Meus amigos e meus inimigos (como diria Matinas Suzuki, grande corintiano), o Corinthians completa 101 anos de existência nesta quinta-feira. Pouco mais da metade da minha vida, (tenho 57 anos) passei sorrindo, chorando, vibrando e defendendo esse clube. Talvez tenha sido o primerio jornalista da imprensa escrita e até de TV que tenha assumido torcer para o Timão. Pensei: “No Rio, Nélson Rodriguez incorpora o Fluminense. João Saldanha, o Botafogo. Aqui, em São Paulo, farei o mesmo com o meu Timão”.
Apoiado pelo Carlos Brickmann na “Folha da Tarde” e pelo Alberto Helena Junior na “TV Gazeta” pisei fundo. São quase quarenta anos de carreira de pura transparência. Nunca enganei ninguém. Sou Timão até morrer, gostem ou não. E nesse tempo todo, vi muitos Corinthians. Primeiro, um time ruim demais, mais perdia do que ganhava, por causa da briga pelo poder entre Wadih Helu e Vicente Matheus. Os dois já morreram, mas foi dose para cavalo. Passei 22 anos e seis meses para gritar “É campeão” (santo Basílio em 1977!!!). Depois, vieram Valdemar Pires e a Democracia Corinthiana, o conservador Roberto Pásqua e o nefasto Alberto Dualib.
Dualib enganou até a sombra dele. Ficou 14 anos no comando, ganhou 14 títulos e jogou o nome do clube na lama. Agora, o Andrés Sanchez. Esse me surpreendeu. Na época, fui a favor de Paulo Garcia. Andrés chegou com estilo, dominou o clube, ganhou dois títulos. Além disso, trouxe Ronaldo, Adriano (só falta jogar) e reabilitou o orgulho alvinegro saindo com categoria da Série B.
Hoje Sanchez vira 101 anos com Timão líder do Brasileirão, clube redemocratizado (mudaram os estatutos e presidente agora é eleito com voto direto do sócio), tem o CT mais moderno do mundo (o Joaquim Grava) e o Itaquerão começa a ganhar forma. Finalmente o Bando de Loucos terá uma casa, deixando de pagar aluguel para a Prefeitura no Pacaembu. Para os Bambis, nem pensar…
Todos presidentes ( bons ou ruins) ajudaram a construir esse gigante. No entanto, o maior patrimônio do clube é a Fiel torcida. Somos quase 40 milhões no mundo inteiro. Fizeram uma pesquisa no México e caras chegaram a esse número. Ganhando ou perdendo, o Bando de Loucos está sempre lá, ao lado da equipe, jogue quem jogar, custe o que custar. O maior patrimônio desse centenário Timão é esse. Foi isso que fez muitas vezes Ronaldo ir às lágrimas e mudar de time (deu um chute na bunda do Flamengo).
Meu velho e finado pai é que tinha razão. Um dia me carregando nos ombros rumo ao estádio Paulo Machado de Carvalho pela avenida Pacaembu me disse: “Filho, viemos aqui não para ver o Corinthians ganhar. Isso pouco importa. Viemos para ver o nosso Timão jogar”. As palavras daquele operário da indústria farmacêutica ficaram pregadas na minha alma. Toda vez que passo por ali, rezo pela alma do velho Chico e por outras 40 milhões de irmãos corintianos, que levam uma vida sofrida nessa Paulicéia Desvairada, sem saúde, sem escolas, sem segurança, muitas vezes sem comida no prato ou dinheiro no bolso.
Sinceramente, gostaria de viver mais 101 anos só para continuar torcendo por esse time.
VAI TIMÃO E VOLTA CARLITOS TEVEZ!!!
E tenho dito!