De olho na Copa

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

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Mano Menezes atendendo a uma exigência da Fifa anunciou hoje a lista de convocados para o amistoso com a Suécia dia 15 de agosto em Estocolmo, na despedida do palco que marcou a primeira conquista de uma Copa do Mundo pelo país em 58. Na ocasião, com Pelé e Cia, o Brasil derrotou os suecos por 5 a 2 e ficaram com a taça do mundo pela primeira vez na história.

Para os brasileiros, o jogo tem o quê de nostalgia – Pelé dará o pontapé inicial em noite que também contará com homenagens aos campeões Djalma Santos, Zito, Dino Sani, Zagalo e Pepe – e um olho no futuro: A Copa do Mundo de 2014. Aos meninos que brigam pela inédita medalha olímpica em Londres vão se juntar Daniel Alves (Barcelona), Dedé (Vasco), Jonas (Valencia), Paulinho (Corinthians), David Luiz e Ramires (Chelsea) definindo a base que encara o papel de anfitriã do próximo mundial. Isso, claro, se um eventual fracasso na Olimpíada não fizer desmoronar tudo o que já foi construído. É uma pena, mas o risco existe.

Entre os dez!

Djalma Vassão/Gazeta Press 

 

A festa da conquista da Libertadores acabou, mas o espírito que levou o Corinthians ao título inédito continua vivo. Com a mesma disciplina e senso de conjunto, o time vai se acertando agora no Brasileirão. Danilo, tão criticado no passado, vive hoje a melhor fase desde que chegou ao Parque São Jorge. Não é fácil se destacar numa equipe tão homogênea como esta corintiana, por isso, o mérito é ainda mais especial. Os pupilos de Tite já estão em décimo e devem galgar outras significativas posições até o final do primeiro turno.

São Paulo perde o jogo, não a dignidade
Quando o Atlético Goianiense foi para o intervalo com 4 a 1 no placar, o cenário de tragédia era desenhado para o são-paulino. No segundo tempo, porém, o time teve atitude, marcou dois gols e até fez por merecer melhor sorte. Não somou os três pontos, é verdade, mas alimentou a expectativa de dias melhores.

Vasco líder, por enquanto
Pelo menos até logo mais à noite quando jogam Atlético Mineiro e Santos, o Vasco terá o gostinho de viver no topo, graças ao gol de Alecsandro no finalzinho do jogo contra o Botafogo de Seedorf. Vice-campeã no ano passado, a equipe carioca é candidata ao título mesmo sem Diego Souza e Fagner negociados nos últimos dias.

Estreia discreta!

BFR/Agif

BFR/Agif

A torcida do Botafogo não lotou o Engenhão, mas compareceu em bom número – mais de 34 mil pagantes – para prestigiar a estreia de Seedorf com a camisa do clube. Foi uma festa bonita, com direito a cânticos, faixas, cartazes e bandeiras. Não há dúvidas quanto à capacidade do holandês de atrair fãs de todos os cantos.

Também não restam dúvidas quanto à inteligência de Seedorf com a bola nos pés. O meio-campista procurou chamar o jogo, e se apresentar como líder à altura de seu status. Mas só os 27 minutos surgiu a primeira grande jogada do novo camisa dez do Fogão. Com elegância, ele dominou, botou na frente, deixou Gilberto Silva pra trás e cruzou na medida pra Elkeson que, meio desequilibrado, cabeceou pra fora.

Fora isso, a atuação foi discreta, típica de um jogador recém-chegado das férias. Aos 24 do segundo tempo, já cansado, deixou o campo bem aplaudido. Seedorf tem muito ainda a evoluir do ponto de vista físico e, por consequência, só com o tempo ele deve transformar em contundência a sua elegante maneira de jogar. Por enquanto, vale apenas como atração.

Sobre o jogo, o Botafogo pressionou, porém o Grêmio mereceu a vitória, time que deve brigar pelo título. Tem um time experiente e um técnico vencedor.

O campeão voltou

AFP

AFP

Aquele Corinthians aplicado e focado apareceu, finalmente, no Campeonato Brasileiro. Tudo bem que os primeiros gols de Douglas nasceram de erros individuais, mas a aplicação tática tão enaltecida na conquista da Libertadores da América foi fundamental para a maior vitória do time neste Brasileirão.

O Flamengo, diante da força do rival, viu acentuadas suas fraquezas e limitações. Os protestos durante a partida revelam bem a falta de confiança no time rubro-negro. Quanto ao Corinthians, a expectativa de que a equipe possa ainda brigar pelo título aumenta, apesar da boa sequência mantida pelo Atlético
Mineiro, líder do campeonato.

Sobrou para o Juvenal
Doeu demais para o são-paulino a derrota em casa para o Vasco da Gama. Assim como no Rio, no jogo do Flamengo, teve protesto. Em vez de darem as costas para o campo como fizeram os Flamenguistas, no Morumbi os gritos eram contra Juvenal Juvêncio, presidente do clube. O time voltou a jogar mal e diante de um rival encorpado o resultado não poderia ser outro. Ney Franco precisa de tempo pra formar um time vencedor, resta saber se esse tempo será dado a ele.

Sérgio Barzahi/Gazeta Press

Sérgio Barzahi/Gazeta Press

Um Palmeiras guerreiro

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Na estreia de Ney Franco pelo São Paulo, quem chamou a atenção foi o espírito guerreiro do Palmeiras. O time de Felipão, segue na zona de rebaixamento, mas mais uma vez mostrou um elogiável poder de superação.

O Tricolor saiu na frente logo cedo, aos 12 minutos, com Luis Fabiano, num descuido da zaga palmeirense. O campeão da Copa do Brasil, entretanto, não se abateu. Nem mesmo quando perdeu Henrique, expulso no começo da segunda etapa.

Apesar de atuar com um a menos, o Palmeiras foi melhor, perdeu um pênalti com Valdívia, e chegou ao empate com Mazinho, aos 38 minutos. A valentia foi recompensada e o placar se fez justo. Um alento ao torcedor palestrino que ainda comemora um título que não festejava há 14 anos, mas teme pelo futuro.

Corinthians reage

Danilo foi o nome do jogo, sábado, entre Corinthians e Náutico. Além dos dois gols que garantiram a vitória do Timão, o meio-campista mostrou a mesma disciplina que o destacou na campanha da Libertadores e que o fez ganhar a confiança da Fiel. A 14 pontos do líder Atlético – fantástico na virada sobre o Figueirense em Santa Catarina – brigar pelo título é difícil, mas não impossível. Vale apostar no sonho!

De novo com Felipão

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Luis Felipe Scolari voltou ao Palmeiras em 2010 com o objetivo de reconduzir o clube no caminho das vitórias. Era a esperança de um time que nos últimos 12 anos ganhou apenas um Campeonato Paulista – muito pouco para tamanha tradição.

A tarefa estava longe de ser fácil. Faltava dinheiro e, como consequência, faltavam reforços. Internamente, dirigentes batiam cabeças e a política nas alamedas de Palestra Itália conturbava o ambiente do departamento de futebol. O time fracassou em dois Brasileiros, dois paulistas, uma Copa Sul-Americana e não faltou quem quisesse a cabeça de Felipão.

O presidente Arnaldo Tirone, entretanto, bancou o técnico e o resultado é festejado hoje pelo sofrido torcedor palmeirense. À frente de um elenco limitado, mas guerreiro, Felipão levou o time novamente ao título da Copa do Brasil – o segundo da história do clube – e, de quebra, de volta à Libertadores da América. Missão cumprida! Se bem que o torcedor quer mais e com Felipão.

Incontestável!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Demorou muito, mas finalmente o Corinthians conquistou a América. Fantasmas foram exorcizados, tabus quebrados, frutos de um amadurecimento forçado, de trabalho sério e da sorte que acompanha os campeões.

A Libertadores sempre foi o calcanhar de Aquiles corintiano. Chacotas e mais chacotas eram criadas após estrondosos e dolorosos fracassos. Coube a esse time, longe de ter o brilho técnico de outros esquadrões – como aquele de 2000, campeão do mundo, por exemplo  – , uma disciplina tática poucas vezes vista no futebol brasileiro. É aí que aparece o dedo do técnico. Tite tem todos os méritos nesta estratégia – nem sempre bonita plasticamente – , porém indiscutivelmente eficiente.

E se a força está no conjunto, difícil centralizar a conquista num protagonista. Émerson fez os dois gols da decisão, é verdade, mas Romarinho havia deixado a marca dele em La Bombonera.  Danilo salvou o time contra o Santos; Cássio e Paulinho, contra o Vasco… Sem falar naqueles que não marcaram gols, todavia tiveram performances de destaque nos 14 jogos desta edição da Libertadores. A solidez de uma defesa vazada apenas quatro vezes merece todo o destaque.

Demorou e como demorou! Mas aconteceu da melhor maneira possível. Incontestável! Conquista invicta, com vitórias sobre difíceis adversários, especialmente, a partir das quartas-de-final: Vasco, Santos e o bicho-papão Boca Juniors. É pra entrar pra história pela porta da frente, carimbar o passaporte e tentar conquistar o mundo, agora no Japão, também de maneira incontestável.

Espanha faz história e o futebol agradece

O bicampeonato da Eurocopa conquistado pela Espanha ratifica a força de uma geração fantástica que mudou a história e a expectativa sobre um país que sempre teve grandes estrelas em sua Liga, grandes times, mas nunca uma seleção forte. Desde 2008 os espanhóis se transformaram em referência no futebol, bebendo da fonte de seu time mais vencedor: O Barcelona.

O controle do jogo, os passes precisos, a aplicação na marcação, além, claro, do indiscutível talento de Xavi e Iniesta – que se dividem na função de maestro – fizeram dessa equipe, uma máquina vitoriosa e encantadora. Não entendo, e jamais vou entender aqueles que definem o estilo espanhol como algo “chato”.

Já fazem parte da história. Nunca antes uma seleção havia conquistado três títulos de tamanha importância no intervalo de quatro anos: Foram duas Eurocopas e uma Copa do Mundo. Não por acaso.

Parabéns, Espanha! O futebol lhe agradece!