Foi dada a largada!

Não, não vou repetir a ladainha de todos os anos e lamentar os equívocos do calendário ou as mirabolantes fórmulas do Campeonato Paulista. Como dizem no dia-a-dia, é chover no molhado.  Todos sabem a real situação do futebol brasileiro, e o Bom Senso FC assumiu o protagonismo da questão, desfazendo a ideia de que a crônica esportiva pregava no deserto.

 Boa estreia de Mano

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com bola rolando, destaque para a vitória corintiana sobre a Portuguesa no primeiro clássico do Paulistão. Ainda é cedo pra uma análise mais precisa, mas neste primeiro jogo ficou a sensação de que o Corinthians sob o comando de Mano Menezes tende a ser mais rápido e agressivo. Dominou a Lusa enquanto teve fôlego e mereceu a vitória por 2 a 1, placar construído no primeiro tempo.  Romarinho foi o melhor do time pelo que fez nos 45 minutos iniciais; se apresentou, buscou o jogo, encarou as jogadas individuais e foi premiado com o primeiro gol da partida.

São Paulo começa mal

Em Bragança Paulista, o São Paulo não conseguiu superar o Bragantino. Parece repetir os mesmos problemas da temporada anterior. Faltam criatividade e poder de marcação para os pupilos de Muricy Ramalho. Não fosse a arbitragem, poderia ter sido mais que os 2 a 0 finais. Se “aqui é trabalho”, como costuma dizer o comandante são-paulino, a temporada promete mesmo ser trabalhosa.

Santos e Palmeiras na frente

No sábado, Santos e Palmeiras começaram bem no Paulistão. Para o Peixe, o jogo contra o XV Piracicaba foi tranquilo, apesar da aposta de Oswaldo Oliveira nos garotos. O menino Gabriel fez um, poderia ter feito outro e merece atenção.  Já o Verdão teve mais trabalho diante do Linense. Chegou a ser vaiado, mas o importante é que venceu. Mazinho foi o melhor do jogo.   

Raja “Mazembe”

Não, não foi desta vez! O Atlético Mineiro, eliminado há pouco pelo Raja Casablanca, anfitrião do Mundial de Clubes da Fifa, não foi nem sombra daquele time lutador e sortudo da última Libertadores da América. Faltou espírito de decisão para os pupilos de Cuca, é verdade, porém, vale destacar que o time marroquino teve méritos na conquista. Marcou bem, tocou a bola com precisão e usou a velocidade pra contra-atacar de maneira efetiva. Os 3 a 1 não deixaram dúvidas e a tão sonhada final com o Bayern vai ser protagonizada pela surpresa da Copa. Ao Atlético resta a ressaca de uma decisão de terceiro lugar contra os chineses do Gangzhou.

É a segunda vez que um time africano chega à final do torneio depois de eliminar uma equipe brasileira – o primeiro foi o Mazembe em 2010, ao vencer o Internacional nas semifinais. Naquela ocasião, o time congolês era uma grande surpresa, diferentemente deste Raja Casablanca que jogou sempre com grande apoio da torcida e mostrou qualidade nas partidas anteriores contra Auckland City e Monterrey. Não era favorito, mas o grau de dificuldade era previsível.  Isso mostra a validade da proposta de um Mundial de Clubes, ao oferecer às equipes de outros continentes  a chance de se mostrar ao mundo e se colocar entre os melhores,  algo que a extinta Copa Intercontinental era incapaz de aferir.

Ponte fracassa e o Botafogo comemora

AFP

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Bem que a Ponte tentou, jogou com dignidade, mas no Caldeirão argentino prevaleceu a força do Lanús. O segundo gol nos acréscimos da primeira etapa sepultou o sonho campineiro de, enfim, comemorar um título. A frustração é grande, não só dos torcedores da Macaca como também dos simpatizantes que vestiram a camisa alvinegra nesta noite em apoio ao clube centenário, e ainda virgem. Difícil aparecer novamente chance como essa. E o futuro não dá margem para grandes ilusões. Uma pena!  

Por outro lado, o Botafogo comemora. Com o fracasso campineiro, o time do Rio de Janeiro ficou com a vaga que restava na Libertadores da América 2014. E quer saber? Não deixa de ser justo. O Botafogo, apesar dos problemas, teve campanha regular no Brasileirão e fez por merecer. Oswaldo Oliveira, agora no Santos, teve papel importante nesta modesta conquista. Boa sorte a Seedorf e Cia!

Isso é uma vergonha!

AFP

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A frase eternizada pelo jornalista Boris Casoy poderia se encaixar ao rebaixamento de dois gigantes cariocas – Vasco e Fluminense – mas, infelizmente, o futebol ficou em segundo plano neste post. A vergonha, à qual me refiro, tem a ver com as cenas lamentáveis de Joinville onde houve o violento confronto entre torcedores de Vasco e Atlético Paranaense. Tamanha selvageria resultou na internação de quatro torcedores – três deles em estado grave. Inevitável a sensação de que o país sede da próxima Copa do Mundo é uma terra sem lei.

As imagens revelam assassinos vestidos com as cores de clubes de futebol. É chocante ver um homem no chão desmaiado tendo a cabeça chutada como se fosse uma bola.  Ou um vândalo com a uma barra de ferro com prego na ponta distribuindo golpes como se fosse um guerreiro medieval.  Não há novidade na exibição nestas cenas. São imagens repetidas. Mesmo assim, chocantes. Mais chocante, entretanto, é saber que vai dar em nada.

A vergonha já está estampada em manchetes pelo mundo, enquanto o jogo de empurra no Brasil segue a todo vapor. A Polícia transfere para o Ministério Público que nega a orientação para que a segurança do jogo fosse responsabilidade de seguranças particulares contratados pelo Atlético Paranaense. E assim, entre a omissão e a irresponsabilidade; a incompetência e a impunidade, nos resta lamentar pelos rumos do futebol no Brasil.

Macaquinha faz história

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Contra tudo e contra todos a Ponte Preta já fez história. Logo no seu primeiro torneio internacional, carimba o passaporte para a decisão e chega à final de cabeça erguida.  Encarou o favorito São Paulo, que começou o confronto vencendo nos bastidores, com altivez. Deixou de ser zebra pra posar como séria candidata ao título da Sul-Americana, o primeiro de sua centenária história – Torneio do Interior não conta.

Ciente de sua limitação, o time comandado por Jorginho não se deslumbrou com a vitória conquistada no jogo de ida no Morumbi. Em Mogi Mirim, sua casa improvisada, a Ponte atuou como se fosse visitante, com duas linhas de quatro muito bem definidas e em busca de uma bola. Ela caiu duas vezes nos pés de Leonardo, aos 42 da primeira etapa, e no segundo chute ele não errou. 4 a 1 no placar agregado, resultado capaz de surpreender até o mais fanático torcedor da macaca.

O São Paulo ainda empataria com Luis Fabiano, mas não fez por merecer melhor sorte.

A Ponte é Brasil na Sul-Americana!

Flamengo campeão

O futebol e suas ironias. Foi depois de uma goleada sofrida para o Atlético Paranaense em pleno Maracanã que Mano Menezes deixou o Flamengo, dois meses atrás, alegando que os jogadores que comandava não entendiam o que ele queria. Pois é! Quis o destino que o sucessor de Mano, Jayme de Almeida, fosse o comandante do título de campeão da Copa do Brasil diante do próprio Atlético e no mesmo Maracanã.  Será que os jogadores aprenderam a ouvir?

Prevaleceu a força da camisa de um clube vencedor. A Libertadores e a taça são suas Mengão. Ao Atlético resta sonhar com o torneio continental via Campeonato Brasileiro. Pelo que fez na temporada, merece estar lá no ano que vem.

O fim de um ciclo

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Tite deixa o Corinthians de cabeça erguida. Apesar das críticas – injustas – pela campanha no Brasileirão, o treinador encerra um ciclo na condição de um dos maiores vencedores da história do clube. E com ele no comando, o time conquistou os principais títulos – a inédita Libertadores e bicampeonato mundial. Nada vai apagar sua passagem vitoriosa.

Mais que as conquistas, Tite se tornou referência no plano tático. A participação coletiva e a disciplina tática, algo raro no futebol do país, foram marcas de um trabalho de sucesso. Também é reverenciável a capacidade em lidar com o grupo, pautada na transparência, serenidade e no senso de justiça na hora de escalar ou deixar um medalhão no banco. Tite adotou um modelo bem europeu no clube mais popular do Brasil. E deu certo. Não por acaso chegou a ser cogitado na Inter de Milão.

Lamentável apenas a posição da diretoria corintiana. A opção por uma nova linha de trabalho é normal em qualquer ramo de atividade, mas faltou reconhecimento aos feitos de Tite. Que Mano Menezes tenha melhor sorte neste retorno ao clube.

A vitória do conjunto

Edson Ruiz/Gazeta Press

Edson Ruiz/Gazeta Press

Nem sempre a cartilha de como fazer um grande campeão é referência na conquista de uma taça. A façanha do Cruzeiro, oficialmente confirmada na noite desta quarta-feira, por exemplo, contraria muitos pontos que imaginamos ideais para vencer um campeonato. O clube apostou num técnico promissor, que apesar do bom trabalho no Coritiba, vinha de um momento ruim no Vasco da Gama. Não figurava, ainda, entre os figurões. De quebra, ele assumiu o comando de uma equipe formada nesta temporada, desentrosada e sem grandes ídolos. Exceção feita ao zagueiro de Dedé, jogador de seleção brasileira, muitos atletas que compõem o atual elenco “sobraram” nos clubes anteriores por não terem apresentado o brilho que deles se esperavam. Os mais deselegantes os chamariam de “refugos”. Por essas e por outras, antes de o campeonato começar, o Cruzeiro nunca esteve entre os favoritos. Aí, com um futebol convincente, alegre e ofensivo o time comandado por Marcelo Gomes foi acumulando vitórias e abrindo vantagem surpreendente naquele que considero o mais equilibrado entre os campeonatos nacionais do planeta bola. Tudo se encaixou rápido demais para os padrões com os quais nos acostumamos. O conjunto, assim como aconteceu com o Corinthians no ano passado, foi a grande estrela.  A homogeneidade deste grupo permite citar vários jogadores com papeis importantes nesta conquista, mas denominar um protagonista seria injusto. Fábio, Dedé, Everton Ribeiro, Borges, Ricardo Goulart, Willian, só pra citar alguns, escreveram esta campanha vitoriosa com elegância e eficiência. Mais um bonito capítulo da história do futebol brasileiro. Parabéns, Cruzeiro!

Não foi desta vez, mas falta pouco

Vipcomm

Vipcomm

Foi bela a vitória sobre o Grêmio no festivo Mineirão. O Cruzeiro com muita competência goleou por três a zero e ratificou sua condição de campeão. A torcida cantou em uníssono a conquista do título, o terceiro de sua história, embora a festa, de fato, tenha de ser adiada por conta da não menos bela vitória do Atlético Paranaense sobre o São Paulo pelo mesmo placar. Mero capricho da matemática. O clube mineiro só perde a taça se perder os próximos cinco jogos e o Atlético vencer as mesmas cinco partidas que tem a disputar; algo improvável, pra não dizer impossível. Portanto, a festa oficial do título é só questão de tempo, e deve ocorrer no meio da semana, em Salvador, desde que, claro, vença o Vitória ou o Atlético tropece diante do Criciúma em Santa Catarina.

 Libertadores

Grêmio e Botafogo, que pareciam certos no torneio continental no ano que vem, estão severamente ameaçados por Goiás e Vitória, times que definitivamente entraram na briga. A queda de rendimento dos clubes gaúcho e carioca é assustadora e alimenta a expectativa para o caos.

O Grêmio não faz gol há 578 minutos e a defesa, até então o ponto forte desta campanha, tem sido vazada com frequência, arruinando o ambiente sob a gestão de Renato Gaúcho, por sua vez, longe de ser unanimidade no Sul. Lembra um pouco a situação corintiana nesta temporada. A preocupação com a marcação não compensou a falta de precisão ofensiva.

Com o Botafogo, a situação é ainda pior. Nos últimos dez jogos pelo Brasileirão, o clube venceu apenas três partidas.  E a situação pode ficar mais complicada caso o São Paulo ou a Ponte Preta vença a Sul-americana. Neste caso, o G4 vira G3 e a Libertadores nada mais que um sonho distante de se concretizar.

A noite de Antônio Carlos

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

A noite desta quarta-feira vai ficar na memória do atacante Antônio Carlos. O zagueiro artilheiro teve momentos de herói e de vilão para no final consolidar-se como protagonista. Foi dele o segundo gol são-paulino – o primeiro fora um golaço de Jadson – quando a partida estava empatada em um a um. Logo em seguida, entretanto, recuou mal uma bola que resultou no gol de Duque e, consequentemente, em nova igualdade no placar. O empate em 2 a 2 com Nacional, resultado nada confortável para o Tricolor, caiu por terra após nova investida do zagueiro na área adversária. Novamente, após cobrança de escanteio, desta vez aos 45 do segundo tempo, o zagueiro encontrou o caminho do gol. Salvou o São Paulo – que esteve longe de ser brilhante – e a própria pele. Uma noite heroica do zagueiro artilheiro.

 Flamengo e Atlético abrem caminho

Em Curitiba, o Atlético Paranaense não construiu grande vantagem, mas deu um passo importante uma vez que não levou gol em casa. Está a um empate da inédita decisão da Copa do Brasil. O Grêmio vai ter que suar em Porto Alegre na próxima semana pra se classificar para a final.

Já em Goiânia, o Flamengo foi a grande surpresa. Volta ao Rio com uma vantagem fantástica. Classifica até mesmo perdendo quarta que vem para o Goiás, pelo placar mínimo. O Fla tem a faca, o queijo e o passaporte nas mãos. É só não fazer bobagem.

Pagou o Pato

Lucas Uebel/GFBPA

Lucas Uebel/GFBPA

O jogo, o placar, as defesas de Walter e Dida, os pênaltis perdidos por Danilo, Edenilson, Barcos… Tudo ficou em segundo plano quando Alexandre Pato tentou a cavadinha na última cobrança diante do gigante gremista. Uma escolha arriscada, ousada, pra não dizer imprudente, que decretou a eliminação corintiana e, muito provavelmente, o futuro dele no clube. O sonho da Libertadores em 2014 se desfez de maneira melancólica – revoltante, talvez diga o corintiano mais inconformado. Obviamente seria muita injustiça atribuir a Alexandre Pato o ônus da eliminação – o Corinthians não joga nada faz tempo – mas que vai ser difícil administrar esse insucesso, não tenha dúvidas. Desde que chegou, contratado a peso de ouro – 40 milhões de Reais – o atacante não conseguiu se firmar. Não deu liga. E pode estar saindo pela porta dos fundos. Um triste fim! Será?

Rogério Ceni gigante!

Em jornada memorável, Rogério Ceni foi o protagonista da classificação são-paulina no Chile. A vitória por quatro a três se deve as defesas milagrosas, capazes de lembrar a conquista do mundial de 2005, quando o goleiro, na ocasião, foi o nome do jogo contra o Liverpool. O São Paulo avança na Sul-Americana, ganha moral e, de ameaçado pela segundona, segue sonhando com a cobiçada vaga na Libertadores. Nada como o tempo pra colocar as coisas no lugar, corrigir trajetórias e alterar expectativas.