Aos pés de Romarinho

Djalma Vassão/Gazeta Press

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Poucas chances foram criadas no primeiro tempo em “La Bombonera”. Paulinho arriscou de longe para uma boa defesa de Orión; El Tanque tentou uma bicicleta interceptada por Alessandro. De resto, um Corinthians fechado, à espera de um contra-ataque matador e o Boca chegando em triangulações pelo lado direito, especulando cruzamentos para Santiago Silva. Riquelme bem que tentou apitar o jogo, mas um amarelo aos 40 freou um pouco do ímpeto do camisa 10.Do lado corintiano, Émerson foi o destaque da primeira etapa, também marcada pela contusão de Jorge Henrique, precioso na cobertura pelo lado direito da defesa. Com Liedson em campo, o Timão perdeu um pouco na marcação.O Boca voltou outro na etapa final. Assumiu o papel de dono da casa e partiu pra cima. Bombardeou a barreira corintiana e “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Furou aos 27 com Roncaglia no rebote da trave após cabeceio de Santiago El Tanque e do desvio com a mão do zagueiro Chicão.O gol deixou o Corinthians em pânico e o Boca cheio de moral. Até que Tite arriscou. Apostou na frieza de um jovem que mal chegou e já se transformou em esperança. Credenciado pela beleza dos dois gols contra o Palmeiras no final de semana, Romarinho, na primeira vez que tocou na bola, após linda enfiada de Émerson, decretou o empate que pode garantir o título inédito ao Corinthians. O íncrivel gol perdido pelo Boca no minuto final revela a luz que tem iluminado essa equipe nesta edição da Libertadores. Cenas de um enredo sobre um time campeão. Quarta-feira é a noite da verdade!

Não vale a pena

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Em mais de 20 anos militando no mundo esportivo, especialmente no futebol, já deveria estar acostumado com a falta de memória do torcedor brasileiro. O Santos, eliminado pelo Corinthians na Libertadores, não foi perdoado em sua volta à Vila, de olho no título nacional, no final de semana. Após o jogo contra o Coritiba, o time foi vaiado veementemente e nem mesmo Neymar, maior ídolo do time foi poupado. Nesta hora,  poucos se lembraram que esse mesmo craque, desejado por grandes clubes do futebol europeu, foi fundamental na conquista da última edição da Libertadores, algo que o Santos não conquistava há quase 50 anos.

Algo parecido aconteceu com o São Paulo no jogo contra a Portuguesa. Ídolos como Lucas e Luis Fabiano não escaparam das vaias e xingamentos dos torcedores, chateados com a eliminação deste time em formação na Copa do Brasil. Esses mesmos, são os que gritam “queremos jogador” quando as coisas não vão bem.

Esse tipo de situação já aconteceu com Kaká, o próprio Luis Fabiano, Edilson (em 2000, no Corinthians) e tantos outros. Por isso, vale a pergunta: será que vale mesmo a pena ficar por aqui em vez de atuar na Europa? Talvez Neymar, Lucas e outros valores promissores estejam se fazendo essa pergunta no momento.

Justo, muito justo!

Djalma Vassão/Gazeta Press

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Dono da melhor defesa da Libertadores, o Corinthians confiou demais no paredão quase intransponível formado por seus zagueiros. Em vez de marcar no campo do adversário – como havia feito há uma semana na Vila – ficou esperando o Santos lá atrás, em seu campo.

Sem muito espaço, Neymar se movimentou por todos os lados e na primeira vez que ele levou a melhor sobre a marcação – deixou Fábio Santos pra trás – criou a oportunidade do primeiro gol. Lançou Alan Kardec que cruzou para Borges que, por sua vez, desviou na trave. Neymar, que acompanhava a jogada, estava lá pra completar.

Na segunda etapa, o Corinthians voltou com Liedson no lugar do pouco produtivo Willian. A ousadia surtiu efeito logo aos dois minutos. Alex jogou pra área, numa cobrança de falta, a bola passou pelo “Levezinho” e chegou aos pés de Danilo, que nas costas de Durval fuzilou: 1 a 1.

Com o empate conquistado tão cedo, o time de Tite ganhou confiança e voltou a jogar como de costume, marcando a saída de bola e dificultando a saída de jogo do adversário. Neymar, a maior esperança santista, atuando mais pelo lado esquerdo, perdeu praticamente todas para o veterano Alessandro, enquanto Ganso, que poderia ser uma outra alternativa para o Santos, foi uma nulidade.

Melhor para o Corinthians que administrou o resultado e, com toda justiça, chega à sua primeira final de Libertadores.

Veterano imaturo

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A rebeldia é comum aos jovens, aos garotos com dificuldade de controlar o próprio ímpeto e que, na maioria das vezes,  gera grande prejuízo quando o assunto é o esporte, especialmente o futebol. Por ser uma atividade coletiva, um ato impensado pode colocar um trabalho de longa data a perder.

Luis Fabiano era assim nos tempos de Ponte Preta e em sua primeira passagem pelo São Paulo entre 2001 e 2004. O tempo passou, o atacante conheceu novas culturas, novos clubes e pôde respirar os ares do primeiro mundo do futebol. Seis anos na Europa, entretanto, parece que não foram suficientes para que o jogador pudesse amadurecer. Neste ano, em especial, prejudicou o São Paulo em várias oportunidades por causa de suas atitudes intempestivas. Ficou fora da semifinal contra o Santos no Campeonato Paulista, por causa de um bobo cartão recebido por reclamação, um jogo antes, contra o Bragantino. E neste Brasileirão levou quatro cartões em quatro jogos. Suspenso pela segunda vez, Luis Fabiano merece uma advertência da diretoria do clube. Não há nada que justifique esse comportamento. Contra o Atlético, o árbitro Elmo Alves Resende Cunha relata na súmula o número de palavrões impublicáveis proferidos por Fabiano e dirigidos a ele. Nem o fato de ser capitão do time lhe respalda nesta situação. E Luis Fabiano já deveria ter aprendido isso também.

Corinthians mais perto da decisão

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Santos entrou em campo, numa Vila lotada, com o que tinha de melhor. Contrariando a lógica, PH Ganso foi a campo, 18 dias após uma artroscopia no joelho. Lá também estavam Arouca, recuperado de contusão, e Neymar, de volta da Seleção.

Mas foi o Corinthians quem parecia em casa. O time corintiano procurava ditar o ritmo povoando o território inimigo. Marcava mais à frente na tentativa de forçar o erro adversário, teve mais posse de bola até que, após rápida troca de passes, Paulinho achou Émerson livre na esquerda. O atacante arriscou o chute e marcou um golaço aos 27 minutos.

Na segunda etapa, o Santos ficou mais agressivo. O ritmo agora era ditado pelos donos da casa que, por consequência, criavam mais. Aí surgiu o nome do jogo: Cássio! O goleiro corintiano prevaleceu segurando as investidas do rival. Durval, Borges e Juan que o digam.

Por outro lado, Émerson quase pôs tudo a perder. O atacante, que já tinha amarelo, de maneira irresponsável, fez falta dura em Neymar, ganhou outro amarelo e, por consequência, o vermelho. Com um a menos, o Timão ficou ainda mais atrás, com uma linha de cinco e outra de quatro. Valeu a pena. O time dirigido por Tite está a um empate da tão sonhada final. Mas é bom lembrar que o Santos ainda está na briga.

Surpresa no Sul

O Palmeiras, de maneira surpreendente, conseguiu uma fantástica vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre: 2 a 0 com gols de Mazinho e Barcos nos cinco minutos finais. O time de Felipão praticamente carimbou o passaporte para a decisão.