Torcedor comum é cidadão e não traficante do Morro do Alemão

Um show de abuso policial aconteceu momentos antes da partida entre Palmeiras e Fluminense, domingo, na Arena Barueri. Torcedores dos dois clubes brigaram no estacionamento do estádio. Não importa quem bateu mais. No entanto, todos foram vítimas de uma repressão desnecessária, que poderia ter tido consequência desastrosas.

Vários ônibus do Fluminense vieram do Rio de Janeiro para São Paulo, aliás, convidados pela própria diretoria do Palmeiras (“venham comer macarronada em nossas cantinas e comemorar o título”, disse o diretor de futebol Pescarmona). Muitas família e casais de namorados, até fugindo da guerra civil entre polícia, exército e traficantes no morro do Alemão, pensaram que em São Paulo encontrariam paz.

Ledo engano. Bastou o tumulto no estacionamento para a Polícia Militar agir na repressão ao público. Aos gritos de “vamos circular”, valeu tudo, bombas de feito moral, gás de pimenta, balas de borracha e pancadas com porrete de borracha. As câmeras da TV Gazeta, no programa Mesa Redonda registraram tudo.

O ponto culminante da força desmedida foi quando um grupo de PMs encurralou torcedores do Fluminense em um dos portões de entrada da Arena Barueri. Eram cerca de dez pessoas. Desarmadas, sem o menor intuito de resistir à uma prisão se fosse o caso. Mas a PM não queria levar ninguém para o xadrez. Soldados deram uma demonstração de força, com extrema agressividade, com olhos transtornados e ávidos por violência.

Uma garota, desesperado ao ver o irmão ou namorado prestes a ser massacrado, começou a gritar. Talvez esse ato de desespero e as câmeras da TV Gazeta tenham evitado o pior. E aí surge um pergunta: se eles eram suspeitos de alguma coisa, por que não foram imobilizados e presos?

O que a polícia carioca fez no Complexo do Alemão realmente foi elogiável. Porém, em Barueri, ocorreu apenas mais uma briga entre torcedores, que deveriam ser presos. Apenas isso. O resto ficou por conta de um espetáculo grotesco e truculento. Torcedor, até que se prove o contrário, é cidadão e tem direitos. Crianças, mulheres e famílias inteiras que vão a um lugar se divertir não podem ser tratados como se fossem perigosos traficantes.

Abuso de poder é típico de um Estado sem Direito, de uma ditadura, de uma tirania. E me parece que esse não é o clima de um País que acabou de eleger governantes nas urnas, cuja a presidenta pertence a um partido de esquerda.

Dentro de campo, uma tremenda marmelada entre Palmeiras e Fluminense. Fora dele, violência e cenas de guerra. Pobre futebol brasileiro. A Copa de 2014 no Brasil, pelo jeito, será mais arriscada do que se fosse disputada no Iraque, Afeganistão ou Coreia do Norte.

E assim caminha a mediocridade…

A última pá de cal no Verdão de Belluzzo, Felipe, Kléber e Valdívia!!!

A derrota para o o Goiás, de virada por 2 a 1, em pleno Pacaembu lotado (aliás a Casa do Corinthians) foi a última pá de cal na administração de Luiz Gonzaga Belluzzo no Palmeiras. Nada deu certo na gestão do badalado economista, cheio de razão, autor de cálculos mirabolantes, dando a entender que futebol e economia nacional é a mesma coisa.

Primeiro, em 2009, Verdão embalou e ganhou seis jogos seguidos e empatou mais um no Brasileirão. O técnico era Jorginho. O que fez Belluzo? Foi buscar Muricy Ramalho. Time não teve pernas e nem canelas para segurar a onda e ficou fora da Libertadores 2010. Aí, então, o “golpe de mestre”: a volta de Luiz Felipe Scolari ao futebol brasileiro.

Negócio fechado na base de R$ 750 mil reais por mês (boa parte deles pagos pelo por patrocinadores, assim dizem). Homão da bola chegou do Uzbesquistão, totalmente desatualizado, restando apenas um passado brilhante e o carisma de ter sido pentacampeão pelo Brasil na Copa de 2002, na Coréia do Sul e no Japão.

E mais: vieram Kléber (Cruzeiro) e Valdívia (Al Ain, dos Emirados Árabes) a peso de ouro. O chileno custou R$ 25 milhões. Um absurdo. Felipão e todos “reforços” não se entrosaram, fora o goleiro Marcos que se contundiu feio. Fracassos somaram-se: Paulistão, Copa do Brasil (ainda sem Felipão), Brasileirão e agora Copa Sul-americana.

E o caso Valdívia? Afinal, o jogador veio “bichado” para o Parque Antártica ou se contundiu e o clube fez bobagem no tratamento dele? Ele fez falta na decisão contra o Goiás.

E os salários atrasados? Se não fosse o empresário do setor imobiliário Hugo Palaia, o Palmeiras teria falido há três meses, quando Belluzzo foi operado do coração e teve de ser afastado. Palaia pagou as contas e se viu no direito de se lançar candidato à presidência do clube. Mais duas facções irão brigar pelo poder, uma delas ligada ao ex-presidente Mustafá Contursi.

Dias de ira virão pela frente no Parque Antártica.

E assim caminha a mediocridade…

E tenho dito!