Fiasco desenhado

 

AFP

AFP

Se alguém cochilou e despertou com o jogo da seleção pela Copa América em andamento, muito provavelmente achou que o time vestindo camisa amarela era o Brasil. Mas não era. A Colômbia fez jus à amarelinha com um futebol agressivo, posse de bola, passes precisos e envolventes. Criou as chances do primeiro tempo e chegou ao gol aos 36 minutos. Após cobrança de falta de Cuadrado, Murillo aproveitou a sobra pra abrir o placar. E poderia ter feito mais. Cuadrado, Teo Gutierrez, Falcão García e James Rodriguez deram muito trabalho ao setor defensivo brasileiro.  Por outro lado, a seleção criou apenas uma oportunidade com Neymar já aos 45 jogados.  O time de Dunga mostrou uma apatia irritante. Frouxo na marcação, omisso na criação e sem qualquer inspiração individual. Firmino com o gol vazio e escancarado até teve a chance de empatar no segundo tempo num vacilo da zaga aproveitado por Elias, mas errou o alvo e mandou pra fora.  Definitivamente, os Deuses da bola estavam de mal do Brasil. Nem Neymar conseguiu se salvar na fria noite da cidade Santiago do Chile. Pra piorar recebeu cartão amarelo, depois recebeu o vermelho por dar uma cabeçada em Murillo quando o jogo já havia terminado. Uma vergonha! Um novo fiasco no primeiro torneio oficial pós-vexame na Copa do Mundo parece desenhado.

Vitória com pobre futebol

AFP

AFP

O gol de Firmino no primeiro tempo salvou o jogo da seleção brasileira contra Honduras de um fiasco. Foi a décima vitória de Dunga em 10 jogos desde que reassumiu o comando após o vexame nacional na Copa do Mundo. Os números podem até resgatar parte da autoestima perdida, mas o futebol segue sem brilho. Nem com Neymar e Robinho em campo no segundo tempo, o time brasileiro fez algo que pudesse empolgar. De tão ruim que foi o jogo, o tempo parecia correr em “slow motion”, uma eternidade a castigar o sofrido torcedor.

Domingo começa a Copa América para o Brasil. Os 100% de aproveitamento do carrancudo treinador não iludem. A previsão é de dias cinzentos no céu da seleção.   

Sem brilho, porém eficiente

 

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A Seleção Brasileira não empolgou neste domingo no Allianz Parque, em São Paulo, no amistoso contra o México. Pra ser realista, há muito não empolga. A diferença desta para aquela equipe que disputou a Copa do Mundo no país, ano passado, é que esta sob o comando de Dunga é mais competitiva. Ciente de suas limitações, o treinador montou um time forte na marcação e com a proposta de atacar e contra-atacar em velocidade. Elias em baixa no Corinthians foi bem contra os mexicanos ao participar dos dois gols do time no primeiro tempo: o primeiro marcado por Philippe Coutinho – que também entrou bem no time pra não mais sair – e o segundo de autoria de Diego Tardelli. Willian é outro merecedor de reverência por conta da atuação diante do México.

Por outro lado, fica clara a dependência de Neymar, o único grande craque brasileiro desta geração. Os demais são bons jogadores, apenas bons. A situação é um duro golpe para aqueles que acostumaram a cantar em prosa e verso que o melhor futebol do mundo é brasileiro. O choque de realidade revela uma sensação não muito agradável. Resta-nos a condição de coadjuvantes, aqueles que lutam por seu espaço com humildade. E Dunga conhece esse caminho como poucos, fruto do que foi como jogador: o de vencer sem brilho, mas com eficiência. E assim, lá se vão nove vitórias em novos jogos desde o vexame no último mundial.

Barcelona arrasador!

Foto: AFP

Foto: AFP

Antes de qualquer comentário sobre o jogo, inevitável falar sobre o evento “Uefa Champions League”. A festa, a organização impecável, a apresentação ao vivo da música que se tornou o hino do evento…  O arrepio aflora a pele neste instante e o sonho de que algo parecido possa acontecer por aqui consome a alma. Inevitável também não se perguntar: “Utopia imaginar algo assim na nossa Libertadores?” Por enquanto, infelizmente, a resposta é “sim”.

Devaneios à parte, bola rolando. A Juventus ameaçou com agressividade no início, mas logo aos 4 minutos Rakitic tratou de mostrar quem manda. Fez um a zero e inibiu o ímpeto italiano. Tirando uma arrancada de Morata que deixou Vidal em condições de finalizar, o que se viu a partir daí foi o Barça mostrando um vasto de repertório de jogadas ofensivas e ensaiadas, além da intensa e precisa troca de passes peculiar aos catalães.   

Veio o segundo tempo. E quando parecia que o Barça definiria a partida, Morata, o mais lúcido jogador da “Velha Senhora” empatou o jogo antes dos 10 minutos. O gol italiano mudou o quadro. A Juve ganhou confiança e se atirou ao ataque. E esse foi o problema. Num contra-ataque, Messi partiu livre e em velocidade até bater forte pro gol. No rebote de Buffon, Suárez marcou o segundo gol espanhol.  Neymar ainda marcaria o terceiro, anulado pelo fato de o brasileiro contar com a ajuda da mão pra desviar a bo

la. Lance difícil para arbitragem, mas a interpretação do árbitro de linha fez sentido.

Daí pra frente só deu Barcelona. Pelo volume de jogo merecia construir um placar mais elástico. E o destino recompensou o Barça e Neymar. Coube a ele definir o placar aos 50 minutos: 3 a 1! Placar inquestionável pra ratificar a condição do Barcelona de melhor time europeu. E por que não dizer do mundo? Pra mim, com certeza, é!

Corinthians derrapa em jogo interessante

Lucas Uebel/GFBPA

Lucas Uebel/GFBPA

Foi um jogo como há muito não se via no Campeonato Brasileiro. Quatro gols no primeiro tempo e poderiam ter sido mais não fosse a imprecisão dos atacantes de Grêmio e Corinthians. Com menos de cinco minutos, o tricolor gaúcho já vencia por dois a zero. Os gols de Giuliano e Marcelo Oliveira foram tão rápidos que ficou a sensação de que os corintianos não haviam entrado em campo. Passado o susto, o time paulista entrou no jogo, foi pra cima e, aos 23, o colombiano Mendoza diminuiu. O empate até parecia próximo quando num vacilo na linha de impedimento alvinegra, Luan apareceu livre para fazer o terceiro gol gremista.

Veio o segundo tempo e o jogo seguiu em alta voltagem. O Corinthians buscando o gol incessantemente e o Grêmio explorando os contra-ataques com velocidade. Jadson teve duas boas oportunidades para diminuir, mas no primeiro lance errou a pontaria e no segundo parou no goleiro Tiago. Bruno Henrique perdeu outra chance, a terceira criada pelo alvinegro em 15 minutos . E parou por aí. Tite mandou a campo Vagner Love, Petros e Danilo, mas as alterações não apresentaram resultado. Love, inclusive, não parece capaz de substituir Guerrero à altura. Definitivamente faltam opções para o ataque corintiano. Se a diretoria não for às compras, dias difíceis vão prevalecer.

Casa caiu para o Cruzeiro

AFP

AFP

Não foi só para José Maria Marin e outros figurões da Fifa que a casa caiu nesta quarta-feira. No Mineirão, aconteceu o que nem o mais fanático torcedor do River Plate poderia imaginar contra o Cruzeiro pela Libertadores: uma goleada histórica do time argentino. E o River fez por merecer o que parecia improvável. Depois de apresentar um futebol pífio em Buenos Aires, onde perdeu por um a zero, em BH, os argentinos se sentiram em casa. Pra colaborar, os zagueiros cruzeirenses se portaram muito mal.  Sanchez abriu os trabalhos com 20 minutos jogados. Ainda na primeira etapa, Maidana de cabeça, deu números capazes de coroar o melhor futebol dos “millonarios”. A performance do River era tão superior que o terceiro gol – coube a Gutierrez – já era esperado.  A vantagem mineira conquistada na Argentina caia tão fácil quanto os dólares das propinas investigadas pelo FBI nas contas dos Marins e Teixeiras mais famosos. Triste para o Cruzeiro, triste para o futebol brasileiro.

Inter avança

A esperança brasileira no torneio continental é o Inter que fez bem a lição de casa, no Beira Rio, em Porto Alegre. Garantiu a classificação sobre o Santa Fé no finalzinho e com mérito. Agora briga contra o Tigres do México por um lugar na decisão. Pra quem curte a presença de técnicos estrangeiros por aqui, a performance de Diego Aguirre à frente do Colorado é digna de satisfação. Superou a resistência inicial ao trabalho com simpatia e competência.  Inegável o crescimento do Inter sob o comando do uruguaio.

Um Corinthians sem inspiração

Nelson Perez/FFC

Nelson Perez/FFC

O futebol e seus mistérios. O Corinthians, em clima de fim de feira, embora o campeonato esteja apenas começando, não é mesmo nem sombra daquele time que encantou na fase de grupos da Libertadores e que terminou a primeira fase do Paulista com a melhor campanha. Seria injustiça dizer que não busque a vitória, a questão é a dificuldade pra criar. As jogadas que antes fluíam com facilidade, hoje soam um parto. Faltam precisão nos passes e organização no trabalho com bola. Diante desse quadro, é possível compreender o porquê de a melhor chance da equipe de Tite ter sido resultado de uma bola roubada por Petros que chegou aos pés de Guerrero, mas o peruano, mesmo  com o gol vazio, chutou pra fora. Menos mal para os corintianos que o Fluminense ainda é um arremedo de time e, pouco inspirado, conseguiu errar muito mais que o rival. Zero a zero que retrata bem o nível da partida.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Triste Palmeiras

Se a situação corintiana está longe de confortável, o que dizer então do momento do Palmeiras? Esperava-se muito mais do vice-campeão paulista neste Brasileirão. Na estreia, um empate nos acréscimos contra um mistão do Atlético Mineiro; na sequência, outro empate sem gols com o frágil Joinville; e hoje, uma surpreendente derrota em casa para o apenas limitado Goiás. O Palmeiras é outro que tem volume, mas não finaliza. Na infeliz jornada desta manhã de domingo chamou a atenção o comportamento de Valdívia. Ele fez questão de discutir tanto com o árbitro, mesmo após ser advertido com um cartão amarelo, que ficou a sensação de que ele gostaria de ser expulso. Realmente o futebol tem os seus mistérios.

Uma noite pra esquecer

 

AFP

AFP

A torcida compareceu, cantou, apoiou, mas o Corinthians provou do próprio veneno. Parou numa defesa sólida, pragmática, preparada para diminuir espaços e não deixar o adversário jogar. Tanto que apesar do grande volume na primeira etapa, apenas uma chance real foi criada pelo time corintiano, desperdiçada pelo peruano Guerrero.

Na segunda etapa, Tite arriscou, trocou um zagueiro – Felipe – por uma homem de frente – Danilo -, além de Malcon por Mendoza, mas nem houve tempo pra ver os resultados devido às expulsões de Fábio Santos logo aos 7 minutos e a de Jadson aos 25. Com dois a menos, fazer dois gols só mesmo graças a um milagre e, pelo jeito, não havia santo disponível pra fazer o serviço. Não hoje. Foi uma noite pra esquecer. E o fracasso é por circunstâncias de jogo. Justificar a derrota com o atraso dos salários está longe de ser plausível. O Corinthians não foi bem, mas foi digno. O reconhecimento do torcedor ao final da partida comprova isso. Agora é reprogramar a rota. A diretoria que cumpra com suas obrigações, os jogadores que resgatem o padrão exibido no começo da temporada, e ao técnico cabe criar novas alternativas.

São Paulo derruba o Corinthians

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A casa corintiana começou a ruir aos 20 minutos do primeiro tempo, graças à irresponsabilidade de Émerson e ao rigor do árbitro Sandro Meira Ricci. O atacante não precisava dar o famoso “totozinho” em Rafael Tolói no lance que originou o vermelho, mas, convenhamos, um cartão amarelo estaria de bom tamanho pelo que aconteceu.

Com um a mais em campo, o São Paulo, que já estava melhor, cresceu ainda mais e chegou aos dois gols de vantagem ainda no primeiro tempo com todos os méritos. O primeiro num lance de oportunismo de Luis Fabiano e o segundo na força do chute de Michel Bastos que ainda contou com o “morrinho artilheiro” pra enganar o goleiro Cássio.

Na segunda etapa, o rigor de Ricci esteve presente novamente na expulsão do colombiano Mendoza por suposta tentativa de agressão a Luis Fabiano, também expulso – recebeu o segundo o amarelo, por simular a tal agressão. Com dez contra nove, o jogo praticamente acabou. Não havia mais tática, só vontade e correria.

Polêmicas à parte, vitória justa do São Paulo que jogou como nunca antes nesta temporada e renasce na luta pela Libertadores. Ao Corinthians, resta descansar, juntar os cacos e reavaliar a rota de um voo ainda tranquilo.

Sem brilho, Corinthians se garante

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Não foi uma partida brilhante do ponto de vista técnico, muito longe disso. Por outro lado, pra quem gosta de jogo brigado, não há do que reclamar, apesar do zero não ter saído do placar. Raça, vontade, disposição… Todos esses elementos que boa parte dos torcedores aprecia tanto estiveram presentes na bela arena corintiana em Itaquera. O San Lorenzo se fechou atrás, diminuiu os espaços e levou perigo, eventualmente, no jogo aéreo. Por outro lado, o Corinthians martelou sem muita inspiração; teve volume, mas pouco criou, especialmente no segundo tempo.  O empate, pelo menos, foi o suficiente pra garantir a classificação antecipadamente ao time paulista, enquanto os argentinos ainda se mantêm na briga. Avançam para as oitavas de final se venceram o frágil Danubio na última rodada e o São Paulo perder para o Corinthians. O empate no clássico ainda pode ser interessante ao atual campeão da Libertadores, desde que goleie o saco de pancadas do grupo, quarta que vem em Buenos Aires.