O melhor Palmeiras na temporada

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Uma falha de Rogério Ceni e uma atitude intempestiva de Rafael Tolói , ainda no começo do jogo, abriram caminho para uma bela vitória do Palmeiras sobre o São Paulo na linda arena palmeirense. Foi a primeira em clássicos nesta temporada e de maneira incontestável.  Por mais que as circunstâncias tenham favorecido, se viu muita qualidade na equipe comandada por Oswaldo Oliveira, tanto coletiva como individualmente.  Houve consistência tática e inteligência na criação das jogadas.  Inquestionável a evolução do time. Os 3 a 0 comprovam isso. Destaque pra Dudu – apesar de ter merecido ser expulso junto com o zagueiro são-paulino por desferir uma cotovelada no adversário -, Rafael Marques – autor de dois gols – e principalmente Robinho que, além de um golaço, participou ativamente da partida.

Já o São Paulo novamente padeceu da apatia vista contra corintianos e santistas. O abatimento de Muricy revela certa resignação diante do momento do time. Definitivamente faltam confiança e cabeça fria pra se impor diante das dificuldades. A expulsão do experiente Michel Bastos é outro exemplo de que, desta maneira, o Tricolor não vai longe.  

No sufoco!

 

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Que sufoco! Quando o jogo no Morumbi se encaminhava para o zero a zero, Michel Bastos, aos 44 do segundo tempo, apareceu com liberdade pra colocar a cabeça na bola e definir a importantíssima vitória são-paulina. Um prêmio a quem buscou o gol o tempo todo. O próprio Michel Bastos acertara a trave na primeira etapa, enquanto Luis Fabiano fez a bola beijar o poste no segundo. Foram poucas as oportunidades criadas, muito por conta do pragmatismo do atual campeão da Libertadores. O San Lorenzo fez o que se esperava dele. Se fechou lá trás com duas linhas de quatro bem próximas e sólidas, diminuindo os espaços para os avanços do time da casa. Pagou caro pelo conformismo. Agora vai ter que correr atrás, quarta que vem, em Buenos Aires, onde para o São Paulo um empate pode ser o passaporte para as oitavas-de-final.

Santos, o melhor!

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Palmeiras começou o jogo na Vila Belmiro como previu Oswaldo Oliveira na véspera: “não tem porque mudar, vamos jogar no ataque”. E assim os pupilos do professor o fizeram. Povoaram o campo inimigo e depois de uma sequência de quatro escanteios em sete minutos de jogo, Victor Hugo subiu o suficiente pra desferir uma cabeçada certeira. O gol revelava a supremacia palmeirense e criou a expectativa de que a vantagem poderia ser facilmente ampliada. Mera ilusão. Aos poucos, o Santos foi recuperando a confiança, assumiu o comando da segunda parte do primeiro tempo e aos 27, Renato foi à rede pra igualar as coisas na Baixada. Justo pelo que produziram as duas equipes.

Na volta pra etapa complementar, o Santos seguiu melhor e foi premiado com o belo gol de Ricardo Oliveira com direito a cavadinha pra encobrir o gigante Fernando Prass e definir a partida. O Palmeiras não teve forças e cérebro pra mudar o contexto. Já o Santos se mantém com a melhor campanha do Paulistão.

Corinthians é o segundo

A vitória sobre o São Bernardo na Arena Itaquera manteve o Corinthians com a segunda melhor campanha do Campeonato Paulista, mesmo com um jogo a menos. Resultado que mostra a força do elenco sob as ordens do técnico Tite. Com apenas três titulares em campo, o Timão venceu a sétima em oito partidas disputadas. É começo pra ninguém botar defeito. Nem o mais chato dos mortais.

 

No silêncio e na sorte

AFP

AFP

Poucas coisas na vida são tão chatas quanto uma partida de futebol com portões fechados. Parece ensaio e não o show de fato; ou melhor, jogo-treino e não uma partida oficial. Mas se esse é o preço a pagar pelo mau comportamento de uma torcida, que assim seja: azar do San Lorenzo, sorte do Corinthians.

Sorte que não faltou a Elias que errou o passe, porém contou com desvio adversário pra desferir um chute certeiro e, assim, colocar o time corintiano em vantagem. Gol solitário e decisivo. Tão decisivo quanto a sorte do goleiro Cássio, o melhor do jogo, que quando não conseguiu pegar a bola a viu morrer na trave.  O San Lorenzo  foi melhor, criou mais oportunidades e teve chances claras de marcar. Faltou o grito da torcida pra empurrar o time e a bola pra dentro. Também faltou a sorte que nesta noite sorriu para o Corinthians.  A sólida defesa montada pelo técnico Tite, desta vez, deixou a desejar no quase silencioso Nuevo Gasómetro. 

São Paulo sobrevive

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Um gol de Alexandre Pato, logo aos quatro minutos de jogo, tratou de já de cara amenizar a pressão sobre os jogadores são-paulinos que entraram em campo com a obrigação de vencer os uruguaios do Danubio. E coube a Pato, em sua melhor fase no São Paulo, aliviar de vez quando o ritmo do time já não era o mesmo do início. Não que o Danubio oferecesse grandes riscos, mas, de repente, numa bola espirrada, num erro qualquer, ou numa bola cruzada poderia chegar. Gol pra matar o jogo? A baixa qualidade de criação do campeão uruguaio indicava que sim. Bastaria ao Tricolor controlar a partida no segundo tempo, tocar a bola e deixar o tempo passar.

O que se viu no começo do segundo tempo, entretanto, foi o Danubio mais avançado, criando e acuando o São Paulo que mal chegava ao meio campo. Só aos 17 minutos, Luis Fabiano chutou com perigo na meta uruguaia. E aos 25, num chute de Reinaldo, que contou com o desvio do zagueiro, o caixão foi fechado de vez. O quarto gol de Jonathan Cafu já nem era necessário. No grupo da morte, o campeão uruguaio já está na UTI, sem atividade cerebral e respirando por aparelhos. O São Paulo, por outro lado, saiu do coma. A alta médica pode receber contra o San Lorenzo em dois jogos de arrepiar. O primeiro dia 18 de março no Morumbi. O importante é que está vivíssimo pra alegria da família são-paulina.

Vitória incontestável

 

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O leve favoritismo corintiano no confronto contra o São Paulo pela Libertadores já fora cantado durante a semana. O fator campo e o melhor acerto tático acenavam com maiores possibilidades do clube de Parque São Jorge. O que chamou a atenção, entretanto, foi a enorme superioridade do time comandado por Tite quando a bola rolou de fato na noite desta quarta-feira.

Desde o início, o que se viu foi um Corinthians avassalador.  Avançado, dificultava a saída de bola e criava sérias dificuldades para o rival. E o primeiro gol não tardou. Depois de uma bela troca de passes entre Danilo e Jadson, Elias que começou a jogada, de primeira, abriu o placar. Golaço! Não há como não enxergar o dedo do treinador corintiano nesta trama ofensiva cada vez mais comum neste início de temporada, com troca rápida de passes, envolvente e objetiva.

Mesmo com a vantagem, o Corinthians continuou dominando o meio campo e teve até chance pra ampliar com Gil. O São Paulo, por outro, não criou uma chance sequer. Teve uma bola que bateu na cabeça do Luis Fabiano após escanteio e só. Muito pouco pra quem esperava um time mais combativo e criativo. Ganso ficou preso na forte marcação corintiana e Michel Bastos que seria boa opção para o meio, se viu praticamente encaixotado na lateral esquerda. Faltavam profundidade e velocidade.

No segundo tempo, o quadro se repetiu. O Corinthians marcando saída de bola e pressionando o São Paulo. Muricy tentou mudar a cara do jogo com Reinaldo em lugar de Kardec, mas não deu certo. O time até teve posse de bola, mas criar que é bom, nada. Pra piorar, num erro do árbitro que ignorou um empurrão de Émerson em Denilson, o atacante progrediu e lançou Jadson pra marcar e matar o jogo aos 22 minutos. A interpretação da arbitragem vai render polêmica durante a semana, gerar reclamações, mas a superioridade corintiana não se discute. Fez 2 a 0 de maneira consistente e inquestionável. E poderia ter sido mais. Ficou barato! 

 

 

Fantasma exorcizado

AFP

AFP

O belo gol de Elias logo no começo do jogo confirmou o que todos já sabiam: o Corinthians está na fase de grupos da Libertadores da América. Se havia algum cuidado pra cravar o Timão na próxima fase, só mesmo por conta do que há de imponderável no futebol. De minha parte, como costumo dizer na bancada do Gazeta Esportiva, nem uma hecatombe seria capaz de tirar a vaga do time paulista. Definitivamente, o fantasma Tolima foi exorcizado.

A equipe que mais impressionou neste início de temporada, desta vez não foi tão brilhante. Com o gol logo no começo, somado ao elástico placar da primeira partida, os pupilos de Tite apenas administraram o jogo. Tocaram de lado, gastaram o tempo e não se abalaram como o gol de Arango na segunda etapa. A disciplina tática deste novo time comandado por Tite segue digna de elogios, embora Cássio, com boas defesas, tenha sido o nome do confronto fruto de um risco calculado – com gás reduzido por causa da altitude e com a classificação nas mãos, normal certo relaxamento. Não fosse a goleada construída em Itaquera, a postura em Manizales seria mais ousada.

O Corinthians vai com moral para a estreia na fase de grupos contra o rival São Paulo

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Rival

O São Paulo não foi além de um empate com o Santos na Vila Belmiro. Rogério Ceni teve atuação destacada ao fazer uma sequência incrível de defesas. O veterano quarentão segue dando conta do recado à frente do gol são-paulino.

A estreia contra o Corinthians, quarta que vem, pela Libertadores promete ser de arrepiar. Rivais de longa data, é a primeira vez que brigam no torneio continental.

Deu a lógica

Foto: FADEL SENNA/AFP

Foto: FADEL SENNA/AFP


“Apertado”, Felip o deixa Thiago Silva iniciar reconhecimento de gramado | GE.Net na Copa

O San Lorenzo de Almagro não foi páreo para o Real Madrid, embora tenha feito exatamente o que se esperava dele: marcou com afinco, diminuiu os espaços e construiu um paredão pra anular as investidas do supertime espanhol. A estratégia funcionou por 36 minutos, até que na bola parada, após um escanteio, o sempre decisivo Sergio Ramos meteu a cabeça na bola pra marcar e justificar o favoritismo madrilenho.  

A situação ficou pior quando o goleiro Torrico falhou no chute fraco de Bale logo aos cinco minutos da etapa final. Se havia alguma esperança de o time argentino conseguir algo, ela ruiu quando a bola lentamente cruzou a linha do gol sob olhar desnorteado do arqueiro argentino.  Daí pra frente o Real calmamente ditou o ritmo, administrou a vantagem, enquanto o time de coração do Papa tentava em vão compensar na vontade a nítida limitação técnica.

Pela primeira vez, desde que o torneio foi criado pela Fifa, o Real Madrid fica com o título de campeão do mundo. A alegria da conquista, porém, nem foi tão efusiva se comparada com a decepção do time argentino. Houve mais lágrimas nos olhos dos atletas do San Lorenzo que sorrisos nos jogadores do Real. Pelo menos até o momento de receber a taça para o registro das imagens que vão ficar para a história e que revelam o mundo nas mãos madridistas.

Graças aos Santos!

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A torcida palmeirense compareceu, cantou, apoiou, mas o time não correspondia aos cânticos que vinham das cadeiras da nova arena. Valdívia, o mais lúcido da equipe, enquanto teve fôlego, como um regente, ditava o ritmo, mas os membros da orquestra atravessavam. O zagueiro Lúcio, apesar de veterano, errava na frente e atrás. E numa dessas desafinadas do zagueiro, o Atlético fez um a zero na bola parada, segundos depois de uma oportunidade perdida.

O caos se desenhava quando a arbitragem resolveu dar uma força. O empate palmeirense só aconteceu por conta de mais uma falha de interpretação na questão bola na mão, mão na bola que tanto estrago já fez nesta edição do Campeonato Brasileiro. A bola bateu no braço do zagueiro atleticano, por trás, e o assistente marcou. Pênalti inexistente que Henrique converteu com tranquilidade.

Depois do empate, o Palmeiras se acalmou um pouco. Mas calma não significa qualidade. O futebol da equipe seguia sofrível, enquanto o time de garotos do Atlético criava as melhores chances e esteve bem mais próximo do segundo gol do que o rival.

No segundo tempo, o Palmeiras melhorou, esteve mais presente na área adversária, porém longe do suficiente pra vencer a partida, resultado que o livraria do rebaixamento. O time só escapou porque Vitória e Bahia são ainda mais incompetentes. Foi ali, na raspa do tacho. 

Que sirva de lição. Paulo Nobre deve agradecer ao Santos a nova chance de reconduzir esse clube ao lugar de onde jamais deveria ter saído. O clube merece há tempos uma gestão à altura de sua história rica em títulos e orgulho.

Adeus título!

 

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O São Paulo começou pressionando o Nacional, mas esbarrava na forte marcação armada pelo time colombiano. Com a dificuldade de penetração, na bola parada surgiu o gol. Paulo Henrique Ganso, de falta, abriu o placar logo no começo do segundo tempo. Com a vantagem, os espaços foram surgindo e o time paulista só não aumentou a vantagem porque a trave não deixou. Ela barrou os chutes de Kaká e de Luis Fabiano em lances que dariam a classificação com facilidade.

Apesar do esforço e do bom futebol apresentado, especialmente na metade final da partida, não foi possível evitar os pênaltis e nas penalidades , no escorregão de Alan Kardec e na imprecisão de Rafael Toloi, se foi a chance de fechar a temporada com um título. Agora é pensar em 2015, provavelmente sem o capitão Rogério Ceni.  

 

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

Festa atleticana

Justiça feita na Copa do Brasil ao melhor futebol do torneio. O Atlético Mineiro recebeu a taça que coroa uma campanha fantástica, com direito a vitórias épicas como nos  4 a 1 contra o Corinthians e o Flamengo, pelas quartas e semifinais respectivamente.  Além, é claro, de na decisão ter superado o maior rival da história do clube, dono de um time muito forte e, não por acaso, atual bicampeão brasileiro. O Galo foi melhor nos dois jogos da decisão contra o Cruzeiro e mereceu o título inédito. Ficou com a taça e, de quebra, carimbou a faixa do rival. Realmente não faltam motivos pra celebrar. Essa madrugada vai ser longa para os atleticanos. Parabéns ao Galo!