Quietos: o Reimarinho do Timão pede passagem

AFP

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Corintiano que se preza acredita, sempre. Crê em bruxas, maldições, duendes, mau olhado, magia, orações, milagres. E foi exatamente isso que Deus ofereceu ao Timão nessa final da Libertadores. Um presente caiu do Céu no coração da Fiel torcida: Romarinho. Esse moleque calou o estádio de La Bombonera, marcando o gol de empate do Timão, 1 a 1, contra o Boca Juniors e deixou tudo mais fácil para quarta-feira próxima, agora no Pacaembu.

Graças a ele, metade do Brasil chorou, riu, cantou até o sol raiar e leva a maior fé de que o sonho de conquistar a Libertadores está cada vez mais perto de ser realizado. Afinal, Timão continua invicto na competição. Resultado diante dos hermanos foi excelente. E gozado: torcida alvinegra inteira estava nervosa, aflita, desesperada, menos o iluminado Romarinho.

Valeu mesmo a irresponsabilidade. Os 50 mil argentinos fanáticos, às vezes patéticos (como Maradona por exemplo em seu famoso camarim) tiveram de se ajoelhar de raiva diante do moleque de Bragança. Toque por cima do goleiro Orion lembrou Garrincha, Coutinho, Tostão, Careca, Ronaldo Fenômeno e até o homônimo Romário mesmo. Parecia estar ele em uma pelada de rua, de praia, de fazenda como se não fosse absolutamente nada.

O futebol brasileiro é abençoado. De repente, nasceu mais uma esperança para a bola nacional.

E tenho dito!

Calem-se todos: o sonho da Fiel está cada vez mais próximo

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

O feito histórico de passar para uma final de Libertadores após 102 anos de existência foi o de menos para o Corinthians. O 1 a 1 contra o Santos provou muita coisa. Primeiro, calou a boca de anticorintianos declarados na imprensa. A começar pelos colegas da Rede Globo. Todos estavam visivelmente do lado do tal Peixe, que se arrastou em campo na etapa final, amarelou de novo (como contra o Barcelona) e ninguém falou nada.

Tapou a boca também de quem endeusava demais Neymar e Ganso, os pseudos novos Meninos da Vila. Ora, em 2011 ganharam na final do Peñarol, do Uruguai, um timeco para dizer a verdade. Esse ano, conquistaram um Paulistão, campeonato estadual sem o menor glamour em cima do Guarani, na Segundona do Brasileirão.

E o desrespeito com esse time do Corinthians, então? Uma equipe sem estrelas, mas raçuda, cheia de garra, vergonha na cara, sem frescura. Um time de homens e não de moleques metidos, querendo fazer a dancinha da chuva. Timão quer é vencer, custe o que custar, doa a quem doer.

Na final da Libertadores e sem ataque. Dispensou Adriano; Sheik foi expulso; Liedson, coitado, se arrasta em campo; William corre estabanado; Jorge Henrique marca o tempo todo. Mas os gols saem da cabeça de Paulinho, dos pés de Danilo, do grito da Fiel.

Vai Corinthians, mil vezes vai Corinthians!

O sonho da Libertadores está a dois jogos apenas.

E tenho dito!

Corinthians unido, jamais será vencido: amém!

Deve ser difícil para quem não é corintiano tentar entender o Corinthians. No lançamento oficial do livro “O Mais Louco do Bando”, sobre a trajetória do ex-presidente Andrés Sanchez, todo mundo compareceu. Ou seja, gente da Oposição e da Situação tomou um vinhozinho junto, conversou, trataram-se com educação e foram gentis uns com os outros.

Basta o nome “Corinthians” estar presente para o solo virar “sagrado”. E, nessas circunstâncias, existe uma confraternização imensa, honesta e sincera. Conviveram durante horas, além de Sanchez, Mário Gobbi, o médico Joaquim Grava, o discreto André Negrão, o polêmico Antônio Roque Citadini, Paulo Garcia, dentre outros personagens da história recente do clube sem maiores problemas.

E por que? Simples: mais importante que a vaidade pessoal, os conflitos de opinião, as posições políticas está o clube, o sagrado Corinthians. Há tempos digo que, para mim, não tem diferença entre ir a um culto religioso e assistir a um jogo do Timão. Não, isso não é uma heresia.

Muitos caminhos levam a Deus. Para mim e 40 milhões de brasileiros, torcer para o Timão é encontrar-se com o Criador em vida.

E tenho dito!

Timão vira leão na Vila e devora, Santos, Neymar e até apagão

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Corinthians venceu e convenceu na vitória de 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, no primeiro jogo da semifinal da Libertadores. Para dizer a verdade, um empate já estaria bom até demais. Uma vitória, então, ficou de um belíssimo tamanho. Ruim mesmo foi jogar na Vila Belmiro.

A cidade de Santos merecia um estádio melhor. Local é acanhado (apenas 17 mil torcedores) e, mesmo sendo garibado nos último anos, está precário demais. O apagão faltando 9 minutos para o jogo acabar foi de uma várzea total. Realmente é um estádio ultrapassado. Deveria ser fechado e virar museu, para honrar o passado glorioso de Pelé.

Já que o estádio é uma porcaria, o time do Santos esteve proporcional. Levou um nó tático do Timão. E quando chegou, lá estava o paredão Cássio, evitando pelo pior. Timão atuou na santa paz. Nem parecia o velho e complicado Corinthians, acostumado a tremer em Libertadores.

Quem apagou foi o Santos.

E tenho dito!

Retranca de Tite custa mais uma vez muito caro para o Timão

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O técnico Tite deve ser um dos caras mais teimosos que já vi na minha vida. No empate de 1 a 1, nesta quinta-feira, diante do Figueirense, pelo Brasileirão, provou mais uma vez que ele só sai para cima do adversário quando está por baixo, na desvantagem. Caso contrário, segura o modesto 1 a 0 e administra lá atrás, na mais profunda e inexplicável retranca.

Não tem lógica. O Figueira é uma equipe em renovação. Corinthians só tem macaco velho em campo. Média dos jogadores é de quase 28 anos. Fez 1 a 0 no primeiro tempo com Danilo. Os caras tiveram um jogador expulso aos 17 do segundo tempo. Ora bolas: tira um defensor e coloca um atacante, mata o jogo e ai sim administra.

Tite, porém, esperou levar o gol de empate para fazer mudanças mirabolantes. A mais gritante foi a saída de Chicão para a entrada de Elton. Para que tanto desespero? Era só partir para cima quando tinha chance para ampliar o placar. Resultado péssimo. Timão é vice-lanterna. Só perde para a Portuguesa.

E assim caminha a mediocridade…