Tudo definido

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

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O Santos ainda não foi aquele com o qual nos acostumamos – e bem – mas conseguiu superar nos pênaltis o Velez e assim carimbou o passaporte para encarar o Corinthians nas semifinais. Um clássico como esse, claro, não nos deixa muito à vontade para fazer um prognóstico. Enquanto o Timão tem uma defesa sólida, quase instransponível, é do Santos o ataque invejável comandado por Neymar, o melhor do Brasil. Serão 180 minutos – 90 na Vila e outros 90 no Pacaembu, espero – de arrepiar.

Universidad x Boca

O Libertad surpreendeu, levou a decisão para os pênaltis, em Santiago, mas no final prevaleceu o favoritismo da Universidad de Chile. A La U agora busca um lugar na decisão contra o tradicional Boca Juniors de Riquelme. Johnny Herrera, ex-Corinthians, foi o nome do jogo com uma defesa milagrosa aos 46 do segundo tempo e ao defender uma das penalidades que garantiram os chilenos nas semifinais. O Boca não terá moleza na busca de seu sétimo título continental.

Com cara de Corinthians!

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foram 87 minutos de um jogo equilibrado, brigado na raça e na vontade, até que Paulinho, num cabeceio, definiu o placar e levou o Corinthians de volta a uma semifinal de Libertadores
depois de 12 anos.

Se não foi brilhante do ponto de vista técnico, as defesas se encarregaram do protagonismo. E nas poucas vezes que a bola passou pelos defensores, os goleiros foram bem. Diego Souza teve a chance do jogo aos 17, mas com um toquezinho de Cássio, a bola foi desviada pra fora. O gol vascaíno estava desenhado. Quando não pegou, Cássio contou com a sorte, como no arremate de Nilton que acertou a trave logo em seguida. Émerson também acertou o poste de Fernando Prass aos 32.

Na bola parada, o destino do jogo. Após cobrança de escanteio, Paulinho de cabeça marcou pra aliviar a aflição da Fiel – que cantou como Los hermanos – e entrar pra história. Vitória com cara de Corinthians!

Pela segunda vez, a equipe de Parque São Jorge chega às semifinais de um torneio continental. Resta saber se contra o Santos ou Libertad ou Universidad de Chile. Até a noite desta quinta saberemos.

Brasileirão desvalorizado

Foto Fernando Dantas/Gazeta Press

Jogadores do Corinthians comemoram a conquista do título do Campeonato Brasileiro 2011

O Brasileirão 2012 começa neste final de semana com o status de ser mais equilibrado do mundo, mas está longe de receber a valorização que merece. Mal localizado no calendário, o campeonato nacional, competição mais importante do país, começa em meio às decisões na Libertadores e na Copa do Brasil. Obviamente, boa parte dos favoritos envolvidos nestes torneios vai mandar a campo um time misto já que no momento a prioridade é outra. Pior, muitos jogadores podem deixar o país ainda no primeiro turno e dificilmente o elenco que inicia o torneio terminará igual a temporada, pela falta de adequação do calendário ao futebol europeu. A contratação de reforços, figuras essenciais numa estratégia de marketing, só deve acontecer após oito, nove rodadas. Até lá, os técnicos devem ser virar com o que têm e com as incertezas que sugerem o mercado.

De fato, a CBF não sabe e nunca soube contabilizar a importância de um Campeonato Brasileiro. Ou falta visão ou falta competência; talvez, as duas coisas. Boa hora pra os passivos clubes pensarem grande, pensarem na criação de uma Liga que faça jus ao maior patrimônio do futebol nacional.

Irreconhecível

Foto: AFP

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Nada de alegria, jogadas de efeito ou algo que lembrasse o time que apresenta o futebol mais bonito do país e, quiçá, do continente. A razão do resgate do nosso orgulho cada vez mais fosco foi decepcionante dessa vez; mostrou-se passivo diante de um Vélez voluntarioso e cheio de gana. Neymar, bem marcado, quase nada fez. Se alguém o visse pela primeira vez, neste jogo, não entenderia o porquê de considerá-lo o mais forte candidato a substituto de Lionel Messi no topo do mundo. Que seria difícil todos imaginávamos; perder assim, porém… Mas o que houve de irreconhecível em Buenos Aires, nesta noite, há de esperança para o jogo da volta. Basta ao time ser o Santos que todos nós conhecemos. Um a zero ficou barato!

Também dá para o Flu

Diante das circunstâncias, a derrota por um a zero para o Boca Juniors na Bombonera, até que ficou de bom tamanho para o Fluminense. Com um a menos desde os 30 do primeiro tempo, o time foi valente pra segurar o jogo e, por muito pouco, não empatou no finalzinho. Perdeu de cabeça erguida e tem qualidade pra fazer dois a zero no Rio.

Muita raça, pouco futebol

Foto: AFP

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Não há dúvida de que foi um jogo brigado. Não faltou raça um minuto sequer. Em cada centímetro do pesado gramado de São Januário – por causa da chuva –, a bola era disputada com intensidade; mas quando a tinham nos pés, vascaínos e corintianos judiaram da cobiçada. A sequência de passes errados contribuía para a feiura de um espetáculo que prometia ser belo. Cássio e Fernando Prass passaram a maior parte do tempo assistindo à partida. O goleiro do Corinthians trabalhou um pouco mais no segundo tempo, especialmente em duas finalizações de Éder Luis; já o vascaíno, num cabeceio de Jorge Henrique. E só!

Sobre o gol marcado por Alecsandro e invalidado pela arbitragem, tive dúvidas na hora, mas ao rever o lance algumas vezes, chego à conclusão de que houve acerto na marcação do impedimento.

No fim, o zero a zero caiu bem para o que foi o jogo. Melhor para o Vasco que joga por um empate por gols em São Paulo. Ao Corinthians, só resta vencer.

O melhor depois de Pelé

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A geração de Neymar, com um futebol vistoso e envolvente, escreveu na tarde deste domingo mais um capítulo de uma história vitoriosa, só vista nos tempos de Pelé. Com os 4 a 2 de hoje sobre o valente e elogiável Guarani de Vadão, o time se tornou o primeiro tricampeão paulista desde 69, quando o então Santos de Pelé conquistou pela terceira vez seguida a taça do estadual.

O Paulistão, embora já não mais glamouroso como no passado, ratifica a força deste time que desde 2010 conquistou, além dos três paulistas, uma Copa do Brasil e uma Libertadores da América. E pode vir mais por aí. Enquanto Neymar permanecer na Vila qualquer sonho é possível.

Muricy é o cara

Se Neymar simboliza essa geração vitoriosa, não há como deixar de destacar a estrela de Muricy Ramalho, treinador que mais títulos ganhou nos últimos dez anos. Ora carrancudo, ora mal humorado, mas extremamente competente. Faz jus à frase “aqui é trabalho, meu filho”. Alguém duvida?

Fim de tabu. Agora é o Vasco

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foram 12 anos de espera e, finalmente, o fantasma do mata-mata foi exorcizado pelo Corinthians. Pelo menos o das oitavas-de-final. O gol logo no começo do jogo foi fundamental para a queda do tabu. Alex fez um belo lançamento pra Émerson que pelo lado esquerdo, como gosta, viu bem a chegada de Fábio Santos. No lance, o lateral contou com a sorte em duas divididas e foi preciso no arremate, aos sete minutos.

O gol tirou o peso das costas corintianas e sinalizou com uma jornada mais tranquila. As chances para ampliação do placar foram se repetindo a exaustão. Willian, Émerson, Paulinho… O time perdia chances claras. Só aos 20 minutos do segundo tempo, quando o jogo ganhava em dramaticidade, que Paulinho tirou o time do sufoco; depois de três oportunidades perdidas, uma delas na trave, o meio-campista meteu a cabeça na bola pra fazer 2 a 0. Aos 40, Alex acalmou de vez a Fiel ao marcar o terceiro e selar a classificação.

Agora o Timão tem o Vasco pela frente, um rival tradicional que traz boas lembranças aos corintianos.

Já era!

Foto: Fernando Dantas

Deu a lógica! O Guarani até que mostrou força de vontade, espírito de luta, mas faltou qualidade pra se impor diante do Santos. O time dirigido por Muricy Ramalho, além de melhor, tem Neymar em grande fase. O melhor do Brasil marcou mais dois gols – chegou aos 104 com a camisa santista – e praticamente garantiu o título de tricampeão paulista ao Peixe. A taça só não vai pra Vila Belmiro agora por questões legais, mas não há qualquer dúvida: ela já tem dono.

Do lado do Guarani, vale uma menção honrosa ao técnico Oswaldo Alvarez. Vadão prometeu e seu time jogou na bola. Apesar dos 3 a 0 sofridos hoje, mantém a cabeça erguida e motivos não faltam pra que ele possa se orgulhar.

Aprovado no primeiro teste

Foto: AFP

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Se havia a suspeita de que o Corinthians sentiria a pressão do mata-mata na Libertadores – que não vence há 12 anos -, a dúvida foi se esvaindo com o passar dos minutos. O Timão não impôs o ritmo como de costume, é verdade, pouco criou, mas se mostrou firme, combativo e muito consciente taticamente. Jorge Henrique foi o símbolo desta disciplina tática no primeiro tempo.

Mas esse mesmo Jorge Henrique foi infantil quando provocou um cartão amarelo aos 45 minutos por atingir o adversário fora do lance de bola e pôs tudo a perder ao receber o segundo amarelo e o consequente vermelho aos sete minutos do segundo tempo. Com um menos, o Corinthians – agora sim, nervoso – se fechou lá atrás, especulando contra-ataques. Terminou com um zero a zero importante diante das circunstâncias.

Sobre Cássio, o goleiro, do alto dos seus quase dois metros de altura, foi soberano no jogo aéreo e fez o suficiente para ganhar a confiança do torcedor corintiano.

Que gol do Diego Souza

O Vasco não construiu grande vantagem, mas está a um empate das quartas-de-final. Nada mal! Vale destacar a pintura de gol feito por Diego Souza. É pra ver e rever, rever… Show de bola!

Ridículo!

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Embora previsível, triste saber que os dois jogos da decisão do Campeonato Paulista, entre Santos e Guarani, foram confirmados para o Morumbi. A iniciativa fere princípios técnicos e desrespeita o torcedor bugrino, impedido de apoiar seu time em uma decisão depois de 24 anos de espera. Essa história de que o Morumbi é campo neutro não cola. Todos sabem que o Santos tem mais torcida na capital do que na baixada.

De fato, as duas equipes vão ganhar mais dinheiro, mas o futebol perde ainda mais o pouco da graça que lhe resta.