Verdão joga história de glórias no lixo e Tricolor recupera o luxo

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dois dos maiores clubes do futebol paulista vivem situações bem diferentes. O Palmeiras voltou a perder no Brasileirão. Desta vez, para o Sport, de virada, por 2 a 1, em Recife. Já o São Paulo nem tomou conhecimento do Internacional e derrubou a gauchada por 1 a 0, gol de Ganso. O Verdão mergulhou na desgraça e passou a ser o último colocado na zona de rebaixamento. O Tricolor, ao contrário, passou até o Corinthians no G4 (agora está em terceiro, mas o Timão tem um jogo a menos).

Sem querer apontar culpados ou endeusar acertos, os jogadores palmeirenses e a diretoria atual estão jogando no lixo uma das mais magníficas e gloriosas histórias de um clube do Brasil. Impressionante a incompetência desses senhores. Não conseguem administrar as economias e o futebol do ex-Palestra Itália, um dia defendido por Domingos e Ademir Da Guia; Dudu, César Maluco, Ferrari, Émerson Leão, Luís Pereira, Leivinha, Artime, Djalma Santos, Oberdan Catani, Chinesinho e tantos outros.

O goleiro Fábio entregou o ouro para o adversário. Fato. No entanto, quem é o responsável pela escalação do bruto? O técnico Gareca, oras bolas, um paraquedista caído de Buenos Aires de nariz no Parque Antártica. Já o São Paulo, por outro lado, começa a entrar nos trilhos. Podem bajular quem desejarem. Para mim, no entanto, o responsável pelo acerto é o esforçado Kaká. Todo mundo resolveu jogar bola no time depois da chegada dele. É ou não é?

E tenho dito!

Dunga começa uma discreta renovação na seleção brasileira

Gazeta Press

Gazeta Press

O técnico Dunga deu início à uma discretíssima renovação na seleção brasileira, depois do grande vexame da Copa de 2014. Manteve dez jogadores da equipe do ex-treinador (Felipão “7 a 1″) e levou outros esquecidos ou desprezados durante o Mundial. Os destaques são os dois do Corinthians (Gil e Elias) e outros dois do Cruzeiro (Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart). Nada de Robinho (Santos) e muito menos de Kaká (São Paulo).

A rigor, o dólar não será afetado na Bolsa de Nova York por isso, mas Dunga pelo menos abriu mais espaço para jogadores atuando no futebol brasileiro, já que os “estrangeiros” decepcionaram demais nas partidas disputadas em território nacional meses atrás. Estranho mesmo é ver Hulck “pinçado” de novo, com Alan Kardec (São Paulo) tendo boas atuações no Brasileirão. O treinador preferiu chamar Tardelli (Atlético MG).

Os aspecto positivo, por outro lado, acabou ficando por conta de Neymar, Oscar e William. Durante a Copa os três poderiam ter sido aproveitados em todos os jogos, mas Felipão teimou em insistir com Fred (Fluminense). Pelo menos nos livramos do “frangueiro” Júlio César e dos engraçadinhos Dani Alves (Barcelona) e de Marcelo (Real Madrid).

E tenho dito!

O menos ruim vence o clássico paulista

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O nível técnico do futebol brasileiro vai de mal a pior. O clássico paulista entre Palmeiras e São Paulo, no Pacaembu, não fugiu à regra. O Tricolor venceu por 2 a 1 por uma dose a mais de pura sorte. As duas equipes fizeram um primeiro tempo de dar sono. Buscaram o resultado na etapa final, gols de Pato e Alan Kardec; e Henrique, de pênalti, para o Verdão.

Falta máxima,aliás, inexistente. A bola bateu na mão do zagueiro são paulino. Não houve intenção de cortar a trajetória em direção ao gol. Sem contar vários impedimentos assinalados de maneira equivocada. Arbitragem de baixo escalão, interferindo direto no resultado.

Erros de passe, falta de organização tática e pouquíssimos chutes ao gol. O resultado caiu do céu para o São Paulo e mandou o Palmeiras para um terrível inferno. O tal de Gareca chegou à marca de nove jogos sem vencer no campeonato. Passou da hora de sair de fininho. Já Muricy Ramalho empurra com a pança uma crise iminente.

E assim caminha a mediocridade!

Jogo tititi do Timão irrita e juiz dá gol impedido para Bahia

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O campeonato brasileiro, rodada a rodada, é mesmo decidido no detalhe. Na Arena Corinthians, a partida terminou empatada em 1 a 1 contra o Bahia. No entanto, a arbitragem influenciou no placar. O gol de Kieza, aproveitando cruzamento da direita do ataque, foi em completo impedimento. O que acabou sendo um castigo para o futebol tititi mostrado pela equipe do técnico Mano Menezes diante de 31 mil pessoas, debaixo de chuva e temperatura fria.

O Bahia, estreando o treinador Gilson Kleina, matou a saída de bola do Timão, anulando o apoio dos laterais e evitando penetrações de Jadson e Elias. O único a se salvar diante da pegada do adversário foi Guerrero. O peruano, raçudo e briguento, obrigou Marcelo Lomba a fazer duas grandes defesas, além de servir Gil no gol de empate.

Mais uma vez o garoto Romero correu muito e nada resolveu. Mano demorou demais para sacá-lo. Luciano, ao substituí-lo, aproveitou cruzamento de Guerrero e testou firme para defesa de Lomba. De novo, no último minuto da prorrogação, Luciano ajeitou de cabeça e Elias mandou para fora. Equipe alvinegra tocou muito a bola até chegar ao gol do Bahia na etapa final. Tinha como pressionar bastante, mas ficou no chove não molha do passe de lado.

Dois pontos perdidos de bobeira, só para variar.

E assim caminham os medrosos e os medíocres…

São Paulo desmorona no Morumbi, como um castelo de cartas

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Mais um vexame do complicado e inconstante time do São Paulo. Desta vez, de novo em pleno Morumbi. Diante do Bragantino perdeu feio de 3 a 1, sem dó e nem piedade. Como o Tricolor venceu o jogo de ida por 2 a 1, o Braga passou para a próxima fase da Copa do Brasil na base do gol fora de casa (vale dois). Título, aliás, nunca conseguido pelos são-paulinos. Paulo Miranda abriu o placar, de cabeça, em falha do goleiro Renan.

E não era mesmo noite dos guarda-metas, como se dizia no passado. Na sequência, Rogério Ceni entregou de bandeja a vaga para o adversário. Primeiro, em um chute de fora da área de Cesinha. A bola passou sob o corpo do camisa 01. No segundo tempo, a virada do Braga. Erro de marcação no primeiro pau, na cobrança de escanteio, Gustavo Carboneri meteu a cabeça na redonda, estufando a rede tricolor.

Para fechar a noite sinistra, outra cobrança de um esquinado. Rogério saiu dando um “soquinho”. No rebote, Guilherme Mattis encheu o pé e deu números finais à mais uma tragédia da Nova Era Muricy Ramalho. Treinador, por sua vez, optou por uma equipe mista. Deixou Kaká, Alan Kardec, Douglas e Rafael Toloi de fora. Bragantino, com PC Gusmão estreando como treinador, veio para o tudo ou nada e obteve sucesso.

No dia do anúncio do reforço de Michael Bastos, o elenco de estrelas do São Paulo despencou. Desmoronou diante de um sério candidato ao rebaixamento à Séria C do Brasileirão.

Lembrou um castelo de cartas: pomposo, porém frágil. Basta um sopro para derrubá-lo.

E assim caminham as maldições e a mediocridade…

Timão tira vantagem da expulsão e detona Peixe de Robinho

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Os meninos da Vila se transformaram em marca registrada do Santos ao longo dos tempos, principalmente depois de Pelé e companhia bela. Por ironia do destino, graças a um desses “meninos”, o Corinthians saiu-se vitorioso por 1 a 0, gol do zagueiro Gil, em pleno estádio Urbano Caldeira, pelo Brasileirão. Em uma jogada infantil, no final do primeiro tempo, Alison entrou por trás em contra-ataque de Elias e acabou expulso de campo (já tinha um cartão amarelo por falta em Romero).

O fato de o time santista estar com um a menos acabou sendo determinante para a equipe da Capital. Peixe teve apenas chance em erros do adversário. Robinho cansou e teve de sair. A reestréia (a segunda da carreira) chegou a ser boa. Inclusive teve a bola do jogo nos pés (no erro de domínio de Guilherme Andrade). Estava visivelmente com a “cabeça” em outro lugar e sem o menor ritmo. Perdeu pela primeira vez para o Timão: tabus existem para serem quebrados, ué.

Já o Alvinegro do técnico Mano Menezes não se apresentou nem melhor e nem pior em relação à outras partidas. Mesmo com um a mais, concluiu pouco ao gol de Aranha, embora a movimentação do garoto Romero tenha preocupado a zaga santista. O gol de Gil nasceu de um escanteio batido por Renato Augusto, no finalzinho do tempo normal.

Mas se o tal “menino da Vila” estivesse em campo, o resultado poderia ter sido bem outro.

E tenho dito!

Ficha da Globo cai e mata-mata pode voltar no Brasileirão

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrrelli/Gazeta Press

O sistema de disputa chamado mata-mata é tipicamente brasileiro. Se não nasceu aqui, se adaptou muito bem às condições econômicas e culturais da nossa sociedade e o esporte predileto: o futebol. Desde campeonatos do ensino médio, passando pelo colegiais, universidades e até na várzea torneios usam esse sistema. E por quê? É mais barato, muito mais colégios, faculdades ou clubes participam e dá para fazer uma grande festa. Sem falar de torneios de artes marciais: quem ganha fica; o perdedor sai.

Diante da decadência técnica da bola nacional, a Rede Globo já cogita o retorno do tal sistema no Brasileirão, atualmente na fórmula de pontos corridos. Não faltam os defensores dessa disputa. Afinal, é assim em todos lugares do planeta. Outro argumento: ganha quem é melhor tecnicamente; aquele time com mais vitórias, gols e assim por diante. Na teoria, é realmente o supra sumo da Justiça. Na prática, está levando clubes à falência.

O campeonato nacional de hoje é muito caro. Clubes precisam vender a janta para pagar o almoço. Pobre do treinador com elenco de 25 jogadores! Competição é pegada, violenta, vale o resultado e não a beleza do espetáculo. As “estrelas” da equipe jogam metade das partidas e outro tanto estão no departamento médico, em rigoroso tratamento. Caso do menino do São Paulo, Rodrigo Caio, por exemplo. Torceu o joelho e só volta em 2015. Mas o Tricolor pagará salários e direito de imagem, sem dúvida.

Existe um espírito eterno de “colonizado” na bola canarinho. Vivemos em função do “mercado internacional”, como na época das “colônias” do Século 19. Garotos saem crianças daqui para brilharem adultos na Europa. David Luiz, Dante e tantos outros que o digam. E para piorar, quem banca esse “circo” é a TV, com altíssimas cotas. No entanto, TV é assim: ou você dá ibope ou garante prestígio. O atual Brasileirão não tem nem uma coisa e nem outra.

É simples: fase de classificação dividida em grupos; oitavas de final, quartas, semi e final. Torneio pode durar três meses, por exemplo, e está bom demais. Sobra um excelente espaço para Copa do Brasil, regionais, Libertadores e Sul americana.

E tenho dito!

Timão classificado e sinal de alerta ligado daqui para frente

Hedeson Alves/Vipcomm

Hedeson Alves/Vipcomm

O Corinthians perdeu para o Bahia por 1 a 0, na partida de volta, na Fonte Nova, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil. Como na Arena Itaquera venceu por 3 a 0, na soma ficou com 3 a 1 de vantagem e classificou-se para as oitavas de final da competição. Porém, o futebol mostrado pela equipe preocupa. Poucos chutes foram dados a gol, passes errados e um gol contra, do jovem Guilherme Andrade.

De três jogos para cá, a equipe alvinegra mostra falhas de marcação no meio campo e principalmente deixa a desejar em termos ofensivos. O técnico Mano Menezes tem a mania de armar o onze corintiano em função do esquema adversário. Quando, na verdade, seria bem mais tranquilo e prático ter um padrão tático definido. No primeiro tempo, Danilo esteve péssimo. Aliás, já estava na hora de aposentar o meia e colocá-lo na comissão técnica. É um ex-jogador. Nada mais.

Sorte do Timão foram os sete reservas do Bahia correrem muito e jogarem pouco. Na próxima fase da Copa do Brasil entram Flamengo, Botafogo, Cruzeiro, Atlético MG e Atlético PR, somando-se a Fluminense, Flamengo, Vasco, Internacional, Santos e outros grandes times da bola nacional. No Brasileirão, o G4 apertou a concorrência. Domingo, no clássico contra o Santos, o Corinthians precisa se reencontrar.

Sinal de alerta ligado no Todo Poderoso.

E tenho dito!

Timão usa “Plano B” e traz ponto suado de Curitiba

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Pode ser um futebol feio, arrastado onde prevalece a marcação rígida. Talvez a bola disputada pelo Corinthians do técnico Mano Menezes no atual Brasileirão esteja anos luz de distância do histórico time do ex-treinador Tite de 2012. Tudo isso é verdade. No entanto, o que ninguém pode negar, é que o Timão, de grão em grão, de ponto em ponto, se mantém no G4. Neste domingo, somou mais um ponto, no empate de 0 a 0, no estádio Couto Pereira, contra o Coritiba, em Curitiba.

O chamado “Plano B” de Mano (empate fora de casa e, se der, um golzinho com vitória) é um sucesso. Ainda mais diante de uma arbitragem enrolada e complicada de Pedro Vuaden. Ele permitiu a violência em campo, usou poucos cartões, mas expulsou o tranquilo Fagner (já tinha amarelo) depois de uma falta normal sobre o tal de Zé Love.

Partida com poucas opções de abertura de placar. Cássio, porém, mostrou boa forma em ótima defesa de uma falta cobrada por Alex. A resposta alvinegra veio na etapa final, também de falta, batida com perfeição por Jadson. O goleiro Vanderlei tocou para escanteio. Resultado, na balança do contexto, para lá de justo.

E tenho dito!

São Paulo precisa de mais dez Álvaros Pereira para melhorar

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Péssimo resultado, 1 a 1 com o Criciúma em pleno Morumbi. O São Paulo decepcionou a torcida duas vezes. Esse era o jogo da estréia de Kaká diante dos paulistanos (contundido, ficou de fora). Depois, nem o mais pessimista dos homens poderia imaginar um placar igual frente a um adversário fraco e desfalcado de sete titulares. Até o técnico Muricy Ramalho teve receio de sacar um dos três volantes e se lançar ao ataque. Pisada na bola geral. Apenas um jogador se salvou: o uruguaio Álvaro Pereira.

Tomara o Tricolor tivesse mais dez iguais a ele!

Impressionantes a dedicação, a raça, a garra, a vergonha na cara desse lateral-esquerdo. E olhem que o dito cujo estava em uma jornada ruim. Errou quase todos cruzamentos da linha de fundo, o que costuma ser o forte dele. No entanto, em um choque fortíssimo com um meio-campista da equipe catarinense, Álvaro bateu o rosto no chão e foi a nocaute. Pior: revirou os olhos e desmaiou. Correria geral. Ambulância à beira do gramado.

De repente, como naquele famoso lance da Copa, levantou-se e não deixou o treinador substituí-lo. Na primeira dividida, deu um carrinho na bola e armou um contra-ataque. Ganso rolou para Alan Kardec abrir o marcador. Depois, ainda sofreu um pênalti escandaloso (por trás), ignorado pela arbitragem.

Uruguaio não desanimou ao ver o goleiro Rogério Ceni falhar e dar de graça o empate (gol de Rodrigo Souza). Correu mais ainda em busca da já tão esperada vitória no Brasileirão. Na saída de campo, ainda disse que atua no Tricolor Paulista da mesma forma como na seleção uruguaia: com empenho, amor e dedicação. Um tapa com luva de pelica nos “chorões” do Brasil durante o Mundial.

Obrigado, hermano por relembrar a velha atitude, comum no passado e tão rara nos dias de hoje: quando não vai na bola, vai na porrada mesmo.

E tenho dito!