Teoria na prática é outra, Tite que o diga…

Gazeta Press

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O eterno Joelmir Beting (um dos melhores jornalista da área econômica do planeta), justificava análises de crises sociais e políticas com a famosa frase: “Na prática, a teoria é outra”. Ele tinha razão. Sujeito às vezes chega a um cargo político cheio de boa vontade, bem intencionado, a fim de trabalhar como leão e acaba sendo “engolido pelo sistema” e vira um cordeirinho. Explica-se: a Cultura é um caminhão e o indivíduo, um fusquinha. No choque, no acidente, sobra sempre para o fusquinha. O mesmo se aplica à Educação, à Saúde, a patrões e empregados. Pior: quase ninguém tem consciência disso, mas a Civilização exige sempre um culpado, um bode expiatório para pagar o pato. Um vilão, um imbecil. A cruz de Cristo precisa ser carregada ao logo da história sempre.

No Esporte, claro, não é diferente. Vejam,, por exemplo, o caso do Corinthians do técnico Tite. Antes de voltar à ativa,o esforçado Adenor Bacchi resolver se reciclar. Viajou pela Europa, conversou com Deus e o mundo. Viu treinamentos das melhores equipes da Terra. Prestou atenção na preparação física, na alimentação, no relacionamento entre jogadores e desses com cartolas e técnicos. Fez anotações, tirou dúvidas, acrescentou melhorias, tentou adaptar o aprendizado à realidade brasileira.

E no que soe acontecer, a máxima de Joelmir (aliás palmeirense roxo) ressurgiu da história: “Na prática, a teoria é outra”. Eu acrescentaria, bem outra em termos de futebol. Tite pegou um Corinthians montado “a ferro e fogo” pelo polêmico Mano Menezes. Classificado para a Pré Libertadores (ficou em 4º lugar no Brasileirão 2014). Puxou dali, pegou de lá. Contratou pouco e aproveitou à base de Mano. Só deu a ela uma cara diferente. De 4-4-2 a transformou em 4-1-4-1. No começo, um sucesso. Amigo Casagrande, entusiasmado, chegou a dizer na TV Globo que o Timão poderia disputar tranquilamente a Liga dos Campeões da Europa. Naquele momento, o Casão estava correto.

No entanto, nada mais ingrato do que desgosto de filha e torcer para um time de futebol irregular, sem confiança. As duas coisas fazem sofrer demais. Você fica com um olho no peixe e outro no gato. Timão atingiu um pico antes da hora. Quando foi para decidir, duas pauladas em plena Arena de Itaquera. Derrotas para o Palmeiras (nos pênaltis pela semifinal do Paulistão) e para o Guarani (desclassificado da Libertadores).

O saudoso Joelmir Beting, aliás pai do competente companheiro e amigo Mauro Beting, descobriu a pólvora do esforço inútil: “Na prática, a teoria é outra”. Em termos de resultado, o retorno de Tite por enquanto configurou-se em um enorme desastre. Nada deu certo. Táticas, esquema, dinâmica de grupo, preparação física. De Vágner Love a Cristian, passando por Renato Augusto (amarela na hora H), pelo atrapalhado Felipe e chegando ao goleiro Cássio. Tudo errado.

Timão não passa de um cavalo paraguaio. Disparou na frente, cansou e perdeu para os azarões no páreo da bola. Tite ficou mais sábio teoricamente. Porém, ainda não conseguiu explicar direito o caminho do sucesso para os jogadores. Falhou como professor e como aluno. Estudou, estudou e foi mal na prova.

Tirou zero com louvor.

E tenho dito!

Liberdade para Dudu, já!

Tribunal da bola precisa “corrigir” não “punir”, eis a questão no caso de Dudu.

Um grande empresário amigo meu (não gosta de aparecer por isso vou omitir o nome) sempre alerta: “Não podemos dar um tiro no pé; bombardear o nosso próprio forte”. Ou seja, não basta cumprir a Lei para fazer justiça. A tal da “Deusa Cega” também é uma questão de gestão. Vejam, por exemplo, o caso de Dudu, do Palmeiras. O garoto pegou 180 dias de punição (seis meses) por ter “agredido” o árbitro Guilherme Ceretta de Lima na final contra o Santos, na Vila Belmiro. Sem dúvida, sentença exagerada.

O rapaz tem apenas 23 anos. Perdeu a cabeça é verdade. Agiu no calor da emoção. Mesmo porque, se parasse para pensar, só o tamanho de Ceretta já o intimidaria (juiz é forte, grandão e briga bem, segundo meu amigo Oscar Roberto Godoy). Depois, Dudu havia perdido um pênalti na partida anterior (1 a 0 para o Palmeiras no Allianz Parque) e ficou visivelmente afetado por isso. Além do mais, e esse é um aspecto importante, o garoto é uma das gratas revelações do combalido futebol brasileiro e ficar afastado de jogos oficiais por tanto tempo seria punir um talento.

Como diria o filósofo grego Aristóteles, “o equilíbrio está no meio”. O bom senso manda essa tal pena cair para, no máximo, um mês ou cinco jogos, além de serviços comunitários em escolinhas de futebol (uma boa ideia, por que não?). Dudu aprenderia a controlar o gênio explosivo numa boa. Entenderia sem traumas o tamanho da besteira que fez e, com certeza, nunca mais a repetiria. Se fosse o caso, promover um encontro dele com o Ceretta onde seriam pedidas desculpas públicas.

Ou seja, um corretivo no rapaz estaria bem demais. Uma “enquadrada”. O Palmeiras, um clube investidor e bem administrado nos últimos tempos, também seria beneficiado pela boa gestão e não pagaria caro vendo um alto investimento “bloqueado” pela Justiça da Bola.

Futebol, minha gente, não é guerra. Dudu não cometeu nenhum “crime hediondo”.  Nessa idade, até craques renomados como Pelé, Rivellino, Renato Gaúcho, Enéas, Dênner fizeram bobagens parecidas em épocas passadas. No futebol, a bola não deve punir e sim corrigir.

Liberdade para Dudu, já!

E tenho dito!

 

Trem Maldito apita, Ponte ganha e afunda Tricolor…

Rogério Ceni salvou São Paulo de goleada e ainda consolou Paulo Miranda. Gazeta Press

O mito do “Apito do Trem” caiu por terra, neste domingo à noite, em Campinas. A Ponte Preta venceu o São Paulo por 1 a 0, golaço de Renato Cajá e poderia ter goleado o combalido adversário, eliminado pelo Cruzeiro na Libertadores nas cobranças de pênalti quarta-feira última se não fosse a grande atuação do goleiro Rogério Ceni, prestes a se aposentar. E a maldição do “Trem”? Explico: toda a vez que o trenzinho passava perto do Moisés Lucarelli e apita, cinco minutos depois a Macaca levava um gol.  Desta vez aconteceu o contrário.

Cinco minutos depois, aos 19 minutos, Renato Cajá percebeu Rogério Ceni adiantado e tocou por cobertura, marcando um belíssimo gol. “Barrigudinho”, goleiro ainda tocou na bola. A maldição do “Apito do Trem” desmanchou no ar. Animada, a Macaca deu um baile no adversário. Toque para lá e para cá, Tricolor ficou na “roda”. Cajá ainda acertou uma bola na trave. Ceni, como o velho e bom arqueiro de time pequeno, destacou-se. Só dava ele pegando até pensamento. Salvou, no mínimo, três gols certos. Por punição da CBF, público foi proibido de assistir a partida.

Diretoria são-paulina deverá arregaçar as mangas e arrumar, de cara, um técnico ou oficializar Mílton Cruz. Afinal, Rogério não estará ali por muito tempo. O campeonato brasileiro ainda está no começo e tem muita água para correr debaixo da ponte. Ou seria Ponte, com “P” maiúsculo?

PALMEIRAS SE ENROSCA, MAS SEGURA JOINVILLE

Egidio também teve de correr atrás do veterano Marcelinho Paraíba. Giuliano Gomes / Gazeta Press

Em outra partida sem torcida, o Joinville e Palmeiras empataram em 0 a 0. Duas equipes pecaram nas finalizações, embora tenham criado oportunidades para mexer no placar. Faltou qualidade. O técnico Oswaldo Oliveira insiste com Dudu solto pela esquerda, correndo desenfreadamente atrás da bola. Jogador exerceu mais uma vez uma função inútil em termos ofensivos. Não cruzou, nem chutou.

Pelo meio-campo, Valdívia era o mais lúcido como sempre. No entanto, encontrou dificuldades para tabelar com Rafael Marques. Já Zé Roberto passou apertado pela lateral-esquerda. Teve muito trabalho para conter a velocidade de outro veterano, Marcelinho Paraíba e às vezes de Kemps. Aliás, Paraíba fez aniversário neste domingo, completou 40 anos. Deixou o gramado frustrado. Queria marcar um gol e soprar velinhas com à família depois. Ledo engano. Agora, o Joinville está há cinco jogos sem vencer.

Paciência.

E tenho dito!

 

Santos faz gato e sapato do mistão do Cruzeiro

Menino Geuvânio marcou um golaço, só para variar. Djalma Vassão/Gazeta Press

O placar de 1 a 0, gol de Geuvânio, não expressou o domínio do Santos na vitória sobre o Cruzeiro, nesta tarde de domingo, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão. O time misto armado pelo técnico Marcelo Oliveira escapou de uma goleada histórica. Duas bolas foram tiradas em cima da linha e várias outras oportunidades foram desperdiçadas. Equipe santista reencontra o futebol campeão paulista e deixa claro a grande facilidade de atuar em casa. Estádio será, sem dúvida, uma grande arma para o Peixe na competição.

O treinador peixeiro, Marcelo Fernandes, soube usar muito bem o fator campo. Armou o esquema tática em um poderoso 4-3-3, com Lucas Lima colocando Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho a todo instante em condições de mandar a bola para o gol. Sem falar nos deslocamentos, sempre objetivos e conscientes, de Robinho, meio que “flutuando” pelo gramado e deixando a defesa adversária maluca.

Já o esquadrão mineiro, por sua vez, mostrou-se fora de órbita. Ou melhor, com cabeça, corpo e membros na Libertadores (quarta-feira enfrenta o River Plate, na Argentina, na primeira partida das Quartas). No fundo, entrou para não perder, criando pouco. William precisa ainda ser apresentado para “Henrique” (ex-Palmeiras), por exemplo, tão grande o desentrosamento entre eles.

Fabrício evitou um gol certo de Robinho. Minutos depois, já na etapa final, Eurico repetiu a dose em bola chutada por Gabigol. Para os cruzeirenses, o empate esteve na cabeça de Gabriel Xavier (substituiu De Arrascaeta), em cruzamento de Marquinhos. Bom futebol do Santos, excelente vitória. Na quarta-feira, tem Copa do Brasil diante do Sport, em Recife. Boa sorte!

E tenho dito!

 

Timão junta cacos e ganha outra no Brasileirão

Golzinho estranho e salvador de Fábio Santos muito festejado pelos corintianos. José Luiz Silva/Gazeta Press

Temporada dura pela frente. O Corinthians viveu mais uma etapa do calvário depois da desclassificação da Libertadores para o desconhecido Guarani, do Paraguai. Para serenar os ânimos, outra vitória no Brasileirão. Aliás, a segunda seguida (derrotou reservas do Cruzeiro na estreia). A “vítima” foi a Chapecoense, com um gol de Fábio Santos. A partida aconteceu em Araraquara por uma punição do campeonato passado (sinalizadores contra o Grêmio em Itaquera) e, mesmo assim, os pouco mais de 10 mil torcedores presentes no estádio vaiaram e xingaram jogadores de “mercenários” e “vagabundos”.

Pressão total. Na sexta à tarde e na manhã deste sábado, protestos semelhantes aconteceram no CT Joaquim Grava e no Parque São Jorge. Por causa do clima negativo, claro, o time rendeu pouco. O gol saiu, diga-se, em um lance de sorte. Jadson rolou para Fábio Santos. Ele vinha na corrida e bateu forte. Goleiro Danilo iria fazer a defesa. Porém, no caminho, bola bateu na cabeça de Mendoza e morreu no fundo do gol. Antes, Timão começou tocando e imprimindo ritmo forte. Guerrero arriscou e de longe e Jadson acertou uma bela cabeçada. Nos dois lances perigosos, Danilo fez defesas extraordinárias.

O técnico Tite, pelo menos, abandonou o 4-1-4-1. Entrou no velho e bom 4-3-3, depois variou para um 4-4-2 levando o adversário no banho maria. A falta de confiança de alguns jogadores é nítida. Elias, por exemplo, até substituído por Bruno Henrique na etapa final. O próprio Guerrero. Precipitado, tentou resolver o jogo sozinho, na busca desesperada pelos gols que tanto fizeram falta na Libertadores. Um ponto positivo: a zaga formada por Edu Dracena e Gil esteve impecável nas bolas cruzadas, o que não acontecia com Felipe em campo.

Abalado, Corinthians junta os cacos e dorme na liderança do Brasileirão. Menos mal.

E tenho dito!

Terror nas arquibancadas prejudica Corinthians e Boca

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Ainda está bem viva na memória a emoção sentida. Abri a “Folha de S. Paulo” em um dia perdido de 1980 e li uma frase lapidar do finado jornalista José Roberto de Aquino: “Todos times têm uma torcida. O Corinthians é uma torcida que tem um time”. Era a pura verdade. Os meus olhos marejaram no mesmo instante. Fiel era parceira, valente e estava com o Timão até morrer. Provou ser assim esperando um título por 22 anos. Atuava como o “12º jogador”.  Exalava bons fluídos das arquibancadas, outrora baratas e populares.

No entanto, o cenário atual deixou de ser romântico como naquele tempo. O perfil do uniformizado mudou. Muitos não trabalham e vivem para torcer. Transformaram a poética vibração de antigamente em uma profissão informal. A guerra entre esses senhores passou dos limites dos estádios. Cem famílias (de todos os clubes) já choraram “guerreiros” mortos nos últimos 30 anos. A Gaviões da Fiel superou-se. Teve integrantes envolvidos na morte do menino boliviano Kelvin Espada em 2013, em Oruro. Por isso mesmo, clube sofre retaliação na Conmebol nos bastidores. Será difícil ser campeão outra vez na Libertadores. Ferida do ódio sempre demora para cicatrizar.

Na quinta-feira, a torcida do Boca agiu violentamente atingindo com gás de pimenta jogadores do River Plate, na segunda partida das Oitavas da competição. Resultado: a Conmebol deve anunciar a qualquer momento a eliminação do ex-clube de Maradona, Riquelme e Tevez, indicando o River como adversário do Cruzeiro (despachou o São Paulo). Ou seja, a equipe de melhor campanha na fase classificatória do torneio será desclassificada por causa de um imbecil, aloprado, maníaco, que de repente resolveu “entrar em campo” e definir a vaga.

Desta vez, ninguém morreu. Gaviões ainda detém o recorde dos recordes da estupidez. Os fanáticos do Boca, porém, atrapalharam o clube da mesma forma. Esse tipo de “amor”, de “dedicação” não serve. Torcida existe para vibrar, empurrar a equipe, dar sustentação psicológica na hora “h”, quando o futebol e a fadiga se acotovelam na exaustão máxima da disputa esportiva.

Torcida uniformizadas de Corinthians e Boca, hoje, são um fardo. Pesam contra. Querem ser maiores do que o clubes. E caem na delinquência, agem fora da Lei, fazem justiça com as próprias mãos. Para eles, o futebol é guerra. O profissionalismo dentro de campo não existe. É facção A contra B. Lembram sem dúvida a forma de pensar de alguns fundamentalistas islâmicos em relação a Maomé. Não deixa de ser um tipo de “terrorismo”. Um “buling” coletivo.

Quem são eles para impor a dor sobre o amor? Agem sem a menor civilidade. Matam e morrem por um símbolo. Corinthians e Boca, ou qualquer outro clube do planeta, são entidades criadas para diversão, para o laser, passando longe de outra finalidade qualquer. Esses fanáticos animalesco misturaram o real e o simbólico. Transformaram princípios da paz em ditames de guerra. Perderam as referências sociais, humanas, cegos por uma paixão desenfreada.

E quem sofre com essa afetividade descontrolada e agressiva? Os clubes, claro. A Conmebol está na “captura” do Timão. “Das Oitavas não passará jamais”, sentenciaram na calada da noite. Agora, deve agir da mesma forma com o Boca.

Antes românticas e teatrais, hoje bélicas e mortais. Obrigado por nada. Esse tipo de torcida cheira câncer.

E assim caminha a mediocridade…

Um minuto de silêncio em homenagem ao falecido Corinthians

O que dizer lá em casa, perguntaria o conselheiro Acássio depois da derrota para o Guarani paraguaio, 1 a 0, do Corinthians em plena Arena de Itaquera, caindo fora de forma vexatória da Libertadores? Em poucas palavras, uma vergonha histórica. Alvinegro morreu e esqueceu de deitar. Há muito tempo não acontecia uma tragédia tão grande assim com a equipe alvinegra. De quem é a culpa? Da diretoria sem dúvida. Incompetente para pagar salários atrasados e negociar com jogadores insatisfeitos pela situação.

Depois, o técnico Tite. O rapaz aceita dar uma entrevista para uma emissora de TV e revela, por meio de computação gráfica, como atua o Timão. Vaidade pura. Tipo, “estão vendo como eu me desenvolvi, cresci como profissional, como sou o gostosão. Estudei um ano na Europa”. Daí para frente, até um Asa de Arapiraca tem como bolar um esquema para neutralizar as principais jogadas corintianas. Ficou uma equipe previsível demais, com futebol óbvio demais.

Em terceiro, os jogadores. Teria sido um boicote de quem está com salários atrasados? Não duvido. Seria melhor o Timão ter arrumado dinheiro com agiotas do que deixar de pagar os atletas. Desanimados, encostaram o corpo, perderam o pique, relaxaram de vez. O grupo rachou e a vaca foi para o devido brejo logo depois da goleada sobre o Danúbio. De lá para cá, fecharam-se as cortinas e terminou o espetáculo.

Hora de reavaliar a situação. Será Tite o treinador ideal mesmo? Guerrero, pedindo os tubos, já deveria ser dispensado? O retorno de Tite foi um desastre. Roberto Andrade como presidente é gozação. Em 2011, quando eliminado pelo Tolima na Pré Libertadores, nasceu uma equipe campeã do mundo. Tomara que a história se repita. Vamos torcer. É o que resta para o pobre futebol paulista.

E assim caminha a mediocridade…

São Paulo eliminado e Rogério dá adeus para Libertadores

Leandro Damião levou a disputa para o pênaltis, apesar de bem marcado. EFE

Eu avisei que a vitória de 1 a 0 no Morumbi era uma ilusão. E não deu outra: o Cruzeiro ganhou no tempo normal por 1 a 0 (Leandro Damião) e eliminou o São Paulo nos pênaltis por 4 a 3 da Libertadores, nesta quarta-feira, no estádio do Mineirão. Ao final do penais, Rogério Ceni confessou que essa foi sua última competição sul-americana. Adeus, goleirão.

Uma partida nervosa e bastante disputada. são-paulinos e cruzeirenses deram sangue em campo para conseguirem seus objetivos. A equipe da casa teve sempre mais volume de jogo. Não conseguia entrar tabelando, é verdade, mas arriscou vários chutes de fora da área. No primeiro tempo, William destacou-se, levando perigo ao gol de Rogério Ceni. O principal jogador, no entanto, era Marquinhos. O Lateral-direito deu um trabalhão para Reinaldo. Por aí era o caminho das pedras. Árbitro uruguaio, porém, pôs panos quentes em lance onde atletas se estranharam, Reinaldo bateu firme. Como já tinha amarelo, deveria ter sido expulso.

Pelos lados do Tricolor, pouco o quase nada se viu. Michel Bastos, por exemplo, vinha de uma dengue, teve dores musculares e teve de ser substituído. Pato, inútil, cedeu lugar para Luís Fabiano. Ganso chegou a bater boca com o técnico Mílton Cruz. Não gostou de uma observação feita pelo treinador. Os nervos estavam à flôr da pele. E nas costs de Reinaldo, veio o gol cruzeirense. Bola cruzada na medida para Leandro Damião bater praticamente sem goleiro: 1 a 0. O São Paulo colocou Hudson para segurar o ímpeto do time local. Cruzeiro pecou por falta de entrosamento. O São Paulo, por omissão. Vaga para próxima fase da Libertadores acabou mesmo sendo decidida nos pênaltis.

Rogério Ceni bateu e converteu. Leandro Damião chutou, Rogério defendeu e bola foi na trave. Ganso, no meio do gol, fez 2 a 0. Marquinhos fez o primeiro: 2 a 1. Souza mandou por cima. Inacreditável. De Arrascaeta deixou tudo igual: 2 a 2. Luís Fabiano cobrou mal e Fábio defendeu: 2 a 2. Henrique fez o Cruzeiro pular na frente: 3 a 2. Centurion mandou alto, no ângulo: 3 a 3. O zagueiro Manoel mandou nas mãos de Rogério: 3 a 3. Lucão mandou nas mãos de Fábio. Gabriel não perdoou e mandou o Tricolor para o espaço: 4 a 3.

Classificação dramática e justa.

E tenho dito!

 

Carlitos Tevez vs Messi na final da Champions

AFP

AFP

Dizem as más línguas que um não senta na mesma mesa que o outro. Pelo menos, na Copa 2014, no Brasil, foi assim pela seleção argentina. Agora, acontecerá o grande duelo ao pôr do sol. De um lado, Carlitos Tevez, pela Juventus da Itália; e de outro, Lionel Messi, pelo Barcelona da Espanha. Os dois hermanos farão a final da Champions Ligue em Berlim, no primeiro final de semana do próximo mês. Nesta quarta-feira, a Velha Senhora eliminou o badalado Real Madrid ao empatar em 1 a 1, no estádio Santiago Bernabéu. Gols de Cristiano Ronaldo e de Morata. Na terça, o Barcelona perdeu de 3 a 2 para o Bayern de Munique mas classificou-se por ter goleado na partida de ida por 3 a 0.

E o árbitro ainda deu uma mãozinha para o Real. Deu um pênalti inexistente sobre James Rodriguez. Apoiado pela torcida, a equipe espanhola gtentou ampliar o placar. No entanto, parou no ótimo sistema defensivo da Juve e nas mãos do goleiro Buffon. Tevesz, desta vez, jogou mais para o time. Apareceu pouco na área. Preferiu chamar para a si a marcação, já que é o terror das defesas européias.

No contra-ataque, a Juventus poderia ter feito um resultado até maior. Pogba e Marchisio perderam gols certos batendo em cima de Casillas. Placar justíssimo, diga-se.

Daqui para frente, vale a torcida: Barça ou Juventus; Messi ou Tevez?

E tenho dito

Renasce esperança corintiana dos pés do paraguaio Romero

Romero, também da terra do Guarani, salvou a pátria da Fiel na Arena Pantanal.

Um clima mágico tomou conta do Corinthians. Depois de perder para os paraguaios do Guarani por 2 a 0, na Libertadores, quis o destino que um paraguaio marcasse o gol salvador na estreia da equipe no Brasileirão. Diante do Cruzeiro, 1 a 0, gol de Romero, na Arena Pantanal, em Cuiabá, Mato Grosso. Excelente vitória (quebrando um jejum de quatro partidas sem ganhar) e ótimo resultado fora de casa (Raposa cumpriu suspensão da CBF e não pode atuar no Mineirão). Os dois times, a bem da verdade, foram com reservas e vinham de derrotas na competição sul americana (no Morumbi, São Paulo 1 a 0).

Romero, com o gol deste domingo (lateral-direito Edílson bateu cruzado e ele desviou para o fundo do gol de Fábio), chega ao segundo gol em 32 jogos disputados com a camisa alvinegra. Um milagre? Talvez. Quando se trata de Corinthians tudo é possível. Afinal, Vágner Love de novo esteve abaixo da crítica. Emerson Sheik entrou e só fez firulas. Elogios sim novamente para Malcom. Graças ao garoto o ataque esteve presente na área cruzeirense. Sem falar ter ele contido o bom lateral-esquerdo Pará, muito rápido e veloz.

Tite, desta vez, lembrou o bom e velho treinador de outros tempos. Meteu três volantes em campo (Cristian, Bruno Henrique e Petros), trancou a entrada da área e mandou esticar bolas para Malcom. Simples assim. Não me perguntem porque os titulares não encaram o Guarani do Paraguai do mesmo jeito. Como águas passadas não movem moinho, deixa prá lá. Agora, que venha o Guarani pela Libertadores na próxima quarta-feira, com ingressos totalmente esgotados na Arena de Itaquera. Timão precisa vencer de 3 a 0.

Pato faz um belo gol e comemora com o amigo Ganso. Sergio Barzaghi/Gazeta Press

FICA MILTON CRUZ

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Esse deve ser o lema do técnico do São Paulo, Mílton Cruz. Neste domingo, contra o Flamengo pelo Brasileirão, no Morumbi, estreou no Brasileirão com resultado sensacional: 2 a 1 sobre o Flamengo. Essa foi a sétima partida sob o comando de Cruz e a sexta com resultado positivo (teve apenas uma derrota, Santos nas semifinais do Paulistinha). Os gols foram de Luís Fabiano e Pato. Everton cobrou pênalti (Ganso cortou escanteio com o braço) e fez o de honra do Fla. Mílton terá a missão de segurar mais uma sem perder na próxima quarta-feira, diante do Cruzeiro, no Mineirão. Se conseguir, classificará o Tricolor para a próxima fase da Libertadores.

E tenho dito!