A Copa está boa? Vai melhorar ainda mais!

Wander Roberto/Gazeta Press

Wander Roberto/Gazeta Press

Chegou ao fim a primeira fase da Copa do Mundo. Torneio que até aqui merece os mais altos elogios. Dentro de campo, pelo menos, faz jus ao famoso “Copa das Copas” cantado em prosa e verso pela Presidente da República às vésperas do evento. Nível técnico alto, alta média de gols fruto de esquemas ofensivos, torcida festiva lotando os estádios…

O melhor de tudo é saber que o torneio tende a ganhar ainda mais emoção a partir do próximo final de semana. Começa a fase eliminatória que põe frente a frente Brasil e Chile, Uruguai e Colômbia, Alemanha e Argélia, França e Nigéria… Seleções que brigam por um lugar na decisão de um lado da chave. Do outro, Holanda e México, Costa Rica e Grécia, Argentina e Suíça, Bélgica e Estados Unidos…

A lógica nos faz vislumbrar lá na frente um Brasil e Alemanha numa semifinal, enquanto Argentina e Holanda se matariam na outra. Mas cadê a lógica do futebol? Ela jamais colocaria os costarriquenhos entre oito melhores, tampouco a Argélia. Portanto, há grande espaço para surpresas.

De lógico, a partir de agora, é que não há margem pra erros. Qualquer vacilo pode ser fatal.  Que venham os 90 minutos, talvez 120 ou – quem sabe? – as penalidades. Rir ou chorar faz parte do jogo, mas que nada tire o brilho deste belo mundial.

 

Rompante animalesco

Montagem sobre foto AFP

Montagem sobre foto AFP

Há seis dias, neste mesmo espaço, após a vitória do Uruguai sobre a Inglaterra, estampei com certa satisfação o seguinte título para um post: “Suárez é o cara”.

Pois bem, depois do que aconteceu hoje, no jogo contra a Itália quando o atacante mordeu o zagueiro Chiellini caberia outra manchete: “Suárez é um animal”.

Difícil compreender o que leva um atleta de alto nível a morder um adversário num rompante animalesco. Trata-se de algo futebolisticamente inexplicável. Com essa atitude intempestiva, Suárez prejudica não só a si mesmo como principalmente a seleção uruguaia. Não há dúvidas de  que a Celeste fica mais fraca sem ele, assim como não há dúvidas quanto à punição que ele deve receber da Fifa. O comitê especial da entidade deve anunciar a exclusão de Suárez do mundial após a covarde mordida em Chiellini. É triste, mas merecido. Pior que já é a terceira vez que o jogador uruguaio morde alguém. Já havia acontecido na Holanda quando jogador do Ajax e na Inglaterra vestindo as cores do Liverpool. Além de nova punição, Suárez definitivamente precisa de tratamento.

Chile: dos males, o menor!

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Os quatro a um sobre Camarões não permitem muitas ilusões.  O Brasil teve sérias dificuldades especialmente no primeiro tempo quando ficou clara a dependência de Neymar.  Foi o camisa dez o responsável por tranquilizar não só o torcedor como o próprio time ao fazer dois gols na base do puro talento. Faz uma bela Copa do Mundo e já é o artilheiro do torneio. Deve brigar com o francês Benzema, caso a França siga avançando, ou com o alemão Thomas Muller, pelo prêmio de melhor da Copa. No mais, o que se viu foi um time nervoso e aquém das expectativas. Longe de empolgar diante de um adversário que nada mais buscava além de se despedir com dignidade.

No segundo tempo, com a entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho, a seleção melhorou. Fred desencantou e o próprio jogador do Manchester City acabou premiado com o gol que definiu o placar. Pelo que apresentou em meio tempo contra os camaroneses ele merece um lugar no time titular. Paulinho é reconhecidamente esforçado mas, definitivamente, não vive boa fase. Fernandinho chega pra ficar!

Sobre o adversário de sábado pelas oitavas de final, a expectativa é de jogo difícil contra o melhor Chile dos últimos tempos. Mas pelo que vimos da Holanda na primeira fase da Copa do Mundo, seria ainda mais complicado. Dos males, o menor.

 

Astros salvam favoritos

AFP

AFP

Assim como o Brasil, a Argentina ainda não fez jus à condição de favorita para vencer a Copa do Mundo.  As duas vitórias na fase inicial não foram convincentes.  Na estreia, a Bósnia foi melhor em boa parte do jogo e hoje o Irã foi castigado no último minuto depois de uma bela atuação especialmente no segundo tempo. Não fosse a arbitragem, que deixou de marcar um pênalti para a seleção iraniana, a jornada poderia ter sido trágica para os argentinos. A vitória só aconteceu por causa do craque Lionel Messi. O camisa dez ainda não brilhou, não teve performance empolgante, mas segue, inegavelmente, decisivo. São dois gols em dois jogos. Dois gols salvadores que já classificaram essa decepcionante Argentina.

Wagner Carmo/Gazeta Press

Wagner Carmo/Gazeta Press

Klose salva

Alemanha, Alemanha… Imaginava-se um novo atropelamento contra Gana, mas quase que os alemães saíram atropelados. Os africanos buscaram o jogo, peitaram o rival com ousadia e fizeram por merecer a vantagem no placar. A salvação saiu do banco, não só pra empatar o jogo mas pra fazer história. Klose com o gol que marcou um minuto depois de entrar no jogo igualou a marca de Ronaldo como maior goleador de todas as Copas: 15 gols. Mas pelo faro de gol que tem deve ultrapassa-lo com tranquilidade. Só depende de Joaquim Low.

Luis Suárez é o cara

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Ninguém é eleito o melhor jogador de uma Premier League por acaso. Artilheiro do Campeonato Inglês, por ironia, justamente contra a Inglaterra, Luis Suárez confirmou sua condição de matador. Os dois gols contra os ingleses, que mantêm o Uruguai vivo na briga por uma vaga na próxima fase da Copa do Mundo, saíram dos pés dele.  Longe do melhor condicionamento físico, por conta de uma cirurgia no joelho há cerca de um mês do mundial, o atacante compensou o problema com a tradicional raça uruguaia. Pior para a Inglaterra que continua no mundial só mesmo se acontecer um milagre.

América Latina unida.

A campanha das seleções latino-americanos na Copa do Mundo encheria de orgulho Che Guevara. Só o Equador e Honduras estão devendo. A propósito, as duas seleções  se enfrentam amanhã à noite na Arena da Baixada em Curitiba.

Hoje a Colômbia fez bonito diante de Costa do Marfim. Claro que Falcão Garcia faz falta – faria a qualquer seleção – mas com o apoio maciço do torcedor segue provando que pode ir longe neste mundial. Já quebrou a escrita ao vencer duas partidas seguidas numa Copa do Mundo, algo inédito na história do país. Caso vença o Japão no fechamento da primeira fase justifica sua condição de cabeça de chave e mostra que pode sonhar com algo muito maior no Brasil.

Show de gols e incríveis surpresas

 

DAMIEN MEYER / AFP

DAMIEN MEYER / AFP

Depois de tanta celeuma, a Copa acontece sem maiores problemas. Aqui em São Paulo, turistas de vários cantos do mundo passeiam especialmente pela Avenida Paulista, no bairro da Vila Madalena ou na Fanfest no Vale do Anhangabaú. Parecem curtir muito a hospitalidade brasileira.

Dentro de campo, depois de oito jogos – ainda não aconteceram as partidas deste domingo – muitos gols e duas enormes surpresas. A maior delas a goleada imposta pela Holanda à atual campeã Espanha. Aqueles 5 a 1 ainda causam estupefação. A outra, a impressionante virada da Costa Rica sobre o favorito Uruguai. Esse garoto que atende pelo nome de Campbell é até aqui a grande revelação do Mundial.

No principal confronto do sábado, pelo mesmo grupo do Uruguai, a Itália derrotou a Inglaterra, escancarando o talento de Pirlo e Balotelli. Imagina o que não vai ser o clássico de quinta que vem na Arena Corinthians entre ingleses e uruguaios.

A Colômbia também merece destaque pela bela vitória sobre a Grécia. Deve ir longe nesta Copa até esbarrar com o Brasil provavelmente nas quartas de final, claro, se a lógica prevalecer.

E pra finalizar o balanço destas partidas iniciais, a arbitragem está na berlinda. Só passou ilesa, sem qualquer arranhão, no clássico entre Inglaterra e Itália.

Mas é só o começo. Hoje ainda tem a favorita Argentina em campo. No Rio, o barulho da festa portenha pode ser ouvida daqui.

Ufa! Foi difícil, mas merecido

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

O prognóstico de um jogo difícil se confirmou. Primeiro, pelo nervosismo comum às estreias; segundo, pela qualidade do adversário. O time croata, como se esperava, diminuiu os espaços, marcou forte e explorou os contra-ataques. Foi assim que saiu o primeiro gol – contra, de Marcelo – após cruzamento de Olic logo no começo do jogo.

Por pior que seja a sensação de estar em desvantagem, foi a partir daí que pudemos avaliar a força psicológica e a maturidade desta renovada equipe comandada por Felipão. O abatimento durou pouco tempo. Logo foi ofuscado pela disposição. Disposição que transformou Oscar no melhor da partida. Foi ele quem lutou contra três croatas pra roubar a bola e servir Neymar que, preciso, acertou o cantinho do gol pra empatar.

No segundo tempo… Bem, veio o pênalti no Fred que, convenhamos, não existiu. Talvez seja fruto da consciência pesada deste mesmo árbitro por não ter marcado um sobre Kaká, no jogo contra a Holanda, pelas quartas de final da Copa da África do Sul.  Neymar, que nada tem a ver com isso, fez a parte dele, cobrou e virou o jogo.

E quando as coisas começavam a se complicar, Ramires foi quem roubou a bola pra entrega-la a Oscar que, de bico, fez o terceiro, coroou com gol uma bela jornada e selou a difícil vitória. Os 3 a 1 não revelam o que foi o jogo, mas o importante é que o mais difícil, pelo menos nesta fase, já passou. Contra México e Camarões, seleções teoricamente mais fracas que a Croácia, devemos ver um time brasileiro bem mais leve e contundente.

Que venha a Copa!

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Lá se foram nove rodadas do Brasileirão e agora, finalmente, acontece a pausa para a realização da Copa do Mundo. E depois do Mundial, a expectativa é de outro campeonato. Muitos reforços vão chegar, outros apenas aguardam esse período passar – casos de Elias e Lodeiro no Corinthians – e muitos outros devem sair.

Pelo que vimos até aqui, nada muito empolgante, a não ser o tradicional equilíbrio entre os clubes. Apenas seis pontos separam o décimo primeiro colocado – o Atlético Paranaense – do líder Cruzeiro.

E por falar em Cruzeiro, o clube mineiro merece a liderança. É o time mais regular e mais entrosado, fruto da manutenção da base campeã no ano passado. Fluminense, São Paulo e Corinthians completam o G4 e têm boas condições de brigar pelo título a partir do que foi observado até aqui.  Agora, resta saber como vão voltar depois de quase 50 dias. Normal que alguns clubes percam o ritmo e é possível que outros encontrem neste hiato a paz perdida nestas nove primeiras rodadas. É a esperança do torcedor do Flamengo, penúltimo colocado. Se nada mudar na Gávea, o antigo flerte com a segunda divisão pode resultar em casamento neste ano.

O primeiro dia na Arena Corinthians

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Enfim, chegou o grande dia. Para os corintianos que orgulhosamente ganharam as chaves da casa própria e para os jornalistas que puderam ver de perto os preparativos para a abertura da Copa do Mundo.

Foram longas duas horas do estacionamento da Fundação Cásper Líbero até à Arena Corinthians, no bairro de Itaquera. Por conta dos bloqueios, as imediações do estádio estavam com trânsito parado e os funcionários da CET, escalados para cuidar do evento, em sua maioria, não estavam bem informados. Mesmo com o carro credenciado, chegamos a ser impedidos de avançar em determinadas vias, para as quais, teoricamente, tínhamos permissão para trafegar. Definitivamente, ir de carro à nova arena não parece ser bom negócio. Ônibus também não se confirmou boa escolha pelo mesmo motivo. Já quem optou pelo trem e metrô não teve grandes problemas. O trajeto foi rápido e confortável  pelo que pude apurar junto aos colegas que fizeram esse trajeto pelo transporte público.

Dentro do estádio, a modernidade prevalece. Ainda falta o que fazer – muito, diga-se de passagem – no sentido de acabamento, de acomodação. Tive que narrar o jogo sem o conforto que a função exige. Sentado no cimento, sem mesa ou apoio. Foi no improviso, porque o “media center” ainda não estava pronto. Por outro lado, embora gosto não se discuta, ficou bonito. A cidade de São Paulo, definitivamente, nunca viu nada igual em termos de estádio. Não fica atrás das grandes arenas que já tive o privilégio de conhecer.  É, realmente, de primeiro mundo.

A questão que fica é se a administração da nova arena será realmente de primeiro mundo. Se os lugares numerados vão ser respeitados, se o “padrão Fifa” vai ser mantido. Embora me recorde de André Sanchez ter falado no Mesa Redonda que, depois da Copa, vai ser “padrão Corinthians”, a modernidade tem que avançar para além das quatro linhas. O torcedor brasileiro merece ser melhor tratado.

Lista coerente

Mowa Press

Mowa Press

Acabou o mistério e não houve surpresas, pelo menos não “grandes” surpresas, no anúncio dos 23 jogadores que vão defender o Brasil, anfitrião da próxima Copa do Mundo.

Henrique? Talvez, considerando o que tem jogado Miranda no Atlético de Madrid. Entretanto, não há como não reconhecer que existe coerência na escolha do técnico. Henrique trabalhou com Felipão no Palmeiras que o conhece bem e nunca escondeu sua admiração pelo zagueiro convocado três vezes pelo treinador da seleção.  A ausência de Robinho também pode causar certa estranheza, mas convenhamos: há muito tempo o atacante não joga o que sua fama sugere e na seleção, quando testado por Scolari, foi apenas “razoável”. Não comprometeu, nem encantou.

Situação parecida com a de Lucas Leiva. Como diriam os ingleses, “ele é ok”. Melhor para Fernandinho que chegou em cima da hora por conta do que apresentou na temporada pelo Manchester City. Ele mostrou personalidade, fez gol e se garantiu com toda justiça.

No mais, nada muito que mereça discussão. Maicon e não Rafinha, Maxwell e não Filipe Luis… Victor e não Diego Cavallieri… Exceção aos jogadores preteridos e seus respectivos fãs, ninguém vai perder o sono por conta disso ou comprar briga nas mesas dos bares. Agora é contigo, Felipão! E que seus pupilos assimilem o espírito do Mundial.