Deu a lógica

Foto: FADEL SENNA/AFP

Foto: FADEL SENNA/AFP

O San Lorenzo de Almagro não foi páreo para o Real Madrid, embora tenha feito exatamente o que se esperava dele: marcou com afinco, diminuiu os espaços e construiu um paredão pra anular as investidas do supertime espanhol. A estratégia funcionou por 36 minutos, até que na bola parada, após um escanteio, o sempre decisivo Sergio Ramos meteu a cabeça na bola pra marcar e justificar o favoritismo madrilenho.  

A situação ficou pior quando o goleiro Torrico falhou no chute fraco de Bale logo aos cinco minutos da etapa final. Se havia alguma esperança de o time argentino conseguir algo, ela ruiu quando a bola lentamente cruzou a linha do gol sob olhar desnorteado do arqueiro argentino.  Daí pra frente o Real calmamente ditou o ritmo, administrou a vantagem, enquanto o time de coração do Papa tentava em vão compensar na vontade a nítida limitação técnica.

Pela primeira vez, desde que o torneio foi criado pela Fifa, o Real Madrid fica com o título de campeão do mundo. A alegria da conquista, porém, nem foi tão efusiva se comparada com a decepção do time argentino. Houve mais lágrimas nos olhos dos atletas do San Lorenzo que sorrisos nos jogadores do Real. Pelo menos até o momento de receber a taça para o registro das imagens que vão ficar para a história e que revelam o mundo nas mãos madridistas.

Graças aos Santos!

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A torcida palmeirense compareceu, cantou, apoiou, mas o time não correspondia aos cânticos que vinham das cadeiras da nova arena. Valdívia, o mais lúcido da equipe, enquanto teve fôlego, como um regente, ditava o ritmo, mas os membros da orquestra atravessavam. O zagueiro Lúcio, apesar de veterano, errava na frente e atrás. E numa dessas desafinadas do zagueiro, o Atlético fez um a zero na bola parada, segundos depois de uma oportunidade perdida.

O caos se desenhava quando a arbitragem resolveu dar uma força. O empate palmeirense só aconteceu por conta de mais uma falha de interpretação na questão bola na mão, mão na bola que tanto estrago já fez nesta edição do Campeonato Brasileiro. A bola bateu no braço do zagueiro atleticano, por trás, e o assistente marcou. Pênalti inexistente que Henrique converteu com tranquilidade.

Depois do empate, o Palmeiras se acalmou um pouco. Mas calma não significa qualidade. O futebol da equipe seguia sofrível, enquanto o time de garotos do Atlético criava as melhores chances e esteve bem mais próximo do segundo gol do que o rival.

No segundo tempo, o Palmeiras melhorou, esteve mais presente na área adversária, porém longe do suficiente pra vencer a partida, resultado que o livraria do rebaixamento. O time só escapou porque Vitória e Bahia são ainda mais incompetentes. Foi ali, na raspa do tacho. 

Que sirva de lição. Paulo Nobre deve agradecer ao Santos a nova chance de reconduzir esse clube ao lugar de onde jamais deveria ter saído. O clube merece há tempos uma gestão à altura de sua história rica em títulos e orgulho.

Adeus título!

 

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O São Paulo começou pressionando o Nacional, mas esbarrava na forte marcação armada pelo time colombiano. Com a dificuldade de penetração, na bola parada surgiu o gol. Paulo Henrique Ganso, de falta, abriu o placar logo no começo do segundo tempo. Com a vantagem, os espaços foram surgindo e o time paulista só não aumentou a vantagem porque a trave não deixou. Ela barrou os chutes de Kaká e de Luis Fabiano em lances que dariam a classificação com facilidade.

Apesar do esforço e do bom futebol apresentado, especialmente na metade final da partida, não foi possível evitar os pênaltis e nas penalidades , no escorregão de Alan Kardec e na imprecisão de Rafael Toloi, se foi a chance de fechar a temporada com um título. Agora é pensar em 2015, provavelmente sem o capitão Rogério Ceni.  

 

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

Festa atleticana

Justiça feita na Copa do Brasil ao melhor futebol do torneio. O Atlético Mineiro recebeu a taça que coroa uma campanha fantástica, com direito a vitórias épicas como nos  4 a 1 contra o Corinthians e o Flamengo, pelas quartas e semifinais respectivamente.  Além, é claro, de na decisão ter superado o maior rival da história do clube, dono de um time muito forte e, não por acaso, atual bicampeão brasileiro. O Galo foi melhor nos dois jogos da decisão contra o Cruzeiro e mereceu o título inédito. Ficou com a taça e, de quebra, carimbou a faixa do rival. Realmente não faltam motivos pra celebrar. Essa madrugada vai ser longa para os atleticanos. Parabéns ao Galo!

Noite incrível define final mineira

 

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi uma noite daquelas, cheia de alternativas. Pra quem ama o futebol por tudo o que ele tem de imponderável, a quarta-feira foi mágica.

Na Vila Belmiro, o Santos botou fogo no jogo com gol de Robinho logo aos dois minutos. Era o melhor que poderia acontecer ao time praiano pra ganhar confiança e botar pressão no rival mais qualificado do futebol brasileiro. Nem o empate sofrido minutos depois parecia impedir os santistas de construírem uma jornada vencedora. Gabriel e Rildo fizeram os gols que deixavam a equipe na decisão. Mas Willian, em noite inspirada e aguerrida, tratou de marcar duas vezes para deixar o Cruzeiro na final. Um empate com sabor de vitória pra coroar o ótimo trabalho do técnico Marcelo Oliveira.

 

Washington Alves/Vipcomm

Washington Alves/Vipcomm

Atlético histórico

Contra todos os prognósticos, contra a lógica, contra tudo e contra todos, o Atlético, assim como fez na conquista inédita da Libertadores da América no ano passado, faz história com viradas impressionantes e inacreditáveis nesta edição da Copa do Brasil. O Galo repetiu o que fez com o Corinthians dias atrás e goleou, depois de começar perdendo para  um pragmático Flamengo que só acordou pro jogo quando tomou o quarto gol, em Belo Horizonte. 4 a 1 pra não deixar dúvidas e pra levar à loucura a fanática torcida do Galo. Louco também é observar a expressão de incredulidade de Levir Culpi após nova façanha. Como ele mesmo disse depois do jogo “tem coisas que só acontecem no Atlético”. 

Uma final mineira com muito gosto. De um lado o regular e fortíssimo Cruzeiro e de outro um time raçudo que não se entrega jamais. Vai ser de arrepiar!

AFP

AFP

São Paulo no sufoco

A pressão foi enorme em Guayaquil. Gol relâmpago, dois pênaltis no começo do segundo tempo e não fossem a trave e Rogério Ceni o São Paulo não teria avançado para as semifinais da Copa Sul-Americana. A derrota por 3 a 2 para o Emelec  foi no limite, na raspa do tacho. Agora é respirar e esperar pelo próximo adversário.

 

São Paulo decepciona

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

O São Paulo não fez o suficiente pra merecer um resultado melhor do que o zero a zero com a Chapecoense em Santa Catarina. Se o jogo teve o mínimo de emoção, ela se deve ao ímpeto dos donos da casa que buscaram o gol na maior parte do tempo. Já o time paulista frustrou aqueles que ainda acreditavam na possibilidade de a equipe brigar pelo título. Com o tropeço do Cruzeiro diante do Palmeiras, foi criada a expectativa, mas ela parou na falta de atitude são-paulina.

Corinthians volta ao G4

Dos paulistas, o Corinthians é o time que se deu bem na rodada. Venceu e galgou duas posições na tabela de classificação. Agora é terceiro, posição que coroa a boa apresentação diante do Vitória. De fato, foi uma equipe muito mais objetiva e envolvente se comparada com o que foi mostrado nas últimas rodadas. O resultado minimiza a crise pós-eliminação na Copa do Brasil e dá moral para o clássico contra o Palmeiras no próximo sábado.

 Palmeiras que sofreu um duro castigo ao ver a surpreendente vitória sobre o Cruzeiro em Belo Horizonte escapar nos acréscimos da partida. Mesmo assim, apesar das circunstâncias, o empate não foi de todo ruim. Se na tabela da classificação o time permanece perto da zona da degola, do ponto de vista emocional fica a sensação de que esse time tem todas as condições de exorcizar esse fantasma e, de imediato, encarar o maior rival de igual para igual.

Pra fechar, o Santos. A derrota para o Fluminense, em casa, comprova a irregularidade deste time que deve terminar o campeonato na zona intermediária.  Nada surpreendente. Não há porque esperar algo melhor.  

Justo castigo

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

O estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, palco dos fatídicos sete a um da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo – sim, inevitável não lembrar e quem dera pudesse esquecer – abrigou um dos mais emocionantes jogos da temporada. Atlético Mineiro e Corinthians protagonizaram uma partida eletrizante por um lugar nas semifinais da Copa do Brasil. Nem tanto pelo time paulista que saiu na frente numa bola esticada da defesa para o ataque que Guerrero, o melhor corintiano no momento, transformou em gol logo nos primeiros minutos. Era tudo que o Corinthians queria, uma vez que só seria eliminado se sofresse quatro gols. A classificação parecia certa e aí, ironicamente, passou a morar o perigo. A vantagem não fez bem. O time, a partir daí, se acomodou e passou a assistir ao Atlético jogar.

Aos poucos, e com o apoio da torcida – que aos berros de “eu acredito” empurrava o time, os donos da casa foram ganhando confiança e fizeram por merecer a virada ainda na primeira etapa, principalmente pela eficiência do meia Guilherme que fez o cruzamento para o gol de Luan e foi o autor do segundo, o da virada.

Guilherme, o melhor em campo, ainda faria o terceiro pra levar o Mineirão à loucura. Atordoado, o Corinthians permanecia na condição de expectador e foi devidamente castigado pela falta de atitude. Edcarlos, aos 42, pôs fim na agonia atleticana e garantiu a vaga à equipe que  lutou até o fim.  A vitória lembrou a campanha do time mineiro na Libertadores do ano passado quando terminou campeão: Virada na raça e na força da torcida. Aos corintianos resta o ônus da decepção. Não vai ser nada fácil juntar os cacos desta inesperada eliminação. A crise volta a bater na porta e os próximos dias serão de alta tensão.  

“Racistas viados!”

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi no mínimo curioso ouvir as provocações de alguns palmeirenses aos gremistas que compareceram ao Pacaembu para assistir ao jogo de ontem: “racistas viados!”, gritavam eles em bom número. Ora, não deixa de ser uma triste contradição. A resposta ao preconceito carregada de outro preconceito não menos grave. Sei que muita gente vai falar que isso é inerente ao futebol, que não há objetivo outro senão provocar, mas devo dizer que está longe de ser aceitável. Em tempos em que se discute a criação de uma lei que considera a discriminação homofóbica crime igual ao do racismo, o futebol não pode ser encarado como um universo à parte. Trata-se de uma extensão da sociedade de modo que as leis que valem fora do estádio também valem dentro. Além do mais, a boa educação deveria reinar em qualquer ambiente.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Também chamou a atenção a bronca de boa parte dos palmeirenses contra o treinador gremista Luis Felipe Scolari. Pois é! No Palestra Itália, Felipão foi o técnico do mais importante título da história do clube – a Copa Libertadores da América de 1999 – e também do último – a Copa do Brasil de 2012. Merecia reverência e respeito pelo passado escrito naquelas alamedas, apesar do fiasco à frente da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e nos últimos dias dele no Palestra. Mas, no futebol brasileiro, reconhecimento e respeito soam utopia; estão muito aquém da capacidade de discernimento do torcedor. E assim reina a mediocridade!

Dunga 100%

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

A história se repetiu. Assim como aconteceu na primeira passagem de Dunga como técnico da seleção principal, o Brasil encarou a Argentina na condição de favorita e se deu bem.

 No jogo de hoje, os argentinos, mais confiantes e entrosados, começaram muito melhor. Tinham a posse de bola, trocavam passes em velocidade e finalizaram pelo menos seis vezes nos primeiros 25 minutos, enquanto os brasileiros corriam atrás dos rivais pra diminuir os espaços e tentar obstruir as jogadas. Não fosse a falta de pontaria dos vice-campeões do mundo, a situação poderia ser dramática.  Até que aos 27, numa falha da zaga argentina, Diego Tardelli, bem colocado, chutou de primeira para abrir o placar. A partir daí, o jogo mudou. O Brasil ganhou confiança – consolidada após Jéferson pegar um pênalti cobrado por Messi – e  concluiu a primeira etapa melhor que o adversário.

E com a autoestima renovada, os pupilos de Dunga voltaram para os 45 minutos finais ainda mais aplicados. Continuaram marcando com rara disciplina e disposição – mérito do técnico. O treinador armou as já manjadas e sempre eficientes duas linhas de quatro, congestionou o caminho argentino e acabou premiado numa bola parada com novo gol de Diego Tardelli. Matou o jogo!

Vitória pra dar moral, resgatar o prestígio perdido e mostrar que nas circunstâncias atuais, o melhor caminho é mesmo a aplicação tática. Com a humildade dos limitados que anseiam por um lugar ao sol, esse novo time de Dunga se revela competitivo. Ainda falta brilho, mas não falta dignidade.  Sinal dos tempos!

Corinthians surpreende o líder

 

Gualter Naves/Light Press

Gualter Naves/Light Press

Cruzeiro e Corinthians fizeram um bom jogo no Mineirão, apesar dos desfalques. A chamada “Data Fifa” tirou os principais jogadores dos dois times, já que a CBF insiste em não respeitar o calendário de seleções criado justamente pra acabar com o conflito com os clubes, mesmo assim o jogo foi agradável. O time da casa criou as melhores oportunidades da primeira etapa, jogando em velocidade, sempre em busca do gol. Só faltou precisão no arremate. E quando o tiro saiu certo, Cássio estava lá como um gigante pra evitar a abertura do placar.

Na segunda etapa quem começou melhor foi o Corinthians. Teve a posse de bola, além de marcar com efetividade. A eficiência defensiva corintiana, inclusive, não se discute. É elogiável! Por outro lado, seguiu sofrendo do mesmo mal que tem vitimado o time de Mano Menezes na maioria das partidas fora de casa neste Brasileirão: a falta de finalização. Pra ser ter uma ideia, o Corinthians não marcava gol no campo adversário há cinco partidas. Só que desta vez, na única oportunidade que teve, o time paulista aproveitou e marcou com Luciano após belo contra-ataque puxado por Petrus.  Vitória que coroa uma boa jornada tática do time corintiano, uma equipe econômica, mas que segue viva na briga por um lugar na Libertadores.

Libertadores em risco

Divulgação/CAP

Divulgação/CAP

O Corinthians até que não começou mal o jogo contra o Atlético em Curitiba. Tomou a iniciativa de ficar com a bola, povoou o campo de ataque, mas finalizar que é bom, nada. Fica a impressão de que os jogadores corintianos temem o arremate. Um procura outro que procura um e a bola se perde na marcação – muito bem executada pelos atleticanos, diga-se de passagem.  E nas raras oportunidades em que consegue chutar ao gol, falta precisão. Definitivamente falta confiança. Incrível a incapacidade deste time de criar chances de movimentar o placar. É um time combativo, sem dúvida, porém pouco inspirado. Pra piorar, o setor defensivo que tem lá suas virtudes, desabou na falta que Elias fez em Cléo no final do primeiro tempo: pênalti que o próprio Cléo converteu. Com mais essa derrota, o time dirigido por Mano Menezes despencou na tabela. Já não é possível sonhar com título, a vaga na Libertadores fica agora em risco, e a paz vai se esvaindo de tropeço em tropeço, consequência natural dos fatos. Expectativa de dias agitados no Parque São Jorge.