São Silvestre, Frank Shorter e Quênia

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Uma edição histórica, a de número 90, da São Silvestre, no último dia deste ano. Falo da prova, a mais importante do País, porque li comentário de José Inácio Wernek sobre artigo de Frank Shorter publicado no New York Times. Shorter foi o campeão da São Silvestre em 1970, na época usava barba e cabelos compridos. Em 1972 ganhou a medalha de ouro olímpica na maratona dos Jogos de Munique.

Wernek fala sobre a opinião do grande atleta norte-americano, cético em relação às muitas vitórias de quenianos em corridas longas, principalmente maratonas. Shorter lembra que o Quênia não tem uma agência de controle de doping independente e coloca dúvidas sobre os resultados de atletas daquele país. Ainda mais agora que uma das estrelas daquela nação, Rita Jeptoo, deu positivo em teste antidoping.

Não sou técnico nem estudioso no assunto, mas a preocupação parece legítima. Claro que nenhum país está livre do doping. Também é justo reconhecer que estes países da África Oriental, notadamente Quênia e Etiópia, têm revelado muitos talentos e é natural que um bom número deles acabasse por se destacar.

Mas penso que, a bem do próprio esporte, e dos atletas corretos desses países, um programa de controle seria muito importante. Acho que isto também serviria para a Jamaica. E não estou levantando suspeita sobre nenhum velocista da potência caribenha. Acho apenas que seria muito bom que se oferecesse apoio para que estas potências – da África e do Caribe – pudessem realizar um forte programa de controle. Mesmo considerando que eles passam pelos testes nas competições oficiais, como Olimpíadas e Campeonatos Mundiais.

O despertar do interesse pelo esporte

Maurren salta no Centro Olímpico (Eric Sigaki/Divulgação)

Maurren salta no Centro Olímpico (Eric Sigaki/Divulgação)

Mais de mil crianças na pista do Centro Olímpico, neste sábado. A pista da Prefeitura paulistana na Vila Clementino tem o nome do bicampeão olímpico do salto triplo Adhemar Ferreira da Silva. O evento que reuniu tantas crianças, boa parte delas da periferia da capital, foi o festival em homenagem a Maurren Maggi, também campeã olímpica, no salto em distância. Enfim, dois heróis do Atletismo nacional.

O mais importante foi ver a alegria das crianças que puderam conhecer o Atletismo por meio de brincadeiras, já que mesmo as provas tinham o caráter de participação e não de competição, como, aliás, convém nesta faixa etária.

Muitas desses meninos e meninas pela primeira vez tiveram oportunidade de conhecer um pouco do Atletismo, o mais importante dos esportes olímpicos. Considerando que o Brasil fará a próxima Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016, a promoção tinha tudo mesmo para ser um sucesso.

Por um lado, foi uma manhã de lazer a crianças que tão pouco acesso têm a isso. Depois, integrou alunos de 7 a 14 anos, professores, pais e atletas olímpicos, num evento da Prefeitura de São Paulo, organizado pelo Instituto Memorial Salto Triplo.

Dessas crianças, muitas gostaram do que viram. Algumas passarão a se interessar pelo Atletismo, para ver a acompanhar as competições, outras talvez até mesmo se interessem em iniciar uma possível carreira no Atletismo. O importante, acima de tudo, é a oportunidade que tiveram de conhecer um pouco mais do esporte.

A triste queda da Portuguesa

Gazeta Press

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Nada de saudosismo, certo? Então, tá. Agora, que é triste saber que a Portuguesa foi rebaixada, isto é. O time caiu o ano passado por conta daquele imbróglio envolvendo a escalação de Héverton. Agora, com várias rodadas de antecedência, caiu novamente, agora para a série C. Tenho amigos que torcem pela Lusa. Sei que não parece crível, mas é verdade.

Aos mais novos costumo lembrar da bela equipe de 1964… Pois a maioria deles, os jovens torcedores lusos, digo, já ouviu falar. Eles sabem os nomes dos jogadores que enfrentaram o Santo na decisão, em plena Vila Belmiro. O Santos ganhou por 2 a 1, mas a Lusa fez bonito. Para enfrentar o time de Pelé tinha Félix, que seria campeão do mundo em 1970, Jair Marinho, campeão em 1962, Dida, campeão em 1958…

E tinha Edilson, um ótimo lateral esquerdo que depois jogou no São Paulo, Ivair, o “Príncipe”, atacante que serviu várias vezes à Seleção Brasileira, o central Ditão, injustamente chamado de grosso por comentaristas preconceituosos, Nair, bom meia que depois jogou no Corinthians, e por aí vai.

O time de 1973, que acabou dividindo o título paulista com  o Santos, que ainda tinha Pelé, também era bom e sobressaía o craque Enéas. Nos anos 1990 o time foi vice-campeão brasileiro.

Então, sinto muito, mas não dá para viver um momento difícil para um time tão tradicional e não lembrar que a Portuguesa já venceu o Campeonato Paulista, o Rio-São Paulo, foi vice do Brasileirão e revelou grandes jogadores. Lembrar isso não é saudosismo, né?

E por falar em salários…

AFP

AFP

Então é assim: os dez treinadores mais bem pagos no Brasil ganham mensalmente de 200 mil reais até 633 mil. Fosse o Sindicato dos Técnicos uma organização forte e já estaria levando o “seo” povo (os técnicos) às ruas. Motivos não faltam. Afinal, três dos dez mais votados (quer dizer, mais bem pagos) ganham apenas 200 mil por mês. É possível viver com um salário miserável desses? Ainda mais um treinador de futebol, profissão de fato insalubre.

Mas, se bem conhecemos as entidades representativas no futebol brasileiro, nada disso acontecerá, e os três continuarão a viver em apuros para acertarem suas contas a cada mês.

Claro que os salários nos clubes da primeira divisão do Brasileirão sempre foram inflacionados, posto que uma famosa lei que exige que não se gaste mais do que se arrecada nunca foi cumprida. Bem, alguns amigos do Rio me informam que o Botafogo estaria respeitando a lei. Nada arrecada, mas também não gasta com nada, nem com o sagrado pagamento dos salários, mesmo os dos funcionários mais modestos. Pensando bem, e sendo assim, era bem melhor que o Botafogo se juntasse aos coirmãos e continuasse não cumprindo a lei…

As pessoas de bem, e as que cultuam o bom senso sendo ou não de bem, e que vivem no futebol, deveriam pensar nisso. Digo, pensar seriamente. Poderiam até elaborar uma proposta neste sentido. Sei que é difícil falar em limitar salários quando não há limite para o lucro, mas aí se trata da própria sobrevivência do futebol.

Os jogadores que integram o Bom Senso, com seus executivos e assessores, se dispõem a formatar um projeto sério e entregar à presidenta Dilma? Ela já demonstrou disposição para tratar do assunto.

Quem leva o Prêmio Brasil Olímpico de 2014?

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Vôlei, atletismo, vela, judô, ginástica, natação… De que esporte sairão os ganhadores do Prêmio Brasil Olímpico este ano? Vice-campeão mundial no masculino e no feminino, as equipes de vôlei certamente terão candidatos fortes. Assim como a ginástica, em que Arthur Zanetti é novamente um ano forte no masculino. Enfim, a disputa deverá ser grande.

Além dos ganhadores do grande prêmio, cada esporte também terá um escolhido. No atletismo dois nomes despontam: o bicampeão mundial indoor do salto em distância Duda da Silva e a bicampeã da Liga Diamante, Fabiana Murer. Vamos ver o que decidem os eleitores.

Enquanto isso a IAAF também conduz sua pesquisa para a eleição dos melhores de 2014. Meu voto foi para o francês Renauld Lavillenie, que este ano superou o recorde mundial indoor de Sergei Bubka no salto com vara, e para a neozelandesa Valerie Adams-Vile, que mais uma vez dominou o panorama mundial no arremesso do peso.

As chances de Lavillenie são grandes. Mais difícil é a escolha de Valerie. Por mais que o atleta faça, raramente um atleta de arremesso ou lançamentos vencem esse tipo de eleição. Uma pena.

Falta, é verdade, e isso ocorreu em todos os lugares, um ensinamento, algo didático até, que faça o público acompanhar as provas. Não apenas para admirar uma marca eventualmente forte, mas para entender os próprios movimentos dos atletas, que antecedem o lançamento. O aproveitamento, por parte dos espectadores, no estádio ou vendo na televisão, seria muito maior. Enfim, vamos que vamos.

Grande final para o Troféu Brasil

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Especialmente promissora foi a performance de Núbia Soares, campeã do triplo com um salto de 14,22 m

O Troféu Brasil de Atletismo superou as expectativas, nesta sua 33ª edição. O evento, encerrado na manhã deste domingo, no Ibirapuera, teve recordes sul-americanos, brasileiros e do torneio. Neste último dia, pelo menos cinco atletas brilharam.

Especialmente promissora foi a performance de Núbia Soares, campeã do triplo com um salto de 14,22 m. Além de recorde sul-americano juvenil, a marca a colocou em 1º lugar do Ranking da IAAF para a categoria sub 20.

Hederson Estefani, de 22 anos, ganhou os 400 m com barreiras com 49.59, recorde pessoal. O tempo mostra um atleta com boas condições de lutar pela qualificação ao Mundial de Pequim.

Higor Alves, de 20 anos, em sua primeira temporada na categoria adulta, melhorou seu recorde pessoal no salto em distância, com 8,18 m no salto em distância. Com o resultado, saltou do 20º para o 15º lugar no Ranking da IAAF.

Finalmente, nos 200 m, bons resultados dos campeões Aldemir Gomes da Silva Júnior no masculino, com 20.32 (recorde pessoal), e no feminino, com Ana Cláudia Lemos, que fez 22.81 (ganhou também os 100 m).

Por equipes, vitória esperada da BM&FBovespa, que chegou ao 13º título consecutivo.

Fábio e Darlan batem recordes no Troféu Brasil de Atletismo

Foto: Wagner Carmo/CBAt

Foto: Wagner Carmo/CBAt

Depois da boa marca de Ana Cláudia Lemos, que fez 11.20 na preliminar dos 100 m, e do recorde brasileiro no martelo, por Wágner Domingos, com 75,47 m, mais resultados importantes vão aparecendo nesta edição do Troféu Brasil de Atletismo, que prossegue até amanhã, em São Paulo.

No salto com vara, uma boa notícia: Fábio Gomes da Silva parece ter superado, de vez, a lesão no calcâneo que o afastou das competições por quase um ano. Depois da vitória no GP de Belém, no Troféu Brasil ele fez 5,71 m no salto com vara (recorde do torneio). Marca de nível internacional que poderá levar Fábio ao PAN de Toronto.

Outro resultado auspicioso foi o recorde brasileiro de Darlan Romani no arremesso do peso. Ele melhorou seu antigo recorde em 46 cm e agora tem 20,84 m. Tem tudo para superar os 21 metros em 2015.

Caem recordes na abertura do Troféu Brasil

Crédito: Wagner Carmo/CBAt

Crédito: Wagner Carmo/CBAt

Começou bem o Troféu Brasil de Atletismo, na manhã desta quinta-feira, no Ibirapuera. Dois recordes do Campeonato caíram, em provas de qualificação. No lançamento do martelo, o pernambucano Wagner Domingos marcou 71,10 m e melhorou seu próprio recorde anterior, que 70,90 m, de 2010.

No arremesso do peso, o catarinense Darlan Romani fez 20,04 m. Também aqui a marca anterior era dele mesmo: 19,42 m, de 2012.

Wagner Domingos melhorou quatro vezes este ano seu recorde nacional da prova e chegou 75,21 m, em competição disputada em São Bernardo do Campo. Tem feito treinamento na Eslovênia com Vladimir Kevo, técnico do campeão olímpico Pimoz Kosmus.

Darlan treina no ABC com o cubano Justo Navarro. Ele é o recordista brasileiro, com 20,48 m.

Bons nomes não estão neste Troféu Brasil por conta de lesão, como Duda da Silva, bicampeão mundial indoor do salto em distância.

Mas, além de Wagner e Darlan, outros bons atletas estão confirmados, como Ana Cláudia Lemos, que disputa os 100 m na tarde desta quinta-feira.

Esta semana, tem o Troféu Brasil de Atletismo no Ibirapuera

Mais importante campeonato de clubes de atletismo latino-americano, o Troféu Brasil começa na próxima quinta-feira, no Estádio do Ibirapuera, em São Paulo. A equipe da BM&FBovespa, de São Caetano do Sul, é a favorita para conquistar seu 13º título consecutivo. Nomes como a velocista Ana Cláudia Lemos, o fundista Marilson Gomes dos Santos e a saltadora Fabiana Murer são algumas de suas atrações.

O Pinheiros, tradicional clube paulistano, é o principal adversário do time do ABC. E tem nomes como o decatleta Carlos Chinin e a fundista Adriana Aparecida. Orcampi/Unimed, de Campinas, ASA, de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e Sogipa, de Porto Alegre, são outros clubes que devem fazer boa pontuação.

Este ano, o Troféu Brasil tem um item a mais de interesse, pois no dia 1º deste mês foi aberta a temporada de busca de índices de qualificação para os grandes eventos internacionais de 2015: os Jogos Pan-Americanos de Toronto e o Campeonato Mundial de Atletismo de Pequim.

Jovens atletas, como Jéssica Carolina Alves dos Reis (ASA-São Bernardo), também estarão participando. Jéssica, recentemente, estabeleceu novo recorde sul-americano sub-23 no salto em distância, com 6,66 m. Na versão masculina da prova, outra atração: Higor da Silva Alves (GR Barueri-SP), de 20 anos, que em 2014 já saltou 8,14 m. São novos atletas brasileiros, aos poucos dominando o cenário nacional e com boas possibilidades de estar na Seleção nacional nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Falta regularidade ao São Paulo. Quem explica o motivo?

Futebol é o jogo mais fascinante do planeta. Por isso mesmo, deveria ser analisado com cuidado. No entanto, os chamados “especialistas” no jogo em geral são os que o tratam com menos cuidado. Refiro-me, como já fiz tantas outras vezes, aos torcedores e comentaristas. Seguidos de perto, ao que parece, por boa parte dos treinadores. Apresso-me a dizer que há torcedores que opinam com moderação e comentaristas que realmente conhecem o assunto.

Concordo com que têm a humildade de reconhecer que um jogo de futebol é decidido muitas vezes por detalhes. Isso mesmo, um craque que num lance único faz um gol ou coloca um companheiro de equipe em condições fazê-lo, um goleiro que faz uma defesa excepcional, e por aí vai.

No entanto, vi e ouvi chamarem o São Paulo de “único time” deste Brasileirão capaz de eventualmente disputar o título cada vez mais próximo do Cruzeiro. Também vi e ouvi comentários de torcedores e especialistas com a mesma intensidade decepcionados com o Tricolor, que por sinal perdeu neste sábado para o Fluminense.

Agora, pensamos um pouco: o fato de contar com quatro jogadores diferenciados não fez o São Paulo superar seu maior problema, que é a falta de regularidade.

E porque isso acontece? Quem se atreve a explicar?