A briga já começou

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Luis Fabiano foi apresentado ontem em festa bonita, bem organizada e só comum no primeiro mundo.

Amanhã é a vez do Corinthians apresentar seu novo reforço, o atacante Adriano. O Imperador, entretanto, será apresentado de maneira mais discreta, sem torcedores, apenas jornalistas.

A diferença na exposição desses atletas até faz sentido, embora os dois se equivalham do ponto de vista técnico. A questão é o momento dos dois jogadores. Luis Fabiano volta ao São Paulo fruto de um investimento de sete milhões de Euros. Adriano chega de graça ao Corinthians depois de ser rejeitado pelo Flamengo, sua primeira opção.

Luis Fabiano é realidade; o Adriano, uma incógnita. Nada que o tempo não possa mudar.

Clássico como há muito não se via

Em Barueri, São Paulo e Corinthians, uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro na atualidade, fizeram um jogo pra ficar na história. O Tricolor quebrou um tabu de 11 partidas sem vitórias, Rogério Ceni marcou o 100° gol e o Timão, mesmo com nove jogadores em campo, lutou pra não perder até o último segundo.

O jogo

O Corinthians começou melhor, mas o Tricolor equilibrou a partida a partir dos 15 minutos. O gol, entretanto, só aconteceu aos 39  num belo chute de fora da área de Dagoberto.

No segunto tempo, apareceu a estrela de Rogério Ceni. Primeiro aos dois minutos quando salvou um gol certo de Jorge Henrique. Depois, aos oito minutos, a consagração. A falta de Ralf em Fernandinho foi a deixa para o goleiro artilheiro com maestria fazer o 100° gol da carreira e o segundo da equipe contra o Corinthians.

Falta de controle

Alessandro,  aos 18 minutos, perdeu a cabeça e entrou de maneira criminosa em Dagoberto. Recebeu o vermelho com justiça. O lateral corintiano foi imprudente e irresponsável.

Pra sorte dele, Dentinho de fora da área diminuiu aos 22 e Dagoberto fez bobagem aos 23 – pegou Ralf por trás, recebeu o segundo amarelo e consequentemente o vermelho. A questão é que Dentinho também recebeu o vermelho  por comportamento infantil logo em seguida.

Com um a mais em campo – dez contra nove – o São Paulo se fechou na esperança de definir o jogo no contra-ataque. O Corinthians, por outro lado, foi guerreiro e lutou até o último segundo dos seis minutos de acréscimos definidos pelo árbitro Guilherme Ceretta de Lima. O Timão perdeu o clássico e a liderança, mas deixou o campo de cabeça erguida, enquanto a festa é são-paulina. E realmente há muito o que comemorar!

Seleção: Neymar e Lucas mostram a cara

A seleção se portou bem hoje diante da Escócia. Mesmo considerando a fragilidade do adversário, há de se destacar a postura do time dirigido por Mano Menezes. O Brasil tomou a iniciativa, marcou no campo do adversário e mereceu o resultado.

Neymar, autor dos dois gols da vitória brasileira, jogou pra inglês ver no sentido literal da frase, claro. E foi aprovado, apesar das vaias ao deixar o campo. O atacante do Santos mostrou personalidade, driblou, chamou o jogo e terminou como artilheiro da jornada. Vai ser muito difícil pra diretoria santista mantê-lo na equipe após a janela de transferências do meio do ano.


O mesmo deve acontecer com o São Paulo em relação a Lucas. O garoto jogou pouco mais de vinte minutos, mas o suficiente pra chamar a atenção em sua estreia na seleção principal. Tem lugar tanto no time de Mano, quanto em qualquer clube da Europa.

A última chance de Adriano?

Foto: AFP

Foto: AFP


Já me enganei no passado, quando escrevi que Adriano teria na Roma sua última chance. O destino, entretanto, foi generoso com o atacante que agora terá as portas abertas no Corinthians. O destino e Ronaldo, um dos principais articuladores dessa negociação. O ‘Fenômeno’, por intermédio de sua empresa, vai cuidar da imagem do ‘Imperador’ e entende que ela pode ser recuperada no Timão.

Que assim seja! Adriano é uma contratação de risco, mas se voltar a ser o profissional que se espera dele, fará um bem danado a ele próprio, claro, ao Corinthians e ao futebol brasileiro.

Só depende dele.

Corinthians vai com moral para o clássico

Liédson comemora seu gol No Pacaembu, o Corinthians jogou em ritmo de treino, mas o suficiente pra vencer e assumir a liderança isolada do Paulistão. Paulinho marcou no primeiro tempo; Liedson fez o segundo – um golaço -,  o décimo dele no Paulistão, e que o deixa ao lado de Elano no topo da artilharia; Dentinho ainda fez o terceiro.

Em Jundiai, o São Paulo perdeu uma invencibilidade de oito jogos e caiu para o terceiro lugar. Teve vontade,  lutou, mas faltou competência pra pelo menos empatar o jogo com o Paulista, vivo na briga pela classificação.

De bom mesmo, o gol de número 99 marcado por Rogério Ceni. Será que o centésimo sai contra o Corinthians? Veremos!

Ganso e Patrick brilham

A rodada começou antes para Palmeiras e Santos que fizeram bem a lição de casa.O Verdão despachou o Linense com autoridade – contundentes 3 a 0 -em noite de Patrick,  enquanto Ganso foi o maestro ao participar dos gols que garantiram a vitória santista sobre o meu querido Mogi Mirim por 3 a 1.

A expectativa de vaias para o camisa 10, por causa de seu desejo de deixar o clube, não se confirmou graças ao bom futebol apresentado. Resta saber como vai ser amanhã se Ganso não brilhar como de costume.

Fluminense ainda sonha

Foi sofrido, mas o Fluminense venceu o América do México no Engenhão, em noite de gols esquisitos, exceção feita aos dois primeiros gols do Fluminense. O terceiro foi de Deco que pouco produziu desde que chegou da Inglaterra no ano passado, mas que de certa forma se redime devido à importância desse gol marcado. Graças a ele o Tricolor segue na briga.

A tristeza de Joel Santana

Foto: Gazeta Press

Foto: Gazeta Press

Joel Santana deixou o Botafogo, nesta terça-feira, com lágrimas nos olhos. Doeu a despedida, mas também doeu a falta de respeito de alguns torcedores, os mesmos que o aplaudiram há menos de um ano.  Joel foi o comandante do último título do Bota e ainda assim não foi poupado. Pena que alguns torcedores não souberam reconhecer o passado recente e o trabalho realizado pelo carismático treinador.

A propósito, há muito me espanta o comportamento da maioria dos torcedores brasileiros. São donos de uma crueldade quase infantil e de uma falta de educação extrema. Já ouvi muitos dizerem que o prazer de ir ao estádio está justamente no fato de poder xingar técnicos e jogadores. “Alivia o estresse”. Ora, não seria melhor e mais sereno pagar por um analista?

Definitivamente,  o valor pago por ingresso não dá ao torcedor o direito de xingar a quem lhe convier. É uma questão de respeito e de educação.

Talento só não basta

Quando Elano marcou o primeiro gol, no comecinho do jogo, o Santos dava a impressão de que seria um passeio no Chile. Mera ilusão. O tal passeio se transformou em pesadelo, graças às falhas de marcação dos defensores santistas. Muito espaço e pouco combate. Na frente, Ganso e Neymar estavam pouco inspirados no primeiro tempo.

Na segunda etapa, logo de cara, o atacante Miralles assustou ao acertar o travessão, fruto da falta de pegada da equipe santista. Estava prestes a escrever que em Libertadores talento só não basta – precisa ter espírito – quando Neymar fez um belo gol depois de receber de Ganso: 3 a 2. O jogo ganhou em emoção, favorecido pela sequência de falhas de ambos os lados. Mas não foi produzido nada mais que pudesse alterar o resultado.

Apesar da derrota, ainda dá para o Santos.

Inter e Cruzeiro passeiam

Se o Santos decepciona na LIbertadores, Inter e Cruzeiro fazem bonito. O Colorado goleou na Bolívia o frágil Jorge Wilsterman enquanto a Raposa atropelou o Tolima, sempre lembrado por ter colaborado para a aposentadoria de Ronaldo “Fenômeno”. O Cruzeiro tem um belo elenco e deve brigar pelo título do torneio continental. Sem dúvida, é um dos grandes favoritos.

A desilusão de Muricy

O projeto do Fluminense com Muricy Ramalho terminou prematuramente e não me surpreende. Não por falta de competência do treinador, mas pela falta de palavra da maioria dos dirigentes do futebol brasileiro. E pensar que em nome deste projeto, o Tricolor das Laranjeiras não o liberou para a Seleção Brasileira. Muricy, homem honrado, manteve o que foi acordado e ficou. Hoje ele sai desiludido com o clube carioca, principalmente com as promessas não cumpridas como, por exemplo, a de melhorar a estrutura do clube.

Muricy sai do Fluminense, promete descansar por uns 30 dias, mas deve estudar algumas propostas. O Santos, por exemplo, tem interesse. Ainda não houve conversa, mas ela acontecerá nos próximos dias. E apesar da força do Peixe, dono das maiores joias do futebol brasileiro – Neymar e Ganso -,  não há razões pra se iludir. Basta ver o que aconteceu com Dorival Junior e Adilson Batista. É o futebol brasileiro.

Que surpresa boa!

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Luis Fabiano está de volta. Bom para o futebol brasileiro e, claro, melhor ainda para o São Paulo. O dinheiro pedido pelo Sevilha, que até então inviabizava a negociação, foi resolvido graças ao apoio de “apaixonados torcedores” do Tricolor – há quem diga que consagrados jogadores colaboraram.

Amanhã, em coletiva, o presidente Juvenal Juvêncio deve dar maiores detalhes dessa estratégia tão bem sucedida.

Autor de 118 gols em 160 jogos com a camisa Tricolor, Luis Fabiano, mais maduro e centrado, tem tudo pra fazer os gols que o São Paulo precisa e pra torná-lo ainda maior.

Neymar como gostamos de ver

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Pela primeira vez no ano, Neymar fez o que se espera dele com a camisa do Santos.  Com leveza e objetividade, o garoto marcou dois gols na vitória sobre a Portuguesa por 3 a 0. O primeiro, aos 41, depois de bela jogada individual, quando chamou o marcador pra dançar duas vezes; e o outro, não menos belo, aos cinco do segundo tempo. Neymar, como nos velhos tempos, ainda participou do terceiro marcado por Léo.

El Mago resolveu

Em Bauru, o talento de Valdívia resolveu.  O time dirigido por Felipão passou um sufoco danado e a derrota para o Noroeste só não aconteceu porque El Mago acertou um belo chute numa cobrança de falta perfeita e ainda deixou Vinicius em excelentes condições pra virar o jogo depois de bonita jogada individual. Salvou um time que não convenceu.

Caiu o último invicto

No Pacaembu, o Corinthians encontrou muitas dificuldades pra escapar da forte marcação armada pela Ponte Preta e pouco conseguiu produzir no primeiro tempo. Na segunda etapa, a Macaca, no primeiro chute, chegou ao gol com Éverton Santos. O Timão na base do abafa pressionou mas o máximo que conseguiu foi uma bola na trave, num cabeceio de Dentinho no último minuto. Jogou mal e perdeu a invencibilidade.

Adriano não deu certo mais uma vez

Foto: AFP

Foto: AFP

Mais uma vez a grande expectativa se transformou em desilusão. Adriano não deu certo na Roma e está de volta. Foram apenas oito jogos, desde que assinou contrato em maio do ano passado, e nenhum gol marcado. Pouquíssimo para um atacante de ponta, de nível de seleção brasileira. Havia a esperança de que Adriano pudesse se livrar dos problemas extra-campo e se dedicar à bola como no passado.

Em 2009, embora na ocasião não fosse referência de responsabilidade, conseguiu ser artilheiro e campeão brasileiro. O acerto com a Roma era pra muitos, inclusive para esse blogueiro, a última chance para o atacante que já fora chamado de Imperador e que hoje não passa de um jogador problema.

Embora seja difícil acreditar em alguém que há muito parece ter desistido da profissão, no Rio de Janeiro há informações de que o Flamengo lhe espera de portas abertas. Corinthians e Palmeiras, que manifestaram interesse pelo atleta no início do ano, já não se mostram tão empolgados. O Verdão, inclusive, descarta oficialmente a possibilidade de contar com ele. O Timão deve seguir o mesmo caminho, o que parece mais sensato.