Mundo ajoealhado aos pés do bicampeão Corinthians

Fiquei na dúvida. O herói do bicampeonato mundial foi quem? O goleiro Cássio, autor de grandes defesas, algumas milagrosas? Teria sido Paolo Guerrero, autor do gol do título diante do Chelsea? Ou seria o raçudo Émerson Sheik, o clássico Paulinho, o valente Alessandro, o maloqueiro Jorge Henrique, o intelectual Paulo André, o caipira Chicão, o vigoroso Ralf ou o experiente Danilo? Não sei a resposta. Mas também não tem a mínima importância.

Meu coração chora de alegria. Gozado: as lágrimas não saem. Acho que é por respeito à Fiel Torcida como um todo. O amor do Bando de Louco é tão grande, fortíssimo, que faz a gente engolir o choro. Só temos o direito de reverenciá-la e dizer muito obrigado. Mais nada. Na minha campanha política, andei pela periferia de São Paulo. Vi de perto o sofrimento dessa gente, que ainda se veste com roupa rasgada, é vítima de violência familiar, social e da polícia. Muita gente ainda nem tem o que comer. Nessas horas, se alimenta de amor, amor pelo Timão.

Sei que isso não enche barriga, mas faz a grande massa corintiana, maloqueira e sofredora na essência, não perder a esperança em dias melhores. O Corinthians é o símbolo da felicidade possível. Talvez um dia o Bando de Loucos seja realmente um Bando de Loucos com saúde, boa educação, transporte dígno, salários razoáveis, casa própria com escritura e atinja a cidadania real, não a sonhada.

Viva o nosso Timão, que chega ao topo do mundo pela segunda vez.

E tenho dito!

Chelsea arrebenta mexicanos e deixa lição para Timão na grande decisão

O Chelsea passou pelo Monterrey como uma faca quente corta manteiga: goleou sem dificuldades, deu show de bola e garantiou presença na final do Mundial de Clubes contra o Corinthians, domingo, às 8h30. Mas qual foi a lição deixada para todos? Simples: o Corinthians vencia os árabes por 1 a 0 e recuou para garantir o resultado. O time inglês também fez 1 a 0 no primeiro tempo, mas partiu para cima e decidiu. Ou seja, pegou os mexicanos no contra-pé.

O técnico Rafa Benitez soltou o Chelsea e arrasou. Tite segurou o Coringão e se complicou. Sacaram a diferença de mentalidade? Tecnicamente, a equipe inglesa tem mais recursos também. No entanto, a defesa alvinegra é melhor. Existe um equilíbrio, na essência. A diferença, podem estar certos, fica por conta da atitude dos treinadores. Sobra cautela para Tite e Rafa vende ousadia, no atacado e no varejo.

Que dureza

E tenho dito!

Argentinos têm razão: São Paulo é campeão na violência e no grito

O São Paulo pode até ter sido declarado campeão da Copa Sul-Americana de Futebol, uma espécie de Série B da Libertadores, ao vencer o Tigre da Argentina por 2 a 0. No entanto, o jogo teve um tempo só. No intervalo, hermanos dizem terem sido coagidos e agredidos por seguranças tricolores, não retornaram para a etapa final, perdendo por abandono de jogo. Aqui entre nós, uma decisão dígna da tal Copa Kaiser. Nem aí já aconteceu uma baixaria dessas e olhem que os participantes são da pesada.

Não venham me dizer que o argentinos estavam com medo de ser goleados. Essa palavra “medo” não existe no vocabulário portenho. Tudo leva a crer que eles quiseram sair na mão com os são-paulinos e seguranças, reforçados pela PM, entraram no meio e baixaram o pau nos caras. O que está errado. A polícia está lá para coagir e não reagir, ainda mais porque quem causou todo tumulto foi um jogador do São Paulo, o menino Lucas, ao mostrar para um adversário um chumaço de algodão cheio de sangue tirado do próprio nariz.

Dois jogadores foram expulsos no intervalo após a confusão: Paulo Miranda e o tal de Diaz. Lucas, causador de todo tumulto, acabou poupado. Pior ainda: protegido e endeusado pelos companheiros, diretoria e torcedores. Dá a impressão que o São Paulo seria campeão de qualquer jeito, na base do “custe o que custar”, como nos tempos do finado Porfírio da Paz e de Laudo Natel. Dizem que o militar assistia jogos do banco no Morumbi armado, numa clara coação à arbitragem.

Só de lembrar que o Timão levou a Libertadores de forma invicta e contra o Boca Juniors, dá vontade de vomitar vendo esse título conquistado pelo São Paulo diante do Tigre (o “Guarani” dos hermanos), na base da porrada, da coação e do apito (o gol de Oswaldo, o segundo, estava em completo impedimento). Final vergonhosa, isso sim, vencida no grito pelos tricolores.

E ainda vamos sediar a Copa de 2014.

E assim caminham o desespero e a mediocridade…Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Falta jogo de cintura para Tite, mas Timão está na final

Futebol não é de forma alguma uma ciência exata. Pelo contrário. Depende mais da intuição do que da razão, dos cálculos, de números ou fórmulas. Por isso, graças à uma tremenda falta de cintura do técnico Tite, o Corinthians venceu o Al Ahly (Egito) por 1 a 0, passando um grande sufoco, nesta quarta-feira, pela manhã, pelo Mundial de Clubes, no Japão. A classificação veio, mas com os calções na mão.

Explico: no primeiro tempo, Tite fez o time jogar em função do Guerrero. Por incrível que pareça, deu certo. O peruano fez um gol de cabeça em cruzamento de Douglas. Na etapa final, os adversários perceberam a tática alvinegra, foram para cima e quase empataram e viraram no placar. Faltou para eles categoria no momento da finalização, para sorte do Bando de Louco, com quase 20 mil pessoas presentes no estádio.

Era simples Tite resolver o problema. Bastava sacar Guerrero (figura inútil na etapa final) colocar Romarinho, deixando espaço livre para Paulinho chegar de trás, como sempre aconteceu. Errou em tirar Emerson Sheik, atacante talhado para decisões. Ou seja, Tite preferiu ganhar no sufoco por 1 a 0 do que vencer com  facilidade de 4 a 0, deixando o time mais solto e leve no gramado.

Se conheço meu eleitorado, final será um baita sufoco também.

E tenho dito!

Torcedores dão péssimo adeus ao Timão e bola aos pés dos políticos

Embarque do Corinthians - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Embarque do Corinthians - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Não bastasse o Timão desperdir-se em campo dando vexame, membros de torcidas organizadas do clube resolveram quebrar o aeroporto de Cumbica antes da equipe alvinegra embarcar para o Japão. Selvageria total. Ausência de civilidade, coisa de gente despreparada para o sucesso ou para o fracasso, estados naturais na vida de qualquer pessoa, instituição ou time de futebol. Uma confusão desnecessária, no limite entre o ridículo e o absurdo. De novo, senti vergonha de ser corintiano. Triste, muito triste.

Distante alguns quilômetros, na Zona Sul, a festa dos Melhores do Ano da CBF. Promotores e CBF de parabéns. Detalhes pensados e problemas quase inexistentes. Lembrou um show da Broadway. Eu e centenas de jornalistas fomos convidados. No entanto, ninguém tinha caminho livre sem a tal pulseira azul. Pensei: se não posso chegar nos atletas, o que estava fazendo ali?

Qual meu espanto quando tive de pedir para um assessor do deputado Campos Machado para me colocar na “Zona do Agrião”. Como ex-candidado a vereador pelo PTB tive total liberdade para circular entre as mesas. Ou seja, como jornalista fui barrado no baile. Com pseudopolítico (não tenho cargo oficial nenhum) cumprimentei o governador Geraldo Alckmin; o presidente da CBF, José Maria Marin, os jogadores e quem bem o entendi. Mais um pouco, até subiria no palco com todos eles, chamado pelos companheiros da Globo.

Foi bem o que eu vi durante minha campanha política pela periferia de São Paulo: enquanto os políticos mandam e desmandam, o povo quebra tudo, arrebenta, mata e morre sem saber porque.

E assim caminham a sociedade brasileira, a política, os torcedores, os “jornalistas”, o futebol e a mediocridade…

E tenho dito!

Despedida triste e melancólica do Timão, humilhado pelos reservas tricolores

São Paulo e Corinthians pela trigésima oitava rodada do Brasileirão 2012 - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

São Paulo e Corinthians pela trigésima oitava rodada do Brasileirão 2012 - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi uma vergonha. Perder de 3 a 1 para o São Paulo, em qualquer circunstância, é péssimo. Não engulo a desculpa de que a equipe está com a cabeça no Japão, pensando no Mundial de Clubes. Se era para entrar em campo sem colocar o pezinho em bolas divididas, era bom o elenco ter-se reunido com o técnico Tite, explicado a situação e o Timão colocado os reservas também.

Na verdade, só o corpo dos jogadores alvinegros estava no Pacaembu. O pensamento, pelo contrário, fixou-se no Oriente do Planeta, na Terra do Sol Nascente. Então, para que sacrificar um elenco brigador, com dignidade, campeão Brasileiro na raça em 2011 e invicto na Libertadores 2012?.

É bom o técnico Tite e alguns jogadores terem muitos pesadêlos na viagem. Eles merecem.

E tenho dito!