
Foto: Mowa Press
Tenho lido e ouvido justas reclamações pelo futebol que a seleção está jogando; ou, segundo alguns, não está jogando. As apresentações do time brasileiro com Scolari, e antes com Mano, também não me agradam. Não me atrevo a fazer análise do comportamento tático da equipe nos jogos com a Itália e Rússia. Mas acontece que não gostei do que vi, embora reconheça que houve um ou outro lance bonito. É muito pouco, certamente, para o que sucessivas gerações de brasileiros que apreciam o futebol já tiveram a oportunidade de ver.
Isso quer dizer que o Brasil não tem chances de ganhar a Copa das Confederações este ano e a Copa do Mundo, no próximo? De jeito nenhum. Vou falar do que lembro. A seleção de 70 é considerada, com justiça, uma das mais perfeitas da história. No entanto, os meses que antecederam a Copa do México mostravam uma equipe indefinida, com valores individuais poderosos, mas o time não engrenava. Zagallo, o técnico, era “burro”, isto era o mínimo de que era chamado. Paulo César, carioca, escalado no lugar do paulista Edu, levou uma vaia monumental no Morumbi. Quase tão grande à que Julinho Botelho, paulista e grande ponta direita, levara no Maracanã, dez anos antes, porque escalado no lugar de Garrincha, que estava contundido.
O time, enfim, foi para o México. No jogo de despedida, vitória por um a zero contra a Áustria, no Maracanã. Zagallo fez o que o povo e boa parte da imprensa pediam: colocou Piazza, bom volante, na quarta zaga (ele não convocara Roberto Dias); Clodoaldo no meio campo ao lado de Gérson; Pelé e Tostão, juntos, na frente, e Rivelino fechando o meio campo na ponta esquerda. Mas o treinador teve quase três meses para preparar a equipe que, finalmente, estreou com uma goleada de quatro a um sobre a antiga e forte equipe da Tchecoslováquia, que tinha o goleiro Viktor, o lateral direito Dobias, o meia Adamec, entre outros. E o Brasil derrotou na sequência a Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e, finalmente, a 21 de junho, no Estádio Azteca, a seleção da Itália. Quatro a um para o Brasil, que trouxe em definitivo a Taça Jules Rimet, depois roubada da antiga sede da CBF no Rio de Janeiro.
Em 1994 o time também foi para os Estados Unidos desacreditado, com razão, em vários aspectos. Entre eles, a dificuldade de Parreira e Zagallo em aceitar Romário na seleção. Cederam, enfim, para nossa sorte, e o Brasil acabou campeão, de novo contra a Itália, e apesar da decisão acontecer nos pênaltis. De qualquer forma, o time era bom, com Romário, Bebeto, Aldair, Jorginho, Dunga, Mauro Silva… Em 2002, igualmente, a coisa estava difícil. Foi Scolari quem bancou a ida de Ronaldo, que poucos acreditavam que poderia jogar. Jogou e foi importante na conquista do penta. Mais uma vez havia vários craques: Ronaldo, Rivaldo, Cafu, Marcos, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho…
Penso que a maioria concorda que não temos, hoje, jogadores como Gérson, Tostão, Clodoaldo, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo. Pelo menos não temos, com certeza, um grande número jogadores como aqueles. Mas Neimar, Lucas, Oscar são jogadores de primeira linha e se o treinador conseguir um entrosamento razoável, que com jogos esparsos será difícil de alcançar, mas se conseguir, não vejo como, racionalmente, não colocar a seleção brasileira entre as favoritas para a Copa das Confederações e para o Mundial de 2014.