Justo empate

São Pedro não queria o jogo. Mas o árbitro deu o ok e a partida começou com uma hora e dez minutos de atraso. O Palmeiras esteve um pouco melhor nos primeiros 20 minutos, em jogo truncado e faltoso. O primeiro chute com perigo, porém,  partiu dos pés da lateral Gabriel já com 21 minutos de jogo. A partir daí, o São Paulo melhorou e logo fez um a zero num belo chute de Fernandinho, aos 26: Tricolor 1 a 0.

Saiu o gol e as luzes do estádio se apagaram. O jogo que começara atrasado, ficou parado por cerca de 15 minutos até que a iluminação fosse restabelecida.

No segundo tempo, o jogo ficou tenso. Alex Silva foi expulso num lance infantil, após empurrar Adriano em represália a uma simulação de falta no lance anterior. A intimidação não surtiu efeito; pior, prejudicou o São Paulo que ficou com um a menos. Diante da situação, Carpegiani armou duas linhas de quatro e procurou diminuir os espaços já que o Palmeiras foi pra cima. Em vão. Adriano, aos 37, teve duas chances pra empatar, e desperdiçou. No minuto seguinte, entretanto, ele não errou ao receber passe de Kléber: 1 a 1. O Palmeiras ainda tentou a virada, mas o empate acabou fazendo justiça ao que foi o jogo.

Adilson fora

Adilson Batista perdeu o emprego neste domingo. Apesar de não concordar muitas vezes com a visão tática do treinador, não vejo sentido na demissão de um técnico com apenas dois meses de trabalho e apenas uma derrota sofrida. A decisão da diretoria do Santos revela que faltou competência na hora de contratar um comandante.

Líder, por enquanto.

O Corinthians iniciou o jogo com chances de assumir a liderança provisioriamente e foi pra cima. Aos 12 minutos Paulinho foi derrubado na área, pênalti convertido por Fábio Santos que marcou o terceiro gol dele no campeonato.O gol deu mais traquilidade ao Corinthians e Liedson, oito minutos mais tarde, deu mostras de que com ele não tem vacilo. Pior pra zaga do Prudente que vacilou e o “Levezinho” não perdoou: 2 a 0.

Não por acaso o Prudente está na lanterna do Paulistão. O time praticamente assistia ao Corinthians trocar passes e pagou caro por isso. Mais um gol do Timão; na verdade, um golaço de Dentinho aos 29 minutos: 3 a 0. A goleada estava construída e o time dirigido por Tite não diminuiu o ritmo.

No segundo tempo, entretanto, o Timão voltou com menos apetite e só administrou a vantagem. Ainda assim, Liedson, oportunista, contou com a sorte pra fazer mais um, o sétimo gol dele em cinco jogos. Já é o vice-líder na artilharia, enquanto o Timão é  o líder, pelo menos até domingo à tarde.

Vaias para Adilson

Parte da torcida santista vaiou o técnico Adilson Batista após o empate com o São Bernardo. Cresce a rejeição ao treinador que apenas inicia o trabalho à frente da equipe. Faço minhas as palavras do próprio Adilson e do lateral Léo ao final do 1 a 1: Paciência.

Política, dinheiro e picuínhas

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

O torcedor chora, vibra, comemora e até briga. O futebol, se me permite o chavão, move paixões, fruto do rolar da bola. Mas há muito, o rolar da bola deixou de ser o mais importante. Questões financeiras e políticas protagonizam as ações no futebol e dificultam a compreensão do torcedor comum.

A Taça das Bolinhas, por exemplo. Por quase 24 anos, apesar dos protestos do Flamengo, o Sport do Recife sempre foi considerado campeão brasileiro de 87. De repente, não mais que de repente, a CBF numa canetada passa a reconhecer o Flamengo também como campeão, sob a afirmação de que a decisão é baseada numa análise de novos argumentos apresentados pelo departamento jurídico do clube carioca.

O mais apaixonado pode pensar que se trata de mais uma retaliação da CBF ao São Paulo, que na semana passada recebeu a famosa taça das bolinhas. Pura picuínha. E faz sentido. Entretanto, o anúncio hoje feito pelo Corinthians de que está se licenciando do Clube dos 13 dá margem à outra especulação: o dinheiro da TV. Essa reaproximação do Flamengo com a CBF, aumenta a possibilidade de uma rede parceira transmitir jogos dos dois clubes de maiores torcidas do Brasil independentemente do Clube dos 13. É lucro certo! Possibilidades que mexem com os bastidores e que devem pautar as discussões futebolísticas nos bares da vida.

Agora só resta um invicto

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Em clima de renovação, o Corinthians começou melhor contra o Santos. Mais rápido, fruto das presenças de Dentinho e Morais entre os titulares, o Timão envolvia com certa facilidade o setor defensivo santista. Por outro lado, Neymar era vigiado de perto pelo zagueiro Wallace e pouco conseguiu produzir. A iniciativa foi recompensada aos 23 minutos na bola parada. Cobrança de falta exuberante de Fábio Santos e bola na rede: Corinthians um a zero.

Nos dez minutos finais do primeiro tempo, o Santos melhorou. O time chegou mais e aos 40 o agora artilheiro Elano acertou um belo chute de fora da área pra marcar um golaço: 1 a 1.

Na segunda etapa, sob relâmpagos e trovoadas, o Peixe dominava as ações quando Dentinho em jogada pessoal foi derrubado na área por Adriano. Fábio Santos mais uma vez marcou com estilo. Bola num canto, goleiro no outro.

O gol abalou o Santos. Neymar seguia apagado, passivo diante dos marcadores.Elano também não conseguia fugir da forte marcação imposta ora por Paulinho, ora por Ralf. Ralf que foi decisivo ao roubar uma bola de Diogo no campo de defesa aos 41 e lançar Liedson pra marcar um golaço – o quinto dele, em quatro jogos.

Vitória justa de um time nem tão brilhante, mas muito aplicado. O único invicto do Paulistão.

João Paulo

O mesmo goleiro que falhou nos dois gols contra o Corinthians, quarta passada, brilhou contra o Palmeiras no empate em zero a zero, em Mogi Mirim. Vilão numa rodada, herói na outra e assim segue a vida. Apesar da igualdade, o Verdão segue líder.

Felipe

No Rio de Janeiro, foi o goleiro do Flamengo, Felipe, quem brilhou. Pegou dois pênaltis na decisão contra o Botafogo e garantiu o Mengão na final da Taça Guanabara. Contra o Boavista deve ser mais fácil.

Liedson salva a noite

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Corinthians e Mogi Mirim não fizeram por merecer melhor sorte até que Liedson encontrou o caminho do gol aos 26 minutos do segundo tempo. A partir do gol, o jogo ganhou em movimentação e se tornou menos chato.

O Mogi esteve na dele, fechado atrás e na expectativa de um bom contra-ataque. Ao Corinthians faltava inspiração, o que transformou o sempre sereno Tite em alguém irritado com a própria sombra. É surpreendente, mas compreensível. O Paulista se tornou obrigação nos bastidores do clube após o fiasco na Libertadores da América.

Pra sorte do treinador corintiano, inspirado ou não, Liedson segue preciso e oportunista.

Brasileiros começam mal

Surpreendente o começo dos clubes brasileiros na Libertadores da América. Em seis jogos, apenas uma vitória, uma derrota e quatro empates. Claro que a maior surpresa até aqui foi a eliminação do Corinthians para o Tolima. Mas também surpreendem os empates do Fluminense, em casa, diante do Argentinos Juniors, e o de ontem do Santos, diante do Deportivo Táchira, na Venezuela.

Não acreditei no que vi. O Santos chegou a levar sufoco do modesto time venezuelano e por pouco, muito pouco, não deixou o campo derrotado. Apesar da constante presença de clubes brasileiros na decisão do torneio sul-americano – desde 2005 o Brasil participou de todas as finais -, a Libertadores nunca foi fácil. Ainda assim, sobra soberba.

Hoje teremos as estreias do Inter e do Cruzeiro. O Colorado encara o Emelec, em Quito, enquanto os mineiros recebem o Estudiantes de La Plata, numa reprise da decisão de 2009, vencida pelos argentinos. Amanhã é a vez do Grêmio, único brasileiro que venceu nesta edição da Libertadores.E tem tudo pra vencer de novo, claro, se não entrar em campo com o espírito do “já ganhou”. O adversário é o Oriente Petrolero, da Bolívia.

Linha de Chegada

Pouco antes das seis da matina, deixava minha casa de bike com destino ao complexo Constâncio Vaz Guimarães para mais um treino sob o comando do mestre Wanderlei de Oliveira. Hoje fizemos no Parque do Ibirapuera 8 tiros de 400 metros.  O recomeço não é fácil, mas é animador. Já estou ansioso para participar da primeira prova.

Saudades já!

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

O futebol fica mais triste com a despedida do Ronaldo. O corintiano, em especial, mais ainda. Apesar dos cinco títulos mundiais conquistados pela Seleção Brasileira, há uma carência de ídolos no Brasil. E Ronaldo era um deles.

Difícil não se comover com a entrevista coletiva concedida pelo jogador no início da tarde desta segunda-feira. As palavras do Fenômeno deixaram claro que nunca houve falta de comprometimento ou envolvimento com o Corinthians. Humilde, até se desculpou por não ter conquistado a Libertadores, um sonho pra ele também.

Ronaldo, como ele mesmo diz, deixa os gramados derrotado pelo próprio corpo e pelas limitações impostas pelo hipotireoidismo, descoberto há quatro anos no Milan e só revelado nesta segunda.

Ronaldo vai deixar saudades. Na verdade, já deixa! O futebol fica mais melancólico a partir de hoje.

Até quando?

Marcelo Ferrelli/Gazeta PressA saída de Roberto Carlos do Corinthians merece reflexão. O que faz um grupo, organizado ou não, ameaçar, perseguir, rotular um jogador que há menos de dois meses foi eleito o melhor em sua posição num campeonato tão disputado como o Brasileirão? Profissional que participou de praticamente todos os jogos, que treinou regularmente e se dedicou com raça nas partidas em que atuou. O mais curioso é que é esse mesmo grupo que pede por jogadores quando as coisas não vão bem.

Essa caça às bruxas só traz prejuízo ao clube - ou aos clubes, levando em consideração que o Corinthians não é o único quando o assunto é a ação de vândalos. Creio que muitos bons jogadores vão pensar duas vezes antes de fechar com o Corinthians. Isso já aconteceu no passado. Aí vai sobrar para a diretoria e seus diretores, supostamente incompetentes  na arte de reforçar um time, claro, na visão desses revoltados.

Sobre o Roberto, não me venham dizer que o fato de poder fazer dinheiro lá fora, mesmo estando com 37 anos, foi fundamental para sua decisão. A verdade é que ele é um vencedor. Tem uma rica história com passagens por Palmeiras, Inter de Milão, Real Madrid, Seleção Brasileira… Definitivamente, ele não precisa passar por isso. Que Roberto Carlos possa ser feliz onde saibam reconhecer o seu valor.

Linha de Chegada

Voltei aos treinos na última sexta-feira, sob o comando do mestre Wanderlei de Oliveira. 3Km Wind Sprint 100m x 100m. Vou relatar neste espaço cada etapa dos treinamentos. Estou ansioso pela primeira prova, mas ainda vai demorar.

Bela estreia do “Levezinho”

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Era pra ser a estreia na fase de grupos da Libertadores, mas quis o destino que Liedson reestreasse pelo Corinthians contra o Ituano, pelo Campeonato Paulista.E Pra quem curtia o intenso inverno europeu, o forte calor do verão paulistano até que incomodou, mas não a ponto de ofuscar o brilho do Levezinho.

No primeiro tempo, Liedson correu, se movimentou, buscou o espaço entre os zagueiros do Ituano… O gol, entretanto, não aconteceu. Ficou por conta de Ramirez e, depois, de Chicão. No segundo tempo, o esforço do atacante foi recompensado. Aos 30 marcou o terceiro gol corintiano depois de receber de Morais. E aos 46 fechou o placar num contra-ataque puxado por ele mesmo.

Uma noite que serve de alento ao sofrido torcedor corintiano. Nem tanto pelos 4 a 0 sobre o frágil Ituano. Muito, porém, porque chegou o matador, rápido e preciso. E ele atende pelo apelido de “Levezinho”.

Há de se ter paciência

Há quem diga que a Seleção de Mano Menezes pode entrar em crise em caso de derrota, logo mais, para a França, em Paris.Nada a ver. Ou, pelo menos, não deve ser assim. É o início de uma renovação trabalhosa e que pede paciência. O resultado agora não importa tanto quanto o comportamento, quanto à atitude ao vestir a camisa da Seleção Brasileira.E é isso que Mano deve observar, pensando longe, em 2014.

Falando em observação, dois jogadores entre os titulares merecem atenção especial. Elias – que começa jogando pela primeira vez – e Renato Augusto a quem cabe a criação desse time, algo que não tem sido feito com primazia desde a contusão de Paulo Henrique Ganso.

Para os franceses, o jogo no Stade de France, palco de umas das mais dolorosas derrotas do Brasil – difícil esquecer os 3 a 0 na final do Mundial de 98 -, é mais que um amistoso. Os franceses sabem da força e da qualidade dos brasileiros, independentemente de quem vai entrar em campo. Há uma justa veneração pela seleção canarinho. Respeito que persiste, apesar dos 19 anos sem derrotas para o Brasil.

Um clássico pra encher os olhos daqueles que amam o futebol.