Brasileirão lembra “Hair”: todo mundo nú só no final

Brasileirão só acaba quando termina, como diria o finado Vicente Matheus. Ou seja, na última rodada. Quer dizer, as 38 rodadas anteriores não valeram absolutamente nada. Já era para um time ser campeão, ou não? Agora, o que tem de gente fazendo cálculo é uma grandeza.

O Timão atua por dois resultados: empate e vitória sobre o Palmeiras; o Vasco, por uma vitória sobre o Fla. Esses disputam o título.Verdão não cai e Fla ainda sonha com Libertadores.

Na rabeira, então, é uma loucura. Atlético PR pega Coritiba, na Arena da Baixada (Furacão pode cair e Coxa ir para Libertadores) . Atlético MG luta com o Cruzeiro (Galo escapou, mas Raposa ainda não).  Ceará (ameaçado) pega Bahia (aliviado). E assim por diante.

Dramalhões e dramalhãozinhos me lembram o que? Uma bela peça de teatro. E, na minha juventude, “Hair” (cabelo em inglês) era o bicho. O enredo falava de sexo, drogas e rock and roll. Mas o final era apoteótico: todo mundo ficava pelado no palco e rolava de tudo.

Está certo que a arte imita a vida, mas futebol brasileiro me recordar o “Hair” é o fim da picada.

E assim caminha a mediocridade…

Gol de Adriano vale mais do que todos de Luis Fabiano

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Longe de mim querer criar uma polêmica com os jornalistas são-paulinos, aliás, todos enrustidos, vibrando em silêncio e detonando o Timão quando podem. Mas o gol de Adriano, na virada histórica de 2 a 1 sobre o Atlético MG, valeu mais do que todos os feitos por Luis Fabiano até agora.

É fácil entender. O do Imperador pode ter sido o do título do Brasileirão 2011. Fica a questão: qual a contratação valeu mais, a de Adriano pelo Timão ou a de Luís Fabiano, pelo Tricolor? Responda e no final você ganha uma fitinha cor de rosa ou uma faixa de campeão.

É nóis.

E tenho dito!

Timão cala boca dos infiéis e já está na Libertadores 2012

O Corinthians não levou sorte de campeão e nem faltam sete pontos para ser campeão. Contra o Ceará, o time do Bando de Loucos conseguiu sim uma vaga para a cobiçada Libertadores 2012, isso faltando três rodadas do término do Brasileirão. Essa, por si mesma, já foi uma grande conquista. Afinal, durante todo ano equipe esteve desacreditada pela maioria dos coleguinhas da imprensa, daqui de São Paulo e principalmente do Rio de Janeiro.

Primeiro, o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho era o time dos sonhos. Depois, Louco Abreu foi considerado uma mistura de Neymar com Pelé no Botafogo (juro que falaram isso na Sportv), sem falar de Fred e Rafael Sóbis do Fluminense, a dupla infernal do campeonato. Gozado, do Vasco já classificado para Libertadores, pouco disseram. Deve ser ranço por Eurico Miranda, que não tem mais nada a ver.

No primeiro turno, endeusaram o São Paulo, rasgaram seda para Felipão no Verdão e colocaram o Santos no Panteão dos Deuses Gregos. Modestamente, Timão foi comendo pelas beiradas, com um futebol competição, na base do trabalho, persistência e muita garra. A Libertadores já está garantida. Para consagrar, só falta o título. A Fiel merece.

E tenho dito!

Desprezado pela Globo, Romário compra briga da Record

O deputado federal Romário intensificou ataques contra a CBF, mais especificamente no alvo mor Ricardo Teixeira, mas foi extremamente desagradável com o Eterno Rei do Futebol, Pelé. Falou vários palavrões quando se referia ao Embaixador do Brasil na Copa 2014, alegando até que existiam “negociatas” entre a entidade e o ex-jogador. Por ter a tal da imunidade parlamentar, nada irá afetá-lo judicialmente.

Na verdade, o que parece um ato de coragem, exigindo transparência de entidades oficiais, pode não passar de um mero ataque pessoal. Na Copa de 2010, Romário foi usado pela mesma CBF em várias ocasiões, também como embaixador, e ele se prestou a isso. Triste é perceber que depois de fechar acordo com a Record, a emissora do Bispo Macedo, e ser comentarista nos Jogos do Pan, jogador passou a atacar a Globo.

Para quem não lembra, as duas emissoras brigaram para ter o Brasileirão em 2012, e a Globo ganhou, graças ao rompimento do Corinthians com o Clube dos 13. Atrás do Timão, veio o Flamengo, depois o Vasco, culminando com a adesão do São Paulo e do Atlético Mineiro, os últimos da fila. Daí em diante, Record começou com graves “denúncias” contra Globo, Corinthians e outros que “se atreveram” ficar contra dela.

Depois de contratado pela Record, Romário mudou. Ficou bocudo e pegou a Copa 2014, evento ao qual a Record não tem o mínimo direito de transmissão, e começou a despejar um caminhão de melancia em cima. Pena que um cara tão importante quanto ele para o futebol brasileiro se preste a esse serviço de menino de recados do bispo Macedo.

E assim caminha a mediocridade…

Sanchez fala muito e pode prejudicar instável Timão

Não é de agora que o presidente Andrés Sanchez fala demais. No desembarque da equipe vinda de Uberlândia, após a derrota desastrosa para o América MG, disparou novo repertório. Cartola corintiano deveria dar uma bronca sim no elenco, mas entre quatro paredes. O que vai adiantar desmoralizar o time publicamente nesse momento? Nada, absolutamente nada, a não ser mostrar autoridade para torcida e aparecer carrancudo na TV.

Gozado que no começo da semana passada, Sanchez deu entrevista e liberou a cachaça para Adriano, rebateu críticas de um dirigente do Vasco sobre a festa da Globo ser em São Paulo para os melhores do Brasileirão, dentre outras bobagens. Nos últimos tempos, verdade seja dita, a língua de Sanchez anda afiadíssima.

Toda reunião dos clubes com a TV é um show de palavrões e absurdos desnecessários. Dirigentes da Globo já estão fazendo cara feia para o corintiano, que gosta de chamá-los de gangsters. Sem falar que, dispensando a ética, pisa na cabeça dos candidatos da Oposição para as próximas eleições do clube, em janeiro, alegando que, se quiser, “elege uma cadeira”.

Não é por aí. Dirigente está visivelmente estressado e mais atrapalha do que ajuda nesse momento de instabilidade da equipe. Sanchez joga muito para a torcida, gosta de provocar, criar situações incômodas, dar baixarias. É um excelente administrador, sem dúvida, mas se esquece do velho e bom ditado do tempos das nossas avós: “Os calados vencem”.

E assim caminha a mediocridade…