
Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Sábio Muricy Ramalho: “a bola pune.”
O São Paulo teve um começo de jogo contra o Atlético surpreendente e arrasador. Abriu o placar com Jadson logo aos sete minutos. E poderia ter feito pelo menos mais três, fruto da blitz muito bem organizada. Atordoada, a equipe mineira não via a cor da bola. Só que faltou pontaria, especialmente pra Ademilson que, ainda frio – substituiu Aloísio machucado logo após o primeiro gol – perdeu duas chances, uma delas na cara do goleiro Vitor.
O mata-mata não permite vacilo. Não bastassem os gols perdidos, Lúcio se perdeu. O experiente zagueiro carregou na pegada, atingiu de maneira indefensável o atacante Bernard e, justamente, recebeu o cartão vermelho do árbitro paraguaio Antônio Arias, aos 36 minutos. O jogou então mudou. O Atlético se aproveitou da situação e empatou logo em seguida com Ronaldinho Gaúcho. Um duro golpe no valente time armado por Ney Franco.
No segundo tempo, o Atlético mandou na partida e virou com Diego Tardelli, o melhor em campo, indubitavelmente. E poderia ter feito o terceiro no segundo final quando Rosinei, diante do gol vazio, não alcançou o cruzamento de Luan. Ainda assim, trata-se de uma respeitável vantagem. Ao São Paulo resta a difícil tarefa de vencer em BH por dois gols de diferença. Haja superação.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
O favorito Corinthians, mesmo diante de um Boca muito distante dos seus melhores dias, não justificou o favoritismo. Em noite apática em La Bombonera, não foi nem sombra daquele time que ganhou a Libertadores no ano passado; tampouco daquela equipe que enquadrou o campeão da Europa cerca de cinco meses atrás no Japão.
A costumeira marcação na saída de bola não aconteceu; o mesmo pode-se dizer da disciplina tática europeia que tanto caracteriza esse time comandado por Tite. Erros de passes, apatia ofensiva… Numa das raras vezes que ousou trabalhar a bola na defesa adversária, acertou a trave em chute desferido por Paolo Guerrero. Muito pouco.
O Corinthians saiu no lucro ao perder só por um a zero. Dá pra garantir a vaga no Pacaembu desde que apresente o futebol que fez deste time um campeão do mundo.

AFP
O Palmeiras teve no México diante do Tijuana postura à altura da sua tradição. Confiante e com personalidade, o time superou as dificuldades oferecidas pela grama sintética e poderia até ter vencido a partida não fosse um erro do árbitro Martin Vasquez que ignorou um pênalti sobre Wesley ainda no primeiro tempo.
Os mexicanos tiveram um pouco mais de volume no final de cada tempo, quando então surgiu a figura do goleiro Bruno. Com defesas importantes, pelo menos três de considerável dificuldade, ele se tornou o principal jogador do Palmeiras na partida.
Foi uma atuação acima das expectativas e o placar em zero a zero deixa os palmeirenses em excelentes condições de classificação para a próxima fase.

Rubens Chiri/SPFC
Pouco importa que o Paulistão não estivesse entre as prioridades dos grandes – nem poderia ser diferente, como já dissecado em posts anteriores. Para o Mogi Mirim, o Campeonato Paulista interessa e muito. Dono da segunda melhor campanha e do melhor ataque do torneio, este é o melhor momento vivido pelo clube desde o “Carrossel Caipira” nos anos 90 que revelou para o Brasil, jovens como Rivaldo, Valber e Leto.
É um estranho no ninho, entre os grandes e favoritos. Mas pode se transformar em protagonista e – por que não dizer? – decidir o título do regional, desde que pense grande. A começar pela postura firme em relação às propostas indecentes que, segundo consta, já surgiram. Circulou ontem a informação de que o Santos, adversário da semifinal, teria proposto realizar a partida decisiva no Pacaembu, em troca da renda.
Mando de jogo, do ponto de vista da ética e da credibilidade da competição, é invendável; inegociável. Já vimos isso tantas vezes no passado – no último ano, Santos e Guarani decidiram em dois jogos no Morumbi – fato que desequilibra e põe uma pá de cal na dignidade. Se existe alguma chance de o Mogi vencer, o fator campo é fundamental.
Que prevaleça o bom senso.

Arte GE
São Paulo e Penapolense em jogo único no Morumbi. Incontestável o favoritismo são-paulino.
Mogi Mirim e Botafogo. Terminar a primeira fase em segundo lugar foi uma enorme façanha do querido Sapão. Escapou de Corinthians e Palmeiras. É favorito diante do Botafogo.
Santos e Palmeiras. Um grande vai ficar pelo caminho. A vantagem santista é de poder jogar na Vila Belmiro. É o que lhe garante um leve favoritismo.
Pra finalizar, Ponte e Corinthians fazem um revival das quartas-de-final do ano passado, quando a macaquinha levou a melhor em pleno Pacaembu. O Corinthians tem a chance – e time – pra dar o troco, desta vez em Campinas.
Agora sim, começa o Paulistão!

As oitavas-de-final da Libertadores prometem ser emocionantes por conta de três confrontos em especial: Corinthians x Boca Juniors, Atlético Mineiro x São Paulo e Velez x Newell´s Old Boys.
Corinthians e Boca revivem a final do ano passado, mas em circunstâncias diferentes. Na ocasião, embora o time paulista fizesse boa campanha, o bicho-papão era o mais popular clube da Argentina, dono de seis títulos continentais. Hoje, entretanto, o campeão sul-americano e do mundo é o Corinthians. Ele é quem mete medo. E é o favorito no confronto.
Uma circunstância diferente também pauta o confronto entre Atlético e São Paulo. Enquanto o time mineiro impressionava com uma campanha fantástica na primeira fase, a derrota no Morumbi na última quarta-feira abalou a confiança e o favoritismo atleticano. O Tricolor renasceu e tem força suficiente pra avançar. Definitivamente, agora a história é outra.
Velez e Newell`s também chamam a atenção pela rivalidade local. São dois bons times e o vencedor deve ir longe na competição.
Pra finalizar, o Palmeiras deve ter problemas com o bom Tijuana, do México. A distância a ser percorrida para o jogo de ida, o gramado sintético e a qualidade do time mexicano preocupam muito o palmeirense. Mais uma vez a superação tem de estar a serviço do Palestra. E que assim seja!

Djalma Vassão/Gazeta Press
Em 90 minutos marcados por briga intensa pela posse de bola, muita marcação e pouco espaço, apenas duas chances de gol foram criadas; as duas pelo São Paulo. Aloísio escapou da marcação e sofreu pênalti de Leonardo Silva, aos nove minutos do segundo tempo – Rogério Ceni, o capitão, fez jus à tarja e marcou o gol que deixou o Tricolor vivo na competição. A segunda foi num contra-ataque puxado pelo até então sumido Paulo Henrique Ganso, aos 36, que descolou um belo lançamento para Osvaldo partir em velocidade e servir Ademilson com açúcar: dois a zero. Vitória que permitiu ao São Paulo lavar a alma, embora a classificação tenha sido garantida pelo Arsenal, vencedor diante do Strongest na Argentina.
Agora a história será reescrita em dois confrontos com o próprio Atlético pelas oitavas da Libertadores. Primeiro jogo em São Paulo, segundo em Belo Horizonte. Um quadro diferente do que se viu hoje. O Tricolor vai à luta com o espírito fortalecido pelo renascimento, enquanto os mineiros sentiram o golpe psicológico; a confiança não é mais mesma.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
A partida contra o San José foi das mais tranquilas. Jogo fácil. Mesmo assim, a goleada só foi confirmada nos segundos finais dos acréscimos do segundo tempo. Vitória que deixou o time com a primeira colocação no grupo e com a segunda melhor campanha da Libertadores; pelo menos, por enquanto – matematicamente ainda pode ser superado por cinco equipes: Nacional do Uruguai, Libertad, Santa Fé, Real Atlético Garcilaso e Olimpia.
Matemática à parte, o Corinthians segue com inabalável favoritismo para a conquista do título. A força do elenco é o maior trunfo do alvinegro. Sai Paolo Guerrero, autor do segundo gol corintiano, entra Jorge Henrique; sai Danilo, entra Pato; sai Paulinho, entra Edenilson, autor do gol derradeiro. Tite muda as peças, mas não perde qualidade. Dos 11 que começaram o jogo, Romarinho e Émerson, que não faz muito tempo eram reservas, foram muito bem. Romarinho fez o dele, enquanto Émerson participou dos três gols.
Sobre Júlio César, o goleiro nem chegou a ser testado. A apreensão de alguns se desfez diante da fragilidade do adversário.
Empate sem gols no Sul
O resultado não foi bom para o Grêmio que joga a última partida no Chile contra o Huachipato. O Fluminense, teoricamente, tem tarefa mais tranquila diante do Caracas no Rio. Todos têm chance de classificação neste grupo, portanto, a rodada final promete fortes emoções.

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC
Não faz muito tempo, sob o protagonismo de Neymar, o Santos conquistou três títulos paulistas seguidos, uma Copa do Brasil e uma Libertadores da América. Por mais subjetiva que seja a análise, é consenso entre a maioria que Neymar é o maior no clube desde Pelé. Mesmo assim, esse status não o poupou das vaias após empate ontem na Vila diante do valente Mogi Mirim. O pecado? Não ter jogado bem. O artilheiro do time na temporada não faz gols há quatro jogos. E daí?
Bastam dias pouco inspirados pra que tudo o que foi feito num passado recente seja esquecido num piscar de olhos. A melhor resposta pra essa ingratidão talvez seja um sinal de adeus. Nada mais justo contra aqueles que não sabem reconhecer o valor do que tem.
A ironia é que são esses cidadãos, que xingam o ídolo impiedosamente num exercício terapêutico sob o argumento de que “estou pagando ingresso”, os mesmos que vociferam nos alambrados da vida pedindo jogadores quando os craques lá não estão.
Até parece fácil encontrar muitos ‘neymares” no planeta bola.

Celio Messias/Gazeta Press
Tudo indicava mais uma quarta tranquila, uma noite de futebol sem muitas emoções , afinal o Campeonato Paulista não empolga. Para os grandes, adversários frágeis e sem grandes pretensões. Mas a calmaria da rodada foi marcada por um vexame histórico.
Jogando contra o Mirassol, o Palmeiras conseguiu se complicar de maneira vexatória, surpreendente e inexplicável. Como pode levar seis gols em 45 minutos de um time que sequer figura na zona de classificação? Trata-se de mais um daqueles acidentes que, teoricamente, não se repetirão tão cedo. Na prática, porém, com o Palmeiras esses “acidentes” têm sido comuns nos últimos anos. Quem não se lembra dos 7 a 2 para o Vitória da Bahia em pleno Palestra Itália ou dos 6 a 0 impostos pelo Coritiba há cerca de dois anos também pela Copa do Brasil? O risco de que essa anormalidade se torne rotina tira a paz do palmeirense que ainda padece da queda para a segunda divisão do campeonato brasileiro e que não tem muito do que se orgulhar, a não ser quando olha pra trás. O passado sim é glorioso, um tempo que não volta mais.
Vacilo
Diante da Penapolense, mesmo sem oito titulares – se é que podemos chamar de reservas jogadores como Jorge Henrique, Émerson, Romarinho e Chicão – no Pacaembu, o Corinthians cedeu o empate para o esforçado time comandado pelo ex-jogador Pintado. Apesar de poucos, os corintianos que foram ao estádio mereciam ver um time mais inspirado. Apesar do tédio, vai se classificar sem sustos.
Líder com méritos
Os são-paulinos não têm do que reclamar. O líder, contra o Paulista, mesmo em Jundiaí e também desfalcado, cumpriu bem com o seu papel e fez o que se esperava dele: tranquilos dois a zero. Se não brilhante, foi eficiente. Agora é o Corinthians no domingo. Que o clássico nos reserve a emoção que falta neste modorrento Paulistão.