Existem pessoas que passam pela vida e ninguém percebe. Principalmente, por elas serem engolidas pela Roda Viva, aquela mesma da música do Chico Buarque de Holanda, aliás, torcedor do Fluminense (mas por ser um gênio está perdoado). Edu Gaspar tem um episódio marcante.
Em começo de carreira ainda, em um banquete de aniversário do Corinthians no Parque São Jorge, conheci a família Gaspar. Fui chamado pelos pais do atleta para ficar um pouco na mesa, conversando, tirando fotos. Numa delas, fiquei ladeado por Edu e a sua irmã. Os dois me deram um beijo no rosto ao mesmo tempo.
O carinho daquela gente foi enorme. Já se passaram tantos anos e ainda me lembro dos sorrisos, dos abraços, dos apertos de mão sinceros, das roupas e do perfume das pessoas. Meses depois, porém, uma tragédia: a irmãzinha de Edu, bonita, culta sofreu um acidente de carro com o namorado e morreu.
A moça, amigos e amigas, era uma princesa. Cabelos longos, sorriso de rainha, corpo certinho, inclusive também era manequim. Fiquei arrasado. Me coloquei no lugar do pai dela, de Edu, de todos da família. Chorei calado, para ser sincero e nunca tive coragem de comentar o assunto com o jogador.
Era um marco na vida daquele garoto, para o bem ou para o mal. Não deu outra: Edu Gaspar, valente, com sangue corintiano, maloqueiro e sofredor nas veias deu a volta por cima. Não teve medo de bater um dos pênaltis na decisão do Mundial de Clubes de 2000; pouco depois, foi para o Valência, para o Arsenal, para a seleção brasileira.
Como diria Euclides da Cunha, “o nordestino, antes de tudo, é um forte”. Um dia escreveu o filósofo alemão Nietzsche: “Aquilo que não nos mata, nos deixa mais fortes”. Tudo isso me vem à cabeça quando penso em Edu. Bela lição de vida.
Diante de uma grande perda, ele cresceu como jogador e ser humano. Para mim, é o cara certo no lugar correto e será um grande gerente de futebol do Corinthians.
E tenho dito!