Franciela e a mulher brasileira no esporte

franciela1_080314_afp

Adrian Dennis/AFP

Pois é, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. No esporte, há brasileiras respeitadas internacionalmente. No atletismo são várias, a começar por Aída dos Santos, que há 50 anos chegou à final olímpica do salto em altura, nos Jogos de Tóquio.

Daqui a dois anos a Olimpíada será no Rio de Janeiro, cidade onde Aída sempre competiu. Não dá para achar, hoje, que teremos uma sucessora de Aída na prova que a consagrou em 1964. Mas com certeza ela não será a única mulher da delegação brasileira nem o único nome do atletismo nos Jogos. Depois tivemos Maurren Maggi, campeã olímpica em Pequim, em 2008, e Fabiana Murer, duplamente campeão mundial, ao ar livre em Daegu 2011 e indoor em Doha 2010.

Fabiana é uma das três mulheres que representam o Brasil no Mundial de Atletismo Indoor de Sopot, na Polônia. Ela compete amanhã, último dia da competição, na final do salto com vara. O evento começou ontem e no primeiro dia Keila Costa disputou a qualificação do salto triplo e não passou à final. Mas Keila tem o bronze ganho no salto em distância em Doha e outro bronze conquistado no Mundial Juvenil de Kingston 2002, no triplo.

Hoje, sábado, quem competiu foi Franciela Krasucki, na preliminar dos 60 m. Marcou 7.25, foi a terceira em sua série e garantiu um lugar na semifinal de amanhã à tarde e tem esperança de alcançar um lugar entre as oito finalistas. Franciela em 2005 ganhou bronze no revezamento medley no Mundial de Menores de Marrakesh e no Mundial de Moscou no ano passado fez parte do quarteto que alcançou um lugar na final do revezamento 4×100 m, com recorde sul-americano de 42.29 na preliminar.

Franciela, Fabiana e Keila são dignas representantes do atletismo feminino do Brasil. Mas em outros esportes também o País tem e teve grandes atletas, como o vôlei, o basquete, o judô, o boxe, a ginástica, o futebol, o handebol, enfim em número para nos dar a esperança de termos boas equipes nos vários esportes olímpicos no Rio 2016.

O esporte, por sinal, tem hoje uma nova situação no Brasil. Nunca o esporte havia sido agraciado antes com tantos investimentos públicos. E isso começou antes mesmo da escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos de 2016. Nas verdade desde o primeiro mandato do presidente Lula a situação do esporte mudou. A presidenta Dilma Rousseff, primeira mulher a ocupar a Presidência da República, manteve e ampliou os investimentos.

Duda da Silva, com respeito

AFP

AFP

O atletismo brasileiro tem revelado talentos ao longo do tempo e também cavalheiros. Pois Duda da Silva, conhecido como Mauro Vinícius, reúne a qualidade técnica e é o que chamamos de “cara legal”, elegante. Por isso tem sempre a torcida de todos nas competições de que participa.

 

Aliás, isso se pôde ver na tarde desta sexta-feira, na Ergo Arena, de Sopot, na preliminar do salto em distância, no Mundial Indoor da Polônia, quando mesmo os adversários o apoiavam na busca pela qualificação para a final deste sábado.

Qualificação, por sinal, que saiu no terceiro e último salto, com 8,02 m, depois de 7,64 m e 7,58 m, nas duas primeiras tentativas. Foi o sétimo entre os finalistas. Pelo nível da prova, fica claro que para disputar um lugar no pódio Duda terá que saltar próximo de suas melhores marcas (8,28 m indoor e 8,31 m ao ar livre).

Embora não esteja em tão boa forma como em 2012, quando conquistou a medalha de ouro no Mundial anterior em 2012 na Turquia, ele pode saltar mais do que fez hoje. Duda já é um atleta experiente e merece, de qualquer forma, respeito pelo que já fez e ainda pode fazer pelo atletismo nacional.

Quanto a Anderson Henriques (400 m) e Keila Costa (salto triplo) os resultados em parte surpreenderam. Esperava-se que passassem para a fase seguinte. Anderson não foi mal, mas pegou uma série forte e ficou em quarto lugar.

Keila, que foi bronze no salto em distância no Mundial Indoor de Doha em 2010, não acertou desta vez. Mas todos irão aos Jogos Sul-Americanos do Chile, na semana que vem, quando poderão obter bons resultados numa competição tradicional.

Anderson, por um lugar na final em Sopot

Henriques2_Wander640_500Começa nesta sexta-feira o Mundial Indoor, em Sopot, pequena cidade polonesa às margens do Báltico. Quem primeiro entrará na pista da Ergo Arena para representar o Brasil será Anderson Henriques, finalista nos 400 m no Campeonato Mundial de Atletismo de Moscou, no ano passado. Na capital russa, Anderson foi finalista e, na semifinal, correu a prova em menos de 45 segundos (44.95).

Em Sopot, Anderson terá três adversários difíceis, sendo que dois deles subiram no pódio na Olimpíada de Londres-2012.  Um deles é o dominicano Luguelín Santos, vice-campeão em Londres, quando correu a distância em 44.45, e medalha de bronze no Mundial de Moscou.

O outro é o trinitino Lalonde Gordon. Aos 25 anos, ganhou bronze olímpico em Londres-2012, quando marcou 44.52, seu recorde pessoal ao ar livre.

E tem o veterano Chris Brown, das Bahamas, aos 35 anos, traz no currículo uma série impressionante de conquistas no Mundial Indoor, ao subir ao pódio nas quatro últimas edições: bronze em Moscou 2006-Rússia, Valência 2008- Espanha e Istambul 2012-Turquia. E ouro em Doha 2010-Catar.

O Mundial Indoor, de qualquer forma, é mais uma importante experiência para Anderson, de 22 anos, uma das esperanças brasileiras de alcançar um lugar na final. Ais informações no site da competição:

http://www.iaaf.org/competitions/iaaf-world-indoor-championships

O Brasil no Mundial Indoor

O Brasil terá sete atletas no Mundial Indoor de Atletismo, que começa no próximo dia 7, em Sopot, pequena cidade polonesa no Báltico, próxima a Gdansk, onde nasceu no final da década de 1970 o “Solidariedade”, sindicato dos trabalhadores nos estaleiros locais, liderado por Lech Walesa, que depois chegaria à presidência do País e hoje dá nome ao próprio aeroporto.

Pois será até Gdansk que as companhias aéreas levarão a delegação brasileira, que embarca na tarde deste sábado, via Munique, na Alemanha. De lá segue para Sopot, onde todos conhecerão a bela Ergo Arena, onde o Mundial será disputado.

A Seleção Brasileira terá sete atletas, sendo cinco saltadores, e destes três do salto com vara:

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

, Thiago Braz e Augusto Dutra. Mauro Vinícius “Duda” da Silva, salto em distância e Keila Costa, triplo. Os outros dois são Franciela Krasucki (60 m) e Anderson Henriques (400 m).

É uma equipe forte, com dois campeões do Mundial Indoor: Fabiana Murer, em Doha 2010, no Catar, e Duda da Silva, em Istambul 2012, na Turquia. Keila Costa ganhou bronze no salto em distância em Doha. Thiago Braz foi campeão mundial juvenil em Barcelona 2012, na Espanha, e no ano passado bateu o recorde sul-americano com 5,83 m. Augusto Dutra e Anderson Henriques foram finalistas no Mundial de Atletismo de Moscou 2013, na Rússia. E Franciela Krasucki este mês quebrou o recorde sul-americano indoor dos 60 m, que vigorava há 32 anos.

Os sete atletas terão a assistência de treinadores, médico, fisioterapeuta, massagista, nutricionista e psicóloga. E tentarão manter a tradição de trazer medalhas para o Brasil. Há boas chances, principalmente no salto com vara, prova em que o País conta com três representantes.

Preparação olímpica

Divulgação/CBAt

Divulgação/CBAt

Um programa elaborado por CBAt e COB de preparação do atletismo para os Jogos do Rio e formatação de projeto permanente de busca de crescimento olímpico do esporte-base para além de 2016. O plano foi apresentado à Imprensa esportiva nesta quarta-feira 26, na sede da Confederação, em São Paulo.

O presidente da CBAt, José Antonio Martins Fernandes apresentou os expositores, Jorge Bichara (COB) e Antonio Carlos Gomes (CBAt). Resumindo, foram colocadas as provas e o número de atletas que já têm todas as condições para treinar e competir, de acordo com o programa de seus técnicos pessoais, analisados pelo Departamento de Alto Rendimento da Confederação. Os recursos são da própria CBAt, via patrocínio da Caixa, do Prêmio Brasil Medalhas, do Governo Federal, e da Lei Agnelo/Piva e do Fundo Olímpico, do COB.

São 42 atletas de provas em que o Brasil tem obtido destaque em grandes competições, como Olimpíadas e Campeonatos Mundiais. Ou seja, atletas que ficaram entre os oito melhores em suas provas nos Jogos de Londres em 2012 e no Mundial de Moscou no ano passado.

A explicação dos responsáveis: para 2016, é preciso trabalhar com os atletas que já demonstraram potencial para crescer. É raro surgir um novo talento que já possa brigar por um lugar na final em pouco mais de dois anos. A lógica aconselha a trabalhar com o que se tem. E não é pouco: são atletas que já levaram o Brasil ao pódio em eventos de primeira linha.

Atletas experientes como Fabiana Murer e Duda da Silva, no salto com vara e no salto em distância, que por sinal tentarão o bicampeonato no Mundial Indoor na Polônia em março. E também jovens atletas, como Thiago Braz, campeão mundial juvenil do salto com vara, e Anderson Henriques, finalista nos 400 m no Mundial de Moscou. E há os revezamentos 4×100 m feminino e 4×400 m masculino…

Renaud Lavillenie chegou lá

AFP

AFP

Em 27 de janeiro último, em post aqui no blog, comentei que o francês Renaud Lavillenie era o principal candidato a um lugar entre os astros do atletismo mundial. Ele já era campeão olímpico do salto com vara, com o título conquistado em Londres-2012, e ganhador da medalha de ouro no Mundial Indoor de Istambul, no mesmo ano.

Pois quatro dias depois, Renaud Lavellenie saltava 6,08 m em Bydgoszcz, na Polônia, país que será a sede do Mundial Indoor deste ano, em março, quando o francês tentará o bicampeonato.

E neste sábado histórico, 15 de fevereiro de 2014, Lavillenie saltou 6,16 m, recorde absoluto da prova. A marca foi obtida em Donetsk, cidade ucraniana onde nasceu e vive Sergey Bubka, criador do “Pole Vault All Stars”. O recorde mundial indoor anterior, de Bubka, era 6,15 m, e fora estabelecido no mesmo Meeting, em 21 de fevereiro de 1991. Ao ar livre o recorde de Bubka é 6,14 m, feito em Sestriere, na Itália, em 31 de julho de 1994.

Nascido em 18 de setembro de 1986, Lavillenie entrou, enfim, para o seleto grupo de astros do esporte mundial, que tem alguns outros nomes do atletismo, como o velocista Usain Bolt, da Jamaica, o meio-fundista David Rudisha, do Quênia, e a russa Elena Isinbayeva, também do salto com vara.

Ele conseguiu o que pelo menos uma dezena de grandes saltadores tentaram, desde o uzbeque Rodion Gataulin até o australiano Steve Hooker: superaram a marca de seis metros, mas ficaram pelo menos a 10 cm do recorde do ucraniano Bubka, hoje vice-presidente da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo).

Na prova de hoje, o brasileiro Thiago Braz saltou 5,76 e superou em 4 cm seu próprio recorde sul-americano indoor. O atleta, de 20 anos, também é recordista sul-americano ao ar livre, com 5,83 m, marca feita no ano passado.

Brasileiros conseguem bons resultados na Europa

Seminário sobre corridas de rua, competição indoor em São Caetano, viagem da seleção brasileira ao Campeonato Sul-Americano de Marcha, na Bolívia. O atletismo nacional está movimentado. E tem o programa de treinamento que corre na pista da Urca, no Rio de Janeiro, com a presença de Michael Johnson e os atletas brasileiros do 4×400 m.

Outros atletas estão competindo na temporada indoor na Europa e alguns até conseguiram resultados expressivos, caso de Thiago Braz, no salto com vara, e Carlos Chinin, no heptatlo, ambos com recordes brasileiros em pista coberta.

Divulgação

Divulgação

E vamos ao fut.

No Cartão Verde, da TV Cultura, provocado por um telespectador, um dos apresentadores coloca, fazendo comparação com a troca de Pato por Jadson: “Que tal trocar Juvenal Juvêncio por Eurico Miranda?” A colocação apenas serviu para constranger o convidado Paulinho da Viola, logo o elegante Paulinho, mestre da música brasileira.

Na verdade, é o tipo de conversa que embrulha o estômago. O debatedor – que inclusive tem bons trabalhos publicados – tentou fazer uma brincadeira, que resultou em nenhuma graça. Pois qualquer pessoa minimamente iniciada em futebol sabe que o presidente do São Paulo, com seus inúmeros defeitos, não pode ser comparado ao antigo presidente do Vasco e ex-deputado da bola.

Críticas, Juvenal Juvêncio certamente merece. Nunca esteve no grupo de dirigentes tricolores que mais admirei, entre eles Antonio Galvão e Marcelo Portugal Gouveia. Mas está anos-luz à frente do dirigente vascaíno. E observem que o debatedor não propôs a troca de Juvenal pelo presidente corintiano, já que a troca de jogadores envolvia os dois times paulistas. Se assim fosse, ainda seria mais uma brincadeira sem graça, mas não ofensiva.

Michael Johnson, Sanderlei Parrela e o 4×400 m do Brasil

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Sanderlei Parrela foi prata em 1999

Michael Johnson é um nome importante da história do atletismo. Dono de dois ouros olímpicos nos 400 m e de um ouro nos 200 m, ele detém, há 14 anos, o recorde mundial dos 400 m. Aí, sua história cruza várias vezes com atletas brasileiros, especialmente com o santista (nascido em Santos e não necessariamente torcedor do peixe) Sanderlei Parrela.

Michael e Sanderlei competiram na final dos 400 m no Mundial de Sevilha-1999. O norte-americano bateu o recorde do mundo com 43.18 e o brasileiro fez 44.29, ainda hoje recorde sul-americano, e levou a medalha de prata. Um ano depois, na Olimpíada de Sydney 2000, Michael foi o primeiro e Sanderlei, o quarto.

Agora, no projeto COB/CBAt para desenvolvimento dos 400 m e do 4×400 m, o Centro de alto Nível de Michael, instalado em Dallas, no Texas, dará assessoria técnica aos brasileiros. Esta semana, ele e assistentes fazem testes com os principais corredores brasileiros da distância, na pista do Exército, no bairro carioca da Urca. Com os atletas, estão seus treinadores, entre eles, o próprio Sanderlei, que ontem pôde conversar com o antigo adversário e referência mundial em provas de 400 m e 4×400 m.

No mês que vem, um grupo de atletas do País fará testes específicos em Dallas e competirão em festivais de revezamentos nos Estados Unidos, com destaque para o Mt. Sac Relay.

No Mundial de Moscou-2013, o 4×400 m do Brasil foi finalista e terminou em sétimo, com Anderson Henriques, Hugo Balduíno, Pedro Burmann e Wagner Cardoso. Anderson também foi finalista e terminou em oitavo.

O Brasil já formou uma tradição de bons desempenhos olímpicos em revezamentos, inclusive no 4×400 m. Em Moscou 1980, o quarteto brasileiro foi o quinto colocado, e em Barcelona 1992, foi o quarto.

Decisão ruim para o futebol

Foto: AFP

Foto: AFP

Leio no UOL que o STJD diminuiu a punição a Atlético Paranaense e Vasco da Gama pela briga de torcedores dos dois times em Joinville, no último Brasileirão. Além das multas, o Atlético teve reduzida a perda de mandos de 12 para nove partidas, e o Vasco, de oito para seis jogos.

Então é assim? Enquanto jogadores e seu Sindicato paulista prepara um movimento de repúdio a ações violentas de grupos de torcedores, o tribunal da CBF abranda a punição de clubes com torcedores que provocaram cenas de selvageria no jogo de Joinville.

Reparem que a cidade catarinense apenas entrou com o estádio, as cenas brutais foram protagonizadas por torcedores paranaenses e cariocas. O time carioca, aliás, pela palavra de seu presidente Roberto Dinamite, defendeu os brutamontes de sua torcida, afirmando que eles apenas “se defenderam”!

Não conheço os detalhes jurídicos que levaram o STJD a reduzir a punição inicialmente a Atlética Paranaense e Vasco da Gama. Mas que é uma decisão que não facilita a luta contra a barbárie nas arquibancadas, não há como negar.

Um novo título para Tatiele de Carvalho?

Divulgação

Divulgação

Tatiele de Carvalho confirmou que disputará a Copa Brasil de Cross country, marcada para o próximo domingo na cidade catarinense de Timbó. O objetivo de Tatiele é conquistar mais uma vez o título da competição e repetir o feito de 2012, quando o torneio foi realizado em Rio Claro (SP).

Uma das principais corredoras de fundo do País, das que disputam tanto provas de rua como de pista, Tatiele já garantiu sua convocação para o torneio de atletismo dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, no Chile, em março próximo. Uma vitória em Timbó dará uma força enorme para o ânimo de Tatiele para os demais compromissos da temporada.

E vamos ao fut.

Enfim, uma atitude. Jogadores do Corinthians divulgaram manifesto de repúdio à agressão sofrida por Guerrero, por “marginais ligados às torcidas organizadas”. E ainda prometem apoio “à iminente paralisação proposta pelo Sindicato de São Paulo” (Sindicado dos Jogadores de Futebol do Estado de São Paulo).

O texto é do manifesto é muito bom. Falta agora o apoio explícito do grupo Bom Senso FC. Acho que já demorou demais uma posição neste sentido.