Gazeta Esportiva

Arquivos da Categoria : Na Cara do Gol

Foto: CHRISTOPHE SIMON/AFP

Foto: CHRISTOPHE SIMON/AFP

O superfaturamento nas obras dos estádios para a Copa do Mundo; a falta de atenção com o legado que – teoricamente – a realização de um evento deste porte deveria ser deixado para a população; a falta de investimento adequado na saúde e na educação; a corrupção, a má gestão… Enfim, todos esses problemas entraram também na pauta de manifestantes que iniciaram protestos, primeiramente, contra o aumento nas passagens de ônibus.

Os gastos com a Copa do Mundo motivaram manifestações no final de semana em Brasília, no Rio de Janeiro; protestos prontamente reprimidos pela Polícia Militar. O que chama a atenção são as respostas dos dirigentes do futebol brasileiro e mundial para o que está ocorrendo no Brasil. As informações revelam o que há de mais anacrônico e ultrapassado; como se estivéssemos parados no tempo, nos anos 70.

Repriso aqui o que eles disseram sobre as manifestações contra os gastos com a Copa do Mundo (Fonte: Estadão):

Joseph Blatter – Presidente da Fifa: “O futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas.”

Marco Polo Del Nero – Presidente da FPF: “Foram quantos? Mil? Tem 199 milhões trabalhando e esses querendo atrapalhar.”

José Maria Marin – Presidente da CBF: “Seria preferível que toda a atenção estivesse voltada para o futebol e acho que essa é a preocupação de grande parte do povo brasileiro.”

Jerome Valcke – Secretário geral da Fifa: “Tenho certeza de que, se o Brasil ganhar a Copa, essas críticas vão desaparecer.”

O tempo dirá!

AFP

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Difícil controlar o sorriso diante da TV ao ver o envolvente toque de bola espanhol; a inteligência, a habilidade, a paciência, a precisão dos passes… Mais difícil ainda é compreender as vaias iniciais aos campeões do mundo, afinal de contas eles oferecem um espetáculo de enorme qualidade. O Uruguai quase não vê a bola. Difícil evitar uma pontada de inveja – inveja boa, embora já tenham me dito que inveja boa não existe. Sinto certo saudosismo. Lembro-me de 82, 86… De 70, pelo que aprendi e vi em tape. A Seleção Brasileira era assim, referência para o mundo. Volto à realidade e à certeza do que não somos mais. A Espanha faz o primeiro com Pedro; o segundo com Soldado, um bonito gol… Difícil não torcer para essa equipe. Preenche, de certa forma, um vazio no peito. De tão prazeroso vê-la jogar desejo mais e mais… (Neste instante, Suarez marca um belo gol de falta).

Concluo que quando o futebol é bonito e eficiente, vale a pena; dispensa apelos ufanistas ou truques para comoção popular. Ele se basta, sem esforço; pelo simples prazer de existir. E a gente torce, simples assim.

Pirlo

A Itália não tem um timaço como a Espanha, mas também joga bonito. Balotelli é o grande ídolo, porém Pirlo é quem apresenta futebol de encher os olhos. A bola sempre passa por ele graças a sua capacidade de organizar e criar jogadas. Sabe tratar a redonda com carinho. Um espetáculo à parte.

 

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

A abertura da Copa das Confederações foi marcada pelo confronto entre manifestantes e policiais; por ativistas presos; vaias para a presidente Dilma e Joseph Blatter, presidente da Fifa, que constrangido chegou a pedir fair play aos torcedores no estádio Mané Garrincha; e pela melhora do  jogo da seleção.

Num gramado feio, destoando do restante do bonito estádio Mané Garrincha, o Brasil fez um gol logo de cara com Neymar, mas não apresentou performance capaz de encantar o torcedor. Melhor armado taticamente, o Japão até controlou o jogo na segunda metade da primeira etapa, enquanto o time de Felipão não encontrava caminhos pra pressionar e chegar com perigo à meta rival.

A situação para os brasileiros melhorou no segundo tempo, quando Paulinho logo aos dois minutos, fez um bonito gol e ampliou. Daí em diante, a seleção administrou o resultado, tocou a bola, fez o tempo passar até que no último minuto, numa bela jogada de Oscar – de longe, o mais lúcido deste time – Jô recebeu pra definir: Brasil 3 a 0.

Além de Oscar, Paulinho também merece reverência pela presença ofensiva e pelo faro de gol. Neymar ainda não é aquele com o qual nos acostumamos e esperamos ver na seleção, porém segue evoluindo. Quem sabe nos próximos jogos? Que assim seja!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

De uma única vez, a seleção brasileira quebrou dois tabus hoje contra os franceses: venceu uma seleção campeã do mundo depois de quase quatro anos, e voltou a vencer a França depois de 21 anos. Mais importante, entretanto, é o efeito psicológico desta vitória; triunfo pra resgatar a confiança perdida com os insucessos recentes – em seis jogos no ano, o Brasil havia vencido apenas a Bolívia. O feito merece comemoração, porém não deve trazer ilusões.

O primeiro tempo da seleção brasileira contra a França não foi bom. Embora o time de Felipão tenha ficado mais tempo com a bola, os franceses eram mais objetivos e chegavam com maior rapidez ao ataque. A qualidade técnica dos azuis – celestes desta vez – era superior à brasileira.

No segundo tempo, o Brasil apresentou um pouco mais de coragem, avançou com mais veemência, e abriu o placar com Oscar, depois de uma roubada de bola de Luis Gustavo, logo no começo da etapa. E sem encantar, chegou ao segundo com Hernanes e ao terceiro com Lucas cobrando pênalti sofrido por Marcelo.

O resultado soa empolgante, mas a performance apresentada em campo ainda não dá margens pra empolgação. A seleção carece de criatividade – muito dependente de Oscar – e de maior compactação quando sem a posse de bola. Individualmente não há muito mais o que destacar. Neymar, o ídolo maior, segue devendo. Está longe do brilho de um jogador aspirante ao posto de melhor do mundo.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Não foi desta vez. A seleção não vence uma grande seleção há quase quatro anos. A última vitória contra um time de respeito aconteceu em novembro de 2009, contra a Inglaterra, mesma adversária da tarde deste domingo.

Até que no primeiro tempo, a seleção de Luis Felipe Scolari deu sinais de que poderia quebrar o tabu. Teve mais de 60% de posse de bola, dominou as ações e criou oportunidades de marcar. Verdade que o time inglês se manteve acovardado, fechado atrás, à espera de um contra-ataque.

No segundo tempo, o quadro se repetiu nos primeiros quinze minutos, tempo necessário para que Fred, sempre oportunista, se posicionasse no lugar certo pra pegar o rebote do travessão, após belo arremate de Hernanes.

Com a inferioridade no placar, a Inglaterra se posicionou mais à frente, foi pro jogo e não encontrou dificuldades pra empatar e virar com Chamberlain e Rooney – este um golaço.

Quando a derrota parecia certa, um lindo chute de primeira de Paulinho, após cruzamento de Lucas, deu números finais à partida: 2 a 2.

O empate com os ingleses foi o quarto em seis jogos na nova era Felipão. Nos outros dois, uma vitória sobre a inexpressiva Bolívia e uma derrota para a Inglaterra em Londres. No próximo domingo, outro adversário top, a França. Que a seleção possa jogar o suficiente pra reconquistar o prestígio perdido. A falta de confiança do torcedor está refletida na perda de autoconfiança deste time que ainda não aprendeu a vencer.

Foto: Evaristo Sá/AFP

Foto: Evaristo Sá/AFP

A rodada de estreia nem bem acabou, e cá estou escrevendo. Hoje, mais que um exercício jornalístico – que me garante o ganha-pão -, trata-se de um desabafo. Espero que você, caro leitor, compreenda-me.

É com certa tristeza que vejo o início do Campeonato Brasileiro. Nada a ver com a competição, a maior do país, e que conta com meu sincero respeito. É minha admiração por ele que gera tal tristeza. Na verdade, a falta de atenção dos dirigentes para com seu principal produto que me causa também espanto e revolta. Não por acaso, eles estão na Europa, onde apreciaram um torneio valorizado e organizado de fato: a final da UEFA Champions League.

Enquanto isso, o Brasileirão, como nos anos anteriores, começou meio torto no calendário, sem qualquer promoção e cheio de indefinições. Em vez de apresentar os craques que vão lutar pela desejada taça, o campeonato começa com despedidas. Neymar disse adeus na primeira rodada, num insosso zero a zero com Flamengo; Paulinho, do Corinthians, pode fazer o mesmo nos próximos dias; e tantos outros podem sair porque os “gênios” ainda não entenderam que o torneio está mal inserido no calendário. Poucos sabem como o time vai começar e tampouco como vai terminar; quem vem, quem vai… Triste, muito triste!

Pelo equilíbrio na disputa, o Brasileirão poderia ser grande atração não só no Brasil, como também na maior parte do mundo,  caso fosse, claro, bem organizado e promovido. Bato na mesma tecla ano após ano, mas como bom brasileiro não desisto nunca e quiçá dias melhores venham. Nós merecemos!

AFP

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O Borussia bem que tentou. Foi melhor no primeiro tempo e não merecia o castigo de tomar um gol aos 44 do segundo tempo, após 89 minutos de uma elogiável entrega tática. Por outro lado, inegável a qualidade do Bayern, dono de uma campanha impecável na Liga dos Campeões. Desde a derrota para o Arsenal, em casa, nas oitavas-de-final, o Bayern só venceu; duas vitórias sobre a Juventus nas quartas, e duas goleadas sobre o Barcelona nas semifinais; além, é claro, da vitória na decisão contra o rival Dortmund. Um título que coloca o Bayern em novo patamar no planeta bola. ainda vai disputar o Mundial de Clubes da Fifa em dezembro, mas já pode ser considerado, de fato, o melhor do mundo.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O Corinthians correspondeu às expectativas e ratificou a força de seu elenco com a conquista do Campeonato Paulista. Na decisão contra o Santos foi melhor nas duas partidas e mereceu ficar com a taça; mais uma do maior vencedor da história do torneio – esse é o 27° título.

A festa do Paulista não apaga a dor da eliminação diante do Boca, na última quarta-feira, mas ameniza. Comprova o acerto do trabalho de Tite e companhia – já campeões do Brasil, sul-americano e do mundo -,  e gera motivação para o que ainda está por vir. Tem Copa do Brasil e Campeonato brasileiro, torneios que levam novamente à Libertadores. E o Corinthians, desde já, é favorito.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Boca Juniors fez taticamente uma bela partida. Sob o comando de um magnífico Riquelme em campo e o mestre Bianchi fora dele, o time argentino criou sérios problemas para o Corinthians no primeiro tempo. Marcou o time corintiano como se não houvesse amanhã, enquanto Roman teve liberdade pra criar. E saiu dos pés dele a abertura do placar; um chute de rara felicidade que surpreendeu o goleiro Cássio que estava adiantado.

O maior adversário do atual campeão da Libertadores, porém, não foi o bom Boca, mas definitivamente a arbitragem. Juiz e auxiliares foram fundamentais no resultado. Pelo menos três erros mudaram o rumo da partida. O primeiro deles, um pênalti não marcado de Marín que tirou Émerson da jogada logo aos oito minutos ao colocar a mão na bola – o lateral já tinha amarelo e seria expulso; Carlos Amarilla, de quebra, ainda deu amarelo ao atacante corintiano por reclamação. O segundo foi protagonizado pelo auxiliar Rodney Aquino, aos 23, quando Romarinho em condição legal marcou para o Corinthians – ele assinalou impedimento. E o terceiro, outro pênalti, já no final da partida quando Émerson foi empurrado dentro da área. Paulinho também teve um gol anulado, esse corretamente, uma vez que o meio-campista empurrou Orión antes de definir.

Há muito eu não via uma arbitragem tão caótica. Por outro lado, também nunca vi em território brasileiro comportamento tão bonito de uma torcida depois de uma eliminação. O que a Fiel fez no Pacaembu após o jogo foi de arrepiar. Um reconhecimento raro e estimulante. O Corinthians deixa a Libertadores triste, mas de cabeça erguida.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O cenário era favorável. Casa cheia, torcida animada, time raçudo. Até que Bruno tomou um gol daqueles de dar dó. Bola fraca, despretensiosa, fácil; tão fácil que lhe escapou das mãos e deixou desolado um Pacaembu que até então era festa. A torcida sentiu o baque, e o time também. As limitações técnicas, antes compensadas pela disposição em campo, se tornaram ainda mais evidentes.

O quadro piorou no segundo tempo quando Arce acertou um belo e forte chute de primeira pra marcar dois a zero. O Pacaembu se transformou num silêncio só. A torcida só acordou quando o árbitro marcou um pênalti duvidoso convertido por Souza. Renascia a esperança, mas ela se esvaiu rapidamente com o passar do tempo.

Não deu para o Palmeiras. É hora de pensar na Série B. Lá existe a obrigação de que tudo dê certo.