Dunga 100%

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

Crédito: HEULER ANDREY/Mowa Press

A história se repetiu. Assim como aconteceu na primeira passagem de Dunga como técnico da seleção principal, o Brasil encarou a Argentina na condição de favorita e se deu bem.

 No jogo de hoje, os argentinos, mais confiantes e entrosados, começaram muito melhor. Tinham a posse de bola, trocavam passes em velocidade e finalizaram pelo menos seis vezes nos primeiros 25 minutos, enquanto os brasileiros corriam atrás dos rivais pra diminuir os espaços e tentar obstruir as jogadas. Não fosse a falta de pontaria dos vice-campeões do mundo, a situação poderia ser dramática.  Até que aos 27, numa falha da zaga argentina, Diego Tardelli, bem colocado, chutou de primeira para abrir o placar. A partir daí, o jogo mudou. O Brasil ganhou confiança – consolidada após Jéferson pegar um pênalti cobrado por Messi – e  concluiu a primeira etapa melhor que o adversário.

E com a autoestima renovada, os pupilos de Dunga voltaram para os 45 minutos finais ainda mais aplicados. Continuaram marcando com rara disciplina e disposição – mérito do técnico. O treinador armou as já manjadas e sempre eficientes duas linhas de quatro, congestionou o caminho argentino e acabou premiado numa bola parada com novo gol de Diego Tardelli. Matou o jogo!

Vitória pra dar moral, resgatar o prestígio perdido e mostrar que nas circunstâncias atuais, o melhor caminho é mesmo a aplicação tática. Com a humildade dos limitados que anseiam por um lugar ao sol, esse novo time de Dunga se revela competitivo. Ainda falta brilho, mas não falta dignidade.  Sinal dos tempos!

Corinthians surpreende o líder

 

Gualter Naves/Light Press

Gualter Naves/Light Press

Cruzeiro e Corinthians fizeram um bom jogo no Mineirão, apesar dos desfalques. A chamada “Data Fifa” tirou os principais jogadores dos dois times, já que a CBF insiste em não respeitar o calendário de seleções criado justamente pra acabar com o conflito com os clubes, mesmo assim o jogo foi agradável. O time da casa criou as melhores oportunidades da primeira etapa, jogando em velocidade, sempre em busca do gol. Só faltou precisão no arremate. E quando o tiro saiu certo, Cássio estava lá como um gigante pra evitar a abertura do placar.

Na segunda etapa quem começou melhor foi o Corinthians. Teve a posse de bola, além de marcar com efetividade. A eficiência defensiva corintiana, inclusive, não se discute. É elogiável! Por outro lado, seguiu sofrendo do mesmo mal que tem vitimado o time de Mano Menezes na maioria das partidas fora de casa neste Brasileirão: a falta de finalização. Pra ser ter uma ideia, o Corinthians não marcava gol no campo adversário há cinco partidas. Só que desta vez, na única oportunidade que teve, o time paulista aproveitou e marcou com Luciano após belo contra-ataque puxado por Petrus.  Vitória que coroa uma boa jornada tática do time corintiano, uma equipe econômica, mas que segue viva na briga por um lugar na Libertadores.

Libertadores em risco

Divulgação/CAP

Divulgação/CAP

O Corinthians até que não começou mal o jogo contra o Atlético em Curitiba. Tomou a iniciativa de ficar com a bola, povoou o campo de ataque, mas finalizar que é bom, nada. Fica a impressão de que os jogadores corintianos temem o arremate. Um procura outro que procura um e a bola se perde na marcação – muito bem executada pelos atleticanos, diga-se de passagem.  E nas raras oportunidades em que consegue chutar ao gol, falta precisão. Definitivamente falta confiança. Incrível a incapacidade deste time de criar chances de movimentar o placar. É um time combativo, sem dúvida, porém pouco inspirado. Pra piorar, o setor defensivo que tem lá suas virtudes, desabou na falta que Elias fez em Cléo no final do primeiro tempo: pênalti que o próprio Cléo converteu. Com mais essa derrota, o time dirigido por Mano Menezes despencou na tabela. Já não é possível sonhar com título, a vaga na Libertadores fica agora em risco, e a paz vai se esvaindo de tropeço em tropeço, consequência natural dos fatos. Expectativa de dias agitados no Parque São Jorge.

Paulistas fracassam na caça à raposa

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Cruzeiro abriu a rodada jogando fora contra o Coritiba e fez a parte dele. Venceu por dois a um. O resultado botou pressão em São Paulo e Corinthians que entraram em campo um pouco mais tarde.

No Morumbi, numa jornada ruim de Rogério Ceni – o goleiro falhou no gol de empate do Flamengo e ainda perdeu um pênalti logo no começo do segundo tempo – o São Paulo parou diante do rubro-negro carioca. Desta vez, a presença do quarteto formado por Kaká, Ganso, Pato e Kardec não foi o suficiente pra garantir a vitória. E não fosse Luis Fabiano, que entrou na etapa final, o Tricolor teria sofrido a primeira derrota com os quatro em campo.  Pelas circunstâncias, o empate não foi ruim, mas na caça à raposa o time paulista está quase a perdendo de vista. A diferença agora é de nove pontos.

Pior fez o Corinthians em Florianópolis. Nem de longe o time de Mano Menezes lembrou aquele que venceu com méritos o rival São Paulo no último domingo. Burocrática, a equipe corintiana pouco criou. A melhor situação foi um tiro na trave desferido por Guerrero já aos 38 da segunda etapa. O castigo veio no lance seguinte quando Marcão aproveitou as falhas de Gil e Cássio, após cobrança de escanteio, pra definir de cabeça. Com a derrota, o Corinthians perdeu também um lugar no G4. O titulo já era. E a vaga na Libertadores 2015 passa a correr sério risco.

Palmeiras em estado de coma

Foto: Adalberto Marques / Agif/Gazeta Press

Foto: Adalberto Marques / Agif/Gazeta Press

A rodada do de final de semana do Campeonato Brasileiro mostrou que a briga pelo título segue aberta, apesar do grande favoritismo do Cruzeiro. O tropeço diante o rival Atlético manteve vivo o sonho de Inter, do São Paulo, do Corinthians… A propósito, vale destacar o espírito corintiano na virada contra o Tricolor. Embora discutível o primeiro pênalti marcado para o time da casa, o Corinthians jogou melhor e fez por merecer.

Do lado debaixo da tabela, lá está o Palmeiras segurando a lanterna. Contra o Goiás, o time sofreu mais uma humilhante goleada por seis a zero. É a terceira vez em três anos que o Palestra toma meia dúzia de gols numa partida. Obviamente não é obra do acaso. Gestões incompetentes apequenaram o clube nos últimos anos e o resultado é o que vemos hoje. Um arremedo de time tentando compensar a falta de qualidade com vontade. E nem sempre isso é possível. As feridas estão abertas. A goleada de ontem é reflexo de equívocos no planejamento, na construção da equipe e na escolha de seus comandantes – alguém tinha alguma dúvida de que trocar Gareca por Dorival não ia mudar coisa alguma? Incertezas que podem levar o clube de volta à segunda divisão justamente no ano do centenário. Um vexame sem tamanho!

Sem Kaká, São Paulo patina

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

O jogo em Curitiba esteve longe de ser empolgante na primeira etapa. Pouco ou quase nada foi criado. Sem Kaká, o São Paulo perdeu muito na criação. Ganso e Pato, em alta desde que o meio-campista voltou ao clube, se apresentaram com menos brilho sem a referência do experiente jogador no gramado do Couto Pereira. Mesmo assim, saiu dos pés de Pato a assistência para que Michel Bastos, o substituto de Kaká, fizesse o gol são-paulino no final do primeiro tempo. Era apenas a segunda finalização do time no jogo, mas um tiro certeiro pra abrir vantagem no duelo.

Aí, veio o segundo tempo. Mais assertivo, o Coritiba foi encurralando o São Paulo e em dois minutos conseguiu a virada. Helder aos 15 e Joel aos 17 colocaram o time paranaense na frente, em jogo de até então seis finalizações. Denis ainda faria uma defesa milagrosa num cabeceio de Alex aos 37 minutos, porém não conseguiu evitar outro gol do camaronês Joel aos 40. Derrota que deixa o São Paulo novamente sete pontos atrás do líder Cruzeiro e aumenta a obrigação por uma vitória no final de semana sobre o Corinthians. Derrota que mostra quão importante é a presença de Kaká para o sucesso tricolor. Sem ele, o São Paulo é apenas um time comum.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Palmeiras na zona de rebaixamento

O começo foi catastrófico. O Flamengo abriu dois a zero e parecia empurrar o Palmeiras ladeira abaixo, em pleno Pacaembu. Mesmo que pesem os eventuais erros de arbitragem – pênalti não marcado para o Palmeiras, por exemplo, o drama estava escrito. No segundo tempo, entretanto, na base da raça, o time palmeirense chegou ao empate com Diogo e Victor Luis. Não fosse o destempero de Valdívia, expulso depois de ficar pouco mais de meia hora em campo, o Verdão poderia sonhar com a vitória. Ficou no empate. Diminuiu o prejuízo, mas não evitou a queda para a zona do rebaixamento por  conta das vitórias de Bahia e do Coritiba. O Palmeiras agora é décimo oitavo e segue flertando com a segunda divisão no ano de seu centenário.  

De Mal a Pior

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Imaginava-se que com o choque de realidade após o atropelamento alemão sobre o Brasil na Copa do Mundo o futebol brasileiro fosse repaginado. Ledo engano. Passados menos de dois meses, o futebol nacional segue como sempre foi. Gestões equivocadas, planos táticos ultrapassados, e total falta de planejamento.

O Palmeiras, por exemplo, que acenava como “o diferente”, trouxe um técnico e jogadores estrangeiros, bancou o treinador mesmo quando o time estava na última colocação e parecia estar disposto a respaldar um projeto de longo prazo. Paulo Nobre, entretanto, mostrou que de diferente tem quase nada. De olho na “governabilidade” e nas próximas eleições se rendeu às pressões e abortou um projeto que apesar do começo ruim, poderia dar certo. Traz Dorival Junior que aparentemente não tem nada de muito diferente pra oferecer.

Pior fez o Santos ao demitir Oswaldo de Oliveira, sem que houvesse grandes pressões de torcida ou “corneteiros” de plantão. A campanha mediana no Brasileirão está longe de ser surpresa, considerando a jovialidade do elenco e a perda de um de seus pilares, o meia Cícero, jogador de destaque que marcava, armava e fazia gols. Oswaldo, bom técnico, ficou surpreso; enquanto nós, estupefatos.

Já são 18 técnicos demitidos em 18 rodadas. Números que mostram o amadorismo das gestões dos clubes. Sobra covardia e falta competência. Realmente desanimador!

Corinthians animador. Palmeiras desesperador!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Pra muitos foi só mais um jogo, porém um jogo que vai ficar na história. Nem tanto pelo que se viu dentro de campo, mas pelo contexto. O melhor de tudo é que finalmente destaca-se o futebol do dérbi e não o tema que pautou os noticiários durante a semana – a possibilidade de confronto entre vândalos. Tirando uma dezena de cadeiras quebradas pela torcida palmeirense, a situação esteve sob controle. E no campo, o Corinthians fez por merecer vencer o maior rival no primeiro clássico realizado na nova arena.

O time de Mano Menezes tomou a iniciativa e teve a posse de bola, embora pouco tenha criado no primeiro tempo. Na segunda etapa, enfim conseguiu converter em gols a superioridade. Um com Guerrero e outro com Petrus que cada vez mais se mostra envolvido no espírito corintiano pela raça e disposição. Elias e Ralf também se destacaram pela capacidade de desarmar e ao mesmo tempo apoiar o ataque. Um time que vai ganhando uma cara e, por enquanto, parece ser o único capaz de alcançar o líder Cruzeiro que sobra neste Brasileirão.

Sobre o Palmeiras, embora Ricardo Gareca diga o contrário, a limitação do elenco é cada vez mais evidente. E a vida do argentino fica mais complicada com uma sequência de adversários tão duros. São três derrotas seguidas no torneio. E pela frente, excluindo o Bahia – teoricamente mais fraco – há o Atlético Mineiro, em Minas, e o São Paulo. Que a diretoria palmeirense dê o tempo que Gareca precisa pra acertar essa equipe que não vai brigar pelo título, mas pode ter um futuro digno na competição. Interromper o trabalho que está em andamento, só empurrará o Palmeiras ainda mais para o fundo do poço.

A quarta Era Dunga!

AFP

AFP

“Era Dunga” foi um rótulo com sentido pejorativo para uma geração que fracassou na Copa de 1990, na Itália, sob o comando de Sebastião Lazaroni. Dunga era o símbolo da vontade em detrimento da qualidade técnica. Em 1994, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, ele deu a volta por cima e na condição de capitão levantou a taça de campeão do mundo.

Em 2006 recebeu o convite de Ricardo Teixeira pra renovar a seleção brasileira, apesar de nunca antes ter atuado como treinador. Truculento, brigou com a imprensa e com os críticos pra defender sua filosofia. O time era, de certa forma, espelho do que Dunga foi como jogador. Disciplinado taticamente, mas pouco técnico. Mesmo sem brilho, ganhou a Copa América e a Copa das Confederações, porém naufragou na África do Sul, naquele fatídico jogo contra a Holanda pelas quartas-de-final.

Agora, Dunga volta como comandante do projeto Rússia 2018. Tem nova chance de ressurgir campeão. E novamente cabe a ele renovar o futebol brasileiro. Na apresentação de hoje, reconheceu alguns erros do passado como a dificuldade em conviver bem com a imprensa, falou em futebol competitivo e em resultados positivos a partir da mescla de juventude com experiência. Nada muito animador. Nem tanto pela qualidade dos que hoje assumem a responsabilidade de ditar rumos da seleção, mas principalmente por aqueles que vemos dirigindo o futebol brasileiro. A CBF ganhou um escudo de respeito. Pelo menos até o próximo choque de realidade.