Gazeta Esportiva
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Já estão na rede comentários sobre o “fracasso do Barcelona”. Até amanhã certamente serão contados em centenas. Claro que foi uma enorme surpresa a derrota de 4 a 0 para o Bayern, em Munique. Certo também que será muito difícil reverter a vantagem, agora toda do time alemão, para chegar à final da Champions League.

Coisa parecida na última temporada, quando a equipe catalã foi superada pelo Real Madrid, que ficou com o título do Campeonato Espanhol. Falavam também que era “visível” a queda de rendimento do time. Como se o Real também não fosse uma grande equipe… Essa “percepção” por parte de brasileiros especialistas em futebol da Espanha quando o time de Messi não levou o título europeu, ganho enfim pelo Chelsea.

Era como se o Barcelona, por ser o melhor time do mundo, teria que ganhar sempre, todos os jogos, todos os títulos. Imaginem a chatice que seria… Aliás, na época cansamos de ouvir e ler comentários como a “queda do Barça”, “Messi já não é o mesmo” e outras bobagens. Penso que agora irá pelo mesmo caminho. Até a próxima grande exibição do Barça, com o costumeiro brilho de Messi e seus companheiros.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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A vitória sobre o Atlético Mineiro e a conseqüente classificação do Tricolor paulista para a próxima fase da Taça Libertadores poderia ensinar alguma coisa sobre futebol. Poderia mesmo, mas seria necessário que torcedores temperassem a paixão com o senso comum, que jogadores de futebol conhecessem um pouco da história do esporte e que parte dos jornalistas esportivos, notadamente os comentaristas de televisão, fosse um pouco menos arrogante.

Talvez seja pedir muita coisa ao mesmo tempo, mas seria interessante que mais torcedores, jogadores e comentaristas acompanhassem as aulas do mestre Tostão, ministradas em forma de coluna nas páginas da Folha de S. Paulo, às quartas-feiras e domingos. Não estou dizendo que se deve concordar com tudo o que o Dr. Eduardo de Andrade escreve. Mas alguma coisa com certeza todos poderiam aprender. Falo do imponderável, parte integrante de todo jogo de futebol.

O placar favorável de um jogo depende de vários fatores, todos sabem. Um treinador de visão e jogadores habilidosos são fundamentais para que um time conquiste títulos. Mas o resultado de uma partida – que pode ser decisiva – às vezes é definido por um lance fortuito: falha do goleiro, um pênalti perdido. Ou, então, porque um time não favorito se supere em determinado evento, o que parece ter sido o caso do São Paulo, na vitória sobre o favorito Atlético.

Importante reconhecer que, agora, exatamente pelo imponderável, o São Paulo pode até eliminar o Atlético na próxima fase da competição continental. Da mesma forma que tudo pode correr normalmente e o time de Cuca, mais embalado e entrosado na temporada, se recupere e garanta a qualificação. Mas já é visível, nas declarações de Ney Franco, de Rogério Ceni e dos demais jogadores do time, que o ânimo da equipe paulistana agora é outro.

AFPBombas explodiram próximo à linha de chegada dos corredores na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira 15. No momento em que escrevo, a Polícia local admitia que havia dois mortos e dezenas de feridos. Comoção na cidade e em toda a parte. É uma coisa que assusta, porque parece difícil acreditar que exista uma forma absoluta de impedir este tipo de ataque.

Todo mundo sabe que o sistema de segurança norte-americano é sofisticado. E foi reforçado após o atentado que derrubou as Torres Gêmeas em 2001, em Nova York.

Historiadores, sociólogos, políticos e jornalistas discutirão durante bom tempo sobre os motivos que levam pessoas a praticar este tipo de ataque que afinal de contas atinge pessoas inocentes. Pessoas que vêm de toda a parte, que professam diferentes pensamentos políticos ou fé religiosa.

Não importa, enfim, quem são os idealizadores, os autores das explosões ou seus motivos. O que houve em Boston foi um crime covarde contra pessoas comuns. Ali estavam corredores que queriam vencer os 42,195 km de uma das maratonas mais charmosas do mundo.

Agora vem o outro lado disse tudo. Os aproveitadores de ocasião. Já que na internet que se até os Estados Unidos não conseguem impedir um ataque como este, “imaginem o Brasil, na Copa, na Olimpíada”. Ora, façam um favor. Vamos respeitar as vítimas do atentado, não se deve tirar proveito político disso.

Há muita gente séria que acha que o Brasil não deveria organizar, neste momento, a Copa ou a Olimpíada. E confesso que concordo em muitos pontos. Mas estas são pessoas sérias, que sabem que aí não tem jeito. Exatamente porque aconteceu até nos Estados Unidos, pode acontecer em qualquer lugar. Então, não poderia haver Copa ou Olimpíada em nenhum lugar do mundo.

Divulgação

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O ministro do Esporte é um homem inteligente e de inegável cultura. Aldo Rebelo já demonstrou isso várias vezes. O fato de sua vida pública não ter origem no esporte não é um impedimento para que faça uma boa gestão. Dizem que ministro não se saiu bem no Roda Viva da última segunda-feira na TV Cultura. Motivos profissionais não me permitiram ver o programa.

Mas, caso tenha acontecido assim, isso não surpreende, por vários motivos. Um deles é o formato do programa, que prejudica o entrevistado. É comum vários perguntadores se manifestem ao mesmo tempo, o que não favorece o raciocínio e a formulação da resposta.

Disse acima que não vi o programa, portanto, não estou afirmando que isso de fato aconteceu. É inegável, ainda, que alguns entrevistadores, jornalistas ou não, tratam o entrevistado sem o devido respeito. Isso acontece inúmeras vezes, e não apenas na televisão. Há perguntadores, jornalistas ou não, que são indelicados, mal educados, que fazem perguntas capciosas. É justo dizer que outros fazem perguntas honestas e pertinentes, embora às vezes duras. Não digo que foi assim na segunda-feira. Pode ter sido, ou não.

E ainda há entrevistadores que pertencem a linhas de pensamento político antagônicas ao entrevistado. Quando o motivo é esse, aí, meu amigo, não adianta se a resposta é boa ou ruim. Pobre do entrevistado.

Mas voltando ao último Roda Viva: se realmente Aldo Rebelo afirmou que quem é contra a Arena de Manaus, um dos palcos da Copa do Mundo de 2014, é contra o norte, isto pode ser verdade da parte de alguns críticos. Mas não resta dúvida que Belém merecia uma das sedes da Copa, porque o paraense gosta de esporte. Ele sai de casa para ver esporte, e não apenas futebol.

O GP Brasil de Atletismo, em 12 de maio próximo, levará certamente mais uma vez um grande público ao Mangueirão. Este ano, Belém verá um Meeting internacional de atletismo pela 12ª vez consecutiva. Em três ocasiões, o público foi superior a 40 mil pessoas. Uma única vez foi inferior a 20 mil espectadores.

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Começam a ser anunciados os nomes dos atletas que vêm ao país para os Meetings de maio. Para o GP Brasil, que abre o circuito deste ano em Belém, no dia 12 de maio, dois atletas de primeira linha foram confirmados pela organização.

Um deles é Michael Mathieu, titular do quarteto das Bahamas, campeão olímpico do 4×100 m em Londres 2012. Aliás, Mathieu já esteve em Belém no ano passado, quando ganhou os 200 m com 20.16, por sinal, recorde de seu país.

Outro bom nome é o Ladje Doucoure, da França. Ele está no Ranking da IAAF para o World Challenge e disputou sua prova, os 110 m com barreiras, na Olimpíada de Londres. Ele tem grande história no atletismo.

Foi campeão mundial na categoria menor em 1999, na Polônia, e no ano seguinte ganhou a medalha de bronze no Mundial de Juvenis, no Chile. Finalista olímpico em Atenas 2004, ficou em oitavo lugar, e em Pequim 2008, foi o quarto. Entre estas duas competições foi campeão mundial em Helsinque 2005. No mesmo ano marcou 12.97, e é o 12º melhor atleta na história da prova.

Wagner Carmo/CBAt

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O Grande Prêmio Brasil/Caixa de Atletismo em 2013 está de volta a Belém. Assim, no próximo dia 12 de maio, no Estádio do Mangueirão, milhares de paraenses poderão ver alguns dos melhores atletas brasileiros e nomes importantes do esporte internacional.

Embora o Rio de Janeiro – atualmente sem pistas disponíveis – seja a cidade brasileira de maior apelo no exterior, e por isso candidata natural a ser a sede deste grande evento, Belém tem empatia especial com o GP Brasil.

Tanto que, desde 2002, quando o Mangueirão foi palco, pela primeira vez do evento, o menor público que compareceu ao estádio foi de 12 mil pessoas. Todas as outras vezes o número de espectadores superou os 25 mil.

E em três ocasiões o estádio recebeu mais de 40 mil pessoas, recordes absolutos de público em competições de atletismo na América do Sul. E em toda a América Latina, se excetuamos o torneio olímpico de 1968, realizado na Cidade do México.

Disputado pela primeira vez em 1985, em São Paulo, o Meeting permaneceu na cidade até 1995. De 1996 a 2001 a competição aconteceu no Rio de Janeiro. Em 2002 foi para Belém e voltou para o Rio em 2010. Agora, retorna à capital do Pará. Desde 1990 o Meeting faz parte do circuito internacional da IAAF.

Este ano, além do GP Brasil, o Brazilian Tour terá dois outros torneios: em Uberlândia, em 16 de maio, e em São Paulo, no dia 19. Cerca de 150 atletas virão do exterior para os três Meetings, que terá outro tanto de participantes brasileiros.

É perceptível que há certo desconforto com a presença de tantos ex-jogadores de futebol comentando jogos atualmente, principalmente na televisão. Há razões para isso. Esclareço logo que há antigos craques que fazem análises sérias, respeitosas e importantes. É fácil citar Tostão, atualmente colunista da “Folha de S. Paulo”. Mas há outros, como Casagrande, na TV Globo.

Mas não há como ficar despreocupado com o caso de Ronaldo, por exemplo. Ele tem inúmeros interesses, é dono de uma agência que representa jogadores, faz parte do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo… E vai comentar jogos, que eventualmente terá atletas representados por sua empresa? Vai comentar jogos da Seleção que se prepara para a Copa, que o tem na organização? Ele fará isso, provavelmente. Não deveria. Mas aí a culpa é dele apenas em parte. Responsabilidade maior cabe a quem o contratou.

E há jogadores como Roger! Quando atleta, tinha talento. Mesmo assim, teve uma carreira irregular. O problema, aqui, é que sempre me lembro de Roger, no Corinthians, entrando num jogo e ouvindo a orientação do então treinador, Passarella. A atuação foi ridícula e muita gente achou que Roger e outros jogadores atuavam mais contra o treinador do que em favor do time. Difícil provar. É sempre justo que se dê o benefício da dúvida. Mas é isto, há dúvida. Que se saiba – e isto é bom – Roger não é ligado a grupos que representam jogadores.

Agora vem o exagero de outra parte. Antigo craque de primeira grandeza, em seu blog, há algum tempo, Paulo César Caju, defendeu, se entendi corretamente, que apenas grandes jogadores do passado fizessem comentários. E criticou vários jornalistas que comentam futebol, até citou nomes. Acho que Paulo César errou. Vários dos nomes citados são de profissionais competentes.

Em tudo, porém, deve-se buscar a imparcialidade. Aliás, esta deve ser a regra número um para quem faz jornalismo, mesmo que tenha sido um craque de futebol no passado. Assim, entendo a preocupação que causa a presença de Ronaldo na TV e discordo totalmente da pretensão de que apenas antigos jogadores possam comentar corretamente uma partida de futebol. Até porque dezenas de ex-jogadores exercem a função já há alguns anos e bem poucos apresentam um trabalho do mesmo nível que Tostão e Casagrande.

Não poderia deixar de comentar a nova passagem de Usain Bolt pelo Brasil, desta vez, para um evento esportivo. Mas, na verdade, pouca importância tem o fato de Bolt ter disputado e vencido, é claro, uma prova de 150 m numa pista montada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele marcou 14.42 e ficou a sete centésimos de sua melhor marca pessoal e mundial, obtida em Manchester, na Inglaterra, quando fez 14.35.

O mais importante, novamente, foi ver como um nome do atletismo pode empolgar tanto ou mais que um astro do futebol mundial ou mesmo um artista de cinema. Uma multidão foi ver Bolt, como sempre simpático, fazer sua apresentação com muito profissionalismo.

Sem deixar de fazer seu gesto de vitória, com o braço estendido para o alto. E não se recusou a dar uns passinhos na pista, seguindo a ginga da velocista Rosângela Santos.

Tomara que Bolt possa voltar ao Brasil, não apenas para atividades de seus patrocinadores, nem para a disputa de uma prova não olímpica. Quem sabe ele não possa voltar em 2014 para a disputa do Grande Prêmio Brasil de Atletismo, para brindar o público brasileiro com uma grande corrida de 100 m ou de 200 m, provas em que ele é bicampeão olímpico e detém o recorde mundial, com 9.58 e 19.19, respectivamente.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Depois da perda do Estádio Célio de Barros, lacrado para servir de depósito para as obras do Maracanã, da distância e das dificuldades já conhecidas no Cefan, agora o Atletismo do Rio de Janeiro fica ainda mais apreensivo. Treinadores e atletas se perguntam: E o Engenhão?

Não que fosse uma maravilha fazer a viagem até o estádio administrado pelo Botafogo e, mesmo assim, enfrentar vários impedimentos. Em algumas provas, os atletas nem podem treinar no Engenhão. Prejudica o campo para o futebol. Mas o Engenhão não foi construído para o torneio de Atletismo do PAN 2007? E nmão será o palco do Atletismo no Rio 2016?

Mesmo assim, alguns atletas podiam treinar no Engenhão. E como ficam, agora? A interdição do estádio é total? Ou o campo e a pista de aquecimento podem ser utilizados?

Se podem, o Atletismo terá um tempo para os atletas que se preparam para as competições da temporada? Este ano temos o Mundial de Atletismo em Moscou, o Mundial de Menores em Donetsk e o PAN Juvenil em Porto Rico.

Na entrevista coletiva em que falou da situação do Estádio, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, reconheceu os problemas que a interdição causará ao futebol. O Atletismo não mereceu do “alcaide” uma única frase.

Foto: Mowa Press

Foto: Mowa Press

Tenho lido e ouvido justas reclamações pelo futebol que a seleção está jogando; ou, segundo alguns, não está jogando. As apresentações do time brasileiro com Scolari, e antes com Mano, também não me agradam. Não me atrevo a fazer análise do comportamento tático da equipe nos jogos com a Itália e Rússia. Mas acontece que não gostei do que vi, embora reconheça que houve um ou outro lance bonito. É muito pouco, certamente, para o que sucessivas gerações de brasileiros que apreciam o futebol já tiveram a oportunidade de ver.

Isso quer dizer que o Brasil não tem chances de ganhar a Copa das Confederações este ano e a Copa do Mundo, no próximo? De jeito nenhum. Vou falar do que lembro. A seleção de 70 é considerada, com justiça, uma das mais perfeitas da história. No entanto, os meses que antecederam a Copa do México mostravam uma equipe indefinida, com valores individuais poderosos, mas o time não engrenava. Zagallo, o técnico, era “burro”, isto era o mínimo de que era chamado. Paulo César, carioca, escalado no lugar do paulista Edu, levou uma vaia monumental no Morumbi. Quase tão grande à que Julinho Botelho, paulista e grande ponta direita, levara no Maracanã, dez anos antes, porque escalado no lugar de Garrincha, que estava contundido.

O time, enfim, foi para o México. No jogo de despedida, vitória por um a zero contra a Áustria, no Maracanã. Zagallo fez o que o povo e boa parte da imprensa pediam: colocou Piazza, bom volante, na quarta zaga (ele não convocara Roberto Dias); Clodoaldo no meio campo ao lado de Gérson; Pelé e Tostão, juntos, na frente, e Rivelino fechando o meio campo na ponta esquerda. Mas o treinador teve quase três meses para preparar a equipe que, finalmente, estreou com uma goleada de quatro a um sobre a antiga e forte equipe da Tchecoslováquia, que tinha o goleiro Viktor, o lateral direito Dobias, o meia Adamec, entre outros. E o Brasil derrotou na sequência a Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e, finalmente, a 21 de junho, no Estádio Azteca, a seleção da Itália. Quatro a um para o Brasil, que trouxe em definitivo a Taça Jules Rimet, depois roubada da antiga sede da CBF no Rio de Janeiro.

Em 1994 o time também foi para os Estados Unidos desacreditado, com razão, em vários aspectos. Entre eles, a dificuldade de Parreira e Zagallo em aceitar Romário na seleção. Cederam, enfim, para nossa sorte, e o Brasil acabou campeão, de novo contra a Itália, e apesar da decisão acontecer nos pênaltis. De qualquer forma, o time era bom, com Romário, Bebeto, Aldair, Jorginho, Dunga, Mauro Silva… Em 2002, igualmente, a coisa estava difícil. Foi Scolari quem bancou a ida de Ronaldo, que poucos acreditavam que poderia jogar. Jogou e foi importante na conquista do penta. Mais uma vez havia vários craques: Ronaldo, Rivaldo, Cafu, Marcos, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho…

Penso que a maioria concorda que não temos, hoje, jogadores como Gérson, Tostão, Clodoaldo, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo. Pelo menos não temos, com certeza, um grande número jogadores como aqueles. Mas Neimar, Lucas, Oscar são jogadores de primeira linha e se o treinador conseguir um entrosamento razoável, que com jogos esparsos será difícil de alcançar, mas se conseguir, não vejo como, racionalmente, não colocar a seleção brasileira entre as favoritas para a Copa das Confederações e para o Mundial de 2014.