Que o Barcelona nos ensine!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Incrível como a goleada imposta pelo Barcelona ao Santos continua repercutindo. Não o placar em si, mas a maneira como foi construído. Foi um duro golpe na soberba brasileira. Há muito, o que Nelson Rodrigues denominou “síndrome do cachorro vira-lata” se transformou numa cegueira arrogante, numa incapacidade cruel de ver qualidade naqueles que não chutaram uma bola em terras brasileiras. Ainda esta semana, após escrever que a conquista do time catalão foi uma aula de como jogar futebol, ouvi de um colega: “Como assim? Aprender o quê? Somos pentacampeões do mundo, amigo!”

Esse é o grande problema. Paramos no tempo, sem perceber que na vida tudo é dinâmico e requer evolução. As glórias do passado podem – e devem – encher de orgulho, porém não passam de lembranças. É pra frente que se olha e nesse sentido há muita coisa a ser aprendida, com esse Barcelona, por exemplo. Uma das lições é o sentido de conjunto, de grupo; mais do que nunca fica comprovado que disciplina tática é fundamental para um time vencedor; e não basta talento, tem que ter vontade de vencer.

Com aula de futebol, Barcelona é campeão do mundo!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Ao final do jogo, um sereno Neymar resumiu de maneira muito feliz o que foi a final do Mundial de Clubes em Yokohama, no Japão: “Hoje aprendemos como jogar futebol”, disse o craque.

Realmente não foi um jogo de futebol, foi uma aula. E o espetáculo que esperávamos enquanto partida, foi o show de um time só. Contrariando a lógica, não tivemos o duelo entre duas equipes equivalentes. O Barcelona parecia um gigante diante de um Santos pequenino e assustado.

Que a posse de bola seria do Barça, ninguém duvidava. Agora, que o Santos não produziria nada… Borges deu um chute aos 27 e só na primeira etapa. Com mais de 70% da posse de bola, a equipe catalã deu as cartas, mandou no jogo e atuando com intensidade construiu um placar elástico. Messi, o melhor do mundo indubitavelmente, chamou a responsabilidade e logo aos dois minutos fez fila mostrando a que veio. Foi dele o primeiro gol, ou melhor, golaço, aos 16; Xavi, não por acaso entre os três indicados ao prêmio da Fifa, marcou o segundo; e Fábregas, o terceiro, ainda no primeiro tempo, aos 44.

Na segunda metade da partida, o Santos jogou mais à frente, chegou a finalizar com Borges e Neymar. O Barcelona, entretanto, manteve o ritmo, fez mais um com Messi – eleito o melhor do campeonato – e garantiu o merecido título. A taça de melhor do mundo está nas mãos de um dos mais brilhantes times da história. Nada mais justo!

Fácil demais

Djalma Vassão/Gazeta Press

Como praticamente todos esperavam e torciam, o Barcelona será o adversário do Santos na final do Mundial de Clubes da Fifa. A classificação da equipe catalã foi muito tranqüila. Jorge Fossati, uruguaio técnico do Al Sadd do Catar, armou uma bela retranca – às vezes se defendia com dez homens na sua área – enquanto o Barça, sem afobação tocava a bola de um lado pro outro em busca de um espaço. Mas um erro individual, num recuo para o goleiro, gerou o gol de Adriano e a estratégia do Al Sadd de surpreender o Barça caiu por terra ainda no começo do jogo.

No primeiro tempo Adriano fez o segundo, enquanto Keita e Maxwell definiram a partida na segunda etapa. 4 a 0 em ritmo de treino.

A lamentar, a fratura na perna esquerda de David Villa. Um lance de pura infelicidade que o deixará fora dos gramados por um longo tempo.

O domingo promete!

Que venha o Barcelona

Djalma Vassão/Gazeta Press

Três belos chutes, três belos gols. Neymar e Borges abriram o caminho para o Santos se garantir na final do Mundial de Clubes da Fifa, domingo. Apesar do placar elástico, o jogo não foi tão fácil como imaginava. O Kashiwa foi até melhor que o time brasileiro na primeira etapa. A precisão dos atacantes santistas, porém, é que tornou tranqüila uma partida difícil.

No segundo tempo, quando o Santos apresentava um futebol um pouco mais vistoso, os japoneses descontaram numa jogada de bola parada. Jorge Wagner, pra variar, fez o cruzamento pra Sakai – sem que fosse minimamente incomodado por Henrique – subir e diminuir o placar. Na bola parada também, Danilo, preciso, fez o terceiro numa bela cobrança de falta.

Foi uma vitória da individualidade em detrimento do conjunto.O que vale, entretanto, é que o Santos está garantido. Agora é esperar que o Barcelona faça a parte dele.

Kashiwa Reysol, melhor para o Santos

Enquanto a performance do Barcelona diante do Real Madrid causou calafrios em boa parte da torcida santista no sábado, a confirmação neste domingo do Kashiwa Reysol como adversário nas semifinais do Mundial de Clubes da Fifa foi uma boa notícia para o Santos.

Apesar da experiência de um Jorge Wagner e da técnica do irregular Leandro Domingues, o time dirigido por Nelsinho Batista não deve ser páreo para os santistas. Os mexicanos do Monterrey, derrotados nos pênaltis, tinham mais condições de complicar.

É o Santos, ainda mais favorito pra chegar à decisão.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Belo show do Barcelona!

Foto: AFPA expectativa para um Real e Barcelona é praticamente a mesma quando diante de um palco no Teatro Municipal. A certeza é de ver um espetáculo capaz de te deixar com os olhos arregalados, impassível na cadeira, atento a cada ato.

Sem dúvida, trata-se de um espetáculo. São as duas melhores equipes do mundo em campo, ainda assim, sujeito aos erros comuns numa partida de futebol. Erros que podem ser fatais já nos primeiros segundos. Valdés que o diga. Uma reposição errada gerou o gol de Benzema com menos de meio minuto de bola rolando.

Aos poucos o Barça, que parecia assustado no começo, foi se soltando com a mesma desenvoltura digna de elogios por todo planeta nos últimos tempos. Mostrou a admirável consciência tática que, não obstante, gera confiança, volume e domínio. A esta altura, já se sentia em casa e o empate saiu ainda no primeiro tempo dos pés de Alexi Sanchez em assistência de Messi após bela jogada individual.

No segundo tempo, o Barcelona confirmou sua supremacia com gols de Xavi e Fábregas. Mourinho tentou salvar a noite com Kaká, Khedira e Higuaín. Em vão. O show foi do Barça que parte para o Japão no topo da tabela ao lado do próprio Real.

E por falar em Japão, o Santos que se cuide caso o destino coloque os catalães no caminho do título mundial.

Parabéns, Corinthians!

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Corinthians foi o time que mais venceu, que menos gols sofreu, que mais vezes esteve na liderança do campeonato, e por tudo isso mereceu ficar com o quinto título brasileiro de sua centenária história.

Nesta conquista, alguns corintianos merecem destaque. A começar pelo técnico Tite, tão questionado e tão sereno nesta jornada. Quase perdeu o emprego no segundo turno, às vésperas de um confronto com o São Paulo. Um zero a zero no sufoco, na ocasião, o manteve no cargo pra ser campeão na última rodada. Merecido! Liedson, pelos importantes gols marcados, principalmente no Pacaembu, também merece ser reverenciado. E pra finalizar, se a zaga é a menos vazada do campeonato, isso se deve à bela dupla de volantes formada por Ralf e Paulinho, a melhor do país hoje.

Parabéns, Corinthians!

Parabéns também ao Vasco que fez um belo campeonato, fruto do sério trabalho realizado por Roberto Dinamite.

Libertadores

Justiça também foi feita nos classificados para a Libertadores. Flamengo, Fluminense e Internacional estão garantidos na competição sul-americana e fizeram por merecer.

Na luta pra fugir do rebaixamento, o que dizer da vitória do Cruzeiro sobre o Atlético? Só uma palavra: fantástico!

Adeus, Doutor!

Foto: Gazeta Press

Sócrates foi meu grande ídolo da infância e adolescência. A classe no trato com a bola, o refinado toque de calcanhar, a inteligência na criação de jogadas, entre outras variáveis, faziam de Sócrates um jogador diferenciado. O Doutor fazia a bola correr a seu serviço e ela, passivamente, lhe obedecia num gesto de reverência aquele que conhece os atalhos do futebol arte.

Fora de campo, Sócrates se fez ainda mais admirável no meio futebolístico. Foi a luz da inteligência quando o planeta bola era sinônimo de alienação e manobra. Em plena ditadura militar, liderou um movimento de democracia em um dos clubes mais populares do Brasil. Ao lado de Casagrande e Wladimir, revolucionou o futebol nos bastidores. Os jogadores, para a ira dos mais conservadores, votavam desde a opção pelo regime de concentração até a escolha de treinadores. E o engajamento fez com que a democracia corintiana se estendesse no gigantesco movimento para as eleições diretas no Brasil em meados dos anos 80.

Na seleção brasileira brilhou naquela que foi a melhor que já vi jogar: a de 82. E por ironia não foi campeão. Teve nova chance em 86, mas já não era mais o mesmo. Coube ao irmão Raí garantir em 94, um merecido título para a família.

Se os excessos com o álcool o tiraram de campo mais cedo, o que ele construiu enquanto atleta ficará pra sempre no coração dos amantes do futebol arte!

Fique em paz, Doutor!