha ganhou a Copa do Mundo do Brasil 2014. Ganhou da Argentina por um a zero, com gol na segunda etapa da prorrogação. Justa a conquista. É bom reconhecer que desde a estreia na Copa, com a goleada sobre Portugal por quatro a zero, que os alemães tinham vindo ao Brasil para disputar o título, nada menos que isso.

Tenho ouvido e lido que a conquista deveu-se ao trabalho da Federação Alemã, iniciado após a derrota para o Brasil na final da Copa de 2002. Vamos pensar nisso. Os dirigentes da Federação realmente elaboraram um plano, que incluiu escolha de um treinador e apoio ao trabalho. Também deram um show na preparação específica para este Mundial.

Foram imbatíveis na simpatia. Claro que teriam a apoio da maior parte da torcida brasileira, já que o jogo era contra a Seleção da Argentina, tradicional rival de nosso País, no futebol. De qualquer maneira, foram o trabalho de longo prazo e os específicos, para cada evento, que levaram a equipe a chegar em condições adequadas à disputa desta Copa de 2014.

Vamos pensar, porém, no que estaria acontecendo agora, caso a Argentina tivesse vencido a final. Chances não faltaram, no tempo normal os argentinos tiveram mais chances até que a Alemanha. Certamente o tão falado “projeto alemão” não estaria sendo tão exaltado. E no entanto seria uma injustiça. O trabalho era necessário e foi bem feito.

Trabalho que o Brasil também precisa fazer. Claro que não se pode esperar que a iniciativa parta dos dirigentes da CBF, das Federações Estaduais e dos clubes. Aí vale apoiar a iniciativa do Governo Federal. A presidenta Dilma recebeu integrantes do movimento Bom Senso e deixou claro que é preciso pensar o futebol no Brasil. É verdade que o Governo não tem meios legais de intervir na CBF.

Mas, penso, que nem é preciso. Se jogadores, treinadores e demais profissionais que atuam no futebol levarem o projeto do Bom Senso com apoio do Governo Federal, a cartolagem não terá como evitar mudanças.

O Brasil passou com louvor na organização da Copa do Mundo. Agora, toda a atenção para a preparação para receber a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro. O presidente do COI, Thomas Blach, animado com o sucesso da Copa no Brasil, disse ter certeza de que os Jogos Olímpicos também serão primorosos. É verdade que os abutres que “profetizavam” o fracasso nacional para fazer a Copa, já começaram a falar mal dos Jogos de 2016. São os “profetas” do caos. De novo, quebrarão a cara.

O quarto lugar era o máximo que a Seleção merecia. Mas é melhor abaixar o chicote

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Vamos combinar que a Holanda mereceu a vitória e o terceiro lugar na Copa do Mundo. Mas vamos reconhecer também que a arbitragem prejudicou o Brasil. O pênalti marcado contra o Brasil não aconteceu; houve, sim, falta fora da área. O segundo gol nasceu de um cruzamento de jogador que estava em impedimento. É verdade que a Holanda podia ter feito outros gols, mas o time brasileiro até que criou algumas chances e bem que até merecia marcar um gol.

De qualquer forma, o quarto lugar era o máximo que a equipe nacional poderia almejar, especialmente depois de levar de 7 a 1 da Alemanha. É preciso pensar no que fazer, ou ao menos não repetir o que houve nas últimas décadas. Porque, mesmo com os títulos de 1994 e 2002, ganhos merecidamente diga-se, a qualidade diretiva caiu muito desde a saída de Giulite Coutinho da presidência da CBF.

Desde então as coisas apenas pioraram, com Otávio Pinto Guimarães, Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Muitos, da imprensa inclusive, que agora demonizam Scolari e sua comissão técnica, antes mostravam-se animados com as possibilidades da Seleção. Se agora não querem lembrar que assim foi, tudo bem… Mas não devem exagerar nas chicotadas, pois aí sim poderão ser lembrados do que escreveram ou falaram antes da Copa… Mas também não acho que devam se flagelar em praça pública. Basta reconhecer que também erraram. Mas isto é das coisas mais difíceis de acontecer. É preciso humildade e só os grandes são humildes.

Há comentaristas que falam, com razão, que “é preciso mudar muita coisa, a começar pela direção do futebol, continuando pela renovação de conceitos sobre o jogo”. Concordo, mas a pergunta é: como se faz isto? Cobra-se o Governo, mas quando o presidente Lula deu uma simples opinião, de que deveríamos adaptar nosso calendário ao europeu, um jornalista da oposição disse que Lula “deveria cuidar do Senado”. Pois é, disse que o presidente da República (chefe do poder executivo) deveria cuidar do Senado (poder legislativo)…

Agora, a presidenta Dilma recebe o pessoal do Bom Senso e propõe começar as mudanças, dentro do que a lei permite. Foi o suficiente para que um outro jornalista repetisse um candidato da oposição e afirmasse que não precisamos de uma Futebrás. Pois é, nada que surpreenda… Mas há esperanças, pois um outro jornalista, este de fato importante, Juca Kfouri, diz que a presidenta está certa em ouvir o Bom Senso e começar uma reforma, pelo menos a reforma possível de se fazer sem depender a vontade da CBF.

Repensar o futebol brasileiro é preciso. Mas sejamos justo, o time lutou

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Não é razoável julgar o futebol brasileiro pela goleada sofrida da Alemanha nesta terça-feira em Belo Horizonte. É certo que o time nacional em nenhum jogo desta Copa foi fantástico. Mas é igualmente justo reconhecer que a Seleção Alemã, embora sem dúvida melhor que a do Brasil, não é tão superior assim. Basta ver as campanhas dos dois times no Mundial. Os alemães foram melhores e eram favoritos neste jogo. Mas aceitar que a diferença de gols neste jogo simboliza o potencial de futebol dos dois países no momento é julgamento feito às pressas e quase sempre injusto.

Vamos relembrar: o jogo começou equilibrado. Aí a Alemanha fez um a zero, cresceram. Fizeram o segundo. Penso que aí foi o nó. O nó que deu no time brasileiro. Scolari, do banco, parece que não sabia o que fazer. Em campo não havia um líder que chamasse o time ao equilíbrio. Depois veio o terceiro e quarto e o quinto… A Seleção Brasileira voltou melhor no segundo tempo. Criou chances, o ótimo goleiro alemão enfim pôde fazer algumas defesas boas. Mas os gols não saíram. Aliás, saíram mais dois gols alemães. No fim, o gol brasileiro, de honra, como se dizia antigamente.

É bom pensar, embora com a cabeça quente, que se o time do Brasil fosse tão ruim assim, como chegou entre as quatro primeiros? O que houve foi neste jogo, o desequilíbrio foi nesta partida. Por quê isso aconteceu? Não a derrota, mas a goleada? Para mim, mesmo nos piores momentos, os jogadores não deixaram de lutar. Claro que isso não basta. Faltou, é lógico, competência, da comissão técnica e do time. Mas não faltou luta.

Ouvi um comentarista, o Paulo Calçade, da ESPNBrasil, dizer que é hora de repensar o futebol brasileiro. Outro colega, aqui da GE, o Chico Lang, falou das dificuldades que será dar a volta por cima. É verdade, será difícil mesmo. Mas já aconteceu. Tivemos 1950… Oito anos depois a Seleção conquistou a Copa pela primeira vez. Aí veio 1966… o time saiu na primeira fase. Quatro anos depois veio o tri no México.

Será fantástico se o time tiver forças para enfrentar Argentina ou Holanda no sábado e quem sabe conquistar o terceiro lugar. Ou, pelo menos, levar o jogo na medida. Perder ou ganhar com um placar normal.

Muita coisa será dita e escrita por muito tempo, o resultado de hoje entra para a história. Por décadas se falará do grande futebol brasileiro, que realizou uma Copa magnífica, elogiada em todos os países, mas que caiu, de goleada, na semifinal.

Haverá quem tentará obter vantagens, tirar proveito político-partidário desse resultado. Penso que não vale a pena, quebrarão a cara. Mas concordo que este é um bom momento para passar a limpo o futebol nacional. Afinal, foi nosso pior resultado em um século.

Dois grandes jogos na fase semifinal da Copa

AFP

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Brasil joga com a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo nesta terça-feira dia 8 em Belo Horizonte. Tudo e mais um pouco já foi falado e escrito sobre as dificuldades que a Seleção nacional terá para superar a forte equipe europeia. Quem vai substituir Neymar? Os repórteres que acompanham o time dizem que William é o favorito para ficar com o lugar. Pode ser.

Também muito se falou sobre a jogada em que Zuñiga bateu com o joelho nas costas de Neymar tirando-o da competição. Há desde os que assumem a defesa do “colombiano perseguido” até os que propuseram “quebrar a cara” do adversário… Deus do céu! Que torcedor fale isso é grave, mas um jornalista tem a obrigação de não propor violência.

Mas Zuñiga não deve ser tratado a pão-de-ló. Ele fez uma jogada violenta, perigosa e sabia disso. A Fifa deveria tomar a iniciativa de analisar a imagem do lance e dentro que permitem as regras estabelecer uma punição ao jogador. Simples assim.

E a Copa do Mundo agora é chamada de “Copa das Copas” até pelos que torciam desesperadamente para que as coisas não dessem certo. Como já disse antes, quebraram a cara. Agora, tentam passar a ideia de que queriam a Copa aqui e que acreditavam no sucesso “desde os tempos em que eram criancinhas”. Mas não adianta, está tudo impresso e gravado… Passarão vergonha para sempre.

Ouço e leio que não temos como em outros Mundiais um craque especial, que desse a marca do evento. Espera aí, e o Robben? Está jogando muito. Alguém discorda? E tem o Messi, Di Maria, Neymar, David Luiz, Tomas Muller… Vários goleiros têm se destacado, como Bravo, Navas, Júlio César. E se os goleiros estão chamando a atenção significa que os jogos estão sendo intensos, com equipes ofensivas.

É isso. E vamos para Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda. Dois jogaços. E torcer muito para a superação e a conquista de um lugar na final da Copa pelo time brasileiro.

Novamente foi um sufoco. Mas o time melhorou e está na semifinal, sem Neymar

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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Um primeiro tempo muito bom e o Brasil merecia a vantagem de 1 a zero. Seria justo até mesmo se o time tivesse feito mais um gol. O fato é que não fez. E veio o segundo tempo e, como era previsível, foi terrível. A Colômbia voltou melhor, fez ataques perigosos e bloqueou os contragolpes brasileiros muito bem.

O Brasil ainda fez alguns ataques, mas o que valeu, mesmo, foi a magnífica cobrança de falta por David Luiz, que deu o segundo gol ao Brasil. Mas o time sofria ataques e provocava sofrimento na torcida. No fim, o pênalti e o gol de James.

No fim, 2 a 1 e o Brasil está na semifinal. Mas assim que precisou fazer sua melhor partida nesta Copa para superar a Colômbia também precisará melhorar mais e manter a regularidade durante todo o jogo para poder passar pela Alemanha, na próxima terça-feira, em Belo Horizonte e alcançar a final do dia 13, no Maracanã.

David Luiz, um leão na defesa e bem no apoio, além de um golaço, foi o melhor do jogo. Thiago Silva foi ótimo e fez o primeiro gol, do jeito que deu, de coxa. Mas não precisava fazer aquela falta desnecessária no goleiro colombiano. Resultado: está fora do jogo com a Alemanha.

Neymar foi bem, mas saiu de campo contundido, direto para um hospital de Fortaleza. Tomara que possa jogar na terça-feira. Não tem substituto à altura, como todo mundo sabe. Aliás, Thiago Silva também não tem um reserva do mesmo nível. Fernandinho também foi bem, mas esteve pelo menos duas vezes no limite de levar o cartão amarelo. Não podemos esquecer Oscar, utilíssimo no esquema de Luisa Felipe Scolari.

Treinador que terá que encontrar uma forma de substituir o craque do time. Sim, porque Neymar, com uma vértebra lombar fraturada não joga mais nesta Copa. Quem vai entrar? Willian? Bernard? Seja quem for, não fará o que Neymar pode fazer. O esquema terá que mudar. Como? Isso é com o professor Scolari.

De qualquer forma, esta Copa do Mundo mostra a superação de várias equipes. Uma delas é a Colômbia, que embora sem repetir seus melhores jogos já bateu todos os seus recordes em Copa do Mundo, ao chegar às quartas-de-final.

Bem diferente de outros tempos. Acho que já contei aqui, mas vale repetir: corria o ano de 1969 e o Brasil foi enfrentar a Colômbia em Bogotá, pela fase eliminatória sul-americana da Copa de 1970. Gérson, um dos líderes do time nacional, em entrevista respondeu que os colombianos não preocupavam.

Os repórteres foram repercutir a opinião do “Canhotinha” com João Saldanha, treinador brasileiro. Saldanha minimizou, falou que os colombianos tinham um bom jogador, o ponteiro esquerdo Tato González. Na Rádio Gazeta, Loureiro Júnior comentou: “Gérson e Saldanha disseram a mesma coisa, a Colômbia é fraca, em 11, tem um bom jogador.”

Eram outros tempos. Desde a década de 1990 o país revela bons jogadores e forma boas equipes.

A Copa no Brasil é um sucesso. E David Luiz é o melhor

AFP

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Então é assim. Josef Blatter diz que a Copa é um sucesso. Jérôme Valcke diz que tudo está muito bom. Nem lembra mais da frase desaforada que disse contra as “muitas falhas” da organização. Falhas, que se diga a bem da verdade, existiam mesmo. E deveriam ser criticadas com seriedade e também com elegância, pois seriedade e elegância são qualidades que em geral caminham juntas.

O duro foi acompanhar, por obrigação profissional, as desinformações passadas aos brasileiros por órgãos da mídia nacional, muitas vezes macaqueando arautos da desgraça, servidores de conhecidos grupos partidários. Houve até os que afirmassem que a Fifa pensava em um plano b, isto é, fazer a Copa em outro país. Diziam isso maldosa e estupidamente, pois a maldade e a estupidez – para castigo dos maldosos – são características gêmeas.

Diziam que os estádios não ficariam prontos. De fato, falta em um ou outro algum item de acabamento. Mas todos estão em condições de receber os jogos da Copa. Foram testados e aprovados. Diziam que a mobilidade seria uma tragédia, principalmente nos aeroportos. Pois não há nada disso.

Alguns pararam de falar, para não cair no mais absoluto ridículo. Mas também não se desculparam, nem era de se esperar que fizessem isso, seria exigir grandeza onde só há pequenez.

Mas há até, ainda bem, os que de fato reconhecem que houve exagero nas críticas. E que, sim, há problemas, que precisam ser debatidos, de forma democrática e séria, sem viés ideológico ou partidário. Sim, há também veículos de imprensa e jornalistas sérios.

Mas, no final das contas, a resposta está nos fatos. A Copa é um sucesso. A “pachecada” chora.

ENQUANTO ISSO A Fifa elegeu o zagueiro David Luiz como o melhor da primeira fase da Copa do Mundo. Merece, embora outros também tenham se saído muito bem. No caso brasileiro, outro nome importante é Luiz Gustavo, que fará falta contra a Colômbia.

Espera-se um jogo duro nas quartas de final. Taí um fato novo. A Colômbia evoluiu muito e pelo menos desde os anos 1990 revela craques. No passado, jogadores como Rincón e Valderrama. Hoje, nomes como Cuadrado. Outro dos grandes da primeira fase da Copa. Merecedor de nota alta. Por exemplo: 9 – um “cuadrado” perfeito.

Júlio César garantiu desta vez. Mas o time precisa melhorar

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O Brasil está nas quartas de final da Copa do Mundo. Mas, Deus do céu, será sempre assim? O coração suporta? O fato é que o time precisa jogar mais. O nervosismo de vários dos jogadores é evidente e isso não é bom. Claro que se pode dizer que o gol de empate do Chile foi conseguido numa falha individual. Está bem, mas o jogo foi para a prorrogação e daí para os pênaltis, com erros de Hulk e William.

E com duas defesas fantásticas de Júlio César, que no final garantiram a classificação para a próxima fase, quando jogará com Colômbia ou Uruguai, que se enfrentam agora no Maracanã.

O Brasil não começou mal, mas caiu muito quando sofreu o gol de empate. Só equilibrou novamente o jogo na metade do segundo tempo. Neymar, sempre importante, brilhou menos desta vez.

O que Felipão pode fazer? Todos pediam Fernandinho no lugar de Paulinho, que de fato não estava bem. Só que desta vez Fernandinho começou como titular, mas já na metade da partida foi substituído por Ramires. E agora? Paulinho vai voltar? Começará com Ramires? Ou entraria Hernanes?

Nenhuma decisão é garantia de sucesso. Acho que Hernanes poderia dar mais segurança ao time. Mas vamos reconhecer que isso não é suficiente para o necessário crescimento da Seleção. Fred começará jogando ou ele tentará Jô outra vez. Nenhum dos dois foi bem, a meu ver.

Mas e a alternativa? Certamente Felipão sabia quem estava convocando e com seu conhecimento e experiência deve ter as opções corretas. Vamos esperar que isso se concretize na próxima sexta-feira, em Fortaleza.

O Brasil enfrenta o jeito chileno de jogar

AFP

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Felipão, Tostão e jornalistas brasileiros se unem nos elogios ao time do Chile, “a melhor seleção que o país no extremo sul da América já formou”. Embarco na mesma nave de apoio ao estilo de jogo do treinador Sampaoli e da equipe chilena.

Mas, melhor seleção chilena de todos os tempos? Não seria melhor um pouco mais de cuidado? O time da Copa de 1962 ficou em terceiro lugar… A seleção de 1974 tinha craques como Figueiroa e Caszely… Mas, é claro, o time atual é muito bom e tem sido agradável ver suas partidas.

Espero que amanhã, em Belo Horizonte, a seleção de Sampaoli faça mais um belo jogo para a gente ver. E espero que o Brasil jogue ainda melhor que o Chile, vença a partida e se classifique para as quartas de final. Se isso acontecer pegará Colômbia ou Uruguai. A Colômbia está bem, tem a minha simpatia. Mas confesso que simpatizo ainda mais com o Uruguai.

Talvez porque este pequeno país na divisa com o Rio Grande do Sul tenha abastecido o São Paulo de craques como Pedro Rocha e Dario Pereira, além de jogadores símbolos como Pablo Forlán e Diego Lugano.

Lugano que falou coisas que não devia na coletiva de anteontem, tentando justificar o injustificável comportamento de Luiz Suarez, no jogo com a Itália.

Suarez, punido pela FIFA com nove jogos de suspensão pela seleção uruguaia e mais quatro meses de banimento, acho que podemos chamar assim. A atitude do jogador foi grave e merecia punição. Mas nove jogos? Quatro meses de suspensão? Certamente foi um exagero.

Os leitores já repararam certamente que os anunciadores do apocalipse durante a Copa se aquietaram. Na verdade, uns poucos acreditavam, mesmo, no fracasso. Os demais torciam pelo fracasso, mas sabiam que não falavam com base nos fatos.

A Copa segue, um sucesso total. Legados ficarão. Críticas, há as justas. Mas não devemos confundir estas com o desvario político-partidário oposicionista que torcia pelo insucesso brasileiro. Estes, quebraram a cara. Terminada a Copa tratarão de retomar as críticas à Olimpíada do Rio 2016. Quebrarão a cara novamente.