Noite incrível define final mineira

 

Fernando Dantas/Gazeta Press

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Foi uma noite daquelas, cheia de alternativas. Pra quem ama o futebol por tudo o que ele tem de imponderável, a quarta-feira foi mágica.

Na Vila Belmiro, o Santos botou fogo no jogo com gol de Robinho logo aos dois minutos. Era o melhor que poderia acontecer ao time praiano pra ganhar confiança e botar pressão no rival mais qualificado do futebol brasileiro. Nem o empate sofrido minutos depois parecia impedir os santistas de construírem uma jornada vencedora. Gabriel e Rildo fizeram os gols que deixavam a equipe na decisão. Mas Willian, em noite inspirada e aguerrida, tratou de marcar duas vezes para deixar o Cruzeiro na final. Um empate com sabor de vitória pra coroar o ótimo trabalho do técnico Marcelo Oliveira.

 

Washington Alves/Vipcomm

Washington Alves/Vipcomm

Atlético histórico

Contra todos os prognósticos, contra a lógica, contra tudo e contra todos, o Atlético, assim como fez na conquista inédita da Libertadores da América no ano passado, faz história com viradas impressionantes e inacreditáveis nesta edição da Copa do Brasil. O Galo repetiu o que fez com o Corinthians dias atrás e goleou, depois de começar perdendo para  um pragmático Flamengo que só acordou pro jogo quando tomou o quarto gol, em Belo Horizonte. 4 a 1 pra não deixar dúvidas e pra levar à loucura a fanática torcida do Galo. Louco também é observar a expressão de incredulidade de Levir Culpi após nova façanha. Como ele mesmo disse depois do jogo “tem coisas que só acontecem no Atlético”. 

Uma final mineira com muito gosto. De um lado o regular e fortíssimo Cruzeiro e de outro um time raçudo que não se entrega jamais. Vai ser de arrepiar!

AFP

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São Paulo no sufoco

A pressão foi enorme em Guayaquil. Gol relâmpago, dois pênaltis no começo do segundo tempo e não fossem a trave e Rogério Ceni o São Paulo não teria avançado para as semifinais da Copa Sul-Americana. A derrota por 3 a 2 para o Emelec  foi no limite, na raspa do tacho. Agora é respirar e esperar pelo próximo adversário.

 

São Paulo decepciona

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

O São Paulo não fez o suficiente pra merecer um resultado melhor do que o zero a zero com a Chapecoense em Santa Catarina. Se o jogo teve o mínimo de emoção, ela se deve ao ímpeto dos donos da casa que buscaram o gol na maior parte do tempo. Já o time paulista frustrou aqueles que ainda acreditavam na possibilidade de a equipe brigar pelo título. Com o tropeço do Cruzeiro diante do Palmeiras, foi criada a expectativa, mas ela parou na falta de atitude são-paulina.

Corinthians volta ao G4

Dos paulistas, o Corinthians é o time que se deu bem na rodada. Venceu e galgou duas posições na tabela de classificação. Agora é terceiro, posição que coroa a boa apresentação diante do Vitória. De fato, foi uma equipe muito mais objetiva e envolvente se comparada com o que foi mostrado nas últimas rodadas. O resultado minimiza a crise pós-eliminação na Copa do Brasil e dá moral para o clássico contra o Palmeiras no próximo sábado.

 Palmeiras que sofreu um duro castigo ao ver a surpreendente vitória sobre o Cruzeiro em Belo Horizonte escapar nos acréscimos da partida. Mesmo assim, apesar das circunstâncias, o empate não foi de todo ruim. Se na tabela da classificação o time permanece perto da zona da degola, do ponto de vista emocional fica a sensação de que esse time tem todas as condições de exorcizar esse fantasma e, de imediato, encarar o maior rival de igual para igual.

Pra fechar, o Santos. A derrota para o Fluminense, em casa, comprova a irregularidade deste time que deve terminar o campeonato na zona intermediária.  Nada surpreendente. Não há porque esperar algo melhor.  

Justo castigo

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

O estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, palco dos fatídicos sete a um da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo – sim, inevitável não lembrar e quem dera pudesse esquecer – abrigou um dos mais emocionantes jogos da temporada. Atlético Mineiro e Corinthians protagonizaram uma partida eletrizante por um lugar nas semifinais da Copa do Brasil. Nem tanto pelo time paulista que saiu na frente numa bola esticada da defesa para o ataque que Guerrero, o melhor corintiano no momento, transformou em gol logo nos primeiros minutos. Era tudo que o Corinthians queria, uma vez que só seria eliminado se sofresse quatro gols. A classificação parecia certa e aí, ironicamente, passou a morar o perigo. A vantagem não fez bem. O time, a partir daí, se acomodou e passou a assistir ao Atlético jogar.

Aos poucos, e com o apoio da torcida – que aos berros de “eu acredito” empurrava o time, os donos da casa foram ganhando confiança e fizeram por merecer a virada ainda na primeira etapa, principalmente pela eficiência do meia Guilherme que fez o cruzamento para o gol de Luan e foi o autor do segundo, o da virada.

Guilherme, o melhor em campo, ainda faria o terceiro pra levar o Mineirão à loucura. Atordoado, o Corinthians permanecia na condição de expectador e foi devidamente castigado pela falta de atitude. Edcarlos, aos 42, pôs fim na agonia atleticana e garantiu a vaga à equipe que  lutou até o fim.  A vitória lembrou a campanha do time mineiro na Libertadores do ano passado quando terminou campeão: Virada na raça e na força da torcida. Aos corintianos resta o ônus da decepção. Não vai ser nada fácil juntar os cacos desta inesperada eliminação. A crise volta a bater na porta e os próximos dias serão de alta tensão.  

“Racistas viados!”

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi no mínimo curioso ouvir as provocações de alguns palmeirenses aos gremistas que compareceram ao Pacaembu para assistir ao jogo de ontem: “racistas viados!”, gritavam eles em bom número. Ora, não deixa de ser uma triste contradição. A resposta ao preconceito carregada de outro preconceito não menos grave. Sei que muita gente vai falar que isso é inerente ao futebol, que não há objetivo outro senão provocar, mas devo dizer que está longe de ser aceitável. Em tempos em que se discute a criação de uma lei que considera a discriminação homofóbica crime igual ao do racismo, o futebol não pode ser encarado como um universo à parte. Trata-se de uma extensão da sociedade de modo que as leis que valem fora do estádio também valem dentro. Além do mais, a boa educação deveria reinar em qualquer ambiente.

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Também chamou a atenção a bronca de boa parte dos palmeirenses contra o treinador gremista Luis Felipe Scolari. Pois é! No Palestra Itália, Felipão foi o técnico do mais importante título da história do clube – a Copa Libertadores da América de 1999 – e também do último – a Copa do Brasil de 2012. Merecia reverência e respeito pelo passado escrito naquelas alamedas, apesar do fiasco à frente da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e nos últimos dias dele no Palestra. Mas, no futebol brasileiro, reconhecimento e respeito soam utopia; estão muito aquém da capacidade de discernimento do torcedor. E assim reina a mediocridade!

Dunga 100%

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

A história se repetiu. Assim como aconteceu na primeira passagem de Dunga como técnico da seleção principal, o Brasil encarou a Argentina na condição de favorita e se deu bem.

 No jogo de hoje, os argentinos, mais confiantes e entrosados, começaram muito melhor. Tinham a posse de bola, trocavam passes em velocidade e finalizaram pelo menos seis vezes nos primeiros 25 minutos, enquanto os brasileiros corriam atrás dos rivais pra diminuir os espaços e tentar obstruir as jogadas. Não fosse a falta de pontaria dos vice-campeões do mundo, a situação poderia ser dramática.  Até que aos 27, numa falha da zaga argentina, Diego Tardelli, bem colocado, chutou de primeira para abrir o placar. A partir daí, o jogo mudou. O Brasil ganhou confiança – consolidada após Jéferson pegar um pênalti cobrado por Messi – e  concluiu a primeira etapa melhor que o adversário.

E com a autoestima renovada, os pupilos de Dunga voltaram para os 45 minutos finais ainda mais aplicados. Continuaram marcando com rara disciplina e disposição – mérito do técnico. O treinador armou as já manjadas e sempre eficientes duas linhas de quatro, congestionou o caminho argentino e acabou premiado numa bola parada com novo gol de Diego Tardelli. Matou o jogo!

Vitória pra dar moral, resgatar o prestígio perdido e mostrar que nas circunstâncias atuais, o melhor caminho é mesmo a aplicação tática. Com a humildade dos limitados que anseiam por um lugar ao sol, esse novo time de Dunga se revela competitivo. Ainda falta brilho, mas não falta dignidade.  Sinal dos tempos!

Corinthians surpreende o líder

 

Gualter Naves/Light Press

Gualter Naves/Light Press

Cruzeiro e Corinthians fizeram um bom jogo no Mineirão, apesar dos desfalques. A chamada “Data Fifa” tirou os principais jogadores dos dois times, já que a CBF insiste em não respeitar o calendário de seleções criado justamente pra acabar com o conflito com os clubes, mesmo assim o jogo foi agradável. O time da casa criou as melhores oportunidades da primeira etapa, jogando em velocidade, sempre em busca do gol. Só faltou precisão no arremate. E quando o tiro saiu certo, Cássio estava lá como um gigante pra evitar a abertura do placar.

Na segunda etapa quem começou melhor foi o Corinthians. Teve a posse de bola, além de marcar com efetividade. A eficiência defensiva corintiana, inclusive, não se discute. É elogiável! Por outro lado, seguiu sofrendo do mesmo mal que tem vitimado o time de Mano Menezes na maioria das partidas fora de casa neste Brasileirão: a falta de finalização. Pra ser ter uma ideia, o Corinthians não marcava gol no campo adversário há cinco partidas. Só que desta vez, na única oportunidade que teve, o time paulista aproveitou e marcou com Luciano após belo contra-ataque puxado por Petrus.  Vitória que coroa uma boa jornada tática do time corintiano, uma equipe econômica, mas que segue viva na briga por um lugar na Libertadores.

Libertadores em risco

Divulgação/CAP

Divulgação/CAP

O Corinthians até que não começou mal o jogo contra o Atlético em Curitiba. Tomou a iniciativa de ficar com a bola, povoou o campo de ataque, mas finalizar que é bom, nada. Fica a impressão de que os jogadores corintianos temem o arremate. Um procura outro que procura um e a bola se perde na marcação – muito bem executada pelos atleticanos, diga-se de passagem.  E nas raras oportunidades em que consegue chutar ao gol, falta precisão. Definitivamente falta confiança. Incrível a incapacidade deste time de criar chances de movimentar o placar. É um time combativo, sem dúvida, porém pouco inspirado. Pra piorar, o setor defensivo que tem lá suas virtudes, desabou na falta que Elias fez em Cléo no final do primeiro tempo: pênalti que o próprio Cléo converteu. Com mais essa derrota, o time dirigido por Mano Menezes despencou na tabela. Já não é possível sonhar com título, a vaga na Libertadores fica agora em risco, e a paz vai se esvaindo de tropeço em tropeço, consequência natural dos fatos. Expectativa de dias agitados no Parque São Jorge.

Paulistas fracassam na caça à raposa

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Cruzeiro abriu a rodada jogando fora contra o Coritiba e fez a parte dele. Venceu por dois a um. O resultado botou pressão em São Paulo e Corinthians que entraram em campo um pouco mais tarde.

No Morumbi, numa jornada ruim de Rogério Ceni – o goleiro falhou no gol de empate do Flamengo e ainda perdeu um pênalti logo no começo do segundo tempo – o São Paulo parou diante do rubro-negro carioca. Desta vez, a presença do quarteto formado por Kaká, Ganso, Pato e Kardec não foi o suficiente pra garantir a vitória. E não fosse Luis Fabiano, que entrou na etapa final, o Tricolor teria sofrido a primeira derrota com os quatro em campo.  Pelas circunstâncias, o empate não foi ruim, mas na caça à raposa o time paulista está quase a perdendo de vista. A diferença agora é de nove pontos.

Pior fez o Corinthians em Florianópolis. Nem de longe o time de Mano Menezes lembrou aquele que venceu com méritos o rival São Paulo no último domingo. Burocrática, a equipe corintiana pouco criou. A melhor situação foi um tiro na trave desferido por Guerrero já aos 38 da segunda etapa. O castigo veio no lance seguinte quando Marcão aproveitou as falhas de Gil e Cássio, após cobrança de escanteio, pra definir de cabeça. Com a derrota, o Corinthians perdeu também um lugar no G4. O titulo já era. E a vaga na Libertadores 2015 passa a correr sério risco.

Palmeiras em estado de coma

Foto: Adalberto Marques / Agif/Gazeta Press

Foto: Adalberto Marques / Agif/Gazeta Press

A rodada do de final de semana do Campeonato Brasileiro mostrou que a briga pelo título segue aberta, apesar do grande favoritismo do Cruzeiro. O tropeço diante o rival Atlético manteve vivo o sonho de Inter, do São Paulo, do Corinthians… A propósito, vale destacar o espírito corintiano na virada contra o Tricolor. Embora discutível o primeiro pênalti marcado para o time da casa, o Corinthians jogou melhor e fez por merecer.

Do lado debaixo da tabela, lá está o Palmeiras segurando a lanterna. Contra o Goiás, o time sofreu mais uma humilhante goleada por seis a zero. É a terceira vez em três anos que o Palestra toma meia dúzia de gols numa partida. Obviamente não é obra do acaso. Gestões incompetentes apequenaram o clube nos últimos anos e o resultado é o que vemos hoje. Um arremedo de time tentando compensar a falta de qualidade com vontade. E nem sempre isso é possível. As feridas estão abertas. A goleada de ontem é reflexo de equívocos no planejamento, na construção da equipe e na escolha de seus comandantes – alguém tinha alguma dúvida de que trocar Gareca por Dorival não ia mudar coisa alguma? Incertezas que podem levar o clube de volta à segunda divisão justamente no ano do centenário. Um vexame sem tamanho!

Sem Kaká, São Paulo patina

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

O jogo em Curitiba esteve longe de ser empolgante na primeira etapa. Pouco ou quase nada foi criado. Sem Kaká, o São Paulo perdeu muito na criação. Ganso e Pato, em alta desde que o meio-campista voltou ao clube, se apresentaram com menos brilho sem a referência do experiente jogador no gramado do Couto Pereira. Mesmo assim, saiu dos pés de Pato a assistência para que Michel Bastos, o substituto de Kaká, fizesse o gol são-paulino no final do primeiro tempo. Era apenas a segunda finalização do time no jogo, mas um tiro certeiro pra abrir vantagem no duelo.

Aí, veio o segundo tempo. Mais assertivo, o Coritiba foi encurralando o São Paulo e em dois minutos conseguiu a virada. Helder aos 15 e Joel aos 17 colocaram o time paranaense na frente, em jogo de até então seis finalizações. Denis ainda faria uma defesa milagrosa num cabeceio de Alex aos 37 minutos, porém não conseguiu evitar outro gol do camaronês Joel aos 40. Derrota que deixa o São Paulo novamente sete pontos atrás do líder Cruzeiro e aumenta a obrigação por uma vitória no final de semana sobre o Corinthians. Derrota que mostra quão importante é a presença de Kaká para o sucesso tricolor. Sem ele, o São Paulo é apenas um time comum.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Palmeiras na zona de rebaixamento

O começo foi catastrófico. O Flamengo abriu dois a zero e parecia empurrar o Palmeiras ladeira abaixo, em pleno Pacaembu. Mesmo que pesem os eventuais erros de arbitragem – pênalti não marcado para o Palmeiras, por exemplo, o drama estava escrito. No segundo tempo, entretanto, na base da raça, o time palmeirense chegou ao empate com Diogo e Victor Luis. Não fosse o destempero de Valdívia, expulso depois de ficar pouco mais de meia hora em campo, o Verdão poderia sonhar com a vitória. Ficou no empate. Diminuiu o prejuízo, mas não evitou a queda para a zona do rebaixamento por  conta das vitórias de Bahia e do Coritiba. O Palmeiras agora é décimo oitavo e segue flertando com a segunda divisão no ano de seu centenário.