Com todos os méritos!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Como poucas vezes acontece no futebol, o pequeno derrubou o grande contrariando a lógica e as previsões nada favoráveis. O Ituano sempre foi a surpresa. Contra o Palmeiras nas semifinais, quando venceu a primeira da final contra o Santos e, não obstante, na decisão de hoje apesar da vantagem obtida na ida.

No primeiro tempo, diante de um Santos não muito inspirado, o Ituano parecia mais interessado em catimbar e segurar o jogo, ratificando sua condição de “pequeno”, até que foi punido com um pênalti discutível nos acréscimos. Parecia que a lógica iria prevalecer no Pacaembu com mais de 30 mil santistas. Na segunda etapa, entretanto, a conversa do jovem professor Doriva com seus alunos surtiu efeito. O Ituano resolveu jogar como gente grande. Foi pra cima, tocando a bola e envolvendo o rival. Esbarrou em suas limitações ofensivas mas fez o suficiente para levar a decisão para os pênaltis. E nos pênaltis…  Bom, você já sabe, Ituano campeão! Com a justiça que premia os valentes. Um time que fez do conjunto sua grande arma e se superou em dois jogos, o que até duas semanas atrás parecia pouco provável. O Santos, é verdade, não fez por merecer melhor sorte, fato que nem de longe tira o mérito do clube do interior!

Parabéns, Ituano! E repito aqui: “nada como um dia após o outro”

Finais no Pacaembu. Pior para o Ituano!

Reunião do conselho técnico da Federação Paulista

Reunião do conselho técnico da Federação Paulista (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Dois jogos no Pacaembu para Santos e Ituano por determinação da Federação Paulista de Futebol e contra a vontade dos clubes cujos presidentes, pelo menos publicamente, manifestaram o interesse de se fazer um jogo no interior e outro na baixada. É chover no molhado reclamar do prejuízo técnico. Já o fiz dois anos atrás quando o mesmo Santos decidiu o título contra o Guarani em dois jogos no Morumbi. Do ponto de vista financeiro, pode fazer sentido; para o esporte, entretanto, nenhum. É indiscutível a desvantagem  da equipe de Itu que, a partir da decisão da FPF, tem reduzidas as suas chances de conquistar o título. Na prática, serão dois jogos fora de casa, ainda mais se considerarmos que, apesar da divisão da renda em partes iguais, aos torcedores do Ituano só serão destinados 15% dos ingressos. Alguém pode lembrar-me que esse mesmo Ituano eliminou o Palmeiras no palco escolhido para a decisão do Paulista. “Num jogo só”, respondo. Em dois, a situação é diferente. Pode-se dizer que terá o dobro da dificuldade. Mais justo seria se o Ituano fizesse o primeiro jogo em sua casa. Mas o ideal nunca foi o objetivo dos dirigentes do futebol paulista. Pelo menos não o esportivo.

Deu zebra!

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dos confrontos válidos pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista, pertencia ao São Paulo o maior favoritismo.  O Penapolense, dos oito classificados, era o time de pior campanha. Faz sentido. Uma questão lógica. Porém, lógica e futebol nem sempre combinam. O que se viu no Morumbi, foi mais um exemplo disso. O time comandando pelo ex-santista Narciso, diante da torcida são-paulina, foi aguerrido, superou as limitações técnicas diante de um rival mais qualificado com forte marcação e boa dose de disciplina tática. O Penapolense conseguiu segurar um inexpressivo São Paulo até o final. Nos pênaltis, depois de um suado zero a zero, mostrou que estava preparado e esbanjou precisão; acertou as cinco cobranças, enquanto  Rodrigo Caio errou pelo Tricolor. Pelo que apresentou no jogo, o Penapolense chega pela primeira vez na história às semifinais do Paulistão com toda justiça.

Santos sem sustos

Nas semifinais, o Penapolense enfrenta o Santos que, sem dó ou piedade, goleou a Ponte Preta na Vila Belmiro. Na outra semifinal, o surpreendente Ituano se garantiu ao vencer o Botafogo em Ribeirão Preto, nos pênaltis, após um zero a zero no tempo regulamentar. O adversário do time de Itu sai do jogo de amanhã entre Palmeiras e Bragantino. A lógica aponta o favoritismo palmeirense. Mas depois de hoje no Morumbi, vai saber. Melhor esperar!

A afirmação de Guardiola

AFP

AFP

Se havia alguma dúvida, em algum momento, sobre a competência de Pep Guardiola ela foi definitivamente dissipada na tarde desta terça-feira. Claro que a conquista de mais um título nacional pelo Bayern não é novidade, mas a maneira como foi conquistada a taça merece atenção. Os números são conhecidos de todos e impressionantes: 25 vitórias e dois empates em 27 rodadas – sete rodadas de antecedência; 19 vitórias seguidas.  Foi o segundo título da Era Guardiola – o primeiro foi o Mundial de Clubes da Fifa em dezembro, no Marrocos.

Quando assumiu o Bayern,  Pep encontrou um time muito bem montado, campeão nacional e campeão europeu. Era um desafio para o treinador que se destacou naquele vencedor Barcelona que segue brilhando até hoje. Digo desafio, porque o clube catalão foi o único onde brilhou o espanhol.  À frente do Bayern, Guardiola repetiu o feito. Conseguiu melhorar um time que já havia adquirido o status de melhor do mundo. A posse de bola, a troca de passes verticais em velocidade e a agressividade intensa deixaram o Bayern ainda mais forte, dedo de um técnico que definitivamente se consolida na elite mundial dos treinadores.

E o Bayern pode conquistar outras taças nos próximos dias. Se a ideia de Guardiola é repetir o que fez no Barcelona onde conquistou 16 títulos em quatro anos, é só o começo.

Acabou o jejum!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Por conta da rivalidade, na prática, a maior do Estado hoje, Corinthians e São Paulo fizeram um bom jogo. O time corintiano começou melhor e logo aos nove minutos encontrou o gol contra de Antônio Carlos, após cruzamento do bom meia-atacante Luciano. A partir daí então, o Corinthians recuou. Marcava bem e especulava alguma coisa no contra-ataque. Sentindo o medo do rival, o São Paulo cresceu, se impôs e chegou ao empate num lindo chute de Paulo Henrique Ganso. Foi um daqueles gols pra você rever incansavelmente infinitas vezes. Um prêmio ao time que mais buscava o jogo e um justo castigo à covardia corintiana.

Na segunda etapa, com Guerrero no lugar de Renato Augusto, o Corinthians acenava com nova postura, mas não houve tempo pra mostrar a agudez necessária. Luis Fabiano tratou de virar o jogo logo aos cinco minutos, comprovando a boa fase, uma das melhores desde que o atacante chegou ao clube.

Por outro lado, Antônio Carlos vivia uma tarde pra ser esquecida. Novo cruzamento pra área, desta vez de Paolo Guerrero, e o zagueiro desviou contra, mais uma vez. Artilheiro do clássico nestas circunstâncias é um pecado, afinal, trata-se de bom defensor.

O jogo estava mais aberto nesta altura. As duas equipes buscavam o gol quando, aos 34 minutos, Rodrigo Caio foi feliz ao cabecear a bola cruzada por Oswaldo e deixar o Tricolor, de novo, na frente.

Faltando 10 minutos pra terminar a partida, Mano resolveu ousar. Sacou Bruno Henrique e mandou Danilo a campo. Mas a contusão de Guerrero, aos 40 minutos, estragou os planos do treinador. Como já tinha feito as três substituições, o Corinthians teve de encarar o rival com um a menos. Aí ficou difícil. Melhor para o São Paulo que fez por merecer a vitória e finalmente encerrou um jejum de 12 jogos sem vitórias em clássicos. Foi um grande jogo, à altura da tradição desses clubes.

Prontos para a Copa

 

 

Foto: Jefferson Bernardes/Vipcomm

Fernandinho é cumprimentado por Luiz Gustavo e Rafinha após marcar gol

A 99 dias da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira se mostra pronta para a disputa do Mundial. Contra a África do Sul, o time comandado por Luiz Felipe Scolari goleou com a autoridade de um sério candidato ao título. O treinador conseguiu aquilo parecia quase impossível um ano atrás. Resgatou a confiança e deu a esse grupo sentido de unidade e espírito de equipe. Enquanto Neymar – hoje autor de três dos cinco gols brasileiros – posa como protagonista, a força de conjunto desta equipe é inquestionável. Felipão sabe de cor não só os 11 titulares, como as opções, muito boas, para mudar o cenário de um jogo.

Dos testes feitos nesta quarta-feira, Fernadinho, não só pelo belo gol marcado, mas pela versatilidade apresentada, mesmo que discretamente, deve ter descolado um lugar na “família Scolari”. Rafinha foi apenas discreto, talvez não tenha apresentado o suficiente pra ganhar o lugar de Maicon.

A lista final para a Copa do Mundo será divulgada dia 07 de maio e, com certeza, sem qualquer surpresa.  

Clássico sem graça

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O zero a zero no placar refletiu bem o que foi o clássico no Morumbi. São Paulo e Santos deixaram a desejar do ponto de vista técnico. Uma sucessão de passes errados e jogadas mal concluídas transformaram o jogo num arremedo de partida, muito aquém da tradição do famoso sansão. O público de 16 mil pessoas também foi decepcionante. Talvez os torcedores não esperassem mesmo algo melhor o suficiente pra tirá-los de casa.

Rogério Ceni pode ser o considerado o nome do jogo. Primeiro por falhar duas vezes na saída de bola, ainda no primeiro tempo, e depois por fazer uma defesa milagrosa num cabeceio de Leandro Damião.  Paulo Henrique Ganso, preterido por Muricy Ramalho, entrou nos minutos finais, mas pouco fez pra melhorar a qualidade do meio-campo são-paulino. Do lado santista, esse menino Geovânio tem futuro, embora pareça ter se intimidado diante dos marcadores, em especial o uruguaio Álvaro Pereira. Leandro Damião merece crédito e deve se encaixar no time com a sequência do trabalho. Vale a aposta!

Enfim, vitória!

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Depois de quase um mês, enfim, o Corinthians conseguiu vencer. Uma vitória sem muito brilho, mas com pontos positivos.

Foi grande o susto, quando aos dois minutos de jogo, o Oeste fez um a zero em São José do Rio Preto. O atual campeão paulista, abalado com a má fase, sentiu o golpe e, apesar da maior qualidade técnica em relação ao rival, dava sinais de que seria difícil uma reação. Em quase 30 minutos de jogo, o time de Mano Menezes quase nada criou, até que Jadson tocou o calcanhar na bola pra Romarinho driblar o marcador e fazer um bonito gol de fora da área. Questionado pela torcida neste início de temporada, o atacante está conseguindo resgatar o prestígio perdido com muita personalidade e, claro, gols – já é o artilheiro do time no ano.

Com o empate, o Corinthians recuperou a confiança e virou a partida ainda no primeiro tempo, em outro belo chute de longa distância, desta vez de Jadson, um dos destaques da equipe. A propósito, nem parece que esse foi apenas o segundo jogo do meia com a camisa corintiana. Fisicamente ainda há o que evoluir, mas o novo dez do Timão sente-se em casa. E com ele, o Corinthians ganha em criatividade e velocidade. Ele pensa e joga rápido, como um meio-campista moderno deve fazer. Nada de firulas sem objetividade ou aquela irritante mania de prender a bola quando o que se espera é que ela corra. Ele pode ser o maestro da reação que a fiel espera.  E, de fato, com ele em campo, o time de Mano já tem outra cara. 

“Ou joga por amor ou joga por terror”

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Algumas situações se repetem e ainda deixam estupefatos aqueles que se recusam a resignar-se com a insensatez e inevitável sensação de impunidade. A invasão de centena de uniformizados, no último sábado, no Centro de Treinamentos do Corinthians, revela o caos no qual estão mergulhados, não só o futebol, mas também o País.

Há uma sucessão de erros e uma estrondosa confusão entre o que é o direito de manifestar-se e o vandalismo que configura crime.  Nada justifica esse “poder” que as organizadas julgam ter. Um poder primitivo, da força em detrimento da sensatez. Os cânticos, como o que, infelizmente, serve de título para este post, revelam o nível bárbaro destes integrantes.  Nem mesmo as regalias concedidas por dirigentes, ora reféns, ora cúmplices, ora aproveitadores desta situação; ou a impunidade que reina como um mal impossível de ser convertido. Vê-los saindo tranquilamente diante de policiais, depois das agressões a funcionários, da depredação ao patrimônio, dos furtos (ou roubos), e das intimidações aos jogadores e membros da comissão técnica cria a sensação de que o Brasil não deu certo. Não é a primeira vez, e parece que não será a última, a não ser que algo seja feito urgentemente.

Com a palavra a Secretaria de Segurança Pública, os clubes e os jogadores – de preferência representados por um sindicato ou uma associação como o Bom Senso FC.  Já passou da hora de sair da inércia e mergulhar na resolução do problema. A Copa do Mundo está chegando e nada mudou. Sábio Geraldo Vandré: “… Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Foi dada a largada!

Não, não vou repetir a ladainha de todos os anos e lamentar os equívocos do calendário ou as mirabolantes fórmulas do Campeonato Paulista. Como dizem no dia-a-dia, é chover no molhado.  Todos sabem a real situação do futebol brasileiro, e o Bom Senso FC assumiu o protagonismo da questão, desfazendo a ideia de que a crônica esportiva pregava no deserto.

 Boa estreia de Mano

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com bola rolando, destaque para a vitória corintiana sobre a Portuguesa no primeiro clássico do Paulistão. Ainda é cedo pra uma análise mais precisa, mas neste primeiro jogo ficou a sensação de que o Corinthians sob o comando de Mano Menezes tende a ser mais rápido e agressivo. Dominou a Lusa enquanto teve fôlego e mereceu a vitória por 2 a 1, placar construído no primeiro tempo.  Romarinho foi o melhor do time pelo que fez nos 45 minutos iniciais; se apresentou, buscou o jogo, encarou as jogadas individuais e foi premiado com o primeiro gol da partida.

São Paulo começa mal

Em Bragança Paulista, o São Paulo não conseguiu superar o Bragantino. Parece repetir os mesmos problemas da temporada anterior. Faltam criatividade e poder de marcação para os pupilos de Muricy Ramalho. Não fosse a arbitragem, poderia ter sido mais que os 2 a 0 finais. Se “aqui é trabalho”, como costuma dizer o comandante são-paulino, a temporada promete mesmo ser trabalhosa.

Santos e Palmeiras na frente

No sábado, Santos e Palmeiras começaram bem no Paulistão. Para o Peixe, o jogo contra o XV Piracicaba foi tranquilo, apesar da aposta de Oswaldo Oliveira nos garotos. O menino Gabriel fez um, poderia ter feito outro e merece atenção.  Já o Verdão teve mais trabalho diante do Linense. Chegou a ser vaiado, mas o importante é que venceu. Mazinho foi o melhor do jogo.